Especial OSCAR 2012 – Apostas e Bate-Papo

[ATUALIZADO] Confira os vencedores em azul!

Comentários pós-premiação: Os filmes com mais indicações não levaram tantos Oscars como o esperado. O favorito da noite, O Artista , levou 5 Oscars, sendo que estava concorrendo a 10. De qualquer forma, conquistou as categorias mais importantes: Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, além de Melhor Trilha Sonora e Melhor Figurino. A Invenção de Hugo Cabret também levou várias estatuetas. Conquistou igualmente 5 Oscars, sendo que foi indicado a 11. Entretanto, foi o ganhador dos prêmios com nem tanto destaque, mais para a parte técnica: Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais. Das 9 categorias que apostamos, acertamos só 3, sem contar com nossas segundas opções em melhor ator e melhor ator coadjuvante. Quem sabe não acertamos mais ano que vem? E vocês, quantas acertaram?

Nossa equipe se reuniu para escolher os melhores filmes, atores, diretores e roteiristas das principais categorias do Oscar. Confira abaixo os indicados e nossos palpites:

Melhor filme

O Artista
Os Descendentes
Tão Forte e Tão Perto
–  Histórias Cruzadas
–  A Invenção de Hugo Cabret
–  Meia Noite em Paris
–  O Homem que mudou o jogo
–  A Árvore da Vida
–  Cavalo de Guerra

Nossa aposta: O ArtistaAlém de ser o segundo filme com mais indicações ao Oscar, a produção foi bem comentada por vários críticos. Como se não bastasse, trata da história do cinema e, dentro disso, de Hollywood. O que pode ser mais a cara da academia do que um filme com esse perfil?

Melhor Diretor

Michel Hazanavicius – O Artista
– Alexander Payne – Os Descendentes                                                                                          – Martin Scorsese – A Invenção de Hugo Cabret                                                                      – Woody Allen – Meia Noite em Paris                                                                                             – Terrence Malick – A Árvore da Vida

Nossa aposta: Michel Hazanavicius – O Artista: O diretor decidiu, em pleno século XXI, dirigir um filme mudo e em preto e branco. A proposta original não só foi interessante como resultou num sucesso super aclamado. De qualquer forma, Martin Scorsese ( A Invenção de Hugo Cabret ) também tem grandes chances de levar a estatueta. Conquistador do Globo de Ouro nessa categoria, ele também é responsável por uma direção fantástica.

Melhor Ator
– Demián Bichir – A Better Life
– George Clooney – Os Descendentes
–  Jean Dujardin – O Artista
– Gary Oldman – O Espião que sabia demais
– Brad Pitt – O Homem que Mudou o Jogo

Nossa aposta: George Clooney – Os Descendentes: Indicado ao Oscar várias vezes e ganhador deste ano do Globo de Ouro, George Clooney foi bastante reconhecido por sua atuação em Os Descendentes. O ator praticamente carrega o filme nas costas diante de seu destaque em meio ao resto do elenco. Nossa segunda opção é Jean Dujardin  ( O Artista ), que teve seu trabalho reconhecido como “a melhor atuação de sua carreira”. Além, claro, de impressionar por estar tão bem num filme mudo.

Melhor Atriz
– Glenn Close – Albert Nobbs
– Viola Davis – Histórias Cruzadas
– Rooney Mara – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Meryl Streep – A Dama de Ferro
– Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn

Nossa aposta: Michelle Williams – Sete Dias com Marilyn: A atriz se encontra muito natural interpretando a excêntrica Marilyn Monroe, trabalho que não é para qualquer uma. Ela convence o público perfeitamente na pele da atriz e cantora. Contudo, outra que merecia ganhar é a Rooney Mara ( Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres ). Mais uma atriz que interpreta uma excêntrica figura, a investigadora Libeth, com uma naturalidade tamanha.

Melhor Ator Coadjuvante
– Kenneth Branagh – Sete Dias com Marlyn
– Jonah Hill – O Homem que Mudou o Jogo
– Nick Nolte – Warrior
Christopher Plummer – Beginners
– Max Von Sydow – Tão Forte e Tão Perto

Nossa aposta: Max Von Sydow – Tão Forte e Tão Perto: No papel de um mudo, o ator impressionou a muitos com sua atuação. Não é todo mundo que arrasa num papel sem falas, não é mesmo? Nossa segunda aposta iria para o Christopher Plummer, que recebeu bastante destaque e ganhou o Globo de Ouro.

Melhor Atriz Coadjuvante
– Berenice Bejo – O Artista
– Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
– Melissa McCarthy – Missão Madrinhas de Casamento
– Janet McTeer – Albert Nobbs
Octavia Spencer – Histórias Cruzadas

Nossa aposta: Berenice Bejo – O Artista: Seguindo o mesmo exemplo de seu parceiro Jean Dujardin, a atriz arrasa num filme mudo e em preto e branco.

Melhor Roteiro Original
– O Artista
–  Missão Madrinhas de Casamento
–  Margin Call: O Dia Antes do Fim
–  Meia Noite em Paris
–  A Separação

Nossa aposta: Meia Noite em Paris: O filme ganhou nessa categoria no Globo de Ouro e realmente está com um roteiro fantástico. É o principal motivo de ter sido indicado a melhor filme. De qualquer forma, não podemos esquecer do brilhantismo de O Artista, que talvez tenha tantas chances quanto o novo bebê de Woody Allen…

Melhor Roteiro Adaptado
–  Os Descendentes
–  A Invenção de Hugo Cabret 
–  Tudo pelo poder
–  O Homem que Mudou o Jogo
–  O espião que sabia demais

Nossa aposta: A Invenção de Hugo Cabret: É disparado o nosso favorito dessa categoria. O filme impressiona por vários fatores, com destaque para o roteiro.

Melhor Longa-Metragem de Animação
–  A Cat in Paris
–  Chico & Rita
–  Kung Fu Panda 2
–  Gato de Botas
–  Rango

Nossa aposta: Gato de Botas: Divertido, animado e um spin off  da franquia de sucesso Shrek, o filme agrada a espectadores de diferentes idades e impressiona por sua história dinâmica e personagens originais.

Bate-Papo

Venha conversar conosco sobre os indicados 😀

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Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Tão Forte e Tão Perto

Escrito Por: Mirela Lemos
Ninguém pode negar, o Brasil fala de Futebol e Carnaval já os Estados Unidos ama fazer filmes que tenha algo relacionado ao atentado de 11 de Setembro.
Alguns podem achar algo repetitivo, mas se a historia é bem contada porque não?
A história dessa vez é de Oskar Schell que, após a morte do pai provocada pelo atentato de 11 de Setembro, encontra uma chave que ele acredita guardar algum segredo. O menino, então, resolve sair em busca de pessoas que ele imagina que conheceram o seu pai antes da sua morte. Sem a ajuda da mãe, ele resolve ir atrás de alguém que saiba qual é o verdadeiro segredo da chave. Mas, para isso, terá de superar seus medos e a dor da perda paterna.
A caminho dessa jornada ele encontrar pessoas de diferentes humores mas todos com um sentimento em comum, o amor, mesmo que representado de varias formas.
O filme que é baseado no livro “Extremamente Alto e Incrivelmente Perto”, de Jonathan Safran Foer, foi indicado a duas categorias do Oscar.
A forma de como as emoções transbordam durante o desenrolar da historia é fantástico, em um momento você pode estar rindo com as esquizofrenias de Oskar mas em outros momentos você pode chorar com o carinho de mãe que tenta lidar com a perda de um marido e ao mesmo tempo sobrevive tentando consolar o filho, essa interpretação vem de Sandra Bullock que mesmo você imaginando que ela seja muito ausente durante o filme ao final ela pode te surpreender.
Mas também posso admitir que tudo tem seus altos e baixos, muitas vezes durante o longa metragem você vai ver as emoções na tela, mas não vai senti-las. Talvez seja como ver frangos de padaria assando, você vê eles ali… Mas não pode pravá-los (ao menos que compre, mas esse não é o caso). E porque isso acontece? Por pura falha de direção, prejudicando assim a criação do personagem principal.
Falhas, quem não tem? Apensar de tudo os personagens tem suas características e seus reconhecimentos.
Muitos criticam a interpretação juvenil de Thomas Horn, as vezes até dizendo que o garoto poderia ter se uma das parte mais ruins de todo o longa. Mas diria que ele traz em seus olhos  uma inocência e um expressionismo que colaboram para a criação do personagem Oskar e ao lado de Max Von Sydo, o vôzinho mudo, dão um show de interpretação. Diria até mesmo que Max completa Thomas em cada cena.
A trilha sonora fica por conta de Alexandre Desplat (O Discurso do Rei) e a  fotografia com Chris Menges (A Missão), que mesmo sendo britânico parece conhecer Nova York com a palma da mão.
O roteiro foi escrito por Eric Roth, a direção de arte de Peter Rogness e não poderia esquecer de falar  de quem fez o figurino tão peculiar de Oskar, a premiada Ann Roth.
Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

Especial OSCAR 2012

Eventos como o Globo de Ouro e o Oscar não passam em branco aqui no blog. Esse ano fizemos uma cobertura via twitter para o primeiro e, ano passado, teve também cobertura da distribuição das almejadas estatuetas. Além de, claro, um post com as apostas do nosso crítico de cinema para o evento! Ambos especiais tiveram participações bem ativas e, por isso, este ano, decidimos preparar algo ainda mais legais para vocês. Juntando forças com o Vende-se Cadeiras ( o blog da nossa mais nova colunista de cinema, a Mirela ), preparamos um especial super bacana. Até o horário do início do Tapete Vermelho, vocês terão vários posts e outras novidades para nos prepararmos para o evento. E, claro, quando os carros começarem a chegar, teremos cobertura tanto da cerimônia quanto da pré-cerimônia ( o tal Tapete Vermelho ). Gostaram? Então confira abaixo mais informações e não deixe de nos acompanhar 😉

Os Indicados

Até domingo, estaremos resenhando todos os principais indicados ao Oscar. Clique no banner para ir até a nossa categoria Oscar 2012, onde você encontra todas as resenhas e posts relacionados ao evento deste ano. Na nossa barra lateral, você também pode encontrar banners dos filmes que a equipe já criticou. As resenhas podem ser lidas tanto no Blog das Resenhas quanto no Vende-se Cadeiras  🙂

Apostas

 Na parte da tarde do domingo, nossa equipe do especial irá se reunir e bolar um post com nossas apostas para o Oscar 2012. Um pouco depois do post ir ao ar, às 18h, abriremos um chat para discutirmos os indicados com ninguém mais ninguém menos que vocês, nossos leitores! Tudo que você precisa para conversar com a gente sobre o evento e seus candidatos ou dar seus palpites é estar online às 18h de amanhã e participar do nosso bate-papo pré-Oscar. Vamos ver se juntos conseguimos descobrir quem vai levar as estatuetas para casa? Daqui do blog, participarão da conversa: Victor, Bruno e Mirela. Não deixem de participar 😉

Cobertura – Red Carpet

 Início: 20h ( Horário de Brasília ) / Onde: @vendesecadeiras

Para aquecer os ânimos para a cerimônia, nada melhor que comentar a entrada das celebridades no famoso tapete vermelho. E por isso mesmo não podíamos deixar isso de fora de nosso especial! Você confere a cobertura do pré-Oscar pelo twitter do Vende-se Cadeiras ( @vendesecadeiras ). Veja o que temos a comentar sobre o Red Carpet e sinta-se livre para comentar conosco também 😉 Quem vai estar liderando a cobertura será a Mirela. Estaremos passando os links online de onde estamos assistindo o Tapete Vermelho.

Cobertura Completa – Oscar 2012

 Início: 21h ( Horário de Brasília ) / Onde: @ blogdasresenhas

Sem mais rodeios, oferecemos a vocês a cobertura completa do evento! Ao início do Oscar, estaremos comentando os indicados, as apresentações, os vencedores, as participações especiais e muito mais! Quem sabe algumas revoltas por conta de algum vencedor que não merecia… – isso esperamos que não tenha rs. E, novamente, você está convidado a nos acompanhar e a comentar conosco a cerimônia. O Oscar 2012 estará sendo comentado pelo twitter do Blog das Resenhas ( @ blogdasresenhas ). Quem estará liderando a cobertura será o Bruno. Estaremos passando os links online de onde estamos assistindo o Oscar. Os canais que estarão transmitindo a cerimônia são a Globo ( somente a partir das 23h55, com boa parte do Oscar já concluída ), a E! ( canal de TV paga que transmite a partir das 19h30, com especial a partir das 16h ) e a TNT ( canal de TV paga que transmite a partir das 20h30, cortando pedaços do Red Carpet ).

E aí? Gostaram? Não deixem de participar! 

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

O Artista!

“Uma das maiores homenagens cinematográficas já feitas.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Propostas originais, tramas inteligentes e bem desenvolvidas, além de um roteiro coerente de ponta a ponta é o que falta no cinema atual, e não me canso de tanto repetir isso, já que é uma triste realidade. Filmes que arriscam um novo formato, impondo arte acima do comercial, acabam sendo grandes fracassos de bilheteria, já que o público não sabe apreciar o que é bonito de verdade. Em O Artista, o risco que o filme correu ao homenagear incrivelmente o cinema, ao ser completamente preto e branco e mudo, foi bastante compensado: indicado a vários Oscar( e com grandes chances de levar a maioria deles), o filme é tão bem estruturado que esquecemos que ele é recente, e passamos a acreditar que estamos vendo um verdadeiro filme da década de 30.

Tudo começa com uma referência bem explícita às produções antigas: os créditos iniciais contendo o nome dos mais importantes envolvidos no projeto – o que já dá uma noção do quão fiel o filme é à época que retrata. Após os créditos iniciais, já somos apresentados aos mais importantes personagens da trama: George Valentin e seu fiel escudeiro: o seu cachorrinho. Fugindo do principal clichê do gênero “filme que fala sobre filmes”, George não é o típico galã arrogante e narcisista; pelo contrário, ele é simpático e bem simples, e comprovamos isso na cena em que Peppy, ainda uma figurante desconhecida, esbarra com ele no tapete vermelho do cinema. George simplesmente começa a rir, e puxa a moça para tirar uma foto com ele. A forma do roteiro, de uma maneira geral, é bem clichê: vemos a ascensão de um personagem e a decadência de outro, sempre fazendo essas duas histórias se encontrarem por motivos maiores. Agora, exatamente como em “A Invenção de Hugo Cabret“, o conteúdo do filme é surpreendente. E dou destaque ao cachorrinho do filme; um dos melhores atores( sim, um dos melhores atores) do longa inteiro. Ele representa, mesmo sendo “apenas” um animal de estimação, uma enorme função dentro da narrativa. Ora, se não fosse por ele, George teria morrido em determinada cena do filme.

O fato do longa-metragem estar sempre apresentando situações novas vividas pelos personagens, garante a atenção contínua do público, seja pelo fato do crescimento extraordinário da carreira de Peppy Miller como atriz ou por George alcançar o fundo do poço após recusar a proposta de seu chefe para participar de um filme “falado”. E isso nos leva a outro ponto genial de O Artista: retratar de maneira fiel o que realmente aconteceu naquela época; o público achar interessantíssimo o novo recurso sonoro disponível e trocar o clássico cinema mudo por ele. E tal aspecto da trama origina uma cena brilhante, da qual George, vendo que seu trabalho está se tornando ultrapassado, tem um sonho perturbador onde não consegue falar e todos os objetos que ele toca ou empurra fazem um barulho incomodante. E esse mesmo aspecto, também, conclui o filme de maneira emocionante, da qual não irei revelar para não estragar a surpresa do espectador – mas tal cena é a mais correta para ilustrar a mudança na vida do personagem principal.

A fotografia do filme, sempre realçando o preto e branco, ajuda de maneira vital para criar e manter o clima de estarmos imersos no passado. E destaco a cena em que George acorda no meio da noite, se levanta e sai do quarto: está tudo escuro, e os únicos focos de luz servem para mostrar a falta de felicidade da situação em que os personagens ali presentes se encontram. A montagem é simplesmente excepcional. A cena em que George e sua mulher tomam café da manhã e, de acordo com os cortes feitos na cena, notamos a mudança de roupa dos personagens( dando a ideia de que ele passaram vários e vários dias naquele clima tenso, sem conversar), dá uma noção do brilhantismo nessa característica do filme. Os atores, simplesmente magníficos, mostrando-se dedicados ao fazerem movimentos, expressões e até danças típicas da década de trinta, aliados a trilha sonora brilhante, também típica daquela época, fornecem ao espectador( junto com o roteiro, como comentei no início desse texto) a ilusão de ter viajado no tempo até a década de 30. Ou seja, tudo no filme serve a um propósito: simular nos dias atuais o que era visto há 80 anos. Pura genialidade.

Com todas essas características positivas, o filme não poderia passar em branco pelo Oscar, e muito menos não ser indicado aos 10 Oscars que está concorrendo. Brilhante ao fazer meta-linguagens e estabelecer que dá sim para se fazer um filme artístico e lucrar com isso, O Artista é uma esperança que surge no coração desse cinéfilo que vos fala – e que pode resultar em outros filmes tão bons e com um destaque tão grande quanto o deste.

Nota: 10,00

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A Invenção de Hugo Cabret!


“Mesmo com alguns tropeços, o filme se mostra extremamente preocupado em agradar o público mais exigente: aquele que conhece a história do cinema.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

De um modo geral, blockbusters servem a um único propósito: arrancar o nosso dinheiro com uma trama rasa e efeitos e/ ou melodrama estrondosos. Para a nossa felicidade, existem algumas exceções – e A Invenção de Hugo Cabret é a mais recente delas. Indicado a incríveis 11 Oscars, o novo filme de Martin Scorsese escancara a cada minuto de projeção o que realmente é: uma inspirada homenagem à história do cinema.

Ele peca em algumas cenas, ou por serem longas demais ou por terem diálogos extremamente simples.  E dou destaque a cena final do filme, que possui uma narração em off desnecessária somente para mostrar que o filme é baseado em um livro( e supor que seus acontecimentos foram reais). Entretanto, os pontos negativos se resumem a esses – e, também, a inexpressiva atuação de Asa Butterfield. E dou sequência ao texto comentando as interpretações por parte dos envolvidos: Ben Kingsley continua mostrando o monstro na atuação que é, sendo versátil e carismático durante toda a projeção( notamos isso quando temos um flashback para a parte feliz da vida do personagem que ele interpreta, onde ele se mostra praticamente outra pessoa em relação ao que vemos agora, após a sua decadência em sua carreira); Chloe Moretz, que mesmo tão jovem transborda talento, como na cena em que ela vai pela primeira vez ao cinema  e em suas expressões extremamente felizes ao dizer que adora ler – e essas expressões já são suficientes para desenvolver a mais importante característica de sua personagem: o amor aos livros; Sacha Bara Cohen, sendo um antagonista que consegue criar uma simpatia com o público, pelo fato de querer comunicar a uma florista que está apaixonado por ela; e, por fim, as aparições especiais de Jude Law e Christopher Lee, que, por mais que sejam sutis, ajudam de maneira única, pois o talento de ambos enriquecem os seus personagens de maneira única.

Retornando a falar sobre o roteiro, a sua estrutura é comum: dois jovens descobrem um mistério sobre o passado de determinado parente de um deles, e ambos vão investigar para descobrir que mistério é esse. O que diferencia A Invenção de Hugo Cabret dos demais filmes é o seu conteúdo; utilizando a história do cinema – principalmente a influência de Georges Méliés sobre ela -, o longa cria uma sutil aventura no passado cinematográfico – desde a invenção do cinema propriamente dito pelos Irmãos Lummiere até os longas mais complexos para aquela época.

Com uma fotografia que se preocupa em criar um universo colorido para uma trama com uma carga dramática relevante, o filme de Scorsese não merece ser considerado “para crianças”. Se nem na própria trama as crianças são tratadas como tal – e notamos isso no modo como Georges e sua mulher encaram Hugo: um mero ladrãozinho que merece ser tratado como tal. As referências que o longa faz aos filmes antigos são diversas, e notamos desde o trem chegando a estação a cena em que Isabelle( personagem de Chloe Moretz) é quase pisoteada pela multidão. A direção de Scorsese é brilhante, sempre conduzindo o desenvolvimento dos personagens para a frente, assim como a história no geral – além de ele fazer uma rápida participação especial no filme, como o fotógrafo.

Com um final emocionante, que não chega a se tornar um melodrama, A Invenção de Hugo Cabret merece diversos Oscars a que está indicado este ano – assim como também merece a atenção do público por querer ensinar a este o que é cinema de verdade.

Nota: 9,0

Ps: O título do filme no Brasil é injusto, pois a tal da “Invenção” nem de Hugo é, e o filme não se foca nessa tal invenção.

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Resenha: Os Descendentes

Tem momentos que a vida simplesmente se torna complicada demais para se viver. Os Descendentes tem início num desses complexos momentos, paralisando instantaneamente Matt ( George Clooney ). Sua esposa sofreu um acidente de barco e acaba em coma, com grandes riscos de morrer. Suas filhas não estão lidando bem com a situação – um tanto revoltadas – e ele não sabe lidar bem com isso, ainda mais com a ausência da mãe. O pai de família também tem assuntos de negócios a tratar com seus primos a respeito da venda de uma propriedade de seus antepassados. Ou seja, um turbilhão de problemas na frente de quem estava acostumado a tratar somente de seu trabalho e permanecer cego para o resto.

A filha mais nova, Scottie ( Amara Miller ), anda implicando com outras garotas e meio perdida com suas amizades. A mais velha, Alex ( Shailene Woodley ), anda bebendo e escapando de seu quarto no campus da faculdade. Diferentes maneiras de demonstrar seu descontentamento com o risco de perda da mãe. Como Alex tem mais juízo e noção do que a mãe fazia quando viva, ela que se aproxima de Matt na busca por consertar as coisas. Ao lado de seu amigo Sid ( Nick Krause ), um garoto desmiolado e um tanto sincero demais, eles tentam lidar com essas difíceis situações e com as surpresas e descontentamentos que o fim da vida de Elizabeth os aguarda.

Um pouco antes do acidente acontecer, Elizabeth estava traindo Matt com outro homem, o que foi descoberto por Alex e consequentemente foi o motivo de uma briga da filha com a mãe. Ela revela esse fato com muito pesar para seu pai, que fica indeciso sobre o que fazer. Eles buscam descobrir mais do amante, chegando mais perto de realmente o conhecer, o que confronta os personagens com a pergunta: o que dizer/ fazer quando se encontra o amante de sua esposa à beira da morte?

Os Descendentes tem uma proposta comovente e sensível, apesar de não ter muito desses aspectos. Achei que, devido a toda a situação da família, faltou afeto entre os personagens. Somente vemos algumas poucas cenas tocantes entre eles e outras de cooperação, mas quase nenhuma onde eles demonstram amor e carinho uns pelos outros. Gostei bastante da direção, que parece feita na primeira pessoa. É como se o filme fosse exibido a partir do ponto de vista de Matt, como creio que é narrado o livro no qual a produção é baseada. O início apresenta uma narração do protagonista explicando os fatos juntamente com as cenas dos mesmos transcorrendo. Durante ela, aparecem ótimas frases que creio terem sido retiradas da obra. Outro ponto fraco do filme é o fato de tudo cair mais para as costas de George Clooney. Em uma de suas melhores atuações – não é a toa que foi indicado ao Oscar com esse filme -, ele não só ganha foco por ser o protagonista, mas por se destacar em meio ao resto do elenco e de carregar sozinho aquela indecisão e sofrimento contidos que o filme tenta passar. Ainda que falte um pouco mais de sensibilidade, ele foi o personagem que melhor coube com a proposta.

Indicado a 4 categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Se tivesse de apostar em alguma coisa para o filme, diria melhor ator. George Clooney realmente está muito bem, mesmo que eu não tenha visto nenhum filme de seus concorrentes. Vamos torcer para que ele leve a estatueta para casa, pois está de parabéns por sua atuação, de verdade! Em todas as outras categorias, acredito que seus concorrentes são fortes demais para o filme que é. Não é tão bom assim para enfrentar produções que estão ganhando tamanho destaque e elogios. De qualquer forma, não custa ter esperança com o melhor roteiro adaptado…

Com alguns fatores fracos que o rebaixam, Os Descendentes poderia ser bem melhor se fosse mais bem cuidado.

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Resenha: Histórias Cruzadas

Baseado no livro A Resposta, publicado aqui no brasil pela editora Bertrand Brasil, o filme narra a produção de uma obra pelo ponto de vista das empregadas domésticas do anos 60. Essas figuras, sempre negras de baixa renda e moradoras de subúrbio, sofriam ainda mais discriminação que os demais afrodescendentes da cidade. Não só haviam regras quanto brancos falarem com negros, mas também como a utilização de transportes públicos e ocupação de demais lugares. Com as domésticas, a discriminação não se encontrava somente na rua, mas também em seu trabalho. Elas mantinham as casas dessas mulheres brancas, limpas, seguras e fartas em comida, além de cuidar de suas crianças – isso enquanto tinham várias em casa precisando também de cuidado ( além de todo o serviço que já fizeram no trabalho precisando também ser feito em seus lares ). Nas moradas que cuidavam, eram vistas sempre como inferiores e ignorantes. Não havia uma relação que não fosse trabalhista e não envolvesse ordens entre as patroas e suas empregadas. No filme, há um momento no qual uma das personagem levanta a ideia de promover uma lei para proibir que elas utilizem o mesmo banheiro dos demais membros da casa. Segunda ela, as empregadas possuem germes e outros malefícios que não podem ser compartilhados pelo uso do mesmo sanitário. Isso além de outros absurdos particulares que podem ser vistos ao longo do filme.

Essa situação já anda tomando conta da pequena comunidade de Jackson, no Mississippi há algum tempo. Quando Eugenia Skeeter ( Emma Stone ) retorna a sua cidade natal, a jovem se depara com todos esse escândalos que se tornaram cada vez mais absurdos até onde ela tinha noção dos mesmos. Indignada, ela se aproxima da empregada de uma de suas amigas para receber ajuda com uma coluna doméstica de um jornal, tendo logo depois a ideia de escrever um livro do ponto de vista dessas reprimidas mulheres há muito tempo discriminadas. A ideia é parcialmente aceita por uma editora de Nova Iorque, o que faz a jovem jornalista decolar de felicidade e lutar ainda mais para conseguir mais adeptas. Ela pretende divulgar todas as injustiças que as donas de casa andam fazendo com suas domésticas que por vezes trabalham anos em suas famílias. Ao longo do filme, conhecemos mais da vida das domésticas e de escândalos que acontecem em seu trabalho. As que chamam mais a atenção são Aibileen ( Viola Davis ) e Minny ( Octavia Spencer ) – que estão concorrendo ao Oscar respectivamente como melhor atriz e melhor atriz coadjuvante.

Os personagens são muito bons e acho que esse é o grande toque do filme. Histórias Cruzadas foi um título perfeito por contar exatamente o que o filme mostra. São várias histórias de diversas empregadas que acabam sendo mostradas ao público por conta das donas de casa ou dos relatos para o livro da Skeeter. E o que seriam das histórias e de seus absurdos a serem revelados se não fossem as personagens bem interpretadas e de personalidades marcantes? Talvez por ser baseado num livro elas tenham um pano de fundo tão bom e possam comover facilmente os espectadores. Mas, é fato que não seriam tão grande coisas se não tivessem o elenco que tem. Duas atrizes coadjuvantes indicadas ao Oscar são desse filme, além de várias já terem participados de ótimas produções.

É um filme que comove facilmente e revolta os espectadores com as personagens racistas e a discriminação das empregadas. Rimos também bastante com várias ironias soltas em diversas cenas da trama e torcemos quando vemos algum personagem cruel receber o que merece. Senti que ele faz a platéia vibrar ao longo de sua exibição, sempre convidando as pessoas a sentirem o que está sendo mostrado. Palmas foram o que não faltou na sala cinema onde assisti à produção.

O filme está concorrendo a 3 categorias ( Melhor filme, melhor atriz e melhor atriz coadjuvante ) diferentes do Oscar, sendo que duas de suas atrizes foram indicadas a melhor atriz coadjuvante. Além de Octavia Spencer ( a doméstica Minny ) e divertida loira burra Celia ( Jessica Chastain, que também marcou presença em A Árvore da Vida, outro indicado a melhor filme ) achei que também que a cruel Hilly ( Bryce Dallas Howard ) merecia também um destaque – apesar de que assim tomaríamos a categoria de melhor atriz coadjuvante. A mais fraca mesmo foi Emma Stone, que apesar de não brilhar tanto quanto as outras, ficou muito bem em seu papel de jovem mulher revoltada com preceitos de jornalista.

Histórias Cruzadas é um filme para chorar, torcer, rir e vibrar junto com os personagens. Altamente comovente e cativante, nos faz refletir sobre injustiças e a procurar saídas para os mais sombrios problemas.

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.