“Um belo retrato de Sofia Coppola sobre a solidão.”
Por Bruno Albuquerque de Almeida!
Bill Murray é um ator fenomenal. Scarlett Johansson, além de doce, é linda. Um filme protagonizado por esses dois tem tudo para ser, no mínimo, interessante. E Encontros e Desencontros vai muito além de ser “interessante”.
Dirigido e escrito por Sofia Copolla( sim, filha do mestre sensacional, diretor de Apocalypse Now e O Poderoso Chefão, Francis Ford Coppola, que produz esse), o filme é um belo e divertido retrato de duas pessoas extremamente solitárias. Bob Harris, ex-astro de cinema que agora ganha a vida fazendo comerciais para a televisão, e Charlotte, noiva de um fotógrafo que pouco lhe dá atenção.
Bill Murray constroe um divertido personagem, que nos faz se identificar com ele ao passar por situações constrangedoras do dia-a-dia, o que é um recurso interessante que Sofia Coppola utiliza para ganhar o espectador – assim como também faz com Charlotte, ao mostrá-la ouvindo música e fazendo coisas rotineiras. A fotografia, sempre azulada ou esbranquiçada, passando uma sensação de frio, ajuda e muito na composição da melancolia contida dentro dos personagens, sempre tentando impressionar alguém para se sentirem importantes, devido a sua grande solidão – Bob diversas vezes tenta agradar, mesmo por telefone, sua mulher, que é sempre ríspida e direta; enquanto Charlotte tenta dialogar com o seu marido, que em diversos momentos parece fingir que ela não existe( principalmente na cena do jantar, em que ele a ignora completamente para dar atenção a uma velha amiga).
Para acentuar mais a solidão dos personagens, Coppola utiliza várias cenas mostrando-os fazendo coisas qualquer, como andar por um parque, observar pessoas na rua, trabalhando no hotel, ou simplesmente sentar-se a cama e pensar sobre alguma coisa. O desenvolvimento do relacionamento entre Bob e Charlotte é sensacional, pois você não sabe o que há entre eles: é amizade? É um amor estilo “pai e filha”? Ou é amor “pra namorar”? E o filme acerta ao mostrar que nem os personagens sabem direito o que aquela relação representa. E que eles apenas querem estar um com o outro, vendo filmes, conversando, fazendo companhia. E o resultado disso tudo, por mais que seja clichê, é aceitável devido as circunstâncias pelas quais os personagens estão passando.
Divertido e melancólico, Encontros e Desencontros é um grande filme de uma promissora diretora
Nota: 9,0
Ps: a seguir, um vídeo sensacional com trechos do filme( CONTÉM SPOILERS).
“Um filme inovador, que infelizmente caiu no esquecimento.”
Por Bruno Albuquerque de Almeida!
É de uma maneira extremamente estranha que Hollywood – e seu público – funciona. Não sei se é falta de senso crítico, ou de conhecimento cinematográfico das pessoas, ou mesmo de divulgação dos filmes, mas o número de obras notáveis que passam despercebidas vem aumentado muito. E Speed Racer é uma delas. Inovando na maneira de utilizar efeitos visuais e montagem, o longa capricha na sua própria maneira de contar histórias.
Vamos começar falando dos efeitos visuais: bastante diferentes do que estamos acostumados a ver( com o irrealismo sendo colocado em primeiro lugar), aqui, os Irmãos Wachowski preferem mudar um pouco, empregando efeitos com texturas simples e mais caricatas, com o óbvio objetivo de tornar o visual do filme mais próximo ao dos desenhos animados. E isso é ótimo, pois essa proximidade aos cartoons dão uma liberdade criativa ao roteiro maior do que a de um filme extremamente racional. E os roteiristas( os Irmãos Wachowski, também) usam e abusam dessa liberdade, nos trazendo esplêndidas sequências de carros voando, escalando montanhas e até brigando( acreditem!)!! Além disso, os efeitos nos permitem apreciar momentos em que os Wachowski se mostram extremamente inspirados: como o slow motion dentro do caminhão, enquanto Corredor X o metralha com as armas de seu carro, e Speed literalmente decolando de seu carro, e em seguida deslizando pela pista, fazendo a clássica pose referente ao seu desenho animado de origem. A montagem do filme é simplesmente sensacional, pois, com o auxílio da sobreposição de imagens, eles conseguem fazer flashbacks e flashforwards instantâneos, e sem soar repentino demais para o ritmo do filme.
E, de maneira inteligente, eles usam os flashbacks para desenvolver quase todos os seus personagens. Speed, Pops, Mamãe Racer, Rex Racer e Corredor X – todos desenvolvidos pelos flashbacks. Ora, sem eles não conseguiríamos compreender o porque de Speed colocar seu coração nas corridas; sem eles, não entenderíamos o porque da morte de Rex ter afetado tanto os membros da família Racer; sem eles, uma emocionante revelação final sobre o Corredor X não teria o mesmo impacto. Ou seja: todas as cenas, todas as falas, todos os pulos temporais feitos pela narrativa foram previamente elaborados, detalhe por detalhe, pelos Wachowski. Brilhante.
E, além dos flashbacks, os personagens continuam evoluindo de acordo com os acontecimentos da trama. Trama, esta, que conta com algumas reviravoltas interessantes – como a traição de Togokhan sobre a parceria que este fez com os Racer e Corredor X e o convite para participar da corrida quer a irmã de Togokhan entrega a Speed, por exemplo. As atuações são ótimas, e destaco o talento de Pauli Litt, o Gorducho, e a presença de cena de John Gooldman e Roger Allan, respectivamente Pops e Royalton. E, antigamente, eu alegava que a atuação de Emile Hirsh era falha, pois não possuir emoção e expressões o suficiente. Agora, compreendo que ele nada mais estava fazendo do que mostrar duas importantes características da personalidade de Speed: a humildade e a simplicidade. Estas que, na cena em que ele nega a sua parceria com a Royalton, são reafirmadas.
O humor no filme surge naturalmente, já que Speed Racer se trata de um “desenho animado vivo”, além de parte dele ser categoricamente clichê: um menino e seu macaco de estimação se metendo em confusões. Mas ambos são tão carismáticos, e o macaco é tão bem treinado, fazendo gestos e poses que, de tão sutis, geram o riso, e acredito que num filme tão simpático como Speed Racer, é o que importa.
Agora, o filme também tem seus defeitos, mesmo que mínimos. O principal deles é a clássica( ou extremamente repetida?) câmera focando o rosto do motorista, enquanto este fala sozinho. Tudo bem que em alguns momentos ocorrem diálogos com esse enquadramento, mas em outros soa bastante gratuito.
Por outro lado, temos uma cena final extremamente emocionante, com Speed se superando para vencer a corrida – e ele não vence por sentir o prazer da vitória, mas para dar uma alegria única a sua família( como a própria Mamãe Racer, interpretada por Susan Sarandon, diz: “Obrigada, Speed.”). E o que dizer da montagem da cena em que é revelado o passado do Corredor X( que nos leva a mais uma reviravolta na trama) – em que nos é mostrado o que ele fez pela sua família, enquanto observamos sua expressão de tristeza? E, para fechar a cena com chave de ouro, Matthew Fox( o Jack de Lost) diz: “Se cometi um erro, então tenho que conviver com ele.”. Este crítico que vos fala não conseguiu segurar as lágrimas.
No mais, com uma fotografia que exalta bastante as cores( outra referência aos desenhos animados), personagens sensacionais e uma trama convincente, Speed Racer é um filme memorável, e que merece ser reassistido diversas vezes. Recomendação máxima!
“Mesmo sem ser o espetáculo todo esperado, o filme é divertido e agrada bastante.”
Por Bruno Albuquerque de Almeida!
Os Vingadores tinha tudo para ser “o evento” cinematográfico do ano, juntando os heróis que a Marvel trouxe para o cinema por conta própria em um só filme. Tendo visto as inúmeras referências ao Universo Marvel que surgiam a cada filme – e os detalhes que somente os fãs mais malucos( como este que vos fala) costumam notar -, era de se esperar que Os Vingadores fosse o melhor filme do Marvel Studios, com a ação mais sensacional e com o melhor balanceamento entre o espaço de tela ocupado pelos personagens. O filme consegue cumprir esses objetivos, mas parcialmente. Ele peca bastante em diversos aspectos, que pretendo comentar nos próximos parágrafos.
O roteiro, também escrito pelo diretor Joss Whedon, é corrido. Com uma curta duração para um filme tão pretensioso – 2h e 15min -, o filme arrisca, já que possui diversos personagens para serem desenvolvidos. Por falar em personagens, o filme peca em somente dar uma breve introdução aos heróis e auxiliares, e confia que o público se lembre de quem eles eram nos outros filmes para estabelecer o “desenvolvimento”. Fazendo isso, o roteiro se preocupa somente em re-estabelecer as características mais superficiais dos personagens: Steve Rogers é o homem extremamente justo e sempre busca fazer o correto, Tony Stark é o cara engraçado que faz piada com tudo( pelo menos suas piadas funcionam, com o incrível carisma e timing de Robert Downey Jr.), Bruce Banner é o frustrado cientista em busca de auto-controle( pelo menos Mark Ruffalo nos mostra uma faceta do personagem que seus antecessores no cinema na última década não fizeram: a simpática) e Thor é o deus nórdico exagerado mas justo. Já Nick Fury e o Agente Coulson são reapresentados, contrariando o que nos foi mostrado deles em Homem de Ferro 2 – e, assim, quebrando a coerência criada no Universo Marvel dos cinemas: o diretor da S.H.I.E.L.D., antes sendo um cara simpático e sociável, agora é extremamente sério e não possui medo de enfrentar o Conselho, que seriam os seus “chefes”; e o Agente Coulson, agora, é um… nerd, fã do Capitão América, e menos sério do que já havia sido estabelecido em Thor.
Já a história é bem simples: Loki( vivido por Tom Hiddleston de maneira tão dedicada que nos faz pensar que o personagem merece um filme só dele) quer dominar a raça humana, e para isso nos ameaça com a invasão de um exército alienígena. Para nos salvar, Nick Fury( medianamente interpretado por Samuel L. Jackson) une os heróis mais poderosos da Terra para deter tal ameaça. O desenvolvimento do roteiro soa burocrático em alguns momentos; por exemplo, ele não se preocupa em explicar como Thor conseguiu vir para o nosso planeta, já que em seu filme solo ficou bem claro que a passagem entre a Terra e Asgard ficou selada. Outro detalhe que o roteiro não explica é o fato de como Bruce Banner aprendeu a controlar o Hulk, após passar duas horas de filme desenvolvendo o Gigante Esmeralda como uma catástrofe horrível( e o roteiro acerta nesse aspecto, pois mostra um lado do monstro que os outros filmes não mostraram). Em compensação, a química entre os personagens é incrível, e comprovamos isso na batalha final, quando os heróis se organizam e se ajudam diversas vezes.
Já os efeitos visuais são esplêndidos. A armadura do Homem de Ferro, bem mais detalhada e realista. O Hulk, mais brilhoso e com os traços faciais de Mark Ruffalo. Os aliens invasores, chamados de Chitauri, aparecem em montes, além de possuírem naves gigantescas, que são tão bem feitos digitalmente que beiram o realismo. Também destaco o Aeroporta-aviões, grandioso e bem feito. Já a montagem é extremamente dinâmica, e nada mais justo para um filme com vários heróis nele. A fotografia peca por sempre exaltar a coloração branca, principalmente no clímax do filme.
O interessante em Os Vingadores é a interação entre os personagens. Os diálogos são bastante inteligentes em diversos momentos, como as discussões entre Steve Rogers e Tony Stark, e a tentativa de manipulação de Loki em cima da Viúva Negra. Também destaco a cena final, onde vemos um pouco de como a vida de cada Vingador vai prosseguir dali em diante.
Enfim, com diversos erros e vários acertos, Os Vingadores é um entretenimento competente e que garante boas risadas e um divertimento único. Vale muito a pena se você estiver afim de um pipocão – e se você for um grande fã dos personagens da Marvel, com direito a uma participação especial numa cena no meio dos créditos que é de deixar qualquer fã maluco.
Fala galera! O post de hoje sobre um integrante de Os Vingadores, que estreia dia 27 de Abril nos cinemas brasileiros, é sobre o Hulk, e seu alter-ego, Bruce Banner.
Bruce Banner é um cientista americano, que costumava estudar os raios gama. Após um acidente com esses raios – dos quais o atingiram em cheio – ele adquiriu a “habilidade” de, quando estiver com raiva, se transformar em um monstro gigante e verde, com muitos músculos, uma forço extrema e a pele impenetrável, do qual chamam de Hulk. Criado por Stan Lee( sempre ele…) e Jack Kirby( outro criador de personagens e desenhista da Marvel, que infelizmente já falecera) em 1962, dando continuidade a revolução nos quadrinhos após a criação do Quarteto Fantástico.
Habilidades: HULK – Super-força, indestrutibilidade da pele. BRUCE BANNER – Inteligência e conhecimentos apurados da ciência.
Curiosidades: o Hulk, inicialmente, iria ter a coloração cinza, mas por um problema na impressão dos quadrinhos, ele saiu com a cor verde. Devido ao enorme sucesso, os executivos da Marvel decidiram manter a cor verde no personagem, que viria a se tornar uma de suas marcas registradas, levando a ser chamado de “Gigante Esmeralda”.
Produções do Audio-Visual inspiradas em Hulk.
O Hulk, como muitos já sabem, teve uma famosa série de televisão, do qual o personagem-título era interpretado por Lou Ferrigno, completamente pintado de verde. A série levou a produção de alguns filmes. Os longa-metragens mais recentes do Gigante Esmeralda são Hulk( dirigido por Ang Lee, em 2003) e O Incrível Hulk( dirigido por Louis Leterrier, em 2008). Esse último já fazendo parte do Universo Marvel nos cinemas, até com uma participação especial de Tony Stark na última cena.
Hulk e Os Vingadores
Nos quadrinhos, o Hulk já foi uma ameaça – e motivo principal para unir Os Vingadores. Após controlado, passou a fazer parte da equipe, como visto no filme. Tal ameaça será vista no filme, durante uma cena – ou mais, ainda não se sabe.
É isso, pessoal! Espero que tenham gostado. E não se esqueçam…
Quando falamos de Stanley Kubrick, o que vem na mente da maioria dos cinéfilos e cineastas é “um dos mais diretores de todos os tempos, se não o maior”. E eles estão certos: 2001 – Uma Odisseia no Espaço é uma das maiores obras-prima de todos os tempos, e é considerado o melhor filme de ficção científica da história, inspirando diretores como Steven Spielberg, George Lucas, entre outros…
Entretanto, não é só por esse seu épico que ele é famoso. Outro filme extraordinariamente bem concebido por ele foi esse que este crítico que vos fala e comentará nos próximos parágrafos: Laranja Mecânica, uma trama única sobre os conflitos internos forçados por um homem que, em pleno caos, tomou conta de sua vida após fazer escolhas erradas durante muito tempo.
A filosofia escondida no filme é muito bela – tão bela que me lembrou o meu filme favorito: Clube da Luta. Vemos uma história sombria, pesada, sobre personagens que ultrapassam a barreira do politicamente incorreto de maneira espantosa; mas o que realmente está implícito lá? Durante o filme, acompanhamos a história de Alex, um adolescente rebelde ao extremo, que se reúne com sua gangue, a qual ele lidera, para espancar bêbados, assustar pessoas e estuprar mulheres. Esse era o seu mundo perfeito, e notamos isso pela interpretação do ator que vive Alex. Até que um dia seus amigos se revoltam com sua liderança abusiva e o entregam a polícia. E, na prisão, ele descobre que existe um método para tornar o ser humano bom – um método científico para eliminar as características ruins da personalidade do participante.
E é nesse ponto que o filme escancara a sua genialidade: no início do filme, temos uma série de cenas que desenvolvem ao máximo a personalidade de Alex: vemos ele espancando um idoso bêbado embaixo de uma ponte – somente porque ele não gosta de idosos bêbados, como diz a narração em off -, estuprando uma mulher na frente de seu marido – um escritor, o qual ele espanca bastante – e sendo bastante mimado pelos pais – que acreditam, sem fazer muito esforço, que o filho está doente e que não pode ir a escola naquele dia ( sendo isso, obviamente, uma mentira). Ou seja: Alex é o pior tipo de pessoa na idade dele que pode existir, e para completar essa conclusão vemos ele levando duas garotas para a cama com muita facilidade.
Então, fica extremamente fácil de nós aceitarmos Alex sendo um “menino bonzinho” na cadeia, além de quando ele se voluntaria para participar do método para torná-lo um ser humano bom: é óbvio que ele estava fazendo tudo isso para dar logo o fora dali – chegamos até a vê-lo ser extremamente gentil com um padre, sendo que no início do filme, vemos em seu quarto pequenas estátuas que representam Jesus Cristo de maneira debochada – bastante, aliás.
Durante o processo de “aperfeiçoamento” da personalidade de Alex, que em nenhum momento é previamente esclarecido de como funciona, Stanley Kubrick faz questão de mostrar que ele é brutal, de que ela é extrema até para um criminoso em larga escala como Alex. E ele faz isso com toda a razão, já que jogar na cara de um malfeitor que ele é um monstro por dentro, por mais que ele conviva com isso, é assustador. E mais assustador ainda é o que ocorre depois com Alex, com todo o seu “mundo perfeito” se voltando contra ele, após ele sair da prisão – sempre sentido fortes vontades de vomitar logo no momento de cometer novamente os delitos que o levaram para a cadeia: seus pais conseguiram um “novo filho”, seus ex-parceiros de gangue se tornaram policiais ( e eles os espanca), e ele acaba batendo na porta do marido escritor da mulher que ele estuprou – que se torna um dos personagens mais psicologicamente alterados que já vi.
Ou seja: aquilo que vimos Alex fazendo no início do filme não só serviu para desenvolvê-lo, mas para dar continuidade a trama quando esta estivesse próxima da conclusão ( e dão continuidade mesmo: o que acontece em decorrência disso nos leva a um dos “finais não-felizes” disfarçados de “felizes” mais interessantes de todos. )
A fotografia do filme é bem simples em determinados momentos, e em outros bastante bem executada: como na cena em que eles impedem outra gangue de estuprar uma mulher e na cena em que eles se aproximam do idoso embaixo de uma ponte antes de espancá-lo.
A direção de Kubrick é outro detalhe importante. Prestem atenção na cena em que Alex passeia em uma loja de vinis – o passeio que a câmera faz é brilhante ( além de ressaltar o CD da trilha sonora de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A maneira cômica como a cena de sexo de Alex com as duas garotas que ele conhece nessa mesma loja também é bem realizada pelo diretor, acelerando a imagem e pondo uma música instrumental de fundo. A montagem também é bem interessante, mas nada de muito extraordinário.
Mas, mesmo no meio de tantos pontos positivos, o filme peca na cena do bar, logo após Alex acabar de jogar seus colegas de gangue no mar, logo após eles pedirem um espaço maior nas decisões do que o grupo deve fazer. A atitude de Alex, claramente, dizia: “EU QUE MANDO NESSE GRUPO! VOCÊS TEM QUE ME OBEDECER!”. Mas, o que a narração off fala? “Eu estava mostrando a eles quem é que manda.”. Infelizmente, com essa fala em off, a cena ficou redundante.
Mesmo assim, Laranja Mecânica é um filme memorável, e não é a toa que está em diversas listas como um dos melhores de todos os tempos.
“Uma obra-prima moderna. Inteligente, original e filosófico. Recomendação máxima!”
Por Bruno Albuquerque de Almeida!
Poucos filmes dessa primeira década do século 21 conseguem estabelecer uma nova maneira de conduzir histórias, personagens originais e um roteiro inteligente. Donnie Darko é um desses filmes, e pode ser considerado um dos melhores.
A montagem do filme é brilhante: faz com que suas duas horas e dez pareçam quatro. Não porque é cansativo e arrastado, mas porque as informações necessárias para a compreensão da trama estão sendo aprofundadas detalhadamente. O desenvolvimento rigoroso dos personagens é necessário para que entendamos a importância de cada um na trama – por mais singela que seja: desde a professora de Inglês de Donnie quanto a sua psicóloga. A trilha sonora, quase totalmente feita por músicas dos anos 80( nada mais justo para um filme que se passa nessa época), consegue criar essa identidade oitentista para o filme, que garanto a vocês, em diversos momentos pareceu mesmo que tinha sido feito nessa época. Não só pela qualidade da imagem – que é meio borrada, típico daquela década -, mas como os efeitos visuais – simples e com aquele tom de irrealidade – e a direção de arte – com roupas, maquiagem, carros e até uniformes da época.
Mas o que chama a atenção no filme é seu personagem e seus distúrbios mentais, que o fazem ver um coelho gigante chamado Frank que o manda cometer diversos atos de vandalismo. O interessante de tudo o que acontece em decorrência disso – como Donnie enlouquecendo aos poucos, os personagens secundários se interessando cada vez mais por ele e eventos misteriosos – faz parte de algo maior, que quero abordar nos próximos parágrafos.
ALERTA DE SPOILER! SE VOCÊ AINDA NÃO VIU O FILME, PULE OS SEGUINTES PARÁGRAFOS EM NEGRITO!
Vemos, durante toda a sessão do filme, diversos acontecimentos isolados que, a princípio, soam desnecessários. Mas, com um roteiro inteligente, o filme consegue explicar a importância fundamental de todos eles e como vão se encaixar no desenrolar da história.
Então, vamos começar do fim( isso mesmo): ao final do filme, vemos a namorada de Donnie sendo atropelada. Por quem? FRANK, o coelho gigante que Donnie via, que na verdade era o namorado da irmã dele com uma fantasia. Nisso, Donnie se desespera, e dá um tiro no olho direito de Frank. Após isso, ele, de carro, vai até uma floresta e vê uma espécie de tornado. Nisso, o filme retrocede no tempo, e vemos Donnie deitado em seu quarto, sendo atingido pela turbina do avião. O que podemos interpretar disso?
1º: De acordo com o livro da Vóvó Morte, existe uma série de fatores que identificam e que ajudam o escolhido para viajar no tempo. O tal escolhido possui habilidades especiais, como super força e manipulação do fogo e da água. No filme, Donnie enterra um machado na cabeça de uma estátua de bronze, inunda a sua escola e toca fogo na casa de um pedófilo. No livro, também vemos que, para que o escolhido( que é chamado “receptor vivo”) possa viajar no tempo, deve existir um “receptor morto”, no caso Frank. No meio do filme, vemos Frank tirar a sua máscara de coelho, e percebemos que ele está com o olho direito sangrando. Como Donnie o matou no fim do filme? Com um tiro no olho.
2º: Outro fator descrito no livro é o “Manipulado Vivo”, que é um ser humano que, sem querer ou perceber, ajuda o Receptor Vivo a encontrar o seu caminho para a viagem no tempo. No filme, encontramos DIVERSOS: a professora de inglês( que anota na lousa a frase “Porta do Porão”, que auxilia Donnie em uma tarefa no fim do filme); o professor de Física( que lhe dá o livro “A Filosofia da Viagem no Tempo” e que auxilia Donnie a entender que ele precisa de uma “enorme nave de metal” para poder atingir o seu objetivo com sucesso); a mãe e a irmã de Donnie( que estão voltando de uma viagem a Los Angeles, e o avião do qual elas estão dentro funciona como a “nave de metal” que Donnie precisa); e os garotos valentões do colégio de Donnie( que, se não fosse por eles, a namorada de Donnie não teria morrido e ele não teria conseguido achar o portal no espaço-tempo).
3º: No fim do filme, vemos uma cena completamente estranha. nela, Donnie está deitado em seu quarto. Sua irmã chega do que parece ter sido uma festa e, após isso, uma turbina de avião atinge o quarto dele. Após isso, vemos apenas a sua namorada dando um tchau para a mãe de Donnie, que fuma bastante enquanto chora. Entendemos que ela não sabe quem era Donnie, pois esta pergunta a um garoto na rua o que aconteceu e com quem. Notamos, pela expressão no rosto de Donnie, que ele está feliz – e ao mesmo tempo triste. O que podemos interpretar disso? Minha visão é que ele voltou no tempo, e ao se sacrificar, conseguiu salvar a sua mãe, sua irmã mais nova e sua namorada, além de Frank, que ele mesmo iria matar no futuro.
FIM DOS SPOILERS
A atuação de cada um dos envolvidos é brilhante – desde Jake Gyllenhaal até sua irmã mais nova. A cena onde Gyllenhaal deixa bem claro o quão competente ele é com o seu trabalho é a em que ele está na sala da diretoria e sua diretora fala em voz alta o que ele disse para ela durante a aula. A expressão que Jake faz em seguida é GENIAL, além de causar um riso quase incontrolável neste que vos fala. A fotografia é simples, sempre realçando cores claras na escola( por ser, provavelmente, o único lugar em que se sente um pouco de felicidade durante a trama) e no “esconderijo” de Donnie e seus amigos, e em cenas tensas( como a em que a namorada de Donnie morre e seus encontros com Frank).
Enfim, Donnie Darko é um filme memorável, que merece ser assistido inúmeras vezes, não só para uma compreensão completa por parte do público, mas para se admirar uma verdadeira obra de arte.
O segundo post sobre os heróis Marvel que irão se unir dia 27 de Abril nos cinemas é sobre o mais divertido – e interessante- de todos: o senhor Tony Stark, o Homem de Ferro!
Antes de falar sobre os dois filmes já feitos desse bilionário, vamos fazer uma breve ficha, relatando quem é Tony Stark.
Tony Stark, bilionário que herdou do seu pai a Stark Industries, principal fornecedora de armas para o Exército dos Estados Unidos. Playboy, mas em compensação um gênio da engenharia. Produziu várias armas consideradas obras-prima da destruição em massa. Parou de fabricá-las após ver jovens americanos sendo mortos por elas.
Habilidades: Armadura blindada, com diversas armas de destruição, como propulsores nas mãos e nos pés, incluindo um mais poderoso no peito. Inteligência, e domínio da física e da engenharia. Além de tudo isso, possui grande influência na mídia, devido o seu jeito extravagante de ser. Foi sequestrado por um grupo terrorista árabe e, para fugir, criou uma armadura de latão. Após ver várias pessoas sofrendo pelo mundo, Tony Stark aprimorou essa armadura para combater o mal.
Aliados: Virgínia “Pepper” Potts, sua governanta e, ao fim de Homem de Ferro 2, sua namorada. E James Rhodes, que trabalha na Aeronáutica Norte Americana e é um dos melhores amigos de Stark.
Os podres de Tony Stark.
Por mais inteligente, rico e poderoso que seja, Tony Stark tem um grande problema: o alcoolismo. Em uma série dos quadrinhos, Tony Stark ficou tão viciado em bebidas alcoolicas, que seu amigo James Rhodes assumiu a armadura de Homem de Ferro. Além disso, Tony Star é MUITO, MAS MUITO mulherengo. Vemos isso em ambos os filmes – no primeiro, logo no início, ele leva uma jornalista pra cama, e depois vemos várias aeromoças dançando para ele em um jatinho. No segundo, ele tenta levar uma mulher que lhe enviou uma intimação pra cama, sem sucesso.
Homem de Ferro e Os Vingadores
Após os créditos do primeiro filme, vemos uma cena em que aparece um GRANDE personagem do squadrinhos: NICK FURY, interpretado pelo Samuel L. Jackson. Lembro-me da loucura dos fãs nessa época – inclusive eu. Em Homem de Ferro 2, Nick Fury tem grande presença no filme, e ao final ele revela um
relatório sobre o Homem de Ferro, que diz: Homem de ferro – APROVADO. Tony Stark – NÃO RECOMENDADO. Ou seja: eles precisam da armadura, mas não querem o narcisismo de Tony para infernizá-los. No entanto, ele participará de Os Vingadores, e cabe ao roteiro do filme explicar como isso ocorreu.Espero que tenham gostado, galera! Até o próximo post! E não se esqueçam…
Um detalhe que venho notado nos últimos anos é que as séries de TV vem se tornado cada vez menos originais, principalmente no gênero humorístico. As mesmas fórmulas de sempre, reutilizadas com um formato diferente, é o que caracterizam a maioria das séries de humor. Eis etnão que surge Community – uma série inovadora que, além de contar com personagens RIQUÍSSIMOS de conteúdo e uma trama original, consegue achar espaço para um roteiro inteligente e referência aos seriados e filmes clássicos.
Mas do que se trata Community? Bem, basicamente, Community conta a história de um grupo de estudos formado por pessoas com os mais diferentes tipos de personalidade, se aventurando no dia-a-dia de uma faculdade comunitária. Simples, admito. Mas lembre-se: em qualquer mídia, não é O QUE, e sim COMO tudo é mostrado.
Os personagens e como são desenvolvidos na trama.
Jeff.
Jeff é o típico galã, que conquista tudo e todos com frases de efeito que causam impacto. Sendo um ex-advogado e o líder do grupo de estudos, Jeff é um personagem genialmente desenvolvido, pois as suas características racionais( a inteligência, a habilidade nas palavras e a persuasão) sempre que podem são contrapostas com o lado emocional dele, como vemos no fim do episódio da primeira temporada em que a sua professora termina o namoro entre eles, e na luta no episódio “Especial de Natal( que de natalino não tem quase nada), ele, ao invés de lutar como havia combinado com o valentão da universidade, pensa duas vezes e resolve tornar aquilo em algo pacífico, exatamente como uma de suas amigas havia lhe pedido desde o início do epísódio, somente tendo sucesso nessa cena.
Abed
Abed é um dos personagens mais geniais da série, pois ele não possui NENHUMA característica pessoal além do fato de amar Cultura POP. Sim, ele se resume a isso. Portanto, Community encontra ai o seu espaço para fazer inúmeras homenagens a séries e filmes antigos: Abed incorpora diversos personagens – incluindo ALIEN( é, o “8º Passageiro, de Ridley Scott), Robocop e Han Solo, da saga cinematográfica de Star Wars. E isso, além de render inúmeras risadas ao espectador, consegue homenagear grandes feitos históricos do audiovisual.
Pierce
Pierce é o já clássico idoso rabugento, racista e homofóbico. Mas, o que diferencia Pierce dos demais é a sua falta de amor próprio. São inúmeros os episódios onde ele se nega para ficar perto de Jeff, ou de Troy. E essa falta de amor próprio é tão grande que Jeff usa ela a favor dele mesmo no episódio “Modern Warfare”, ao usar Pierce como isca para atirar no “Glee Club”. Porém, Pierce consegue ser um tanto imprevisível, como vemos no episódio em que ele ajuda Shirley na sua apresentação sobre bolinhos.
Troy
O jogador de futebol americano que sempre anda com o casaco do time para impor respeito aos demais. Esse é Troy. Mas, será só isso mesmo? Não. Troy quebra o estereótipo do esportista narcisista, ao se revelar um super discreto nerd e sensível. Em situações extremas( como esperar por 15 horas seguidas por um teste que sua amiga Annie prometeu fazer e ver que a mesma amiga bateu em um policial com tanta força que ele desmaiou), Troy chora, grita e extravasa de diversas maneiras. As caretas que ele faz, além de seus ataques de histeria estão entre os momentos mais engraçados da série.
Shirley
A “mãezona” do grupo de estudos, é, além de um refúgio materno para todos( menos Pierce, já que Shirley, além de ter uma idade aproximada da dele, é afro-descendente, e já sabemos que Pìerce é extremamente racista, então dá para imaginar o resto.), uma maneira do seriado fazer uma crítica aos religiosos mais dedicados: como no episódio especial de Natal da primeira temporada, em que Shirley – sendo uma cristã e adoradora de Jesus Cristo – mostra que guarda rancor e é vingativa, o que levas os outros personagens a se perguntarem: “Se ela é cristã e isso a torna uma pessoa boa, por que então ela está se vingando?”. Além disso, Shirley também mostra que uma mulher com uma idade mais avançada podem sim se enturmar com mulheres joven – e até serem melhores amigas.
Annie
Annie é a prova viva de que todos podem dar a volta por cima: ex-viciada em drogas, após passar por uma clínica de reabilitação, tornou-se a garota mais meiga e encantadora de todas. Mas, por outro lado, o roteiro da série revela que até os mais belos seres podem possuir defeitos. Annie é egoísta e manipuladora, e vemos isso mais claramente na segunda temporada. Outro personagem interessantíssimo de Community.
Britta
Britta mais serve para ser uma paródia da “mulher honesta”, que sempre tenta ser correta com tudo e todos, sem demonstrar desvios de personalidade. E isso nos leva àquele conceito de Community: nem tudo é o que sempre afirma ser – Britta sempre desliza nas suas tentativas de ser sempre correta, além de namorar um idiota como Vaughn. No mais, ela é a personagem mais desinteressante da série.
As referências de Community
Beetlejuice
Lembra daquele filme dos anos 80, Os Fantasmas se Divertem? Pois é, e lembra daquele detalhe no filme, em que você tem que falar “Beetlejuice” três vezes para o fantasma aparecer? Então, Community, uma vez por temporada, mostrou alguns dos seus personagens falando essa palvra. E, na terceira temporada, quando a palavra foi dita pela terceira vez, quem foi que apareceu? Olhe para o plano de fundo da imagem, e dêem boas risadas com essa referência GENIAL.
Pulp Fiction
Lembro-me até hoje quando foi anunciado que Community faria um episódio em homenagem a Pulp Fiction, e isso fez um alarde tão grande que “Pulp Fiction” ficou nos TT’s BR durante um dia. O episódio faz diversas referências ao filme, mas no final o episódio se mostrou uma enorme referência ao filme “My Dinner With Andre”. Mais uma piada, só que agora essa foi feita com os espectadores.
As outras referências.
Temos aqui um exemplo das diversas outras referências de Community. Você pode conferir o resto clicando aqui e aqui.
O Predador // 1ª temporada, episódio 23: Modern Warfare
Community: de um modo geral.
Community é engraçado, original e único não só pelas características que já citei, mas também por sempre apostar em novos formatos, conteúdo e maneira de contar histórias e de desenvolver personagens. A cada episódio, nos divertimos novamente, pois um novo tipo de narrativa é empregado, os personagens são aprofundados e a amizade entre ele é mais detalhada. Mas, diferentemente de outras séries, Community não fica apelando para frases de efeito simples e diretas: Community MOSTRA a amizade deles melhorando, não só pela atuação magnífica por parte de todos, mas pelas situações em que eles estão vivendo naquele momento. É uma série memorável, uma das melhores de todos os tempos, junto com Lost. E, para terminar, gostaria de explicar uma coisa:
Community >>> The Big Bang Theory.
Se você assiste The Big Bang Theory e acha que naqueles caras são nerds – e que os nerds vivem daquela maneira -, você precisa assistir a Community. Seus conceitos serão reavaliados por você mesmo.
Olá, tudo bem? Nesse meu primeiro post dando dicas de filmes OBRIGATÓRIOS, comentarei alguns dos mais importantes – e bem feitos – filmes de todos os tempos. Comentarei detalhes técnicos, artísticos, a visão do diretor e a interpretação dos atores. Espero que curtam!
2001 – Uma Odisseia no Espaço
Obra-prima de Stanley Kubrick, retrata de maneira fiel aquilo o que o espaço sideral realmente é: um enorme vazio, entediante e calmo. Com uma trilha sonora inspirada, o longa consegue ser surpreendente, não só pela sua longa duração – e intermináveis tomadas , mas com uma trama que se desenvolve de maneira extremamente lenta e fora do usual. HAL 9000 é o personagem mais interessante de todos, e consegue ser extremamente bem desenvolvido, mesmo sendo apenas um computador. Os efeitos especiais que, mesmo tendo sido feitos em 1968, consegue ser mais realista do que o de muitos filmes atuais. Além de tudo isso, o filme também conseguiu prever diversos acontecimentos da atualidade: as video-chamadas( por celulares e Skype); as estações espaciais( umas que chegam a possuir formatos extremamente semelhantes aos de atuais estações); a dependência de tudo para empresas( note, em uma das naves o logotipo de uma empresa de aviões da época); etc. Também metáforas sobre o valor da vida – e o modo como esta se desenvolveu no planeta Terra, mostrando as origens da caça e da divisão dos seres da mesma espécie em grupos – 2001 – Uma Odisseia no Espaço deverá ainda ser lembrado pelos próximos 50 anos.
O Poderoso Chefão. – Partes 1, 2 e 3.
Precisa explicar que a trilogia d’O Poderoso Chefão é uma das mais importantes( se não a mais) e influentes do cinema? Francis Ford Coppola criou a sua obra-prima, que rendeu diversos Oscar e revelou grandes talentos que até hoje são extremamente louvados – como Robert De Niro e Al Pacino. Com uma trama intensa, e cheia de diálogos extremamente bem utilizados na narrativa, sendo todos funcionais na trama, essa trilogia não pode passar despercebida por você.
O Planeta dos Macacos.
O filme original, que possui aquele final surpreendente que ficou marcado no cinema, consegue fazer um misto de filme de aventura e ficção-científica muito bem sucedido. Expondo uma opinião sobre o que o poder pode causar nas raças – e as consequências negativas acarretadas por tal, o filme é uma pequena obra-prima, que originou filmes completamente dispensáveis, como a refilmagem comandada por Tim Burton.
Chumbo Grosso e Todo Mundo Quase Morto.
Na opinião crítica deste que vos fala, os melhores filmes de comédia já feitos. Eles conseguem fazer sátiras e ao mesmo tempo se levar a sério de maneira sutil e com piadas que funcionam, não só pelas referências, mas pela interpretação dos atores. A parceria Edgar Wright – Simon Pegg – Nick Frost nunca decepciona. Aliás, devo lembrá-los: é necessário assistir a “Os Bad Boys 2” e “Madrugada dos Mortos”, ou qualquer filme policial e de zumbis, para a compreensão de todas as piadas. Bom divertimento!
“Uma das maiores homenagens cinematográficas já feitas.”
Por Bruno Albuquerque de Almeida!
Propostas originais, tramas inteligentes e bem desenvolvidas, além de um roteiro coerente de ponta a ponta é o que falta no cinema atual, e não me canso de tanto repetir isso, já que é uma triste realidade. Filmes que arriscam um novo formato, impondo arte acima do comercial, acabam sendo grandes fracassos de bilheteria, já que o público não sabe apreciar o que é bonito de verdade. Em O Artista, o risco que o filme correu ao homenagear incrivelmente o cinema, ao ser completamente preto e branco e mudo, foi bastante compensado: indicado a vários Oscar( e com grandes chances de levar a maioria deles), o filme é tão bem estruturado que esquecemos que ele é recente, e passamos a acreditar que estamos vendo um verdadeiro filme da década de 30.
Tudo começa com uma referência bem explícita às produções antigas: os créditos iniciais contendo o nome dos mais importantes envolvidos no projeto – o que já dá uma noção do quão fiel o filme é à época que retrata. Após os créditos iniciais, já somos apresentados aos mais importantes personagens da trama: George Valentin e seu fiel escudeiro: o seu cachorrinho. Fugindo do principal clichê do gênero “filme que fala sobre filmes”, George não é o típico galã arrogante e narcisista; pelo contrário, ele é simpático e bem simples, e comprovamos isso na cena em que Peppy, ainda uma figurante desconhecida, esbarra com ele no tapete vermelho do cinema. George simplesmente começa a rir, e puxa a moça para tirar uma foto com ele. A forma do roteiro, de uma maneira geral, é bem clichê: vemos a ascensão de um personagem e a decadência de outro, sempre fazendo essas duas histórias se encontrarem por motivos maiores. Agora, exatamente como em “A Invenção de Hugo Cabret“, o conteúdo do filme é surpreendente. E dou destaque ao cachorrinho do filme; um dos melhores atores( sim, um dos melhores atores) do longa inteiro. Ele representa, mesmo sendo “apenas” um animal de estimação, uma enorme função dentro da narrativa. Ora, se não fosse por ele, George teria morrido em determinada cena do filme.
O fato do longa-metragem estar sempre apresentando situações novas vividas pelos personagens, garante a atenção contínua do público, seja pelo fato do crescimento extraordinário da carreira de Peppy Miller como atriz ou por George alcançar o fundo do poço após recusar a proposta de seu chefe para participar de um filme “falado”. E isso nos leva a outro ponto genial de O Artista: retratar de maneira fiel o que realmente aconteceu naquela época; o público achar interessantíssimo o novo recurso sonoro disponível e trocar o clássico cinema mudo por ele. E tal aspecto da trama origina uma cena brilhante, da qual George, vendo que seu trabalho está se tornando ultrapassado, tem um sonho perturbador onde não consegue falar e todos os objetos que ele toca ou empurra fazem um barulho incomodante. E esse mesmo aspecto, também, conclui o filme de maneira emocionante, da qual não irei revelar para não estragar a surpresa do espectador – mas tal cena é a mais correta para ilustrar a mudança na vida do personagem principal.
A fotografia do filme, sempre realçando o preto e branco, ajuda de maneira vital para criar e manter o clima de estarmos imersos no passado. E destaco a cena em que George acorda no meio da noite, se levanta e sai do quarto: está tudo escuro, e os únicos focos de luz servem para mostrar a falta de felicidade da situação em que os personagens ali presentes se encontram. A montagem é simplesmente excepcional. A cena em que George e sua mulher tomam café da manhã e, de acordo com os cortes feitos na cena, notamos a mudança de roupa dos personagens( dando a ideia de que ele passaram vários e vários dias naquele clima tenso, sem conversar), dá uma noção do brilhantismo nessa característica do filme. Os atores, simplesmente magníficos, mostrando-se dedicados ao fazerem movimentos, expressões e até danças típicas da década de trinta, aliados a trilha sonora brilhante, também típica daquela época, fornecem ao espectador( junto com o roteiro, como comentei no início desse texto) a ilusão de ter viajado no tempo até a década de 30. Ou seja, tudo no filme serve a um propósito: simular nos dias atuais o que era visto há 80 anos. Pura genialidade.
Com todas essas características positivas, o filme não poderia passar em branco pelo Oscar, e muito menos não ser indicado aos 10 Oscars que está concorrendo. Brilhante ao fazer meta-linguagens e estabelecer que dá sim para se fazer um filme artístico e lucrar com isso, O Artista é uma esperança que surge no coração desse cinéfilo que vos fala – e que pode resultar em outros filmes tão bons e com um destaque tão grande quanto o deste.