Especial Bienal do Livro do Ceará 2012.

Fala pessoal! Desde o dia 8 de novembro até hoje, 18, rolou aqui em Fortaleza – CE a X Bienal Internacional do Livro! Com muitos bate-papos, lojas, lançamentos e shows musicais, o evento atraiu milhares de pessoas na capital cearense!

O Centro de Eventos.

Recentemente inaugurado, o gigantesco Centro de Eventos do Ceará espanta devido a sua modernidade. Com estacionamentos internos e externos (cuja entrada é feita por um túnel triplo que fica ao lado do local), lá existem salões gigantescos – alguns com paredes customizáveis -, fazendo uma multidão parecer um pequeno grupo de amigos lá dentro. A feira de livros se localizava no principal espaço, como você vê abaixo, e possuía uma infinidade de livros, revistas e até brinquedos educativos.

A Feira de Livros.

Com uma rica variedade de gêneros – desde romances, passando por auto-ajuda, livros didáticos e filósoficos até histórias em quadrinhos e mangás -, a feira foi feita para agradar a todos os gostos. Porém, não agradava a todos os bolsos: diversos livros estavam mais caros do que se comprados em livrarias da própria cidade. Por exemplo: a edição simples de A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, que na Saraiva custa R$ 31,90 na Bienal saia por R$ 59,90; Clube da Luta, que na época de seu lançamento se encontrava a venda por R$ 39,90, na Bienal custava o mesmo. De qualquer maneira, alguns estandes faziam promoções especiais – como “4 livros por R$ 10,00”, o que me levou a comprar oito mangás de Battle Royale.

Os autores convidados.

Nessa Bienal, um dos maiores atrativos eram os autores lançando seus novos livros. Tivemos Thalita Rebouças, Tony Belloto, Maitê Proença, Humberto Gessinger e Rapahel Draccon, em vários bate-papos em que o público podia interagir livremente. Além disso, tivemos mesas redondas sobre assuntos do momento: Histórias Em Quadrinhos, Como Escrever Um Livro, O Uso do RPG Como Fonte de Educação, As Crônicas de Gelo e Fogo, enfim. Tinham conversas sobre todos os assuntos – e com gente que realmente entendia do assunto!

A Organização.

Chegamos no ponto em que a Bienal, definitivamente, deixou a desejar: a organização. Com funcionários mal preparados, era muito difícil de se localizar rapidamente aonde estavam rolando determinadas atrações no evento – e fui vítima disso: passei longos trinta minutos, perguntando de funcionário em funcionário, aonde ia rolar o bate-papo sobre quadrinhos com Daniel Brandão. Sorte minha que a mesa redonda começou justo na hora em que encontrei a sala aonde iria rolar a atração. Além disso, a tentativa do evento de utilizar todo o espaço disponível para o evento tornou tudo muito cansativo para os visitantes: para se chegar ao refeitório, por exemplo, devia-se subir uma escada rolante, atravessar um longo saguão, passar por uma ponte que atravessava a feira de livros, andar por mais outro saguão e ai, sim, podia-se comer em paz. Ou seja: faltou organização para um evento do porte da Bienal Internacional do Livro.

As atrações musicais.

O diferencial dessa Bienal do Livro para as anteriores foram as suas atrações musicais. A primeira delas – e que serviu como abertura do evento – foi Gal Costa que, acompanhada de apenas um violão, fez um show que todos consideraram ótimo. Além dela, tivemos O Teatro Mágico, Zeca Baleiro e Palavra Cantada, além de muitos grupos locais.

Apanhado geral:

Por mais frustrante que tenha sido, a Bienal do Livro sempre tem uma magia própria que vale a pena sempre conferir – principalmente quando traz novidades a um evento que há um certo tempo já se mostrava repetitivo. Já estamos esperando ansiosos pela próxima edição. 🙂

Anúncios

Crítica: 007 – Operação Skyfall.

“Mesmo não utilizando todo o potencial que tem, a nova aventura de James Bond cumpre seu objetivo, entretêm e ainda é cheia de estilo.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Aviso: leia este texto ouvindo essa música. Ajuda a criar um clima. 😀

Só pelo fato de se ter em mente que uma franquia cinematográfica possui 50 anos de existência, a série 007 já mostra a sua habilidade em sempre atrair novos públicos. Os filmes do super agente, que já tiveram vários atores no papel original – alguns icônicos, como Sean Connery e Pierce Brosnan -, sempre se mostraram dispostos a se adequar a época em que eram lançados. E com Operação Skyfall a coisa não é diferente: numa era de blockbusters explosivos, o novo filme se dedica a ação, mas ainda encontra espaço para o desenvolvimento de personagens, diálogos muito bem elaborados e até um pouco de arte.

E vemos isso logo nos primeiros momentos do filme: com uma sequência de ação espetacular – com direito a James Bond ajeitando sua camisa após ter  pulado de cima de um trator para dentro de um trem e levado um tiro no ombro, tudo filmado da maneira mais clara possível -, o filme já deixa o espectador ligado pelo o que está por vir – ora, se logo na primeira cena já vemos um verdadeiro show, o que mais pode vir depois? Além disso, ainda temos uma cena de abertura SENSACIONAL ao som de Adele. Cena, essa, cheia de simbolismos artísticos e referências sutis ao próprio filme: repare na mansão com várias lápides ao redor, que é banhada por uma chuva de sangue logo após Adele dizer “let the Skyfall”, fazendo referência a residência dos Bond ser repleta de morte, além de ser sincronizada com o que a letra da música diz; e nos vários “alvos silhueta” de James Bond, que surgem descendo tela abaixo, com um buraco no ombro direito, referenciando o tiro que ele leva logo na momentos iniciais do filme. Simplesmente fantástico.

Daniel Craig, mais uma vez, se mostra a escolha certa para interpretar o agente secreto mais famoso do mundo, criando todo uma maneira própria de ser elegante e misterioso, as duas maiores características do personagem. Judi Dench, mais uma vez mandona como a chefe M, faz questão de destacar sua personagem no filme, já que sua importância aqui é grandiosa, principalmente por conta de um acontecimento perto dos momentos finais. Mas quem realmente revela um enorme diferencial perante os outros é Javier Bardem, com seu brilhante vilão Silva, que homenageia os clássicos vilões dos outros filmes do 007, sendo cheio de características próprias e um pouco de pieguice, para relembrar como os estereotipados antagonistas do século passado eram. Aliás, o filme todo é uma homenagem aos antigos: temos cenas de luta vista apenas pelas silhuetas dos combatentes, o retorno do personagem Q (fornecedor de armas de James Bond nos filmes antigos) e um dos carros clássicos usados pelo espião retorna neste filme.

Mesmo sendo impecável em diversos pontos, 007 – Operação Skyfall tem seus problemas. Principalmente quando se intitula, logo quando os créditos sobem, que é o filme comemorativo dos 50 anos do personagem nos cinemas. Para um filme comemorativo, “Skyfall” deveria ter melhor aproveitado o seu potencial. E também o seu diretor: Sam Mendes, que comandou o magnífico Beleza Americana em 1999, aqui surge em diversos momentos no piloto automático, sem demonstrar todo o talento que revelou no longa ganhador do Oscar de Melhor Filme de 99. Sem contar que para um filme de espião, pouco acontece espionagem, e mesmo tendo um vilão rico em personalidade, seus planos se mostram frágeis ao, em diversos momentos, parecerem extremamente simples e óbvios. [SPOILER]Ou você não se incomodou ao ver Silva entrando, sem nenhuma proteção, num tribunal cheio de policiais armados somente com uma pistola na mão para matar M? [SPOILER] Sem contar que o nome “Skyfall”  quase não se revela de vital importância para a trama, e quando o faz é para revelar um pouco do passado de 007, o que trai uma de suas principais características que comentei no início do texto: ser misterioso.

De qualquer maneira, o filme se revela extremamente simpático ao incluir diversas piadas que fluem organicamente durante a trama, e que brincam com a personalidade e atitudes dos personagens. O diálogo entre Bond e Q, na exposição de arte, é extremamente bem humorado, por exemplo, além da brincadeira que um senhor faz ao ver 007 pular com enorme vontade em cima de um dos vagões do metrô. E o que dizer de Bond chamando sua chefe de “vadia” na frente dela? Além de tudo, o filme ainda encontra espaço para desenvolver ainda mais a personalidade de Bond: mesmo sendo chamado de “velho” e “despreparado” em diversos momentos, o agente secreto, ao resolver com maestria diversos problemas, revela ser ainda o melhor no que faz, mesmo com a já “avançada” idade.

Mesmo com algumas falhas que poderiam muito bem serem evitadas, 007 – Operação Skyfall cumpre o seu objetivo: ser um divertido e bem estruturado filme de espionagem, mesmo que prefira se adequar aos tempos modernos e enfocar a ação.

Nota: 8,0.

Ted!

“Hilário e original, o filme sobre o ursinho falante tem potencial para se tornar inesquecível!”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Após assistir ao péssimo “O Ditador”, que chega a ser tão bobo quanto os filmes da franquia “Todo Mundo Em Pânico”, pensei que demoraria um longo tempo até que saísse um filme que, de maneira inteligente, original e inusitada, brincasse com estereótipos do mundo real. Engano meu: pouco mais de um mês após me decepcionar com o novo longa de Sacha Baron Cohen, vou ao cinema conferir “Ted” – e saio de lá extremamente contente com a excelência do filme.

Ted brinca, sem medo, com tudo o que vê pela frente e se destaca ao ser natural quando expõe situações absurdas – como vemos nas cenas em que um homem responsável usa drogas pesadas, pessoas destroem um apartamento durante uma festa e o ursinho que dá nome ao filme faz sexo com sua colega de trabalho. Seth Macfarlane, criador da ótima série Family Guy, mostra-se um competente diretor, roteirista e ator: fazendo inúmeras referências eficazes aos anos 80 e 90 (que, diferentemente de muitos filmes, fluem durante a narrativa e não é necessário profundo conhecimento prévio para entendê-las). Macfarlane ainda cria personagens perfeitos para serem interpretados por Mark Wahlberg e Mila Kunis, que transbordam talento e revelam uma química maravilhosa. As piadas revelam a potência do filme. Elas vão desde comparações entre sentimentos e a força de destruição de um helicóptero apache, um personagem dizer que a Marcha Imperial é a música tema de Diário de Uma Paixão a uma zoação sem piedade com pessoas que se recuperam com sérias sequelas de doenças gravíssimas.

Potência, essa, que pode fazer o filme se tornar um cult, principalmente devido aos seus inúmeros momentos inesquecíveis: a Música do Trovão (com o memorável verso “Fuck You Thunder, you can suck my dick!”), John Bennet falando dezenas de nomes feitos para vadias, Ted comparando uma criança gorda com Susan Boyle e seu chefe que, extremamente do contra, sempre o promove quando este se mostra imaturo, imoral e irresponsável. Mas o que destaca Ted no meio de tantos filmes de comédia que se assemelham a ele é, principalmente, a sua imprevisibilidade de uma maneira geral. Nunca se sabe o que pode acontecer a um ursinho falante que usa drogas e é mulherengo – e a aparição de seu ídolo durante uma festa, a qual ele mesmo dá, mostra isso claramente.

Mas, claro, ele não é livre de problemas. Com um clímax óbvio – por mudar de gênero, de humor para ação, abruptamente – e indeciso – o “morre-não-morre” de Ted é entediante e previsível -, o filme perde pontos. Além disso, o vilão (interpretado por Joel McHale, de Community) é extremamente clichê, o que se revela péssimo para um filme que até então se mostrava extremamente original. Além disso, alguns trabalhos de câmera soam burocráticos, lembrando extremamente o formato televisivo – o que, diga-se de passagem, é bem óbvio vindo de um diretor que sempre trabalhou na televisão.

De qualquer maneira, Ted desenvolve todos os personagens detalhadamente – tornando multifacetados até os secundários -, possui um ritmo bem estabelecido e diverte espontaneamente. Animado, politicamente incorreto e memorável, Ted ainda vai dar muito o que falar.

Nota: 8,5.

O Legado Bourne!

Image

“Bom entretenimento, porém problemático.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Considero ousadas as constantes tentativas dos estúdios hollywoodianos em mudar os rumos de várias séries de sucesso. Ainda mais com a trilogia Bourne, que conseguiu manter o mesmo padrão de qualidade nos três filmes e criar uma trama extremamente bem amarrada, que agora ganha seu quarto capítulo. Intitulado de “O Legado Bourne”, o filme é um ótimo entretenimento, mas possui problemas bastante notáveis durante toda a sua narrativa.

Bastante ágil (com diversos diálogos bem escritos e incidentes importantes acontecendo simultaneamente), o filme prende sua atenção por sempre estar nos mostrando algo novo. O elenco é ótimo: Rachel Weisz interpreta a já mencionada Dra. Shearing com dedicação, e quando esta perde o controle, Weisz sempre surge convincente. Jeremy Renner, que esse ano já se mostrou um ótimo ator de ação em filmes como Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Os Vingadores, aqui demonstra talento novamente, criando personalidade para seu personagem – seja quando demonstra uma incrível capacidade de convencer as pessoas para atingir seus objetivos, seja quando precisa descer a porrada para se safar de problemas. Edward Norton já é sinônimo de qualidade: sempre levando a sério seus personagens, em “Legado Bourne” ele age com convicção, e mais uma vez senti orgulho de ser seu fã quando o vi mandar em seu grupo utilizando poucas palavras e fortes expressões faciais.

A primeira metade do filme é muito boa: desenvolvendo bastante bem os seus personagens (perceba como é completamente aceitável que a Dra. Marta Shearing perca o controle em situações tensas, devido ao que nos já foi revelado sobre ela anteriormente) e sendo extremamente dinâmico, “Legado Bourne” consegue sempre te manter atento ao que é necessário para o entendimento da trama. Além disso, o longa ainda utiliza outra ferramenta a seu favor: o suspense em revelar qual a função das pílulas azuis e verdes que Aaron toma, o que é mantido durante grande parte do filme. O nome “Legado” faz jus ao que é visto na tela, sendo Bourne mencionado constantemente durante o longa. E é ai que os seus problemas começam.

O filme não consegue se desprender da trilogia anterior – sendo Bourne mencionado até durante o clímax do filme, sem mostrar nenhuma função narrativa para isso. Esse novo filme não investe em um roteiro bem estruturado: o que vemos é uma história simples (a queima total de arquivo de um sistema de espionagem que demonstrou falhas) sendo complicada com um único objetivo: parecer “inteligente”. O longa insiste nisso durante uma hora de duração, sempre com diálogos muito rápidos e pessoas cometendo atrocidades sem motivo aparente. Chega um momento em que o filme parece querer que você entenda, com suas próprias reflexões sobre a trama,  tudo aquilo que está passando na tela – o que é ótimo, já que filmes que dialogam com o público sempre serão bem-vindos. Mas aí, numa simples conversa entre os protagonistas, TUDO aquilo que você poderia ter deduzido sozinho (mesmo num filme que se complica sem necessidade) é exposto de maneira extremamente mastigada, também sem necessidade.

Como se não bastasse, a metade final do filme se resume a pancadaria e cenas de perseguição longas demais, como se apenas estivessem ali para “encher linguiça”. Jeremy Renner, mais uma vez, demonstra dedicação no que faz, tornando suas lutas extremamente realistas e demonstrando domínio das técnicas de luta que aprendeu. Infelizmente, Tony Gilroy precisa comer muito arroz e feijão para aprender a dirigir sequências de ação. Todo o clímax do filme é lotado de cortes incessantes e enquadramentos que prejudicam o entendimento do que está em tela – e destaco o momento em que a Dra. Shearing quase cai da moto, e você não consegue entender como ela conseguiu se safar daquilo.

Com uma cena final abrupta (também sem necessidade, diga-se de passagem), O Legado Bourne serve apenas como bom entretenimento – mesmo com seus visíveis problemas que poderiam muito bem ser evitados.

Nota: 6,0.

Drive!

“Sendo um profundo estudo de personagem, Drive é estiloso, original e memorável!

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

É muito complicado para um crítico fazer um texto sobre um filme que ele, particularmente, é apaixonado. Portanto, se o que você ler a partir daqui for algo entusiasmado demais, peço desculpas: é apenas eu demonstrando imenso carinho por uma obra que gosto muito.

E aconselha-se ler este texto escutando esta música.

Chega a ser surpreendente um filme, em plena era comercial de Hollywood, encontrar espaço para mostrar que cinema é arte. Com uma fotografia excelente, atuações memoráveis e um roteiro original até dizer chega, Drive, adaptação cinematográfica do livro de James Sallis, é digna de aplausos.

O filme é brilhante desde sua primeira cena: com pouquíssimas falas, desenvolvendo a inteligência do protagonista e já dando uma ideia do que estamos prestes a conferir, somos apresentados ao personagem principal e sua profissão: conduzir assaltantes até determinado local após estes cometerem um delito. A partir daí, Drive se mostra um profundo estudo de personagem e cheio de estilo: descobrimos quem é Driver (chamo-o assim pois o filme, em nenhum momento, nos revela seu verdadeiro nome), o que faz além do já citado acima e como funciona o seu cotidiano. E um excelente desenvolvimento de personagem e ambientação, pois tudo nos é mostrado, e não contado.

A atuação de Ryan Gosling é certeira: sempre demonstrando seus sentimentos através de sorrisos ou olhares – e somente falando o que é estritamente necessário – , ele escancara ter sido a escolha certa para interpretar o silencioso motorista. O resto do elenco possui um talento incrível – e destaco Albert Brooks e Bryan Cranston, respectivamente o vilão e o mentor do protagonista, ambos maravilhosos em seus papéis, seja pela frieza dos atos homicidas de um, seja pela ajuda que fornece ao seu amigo do outro.

O roteiro e a direção do filme são dois espetáculos a parte: demonstrando estar inspiradíssimo em diversos momentos – cujos filma com uma câmera lenta impressionante, sempre ao som de alguma das músicas maravilhosas compostas especialmente para o filme – , Nicolas Winding Refn exalta seu talento na direção – e que se importa com a qualidade artística de suas obras. A trama, assim como a cena inicial, é guiada pelas ações de seus personagens, e não pelos diálogos, como vemos em muitos filmes atualmente. Atingindo o limite da originalidade, o roteiro define muito bem o que é: a busca de um homem naturalmente violento por amor e carinho – e tomadas em que vemos o protagonista destruindo o crânio de um capanga mas expressando angústia por estar assustando a sua amada são ao mesmo tempo fortes, pela violência, mas belas, pelo sentimento ali contido.

E gostaria de reservar um parágrafo inteiro para a análise de um cena: a do elevador. Driver e Irene estão indo embora de seu condomínio, e pegam o elevador para descerem. Nele, um homem bem vestido se mantêm calado por um longo tempo. Usando uma câmera lenta brilhante pela sua sutileza, Winding Refn mostra Driver olhando para o paletó do homem – e vendo uma arma ali. Tendo que suportar seu grande amor correndo um risco de vida imenso durante a maioria dos acontecimentos retratados no filme – incluindo a volta de seu marido da prisão – , ele percebe que aquele é o momento perfeito. E, com mais uma sensacional câmera lenta, vemos Driver beijando Irene. O que diferencia este beijo de outros que você já possa ter visto em um filme é  a fotografia: no momento em que Driver empurra Irene para o canto do elevador, repare como as luzes do ambiente  se apagam, sem motivo aparente – e a única ainda acesa é a próxima de Irene, sendo ela a única iluminada. Ela e Driver se beijam, e as luzes continuam apagadas. E, somente após olharem nos olhos um do outro, uma luz se acende sobre ele. O amor que residia em Irene finalmente foi compartilhado com aquele que a amava.

Incrivelmente violento, genialmente romântico e cinematograficamente inesquecível. Isso é Drive.

Nota: 10,00

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge!

“Simples: um filme brilhante.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida.

As dúvidas acerca do último capítulo da trilogia Batman, criada por Christopher Nolan, eram enormes. Perguntas sobre quem morreria, se o vilão seria melhor que o anterior e como seria o prometido “final apoteótico” rondavam as mentes dos fãs. E, ainda encontrando espaço para diversas surpresas, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge satisfaz todas as expectativas – sem perder o rumo em momento algum.

Para começar, o elenco: repleto de novos nomes, ele continua impecável. Anne Hathaway some atrás de Selina Kyle, vivida pela atriz com uma devoção incrível. Michael Caine, explorando Alfred até o máximo, demonstra merecer pelo menos uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, devido aos dois momentos mais tocantes de toda trilogia, guiados por seu personagem. Joseph Gordon-Levitt, mais uma vez, mostra que possui talento de sobra, e assim como Hathaway, ele desaparece atrás de seu personagem, Blake. Gary Oldman faz o mesmo de antes com o Comissário Gordon: um homem humilde e devoto das boas ações, mas nesse filme ele também ajuda a complementar ainda mais o novo desenvolvimento feito no seu personagem pelo roteiro. Tom Hardy, com um trabalho de voz impecável na construção de um vilão ameaçador em todos os sentidos, revela-se uma ótima parceria com Nolan (ele também atuou em outro filme do diretor, A Origem). E, por final Christian Bale, entregando-se de corpo de alma a Bruce Wayne, que nesse filme é explorado até onde não deve!

[SPOILER] O filme mostra que a trilogia foi totalmente planejada desde o princípio – antes mesmo de Batman Begins chegar as telas, e não só pela ligação com fatos do primeiro filme, mas com algumas citações do segundo. Não é a toa que a morte de um dos personagens durante a batalha entre policiais e seguidores de Bane é enfocada: a situação vivida por ele lembra exatamente uma frase de Harvey Dent (“Ou se morre herói, ou vive tempo suficiente para ver você mesmo se tornar o vilão.”). O personagem estava abandonando a cidade, para deixá-la se destruir, somente para estar com a sua família. Mas depois decide voltar, e morre como um herói. Sem contar outros simbolismos presentes no longa – como Bruce Wayne escalando o poço sozinho para se libertar. Em Batman Begins, ele cai em um poço, mas precisa da ajuda de seu pai para sair de lá. Agora, adulto e completamente treinado, o faz sozinho (mesmo que precise de 3 tentativas para conseguir)”.[SPOILER]

Mas o filme não é livre de problemas. Alguns momentos caricatos – como a morte de um dos vilões nos momentos finais do filme e algumas falas completamente desnecessárias (“Ele age tão mal quanto se veste!” ou “Você é o mal em pessoa!”) e alguns personagens importantes da história que ficam muito tempo apagados da narrativa – enfraquecem a história, que até então se mostrava extremamente séria e adulta, mesmo com alguns espaços para alívios cômicos. Alívios cômicos, esses, os melhores da trilogia: sempre com referências aos personagens e a própria trama, as piadas funcionam principalmente pela sua sutileza e pela naturalidade com a qual surgem durante a narrativa.

Tecnicamente, o filme é impecável. Vemos uma evolução na direção de Christopher Nolan, que cria diversos momentos com cenas simultâneas em locais diferentes (o que é uma elogio mais voltado para a montagem, claro) e uma ação mais orgânica e com enquadramentos mais abertos, possibilitando um entendimento melhor do que está acontecendo (o que é auxiliado ainda mais pela falta de cortes frenéticos, o que foi um problema nos filmes anteriores). A sonoplastia, maravilhosa, é importantíssima em diversos momentos – e destaco a voz de Bane, que foi completamente substituída por uma dublagem de Tom Hardy, mas que não atrapalha em nada o desenrolar do filme. A fotografia exerce um papel interessante principalmente na segunda metade do segundo ato do filme, quando Gotham está tomada por Bane e seus homens: note como o branco, seja da luz, seja da neve, é realçado ao extremo, principalmente na batalha que ocorre ao final do filme; isso nada mais é do que uma metáfora visual sobre o mal que se apossou da cidade. Brilhante.

Além de uma conclusão EXTREMAMENTE empolgante, não só pelas surpresas, mas pelas possibilidades do que pode vir a ocorrer com os personagens, Christopher Nolan deixou bem claro que quando quer algo, ele consegue.

E Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge acaba não sendo o filme que precisamos… Mas sim o que merecemos.

Nota: 9,0

Ps: não, não tem cena pós-créditos. A cena final do filme é melhor do que qualquer easter-egg que possa existir. 😀

O Espetacular Homem-Aranha!

“Mesmo com problemas no roteiro, o filme acerta no elenco e na abordagem diferenciada sobre a história que já conhecemos do Cabeça de Teia.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Em meio a diversas pessoas dizendo que o filme seria terrível por não ser estrelado pelo inexpressivo Tobey Maguire, confesso que estava bastante empolgado com esse reboot do Homem-Aranha nos cinemas. Reboot, esse, que aconteceu muito rapidamente: após meros 10 anos do lançamento do original nos cinemas, a reimaginação vem ao público. E surpreendendo: ágil e com personagens cativantes, os únicos problemas que encontramos em O Espetacular Homem-Aranha estão em alguns furos no roteiro e alguns personagens mal trabalhados.

Mas vamos começar falando sobre o que mais gerou receio nos fãs da trilogia original: Andrew Garfield convence tanto quanto Tobey Maguire? Convence, e extraordinariamente. Até me pergunto o porque de todos acharem Maguire o “Peter Parker definitivo”, se sua interpretação unidimensional não ajudava em nada no desenvolvimento do personagem (tirando o fato de mostrar que ele é um perfeito bobão). Andrew Garfield consegue compor um retrato dos principais dilemas dos jovens atuais – como chamar uma garota para sair, tentar explicar erros aos seus responsáveis e enfrentar descobertas inesperadas. Ele consegue cativar o público ao criar certos “tiques” para o personagem, o que leva a alguns momentos cômicos ótimos – como quando ele convida Gwen Stacy para um encontro e recebe um “sim”. Repare no pé de Garfield, que revela uma felicidade contida, assim como quando Stacy se distancia, e ele repentinamente joga a cabeça para trás e sai caminhando no sentido oposto. Além disso, Garfield ainda consegue criar um alter ego fenomenal, com piadas executadas com um ótimo timing, mas fazendo-o parecer um “troll” da internet. Emma Stone, bela como sempre, consegue fazer de Gwen Stacy um par perfeito para Peter, ao também demonstrar felicidades contidas (note os sorrisos enormes que ela deixa escapar quando Peter fala que pode encontrá-la naquele dia mais tarde) e alguns tiques (como quando ela faz um discreto passo de dança ao dizer “sim” para Peter quando este a chama para sair). Mas, infelizmente, o roteiro não a aborda muito bem, e ela passa grande parte do filme sem aparecer – e sem mostrar uma necessidade aparente (além, claro, da ajuda que ela dá a Peter durante o clímax).

E ai começam os problemas de O Espetacular Homem-Aranha. O roteiro, que passou pelas mãos de três profissionais, deixa bem claro que isso aconteceu: com alguns problemas de ritmo (de lento para rápido, e depois para muito lento) e de continuidade narrativa (perceba como, ao passar do tempo, os diálogos ótimos que vimos no primeiro ato vão se dissipando até sumirem completamente), o filme ainda deixa algumas pontas soltas – como o ladrão da estrela no pulso, que é ignorado completamente após determinado momento do filme. Alguns reclamam que outra ponta solta é a história dos pais de Peter, mas não vejo problema algum dela não ser explicada, pois além do filme não ter prometido concluí-la (com a exceção da campanha de marketing, que sempre falava sobre a “História Não Contada”), ela foi apenas um empurrão para os acontecimentos póstumos: Peter encontra a fórmula que Connors precisava, Curt Connors se torna uma ameaça e Peter descobre que precisa se tornar um herói para detê-la. E por falar em Curt Connors, Rhys Ifans está bem no papel, mas o personagem é problemático: além de ser um claro plágio do Duende Verde do filme original (ao vermos ele escutando vozes e discutindo consigo mesmo), ele ainda possui motivações mal resolvidas, pois ele somente afirma que queria que todos fossem “seres perfeitos”. Somente citar o que ele quer não é o suficiente para fixar a ideia. Além disso, o filme é um tanto longo demais. Algumas cenas – como o Homem-Aranha se balançando em direção ao prédio da Oscorp no final – são longas demais sem necessidade nenhuma,

Tirando isso, o filme é ótimo. As cenas de ação são bem “esclarecidas”, com pouquíssimos cortes e ângulos de câmera, em diversos momentos, inspiradíssimos de Marc Webb. Fiquei de queixo caído em cenas como a em que Peter “enterra” na cesta de basquete e em quase todas as suas lutas contra o Lagarto – um vilão digno, que realmente impõe uma ameaça ao herói. Herói, esse, que finalmente faz jus ao seu nome: a movimentação do Homem-Aranha e o comportamento de Peter em casa realmente lembram um aracnídeo em diversos momentos, e destaco aquele em que o personagem caminha sobre o vilão e resolve os deveres de casa pendurado de cabeça para baixo.

A trama é a mesma do filme anterior – a única diferença são as sutilezas da escolha de Marc Webb em confiar no público para que este entenda determinados aspectos. Como, por exemplo, a aderência acentuada nas mãos e nos pés de Peter: no filme original existe uma necessidade de explicar bem direitinho como funciona aquilo. Nesse novo filme, já que o público sabe exatamente como ocorre tudo, Webb não perde tempo explicando – é “assim” e pronto, o que se revela uma escolha inteligente. E também vale lembrar a cena em que Peter discute com o Tio Ben – interpretado maravilhosamente por Martin Sheen, que é amigável quando seu sobrinho precisa e racional quando ele faz alguma besteira -, quando este transmite a ideia central do “Com Grandes Poderes, Vem Grandes Responsabilidades” de uma outra maneira, utilizando expressões totalmente diferentes.

Mesmo com seus incomodantes defeitos, O Espetacular Homem-Aranha é divertido, empolga e nos apresenta a uma nova visão dos personagens que já conhecemos – e a novos também.

Nota: 8,0

Ps: o 3D é opcional: não tem nenhuma função narrativa, mas possui diversos momentos interessantes em que diversos objetos – e até lugares – saltam aos olhos. Então escolha com sabedoria. 🙂