Crítica: 007 – Operação Skyfall.

“Mesmo não utilizando todo o potencial que tem, a nova aventura de James Bond cumpre seu objetivo, entretêm e ainda é cheia de estilo.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Aviso: leia este texto ouvindo essa música. Ajuda a criar um clima. 😀

Só pelo fato de se ter em mente que uma franquia cinematográfica possui 50 anos de existência, a série 007 já mostra a sua habilidade em sempre atrair novos públicos. Os filmes do super agente, que já tiveram vários atores no papel original – alguns icônicos, como Sean Connery e Pierce Brosnan -, sempre se mostraram dispostos a se adequar a época em que eram lançados. E com Operação Skyfall a coisa não é diferente: numa era de blockbusters explosivos, o novo filme se dedica a ação, mas ainda encontra espaço para o desenvolvimento de personagens, diálogos muito bem elaborados e até um pouco de arte.

E vemos isso logo nos primeiros momentos do filme: com uma sequência de ação espetacular – com direito a James Bond ajeitando sua camisa após ter  pulado de cima de um trator para dentro de um trem e levado um tiro no ombro, tudo filmado da maneira mais clara possível -, o filme já deixa o espectador ligado pelo o que está por vir – ora, se logo na primeira cena já vemos um verdadeiro show, o que mais pode vir depois? Além disso, ainda temos uma cena de abertura SENSACIONAL ao som de Adele. Cena, essa, cheia de simbolismos artísticos e referências sutis ao próprio filme: repare na mansão com várias lápides ao redor, que é banhada por uma chuva de sangue logo após Adele dizer “let the Skyfall”, fazendo referência a residência dos Bond ser repleta de morte, além de ser sincronizada com o que a letra da música diz; e nos vários “alvos silhueta” de James Bond, que surgem descendo tela abaixo, com um buraco no ombro direito, referenciando o tiro que ele leva logo na momentos iniciais do filme. Simplesmente fantástico.

Daniel Craig, mais uma vez, se mostra a escolha certa para interpretar o agente secreto mais famoso do mundo, criando todo uma maneira própria de ser elegante e misterioso, as duas maiores características do personagem. Judi Dench, mais uma vez mandona como a chefe M, faz questão de destacar sua personagem no filme, já que sua importância aqui é grandiosa, principalmente por conta de um acontecimento perto dos momentos finais. Mas quem realmente revela um enorme diferencial perante os outros é Javier Bardem, com seu brilhante vilão Silva, que homenageia os clássicos vilões dos outros filmes do 007, sendo cheio de características próprias e um pouco de pieguice, para relembrar como os estereotipados antagonistas do século passado eram. Aliás, o filme todo é uma homenagem aos antigos: temos cenas de luta vista apenas pelas silhuetas dos combatentes, o retorno do personagem Q (fornecedor de armas de James Bond nos filmes antigos) e um dos carros clássicos usados pelo espião retorna neste filme.

Mesmo sendo impecável em diversos pontos, 007 – Operação Skyfall tem seus problemas. Principalmente quando se intitula, logo quando os créditos sobem, que é o filme comemorativo dos 50 anos do personagem nos cinemas. Para um filme comemorativo, “Skyfall” deveria ter melhor aproveitado o seu potencial. E também o seu diretor: Sam Mendes, que comandou o magnífico Beleza Americana em 1999, aqui surge em diversos momentos no piloto automático, sem demonstrar todo o talento que revelou no longa ganhador do Oscar de Melhor Filme de 99. Sem contar que para um filme de espião, pouco acontece espionagem, e mesmo tendo um vilão rico em personalidade, seus planos se mostram frágeis ao, em diversos momentos, parecerem extremamente simples e óbvios. [SPOILER]Ou você não se incomodou ao ver Silva entrando, sem nenhuma proteção, num tribunal cheio de policiais armados somente com uma pistola na mão para matar M? [SPOILER] Sem contar que o nome “Skyfall”  quase não se revela de vital importância para a trama, e quando o faz é para revelar um pouco do passado de 007, o que trai uma de suas principais características que comentei no início do texto: ser misterioso.

De qualquer maneira, o filme se revela extremamente simpático ao incluir diversas piadas que fluem organicamente durante a trama, e que brincam com a personalidade e atitudes dos personagens. O diálogo entre Bond e Q, na exposição de arte, é extremamente bem humorado, por exemplo, além da brincadeira que um senhor faz ao ver 007 pular com enorme vontade em cima de um dos vagões do metrô. E o que dizer de Bond chamando sua chefe de “vadia” na frente dela? Além de tudo, o filme ainda encontra espaço para desenvolver ainda mais a personalidade de Bond: mesmo sendo chamado de “velho” e “despreparado” em diversos momentos, o agente secreto, ao resolver com maestria diversos problemas, revela ser ainda o melhor no que faz, mesmo com a já “avançada” idade.

Mesmo com algumas falhas que poderiam muito bem serem evitadas, 007 – Operação Skyfall cumpre o seu objetivo: ser um divertido e bem estruturado filme de espionagem, mesmo que prefira se adequar aos tempos modernos e enfocar a ação.

Nota: 8,0.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

4 pensamentos sobre “Crítica: 007 – Operação Skyfall.

  1. Uau. Acho que estou sem palavras após essa resenha hahahaha
    Gostei muuuuito da resenha, mesmo. Estou louca pra ver esse novo filme do 007, mas infelizmente já sei que não poderei assisti-lo no cinema (sério, me recuso a assistir no cinema de Botucatu, que é dublado, som baixo e com pré-adolescentes com fogo no rabo). Mas assim que saiu pa baixar/na tv eu com certeza vou assistir <33 e a resenha me animou bastante!

    Leeh – hangovert16.blogspot.com

    • Opa, que ótimo que gostou da resenha! Sei como é esse lance dos adolescentes e de cinema ruim. De qualquer forma, não deixe de conferir o filme, independente de como você tiver acesso a ele. Vale muito a pena. 😀

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