Ted!

“Hilário e original, o filme sobre o ursinho falante tem potencial para se tornar inesquecível!”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Após assistir ao péssimo “O Ditador”, que chega a ser tão bobo quanto os filmes da franquia “Todo Mundo Em Pânico”, pensei que demoraria um longo tempo até que saísse um filme que, de maneira inteligente, original e inusitada, brincasse com estereótipos do mundo real. Engano meu: pouco mais de um mês após me decepcionar com o novo longa de Sacha Baron Cohen, vou ao cinema conferir “Ted” – e saio de lá extremamente contente com a excelência do filme.

Ted brinca, sem medo, com tudo o que vê pela frente e se destaca ao ser natural quando expõe situações absurdas – como vemos nas cenas em que um homem responsável usa drogas pesadas, pessoas destroem um apartamento durante uma festa e o ursinho que dá nome ao filme faz sexo com sua colega de trabalho. Seth Macfarlane, criador da ótima série Family Guy, mostra-se um competente diretor, roteirista e ator: fazendo inúmeras referências eficazes aos anos 80 e 90 (que, diferentemente de muitos filmes, fluem durante a narrativa e não é necessário profundo conhecimento prévio para entendê-las). Macfarlane ainda cria personagens perfeitos para serem interpretados por Mark Wahlberg e Mila Kunis, que transbordam talento e revelam uma química maravilhosa. As piadas revelam a potência do filme. Elas vão desde comparações entre sentimentos e a força de destruição de um helicóptero apache, um personagem dizer que a Marcha Imperial é a música tema de Diário de Uma Paixão a uma zoação sem piedade com pessoas que se recuperam com sérias sequelas de doenças gravíssimas.

Potência, essa, que pode fazer o filme se tornar um cult, principalmente devido aos seus inúmeros momentos inesquecíveis: a Música do Trovão (com o memorável verso “Fuck You Thunder, you can suck my dick!”), John Bennet falando dezenas de nomes feitos para vadias, Ted comparando uma criança gorda com Susan Boyle e seu chefe que, extremamente do contra, sempre o promove quando este se mostra imaturo, imoral e irresponsável. Mas o que destaca Ted no meio de tantos filmes de comédia que se assemelham a ele é, principalmente, a sua imprevisibilidade de uma maneira geral. Nunca se sabe o que pode acontecer a um ursinho falante que usa drogas e é mulherengo – e a aparição de seu ídolo durante uma festa, a qual ele mesmo dá, mostra isso claramente.

Mas, claro, ele não é livre de problemas. Com um clímax óbvio – por mudar de gênero, de humor para ação, abruptamente – e indeciso – o “morre-não-morre” de Ted é entediante e previsível -, o filme perde pontos. Além disso, o vilão (interpretado por Joel McHale, de Community) é extremamente clichê, o que se revela péssimo para um filme que até então se mostrava extremamente original. Além disso, alguns trabalhos de câmera soam burocráticos, lembrando extremamente o formato televisivo – o que, diga-se de passagem, é bem óbvio vindo de um diretor que sempre trabalhou na televisão.

De qualquer maneira, Ted desenvolve todos os personagens detalhadamente – tornando multifacetados até os secundários -, possui um ritmo bem estabelecido e diverte espontaneamente. Animado, politicamente incorreto e memorável, Ted ainda vai dar muito o que falar.

Nota: 8,5.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

Um pensamento sobre “Ted!

  1. Concordo com você na parte do vilão do filmes. Não precisava e a história poderia ter seguido outro caminho. Mas no geral é um filme engraçado, para assistir de mente aberta. rs

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