O Legado Bourne!

Image

“Bom entretenimento, porém problemático.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Considero ousadas as constantes tentativas dos estúdios hollywoodianos em mudar os rumos de várias séries de sucesso. Ainda mais com a trilogia Bourne, que conseguiu manter o mesmo padrão de qualidade nos três filmes e criar uma trama extremamente bem amarrada, que agora ganha seu quarto capítulo. Intitulado de “O Legado Bourne”, o filme é um ótimo entretenimento, mas possui problemas bastante notáveis durante toda a sua narrativa.

Bastante ágil (com diversos diálogos bem escritos e incidentes importantes acontecendo simultaneamente), o filme prende sua atenção por sempre estar nos mostrando algo novo. O elenco é ótimo: Rachel Weisz interpreta a já mencionada Dra. Shearing com dedicação, e quando esta perde o controle, Weisz sempre surge convincente. Jeremy Renner, que esse ano já se mostrou um ótimo ator de ação em filmes como Missão Impossível: Protocolo Fantasma e Os Vingadores, aqui demonstra talento novamente, criando personalidade para seu personagem – seja quando demonstra uma incrível capacidade de convencer as pessoas para atingir seus objetivos, seja quando precisa descer a porrada para se safar de problemas. Edward Norton já é sinônimo de qualidade: sempre levando a sério seus personagens, em “Legado Bourne” ele age com convicção, e mais uma vez senti orgulho de ser seu fã quando o vi mandar em seu grupo utilizando poucas palavras e fortes expressões faciais.

A primeira metade do filme é muito boa: desenvolvendo bastante bem os seus personagens (perceba como é completamente aceitável que a Dra. Marta Shearing perca o controle em situações tensas, devido ao que nos já foi revelado sobre ela anteriormente) e sendo extremamente dinâmico, “Legado Bourne” consegue sempre te manter atento ao que é necessário para o entendimento da trama. Além disso, o longa ainda utiliza outra ferramenta a seu favor: o suspense em revelar qual a função das pílulas azuis e verdes que Aaron toma, o que é mantido durante grande parte do filme. O nome “Legado” faz jus ao que é visto na tela, sendo Bourne mencionado constantemente durante o longa. E é ai que os seus problemas começam.

O filme não consegue se desprender da trilogia anterior – sendo Bourne mencionado até durante o clímax do filme, sem mostrar nenhuma função narrativa para isso. Esse novo filme não investe em um roteiro bem estruturado: o que vemos é uma história simples (a queima total de arquivo de um sistema de espionagem que demonstrou falhas) sendo complicada com um único objetivo: parecer “inteligente”. O longa insiste nisso durante uma hora de duração, sempre com diálogos muito rápidos e pessoas cometendo atrocidades sem motivo aparente. Chega um momento em que o filme parece querer que você entenda, com suas próprias reflexões sobre a trama,  tudo aquilo que está passando na tela – o que é ótimo, já que filmes que dialogam com o público sempre serão bem-vindos. Mas aí, numa simples conversa entre os protagonistas, TUDO aquilo que você poderia ter deduzido sozinho (mesmo num filme que se complica sem necessidade) é exposto de maneira extremamente mastigada, também sem necessidade.

Como se não bastasse, a metade final do filme se resume a pancadaria e cenas de perseguição longas demais, como se apenas estivessem ali para “encher linguiça”. Jeremy Renner, mais uma vez, demonstra dedicação no que faz, tornando suas lutas extremamente realistas e demonstrando domínio das técnicas de luta que aprendeu. Infelizmente, Tony Gilroy precisa comer muito arroz e feijão para aprender a dirigir sequências de ação. Todo o clímax do filme é lotado de cortes incessantes e enquadramentos que prejudicam o entendimento do que está em tela – e destaco o momento em que a Dra. Shearing quase cai da moto, e você não consegue entender como ela conseguiu se safar daquilo.

Com uma cena final abrupta (também sem necessidade, diga-se de passagem), O Legado Bourne serve apenas como bom entretenimento – mesmo com seus visíveis problemas que poderiam muito bem ser evitados.

Nota: 6,0.

Anúncios

Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

Escreva seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s