Drive!

“Sendo um profundo estudo de personagem, Drive é estiloso, original e memorável!

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

É muito complicado para um crítico fazer um texto sobre um filme que ele, particularmente, é apaixonado. Portanto, se o que você ler a partir daqui for algo entusiasmado demais, peço desculpas: é apenas eu demonstrando imenso carinho por uma obra que gosto muito.

E aconselha-se ler este texto escutando esta música.

Chega a ser surpreendente um filme, em plena era comercial de Hollywood, encontrar espaço para mostrar que cinema é arte. Com uma fotografia excelente, atuações memoráveis e um roteiro original até dizer chega, Drive, adaptação cinematográfica do livro de James Sallis, é digna de aplausos.

O filme é brilhante desde sua primeira cena: com pouquíssimas falas, desenvolvendo a inteligência do protagonista e já dando uma ideia do que estamos prestes a conferir, somos apresentados ao personagem principal e sua profissão: conduzir assaltantes até determinado local após estes cometerem um delito. A partir daí, Drive se mostra um profundo estudo de personagem e cheio de estilo: descobrimos quem é Driver (chamo-o assim pois o filme, em nenhum momento, nos revela seu verdadeiro nome), o que faz além do já citado acima e como funciona o seu cotidiano. E um excelente desenvolvimento de personagem e ambientação, pois tudo nos é mostrado, e não contado.

A atuação de Ryan Gosling é certeira: sempre demonstrando seus sentimentos através de sorrisos ou olhares – e somente falando o que é estritamente necessário – , ele escancara ter sido a escolha certa para interpretar o silencioso motorista. O resto do elenco possui um talento incrível – e destaco Albert Brooks e Bryan Cranston, respectivamente o vilão e o mentor do protagonista, ambos maravilhosos em seus papéis, seja pela frieza dos atos homicidas de um, seja pela ajuda que fornece ao seu amigo do outro.

O roteiro e a direção do filme são dois espetáculos a parte: demonstrando estar inspiradíssimo em diversos momentos – cujos filma com uma câmera lenta impressionante, sempre ao som de alguma das músicas maravilhosas compostas especialmente para o filme – , Nicolas Winding Refn exalta seu talento na direção – e que se importa com a qualidade artística de suas obras. A trama, assim como a cena inicial, é guiada pelas ações de seus personagens, e não pelos diálogos, como vemos em muitos filmes atualmente. Atingindo o limite da originalidade, o roteiro define muito bem o que é: a busca de um homem naturalmente violento por amor e carinho – e tomadas em que vemos o protagonista destruindo o crânio de um capanga mas expressando angústia por estar assustando a sua amada são ao mesmo tempo fortes, pela violência, mas belas, pelo sentimento ali contido.

E gostaria de reservar um parágrafo inteiro para a análise de um cena: a do elevador. Driver e Irene estão indo embora de seu condomínio, e pegam o elevador para descerem. Nele, um homem bem vestido se mantêm calado por um longo tempo. Usando uma câmera lenta brilhante pela sua sutileza, Winding Refn mostra Driver olhando para o paletó do homem – e vendo uma arma ali. Tendo que suportar seu grande amor correndo um risco de vida imenso durante a maioria dos acontecimentos retratados no filme – incluindo a volta de seu marido da prisão – , ele percebe que aquele é o momento perfeito. E, com mais uma sensacional câmera lenta, vemos Driver beijando Irene. O que diferencia este beijo de outros que você já possa ter visto em um filme é  a fotografia: no momento em que Driver empurra Irene para o canto do elevador, repare como as luzes do ambiente  se apagam, sem motivo aparente – e a única ainda acesa é a próxima de Irene, sendo ela a única iluminada. Ela e Driver se beijam, e as luzes continuam apagadas. E, somente após olharem nos olhos um do outro, uma luz se acende sobre ele. O amor que residia em Irene finalmente foi compartilhado com aquele que a amava.

Incrivelmente violento, genialmente romântico e cinematograficamente inesquecível. Isso é Drive.

Nota: 10,00

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

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