Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge!

“Simples: um filme brilhante.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida.

As dúvidas acerca do último capítulo da trilogia Batman, criada por Christopher Nolan, eram enormes. Perguntas sobre quem morreria, se o vilão seria melhor que o anterior e como seria o prometido “final apoteótico” rondavam as mentes dos fãs. E, ainda encontrando espaço para diversas surpresas, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge satisfaz todas as expectativas – sem perder o rumo em momento algum.

Para começar, o elenco: repleto de novos nomes, ele continua impecável. Anne Hathaway some atrás de Selina Kyle, vivida pela atriz com uma devoção incrível. Michael Caine, explorando Alfred até o máximo, demonstra merecer pelo menos uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, devido aos dois momentos mais tocantes de toda trilogia, guiados por seu personagem. Joseph Gordon-Levitt, mais uma vez, mostra que possui talento de sobra, e assim como Hathaway, ele desaparece atrás de seu personagem, Blake. Gary Oldman faz o mesmo de antes com o Comissário Gordon: um homem humilde e devoto das boas ações, mas nesse filme ele também ajuda a complementar ainda mais o novo desenvolvimento feito no seu personagem pelo roteiro. Tom Hardy, com um trabalho de voz impecável na construção de um vilão ameaçador em todos os sentidos, revela-se uma ótima parceria com Nolan (ele também atuou em outro filme do diretor, A Origem). E, por final Christian Bale, entregando-se de corpo de alma a Bruce Wayne, que nesse filme é explorado até onde não deve!

[SPOILER] O filme mostra que a trilogia foi totalmente planejada desde o princípio – antes mesmo de Batman Begins chegar as telas, e não só pela ligação com fatos do primeiro filme, mas com algumas citações do segundo. Não é a toa que a morte de um dos personagens durante a batalha entre policiais e seguidores de Bane é enfocada: a situação vivida por ele lembra exatamente uma frase de Harvey Dent (“Ou se morre herói, ou vive tempo suficiente para ver você mesmo se tornar o vilão.”). O personagem estava abandonando a cidade, para deixá-la se destruir, somente para estar com a sua família. Mas depois decide voltar, e morre como um herói. Sem contar outros simbolismos presentes no longa – como Bruce Wayne escalando o poço sozinho para se libertar. Em Batman Begins, ele cai em um poço, mas precisa da ajuda de seu pai para sair de lá. Agora, adulto e completamente treinado, o faz sozinho (mesmo que precise de 3 tentativas para conseguir)”.[SPOILER]

Mas o filme não é livre de problemas. Alguns momentos caricatos – como a morte de um dos vilões nos momentos finais do filme e algumas falas completamente desnecessárias (“Ele age tão mal quanto se veste!” ou “Você é o mal em pessoa!”) e alguns personagens importantes da história que ficam muito tempo apagados da narrativa – enfraquecem a história, que até então se mostrava extremamente séria e adulta, mesmo com alguns espaços para alívios cômicos. Alívios cômicos, esses, os melhores da trilogia: sempre com referências aos personagens e a própria trama, as piadas funcionam principalmente pela sua sutileza e pela naturalidade com a qual surgem durante a narrativa.

Tecnicamente, o filme é impecável. Vemos uma evolução na direção de Christopher Nolan, que cria diversos momentos com cenas simultâneas em locais diferentes (o que é uma elogio mais voltado para a montagem, claro) e uma ação mais orgânica e com enquadramentos mais abertos, possibilitando um entendimento melhor do que está acontecendo (o que é auxiliado ainda mais pela falta de cortes frenéticos, o que foi um problema nos filmes anteriores). A sonoplastia, maravilhosa, é importantíssima em diversos momentos – e destaco a voz de Bane, que foi completamente substituída por uma dublagem de Tom Hardy, mas que não atrapalha em nada o desenrolar do filme. A fotografia exerce um papel interessante principalmente na segunda metade do segundo ato do filme, quando Gotham está tomada por Bane e seus homens: note como o branco, seja da luz, seja da neve, é realçado ao extremo, principalmente na batalha que ocorre ao final do filme; isso nada mais é do que uma metáfora visual sobre o mal que se apossou da cidade. Brilhante.

Além de uma conclusão EXTREMAMENTE empolgante, não só pelas surpresas, mas pelas possibilidades do que pode vir a ocorrer com os personagens, Christopher Nolan deixou bem claro que quando quer algo, ele consegue.

E Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge acaba não sendo o filme que precisamos… Mas sim o que merecemos.

Nota: 9,0

Ps: não, não tem cena pós-créditos. A cena final do filme é melhor do que qualquer easter-egg que possa existir. 😀

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

3 pensamentos sobre “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge!

  1. Tiro meu chapéu para você. Não sei sou eu que estou tão empolgado com o filme a ponto de ficar animado com coisas escritas sobre ele, mas achei essa uma das suas melhores críticas! O filme é muito bem feito, muito bem narrado, muito bem interpretado, arquitetado e isso supera quaisquer furos que tenham saltado os olhos de vários fãs. *Ah, uma amiga minha acabou me explicando melhor a parte final, sobre como [spoiler] o Wayne conseguiu se safar [spoiler] rs* Adorei sua frase final e concordo plenamente. Foi o filme que os fãs mereciam, um encerramento épico da trilogia que emocionou e empolgou milhares e milhares de espectadores.

    Abraço,

    Victor

    • Poxa, obrigado Victor! Só não concordo sobre ser um dos meus melhores textos. Ainda acho que o melhor que escrevi foi o de O Artista. hahahahah. E sim, o filme é tão bem arquitetado que não sobram espaços para furos. É tudo bem fechadinho, sem nenhum erro.

      Obrigado de novo,

      Bruno. 🙂

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