O Espetacular Homem-Aranha!

“Mesmo com problemas no roteiro, o filme acerta no elenco e na abordagem diferenciada sobre a história que já conhecemos do Cabeça de Teia.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Em meio a diversas pessoas dizendo que o filme seria terrível por não ser estrelado pelo inexpressivo Tobey Maguire, confesso que estava bastante empolgado com esse reboot do Homem-Aranha nos cinemas. Reboot, esse, que aconteceu muito rapidamente: após meros 10 anos do lançamento do original nos cinemas, a reimaginação vem ao público. E surpreendendo: ágil e com personagens cativantes, os únicos problemas que encontramos em O Espetacular Homem-Aranha estão em alguns furos no roteiro e alguns personagens mal trabalhados.

Mas vamos começar falando sobre o que mais gerou receio nos fãs da trilogia original: Andrew Garfield convence tanto quanto Tobey Maguire? Convence, e extraordinariamente. Até me pergunto o porque de todos acharem Maguire o “Peter Parker definitivo”, se sua interpretação unidimensional não ajudava em nada no desenvolvimento do personagem (tirando o fato de mostrar que ele é um perfeito bobão). Andrew Garfield consegue compor um retrato dos principais dilemas dos jovens atuais – como chamar uma garota para sair, tentar explicar erros aos seus responsáveis e enfrentar descobertas inesperadas. Ele consegue cativar o público ao criar certos “tiques” para o personagem, o que leva a alguns momentos cômicos ótimos – como quando ele convida Gwen Stacy para um encontro e recebe um “sim”. Repare no pé de Garfield, que revela uma felicidade contida, assim como quando Stacy se distancia, e ele repentinamente joga a cabeça para trás e sai caminhando no sentido oposto. Além disso, Garfield ainda consegue criar um alter ego fenomenal, com piadas executadas com um ótimo timing, mas fazendo-o parecer um “troll” da internet. Emma Stone, bela como sempre, consegue fazer de Gwen Stacy um par perfeito para Peter, ao também demonstrar felicidades contidas (note os sorrisos enormes que ela deixa escapar quando Peter fala que pode encontrá-la naquele dia mais tarde) e alguns tiques (como quando ela faz um discreto passo de dança ao dizer “sim” para Peter quando este a chama para sair). Mas, infelizmente, o roteiro não a aborda muito bem, e ela passa grande parte do filme sem aparecer – e sem mostrar uma necessidade aparente (além, claro, da ajuda que ela dá a Peter durante o clímax).

E ai começam os problemas de O Espetacular Homem-Aranha. O roteiro, que passou pelas mãos de três profissionais, deixa bem claro que isso aconteceu: com alguns problemas de ritmo (de lento para rápido, e depois para muito lento) e de continuidade narrativa (perceba como, ao passar do tempo, os diálogos ótimos que vimos no primeiro ato vão se dissipando até sumirem completamente), o filme ainda deixa algumas pontas soltas – como o ladrão da estrela no pulso, que é ignorado completamente após determinado momento do filme. Alguns reclamam que outra ponta solta é a história dos pais de Peter, mas não vejo problema algum dela não ser explicada, pois além do filme não ter prometido concluí-la (com a exceção da campanha de marketing, que sempre falava sobre a “História Não Contada”), ela foi apenas um empurrão para os acontecimentos póstumos: Peter encontra a fórmula que Connors precisava, Curt Connors se torna uma ameaça e Peter descobre que precisa se tornar um herói para detê-la. E por falar em Curt Connors, Rhys Ifans está bem no papel, mas o personagem é problemático: além de ser um claro plágio do Duende Verde do filme original (ao vermos ele escutando vozes e discutindo consigo mesmo), ele ainda possui motivações mal resolvidas, pois ele somente afirma que queria que todos fossem “seres perfeitos”. Somente citar o que ele quer não é o suficiente para fixar a ideia. Além disso, o filme é um tanto longo demais. Algumas cenas – como o Homem-Aranha se balançando em direção ao prédio da Oscorp no final – são longas demais sem necessidade nenhuma,

Tirando isso, o filme é ótimo. As cenas de ação são bem “esclarecidas”, com pouquíssimos cortes e ângulos de câmera, em diversos momentos, inspiradíssimos de Marc Webb. Fiquei de queixo caído em cenas como a em que Peter “enterra” na cesta de basquete e em quase todas as suas lutas contra o Lagarto – um vilão digno, que realmente impõe uma ameaça ao herói. Herói, esse, que finalmente faz jus ao seu nome: a movimentação do Homem-Aranha e o comportamento de Peter em casa realmente lembram um aracnídeo em diversos momentos, e destaco aquele em que o personagem caminha sobre o vilão e resolve os deveres de casa pendurado de cabeça para baixo.

A trama é a mesma do filme anterior – a única diferença são as sutilezas da escolha de Marc Webb em confiar no público para que este entenda determinados aspectos. Como, por exemplo, a aderência acentuada nas mãos e nos pés de Peter: no filme original existe uma necessidade de explicar bem direitinho como funciona aquilo. Nesse novo filme, já que o público sabe exatamente como ocorre tudo, Webb não perde tempo explicando – é “assim” e pronto, o que se revela uma escolha inteligente. E também vale lembrar a cena em que Peter discute com o Tio Ben – interpretado maravilhosamente por Martin Sheen, que é amigável quando seu sobrinho precisa e racional quando ele faz alguma besteira -, quando este transmite a ideia central do “Com Grandes Poderes, Vem Grandes Responsabilidades” de uma outra maneira, utilizando expressões totalmente diferentes.

Mesmo com seus incomodantes defeitos, O Espetacular Homem-Aranha é divertido, empolga e nos apresenta a uma nova visão dos personagens que já conhecemos – e a novos também.

Nota: 8,0

Ps: o 3D é opcional: não tem nenhuma função narrativa, mas possui diversos momentos interessantes em que diversos objetos – e até lugares – saltam aos olhos. Então escolha com sabedoria. 🙂

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

3 pensamentos sobre “O Espetacular Homem-Aranha!

  1. Gostei da resenha, achei justa e muito boa, parabéns. (spoiler) Também achei muitos furos como: ter acesso a recarga de teia no futuro, como ser pobre se o pai era cientista renomado, a Oscorp cortar Connors e este ser o fator motivador do persongem, construir laboratório no esgoto e querer transformar todo mundo, muito clichê. Também é muito forçado o motivo do aranha querer deter o Lagarto. Mas também há o lado positivo, ir a forra com o Flash sem briga, a tia May sacar sem precisar falar nada, pois afinal tem coisas que na vida real seriam impossiveis de esconder e por fim não matar Gwen como ocorre na HQ também achei muito acertado.

  2. FELIZ DIA DO AMIGO!!

    “AMIGO, palavra tão fácil de se escrever e pronunciar, mas tão difícil de ter. AMIGO, é aquele que nos ampara nos momentos difíceis, é aquele que nos crítica nos erros e fraquezas, é aquele que não engana, que não elogia para não explorar. AMIGO, é aquele que sente a nossa ausência e chora quando choramos.”

    Vim desejar alegria, felicidade e muito amor no coração e um final de semana iluminado, cheio de carinho e felicidade!!
    “Crer, é tornar possível o impossível.”
    Carinho não tem preço, doe-se.
    Blogueiras Unidas 1275!
    Luz e paz!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

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