Resenha: Clube da Luta – Livro.

“Com uma inovadora narrativa, a complexidade do planejamento de cada capítulo impressiona estrondosamente, o que nos faz agarrar o livro e não largá-lo até o final.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Sinopse: Considerado um clássico moderno desde sua publicação em 1996, o livro Clube da Luta consagrou Chuck Palahniuk como um dos mais importantes e criativos autores contemporâneos, além do próprio livro como um cânone da cultura pop. O livro que estava esgotado há anos volta às livrarias nessa caprichada edição. O clube da luta é idealizado por Tyler Durden, que acha que encontrou uma maneira de viver fora dos limites da sociedade e das regras sem sentido. Mas o que está por vir de sua mente pode piorar muito daqui para frente. O livro foi filmado em 1999, Por David Fincher (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres, A Rede Social), que possui duas nomeações ao Oscar, que conseguiu adaptar toda atmosfera do livro, o mundo caótico do personagem e o humor negro de Palahniuk em uma trama recebida com inúmeros elogios pela crítica e pelo público que conta com os atores Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter.

Sou extremamente suspeito para falar sobre Clube da Luta. O filme de David Fincher mudou minha vida, mudou minha visão de mundo, mudou meu senso crítico, mudou as minhas atitudes e, sem ele, não teria conseguido fazer diversas coisas que, se fosse listar aqui, você pararia de ler esse texto antes mesmo da metade. Mas, quando fui ler o livro, fui esperando algo novo. E eu achava que esse ponto de vista estava certo, pois cinema e literatura são duas mídias diferentes, e que nos dão visões diferentes, mesmo quando se trata de um filme baseado em um livro ou vice-versa. E sim, eu estava certo.

A narrativa de Chuck Palahniuk é intensa – ela põe em prática, de uma maneira extremamente fiel, o que é ser “primeira pessoa”. Ao descrever diálogos com a narrativa de Jack ( título que os fãs do filme dão ao personagem principal, que sempre se diz ser “alguma coisa do Jack”), o livro torna-se, além de mais complexo, diferente e dinâmico, economizando páginas, descrições e tempo. Sacada genial do Chuck Palahniuk para prender a atenção do leitor ( principalmente por conta da originalidade da narrativa).

A construção dos personagens é magnífica. Chuck Palahniuk consegue nos enganar diversas vezes, como por exemplo: Tyler Durden – no início do livro, era só um cara que o Jack havia conhecido na praia. No meio do livro, esse mesmo personagem se mostra importantíssimo para a história. Marla Singer – é destacada por Chuck Palahniuk desde o princípio da trama, mas fica sumida durante boa parte do livro – o que não torna sua participação menos importante. A narrativa, como já comentada antes, extremamente pessoal de Jack, é completamente funcional, pois sempre mostra as reações dele diante dos acontecimentos do livro, o que enriquece o texto de Chuck Palahniuk.

Em determinado momento do livro, Tyler abandona Jack, e esse abandono é tão bem trabalhado – com Chuck Palahniuk sempre pondo Jack em situações onde ele necessita imediatamente da ajuda de Tyler, e a narrativa sempre mostra as reações de Jack para essa ausência do amigo – o que faz você sentir o mesmo que o personagem. E Chuck Palahniuk consegue distribuir muito bem a dose de humor, violência e inteligência, colocando todos esses elementos em uma única situação, mas em momentos distintos – como quando Jack derruba a gordura da mãe de Marla no chão: Chuck Palahniuk dá uma pausa, mostra o impacto que atingiu os dois personagens com calma e, em seguida, nos mostra um momento de humor, com Jack fugindo de Marla, e ambos correndo pela casa enquanto ouvimos os gritos dela e Jack dizer: “Não fui eu quem fez isso, foi o Tyler!”. Ou seja: primeiramente, um momento de tensão entre os dois personagens, já que a mãe de Marla é muito importante para ela e Jack/ Tyler estava usando a gordura dela para fazer sabão; depois, uma pausa, para o impacto do momento; em seguida o humor: Jack sai correndo com medo de Marla, enquanto esta grita com ele; e, pra finalizar, a inteligência: ele diz que quem fez aquilo não foi ele, e sim Tyler, um detalhe que no final do livro se mostra muito importante.

E, para fechar o livro com chave de ouro, Chuck Palahniuk desenvolve um final completamente interpretativo. Estaria mesmo Jack no céu? Ou o local que ele descreve como sendo o Paraíso é apenas um hospital? E o posfácio, o que dizer daquilo? Chuck Palahniuk descreve toda a repercussão do livro e do filme, detalhando que o livro resultou de uma tarde chata no trabalho – e de acontecimentos reais que o inspiraram. Simplesmente fascinante.

E se você leu diversas vezes o nome de Chuck Palahniuk durante esse texto, não ache ruim, pensando que esse crítico que vos fala não revisa os seus textos ou é extremamente repetitivo: foi de propósito, para você se lembrar desse cara, Chuck Palahniuk, sempre que puder.

Nota: 10,0


OBS: o livro complementa o filme, ou seja: aconselho você a ver o filme ANTES de ler o livro, já que é muito mais divertido imaginar Edward Norton como Jack, Brad Pitt como Tyler Durden e Helena Bonham Carter como Marla Singer. Simplesmente sensacional.

OBS 2: Um detalhe importante: Editora Leya, por favor, revisem mais as traduções dos seus livros. Encontrarmos no livro “poço” com “SS” e “boca” sem o “C” atrapalha bastante a leitura.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

Um pensamento sobre “Resenha: Clube da Luta – Livro.

  1. ééeer, eu fiquei super receosa quando vi o lançamento do livro na submarino. Eu geralmente gosto de filmes sobre livros ou hq’s ou mangás, mas ainda não tive uma experiência contrária satisfatória. Mas pela sua nota dez, acho que valerá a pena arriscar! 😀

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