Homens de Preto 3!

“Potencial levemente desperdiçado.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Sabe aquele filme em que você nota que um dos atos/ cenas/ situações teve o seu conceito mudado durante o processo de finalização? MIB – Homens de Preto 3 é um bom exemplo disso, onde nota-se que o primeiro ato possui um ritmo completamente diferente do resto do filme. Ou seja: ou o primeiro ato foi repensado pelo diretor Barry Sonnenfeld  durante a montagem do filme ou todo o resto foi refeito. E ai, qual o mais provável?

Primeiramente: nota-se uma variação enorme no ritmo do primeiro ato. Inicia com um prólogo relativamente arrastado, em que nos apresenta o novo – e extremamente caricato, o que atrapalha um pouco o filme, diga-se de passagem – vilão, para logo em seguida já mostrar os agentes K e J durante a conclusão de um caso alienígena, onde o filme acelera seu ritmo bruscamente. Para logo em seguida, como você já deve presumir, voltar a se arrastar, durante a cena do bar chinês, onde temos uma burocrática cena de ação. Aliás, todo esse primeiro ato é burocrático, pois notamos que o filme quer nos reapresentar àquele universo sem cair no óbvio. E ele não cai, o que é bom, mas para isso sacrificou a sua montagem, que é realmente péssimo, já que a montagem de um filme é um recurso que deve evitar ao máximo os erros para uma narrativa fluida e sem quebra de raciocínio, o que infelizmente não ocorre no início de MIB 3.

Tirando isso, a partir dali o filme acerta bastante. O K de Josh Brolin é praticamente o mesmo K de Tommy Lee Jones, o que é um acerto tremendo se formos considerar a continuidade do roteiro. Os efeitos visuais magníficos, sempre em prol da trama, são bastante detalhistas, e destaco as cenas de viagem no tempo – que, aliás, nos rende um momento divertido, inesperado e nem um pouco didata (como muitos filmes que tentam dar uma de complexos são), o que é uma bela surpresa. As cenas de ação (tirando a do restaurante chinês, como comentei antes , que para uma cena de ação possui cortes que podemos contar nos dedos e ângulos de câmera um tanto equivocados) são bem realizadas, com poucos cortes e ângulos que permitem um total entendimento do que está acontecendo – diferentemente de um Transformers da vida, onde Michael Bay faz cortes o tempo inteiro e mal conseguimos entender o que está acontecendo ali.

E o Will Smith? Bem, exagerado. Bastante. Somente duas piadas vindo dele funcionam (a do peixe na privada e a do carro roubado), sendo que todas as outras são forçadas e óbvias demais para provocarem o riso: “Esse dai veio do planeta Bizarro!” se mostrou tosco desde sua aparição no trailer. Tirando isso, temos piadas sobre as ocultações que a NASA faz, sobre celebridades que na verdade são alienígenas monitorados (notem no plano de fundo nas cenas filmadas na base dos MIB: vemos, nos telões, Lady Gaga, Yao Ming e Tim Burton, sendo esse último o que mais me fez rir) e sobre o racismo exagerado nos EUA na década de 60 e nos dias de hoje (a fala da meninazinha no colo da mãe quando J procura por K é ótima).

A conclusão possui um teor melodramático, mas que te emociona por envolver o passado de um dos personagens – e sim, me fez chorar um bocado – e um recurso narrativo interessante chamado de Pista e Recompensa, onde vemos um objeto que é rapidamente nos mostrado durante a narrativa que, em determinado momento (quase sempre no clímax) se mostra importante. No caso de MIB 3, o objeto é um relógio de bolso, que surge durante o filme para desenvolver uma habilidade especial de um dos personagens, e que depois ajuda na construção da carga dramática no clímax. Bonito.

Mesmo com alguns defeitos e exageros, o filme brinca de uma maneira interessante com o recurso da viagem no tempo e faz diversas piadas que funcionam. Divertido, mas nada mais do que isso.

Nota: 7,0

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

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