Encontros e Desencontros!

“Um belo retrato de Sofia Coppola sobre a solidão.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Bill Murray é um ator fenomenal. Scarlett Johansson, além de doce, é linda. Um filme protagonizado por esses dois tem tudo para ser, no mínimo, interessante. E Encontros e Desencontros vai muito além de ser “interessante”.

Dirigido e escrito por Sofia Copolla( sim, filha do mestre sensacional, diretor de Apocalypse Now e O Poderoso Chefão, Francis Ford Coppola, que produz esse), o filme é um belo e divertido retrato de duas pessoas extremamente solitárias. Bob Harris, ex-astro de cinema que agora ganha a vida fazendo comerciais para a televisão, e Charlotte, noiva de um fotógrafo que pouco lhe dá atenção.

Bill Murray constroe um divertido personagem, que nos faz se identificar com ele ao passar por situações constrangedoras do dia-a-dia, o que é um recurso interessante que Sofia Coppola utiliza para ganhar o espectador – assim como também faz com Charlotte, ao mostrá-la ouvindo música e fazendo coisas rotineiras. A fotografia, sempre azulada ou esbranquiçada, passando uma sensação de frio, ajuda e muito na composição da melancolia contida dentro dos personagens, sempre tentando impressionar alguém para se sentirem importantes, devido a sua grande solidão – Bob diversas vezes tenta agradar, mesmo por telefone, sua mulher, que é sempre ríspida e direta; enquanto Charlotte tenta dialogar com o seu marido, que em diversos momentos parece fingir que ela não existe( principalmente na cena do jantar, em que ele a ignora completamente para dar atenção a uma velha amiga).

Para acentuar mais a solidão dos personagens, Coppola utiliza várias cenas mostrando-os fazendo coisas qualquer, como andar por um parque, observar pessoas na rua, trabalhando no hotel, ou simplesmente sentar-se a cama e pensar sobre alguma coisa. O desenvolvimento do relacionamento entre Bob e Charlotte é sensacional, pois você não sabe o que há entre eles: é amizade? É um amor estilo “pai e filha”? Ou é amor “pra namorar”? E o filme acerta ao mostrar que nem os personagens sabem direito o que aquela relação representa. E que eles apenas querem estar um com o outro, vendo filmes, conversando, fazendo companhia. E o resultado disso tudo, por mais que seja clichê, é aceitável devido as circunstâncias pelas quais os personagens estão passando.

Divertido e melancólico, Encontros e Desencontros é um grande filme de uma promissora diretora

Nota: 9,0

Ps: a seguir, um vídeo sensacional com trechos do filme( CONTÉM SPOILERS).

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

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