Resenha: A Linha

Esse livro me lembrou a três outros. O primeiro é Gone , do Michael Grant, o segundo é O Pacto, da Gemma Malley, e o terceiro é Destino, da Ally Condie. Mas não de um jeito “cópia”, mais para estilo, tema e público.

Na primeira vez que eu vi A Linha eu não imaginava que era distopia, só depois que comprei que um amigo me disse que era. Demorei muito tempo a ler, até meu irmão leu antes de mim, e o que ele disse ao ler se tornou realidade: o início é lento, mas depois vai bem rápido. Como o livro mal tem 200 páginas, vai tranquilo e é uma leitura muito rápida.

O livro conta a história de uma garota que vive com a mãe em um lugar afastado das cidades, a Propriedade, sem contato com a maioria das pessoas e bem próxima à Linha. Essa Linha é como um muro invisível que divide o país dela do lugar onde os Outros vivem, mas quem eles são, o que eles fazem ou seja lá qual for a história deles, ela não sabe. Mal sabe a do próprio país, que graças aos ensinamentos da mãe ela descobriu estar toda distorcida e com muito segredo embaixo do tapete. Mas nada disso importa, realmente, porque tudo o que ela tem que fazer é estudar e ajudar a mãe, que é empregada da dona da Propriedade. O problema é que Rachel já está crescendo e aprendendo a ver o mundo com os próprios olhos – e não está tão satisfeita em ficar em silêncio.

O livro é mais infantil, mas mais infantil porque é uma história simples e pequena (246 páginas em letras gigantes, que até me lembraram aos livros que eu pegava na biblioteca da escola quando era pequena, mas sem imagens). No entanto, cheia de conteúdo e informações importantes. Seria até interessante que na aula de Literatura ou até mesmo História fosse uma das leituras. Infelizmente, estão mais preocupados em ensinar os alunos a obedecer do que a pensar, então dificilmente algo assim seria utilizado. O livro faz jus ao que as distopias* parecem buscar: usar um mundo extremado para falar abertamente de coisas que existem na nossa vida.
*Se o autor estiver mesmo preocupado em fazer uma distopia…

É o tipo de livro quase ideal para quem está começando a ler livros maiores, só com palavras. Também para os mais velhos que buscam distopia. Não duvido nada que com o resto da série (que deve ter) fique melhor, podendo até se comparar a Gone (exemplo de um que mesmo sendo parecido consegue atingir e agradar um público mais velho).

O livro, no geral, tem um problema e outra característica que poderia ser vista como problema. O problema em si é que tem muita descrição das história do mundo e dos personagens. Se eu fosse escrever o que acontece nas 100 primeiras páginas provavelmente não daria nem uma folha, mas elas estão cheias de palavras que servem para apresentação. Ficamos sabendo do mundo, de um pouco da histórias dos Estados Unificados, tiramos algumas dúvidas do que aconteceu, conhecemos a mãe, a dona da Propriedade, o outro empregado da Propriedade… Na outras 100 páginas, temos realmente alguma coisa acontecendo, com uma descrição aprofundada do que já conhecíamos e algumas respostas. Os problemas desse problema é que torna um pouco cansativo (informação, informação, informação e um monte de “pra quê?”) e muitas das coisas importantes perdem o valor, já que o leitor está com a atenção diminuída.

O que poderia ser um problema é o tamanho do livro. Já li livros que a introdução tinha mais páginas que esse inteiro, o que dificulta a criar uma história realmente boa e profunda (para o tema proposto) com tão pouco espaço.

Quando parece que o livro começou, ele termina bem no jeito “leia o próximo para saber”. Me lembrou agora a Destino, que é até bem parecido, trata da pessoa que “acorda” para a vida e faz uma decisão. Mas esse não tem o romance para entreter, não tem um desenvolvimento interno da personagem… E eu já achei Destino cansativo.

A personagem acho que vai ter quem não goste. Ela é um pouco criança. Não é nem do tipo que você diz “sua burra!”, você vê exatamente que ela, com a idade que tem, não poderia ter pensado em algo mais. O que é até legal, porque eu nem lembrava se ainda retratavam gente mais novo desse jeito, já que no livro todo mundo parece ser mais velho (até para a própria idade). E, se você me perguntar a idade dela, eu também não sei, porque a autora não fala em momento nenhum a idade de ninguém. É sempre mais velho, mais novo, jovem, velho, cabelo grisalho…

No geral, o que me perturbou mesmo no livro, é que ele é muito simples. Não há trabalho no desenvolvimento de uma escrita bem feita, nos acontecimentos e em todo o resto. É como se você colocasse meia dúzia de objetos e colocasse em uma cesta, sem arrumar com capricho, envolver e torná-los algo maravilhoso e um só. Talvez nos próximos melhore, porque o final levou para um caminho que até me surpreendeu.

Com esse eu tive o mesmo conflito que eu tive para dar nota que “Destino”. Eu “sinto” que é um 4, mas a lógica me diz que é o 3. Isso que me fez perceber que é porque eu valorizo o tema dos livros e acho importante que as pessoas leiam e pensem. Mas, para ser sincera, é um livro que poderia até ter passado. Tanto esse quanto Destino: são temas interessantes, histórias que ficam até legais, mas ninguém vai morrer se não ler. Porém, se você gostou de O Pacto da Gemma Malley, totalmente indicado.

Título: A Linha

Livro 1

Próximo: Away

Autor: Teri Hall

Editora: Novo Século

*Eu não sei se termina no segundo e nem se há previsão para lançar aqui, saiu lá fora em setembro de 2011

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