Laranja Mecânica!

“Mais uma obra fascinante de Stanley Kubrick!”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Quando falamos de Stanley Kubrick, o que vem na mente da maioria dos cinéfilos e cineastas é “um dos mais diretores de todos os tempos, se não o maior”. E eles estão certos: 2001 – Uma Odisseia no Espaço é uma das maiores obras-prima de todos os tempos, e é considerado o melhor filme de ficção científica da história, inspirando diretores como Steven Spielberg, George Lucas, entre outros…

Entretanto, não é só por esse seu épico que ele é famoso. Outro filme extraordinariamente bem concebido por ele foi esse que este crítico que vos fala e comentará nos próximos parágrafos: Laranja Mecânica, uma trama única sobre os conflitos internos forçados por um homem que, em pleno caos, tomou conta de sua vida após fazer escolhas erradas durante muito tempo.

A filosofia escondida no filme é muito bela – tão bela que me lembrou o meu filme favorito: Clube da Luta. Vemos uma história sombria, pesada, sobre personagens que ultrapassam a barreira do politicamente incorreto de maneira espantosa; mas o que realmente está implícito lá? Durante o filme, acompanhamos a história de Alex, um adolescente rebelde ao extremo, que se reúne com sua gangue, a qual ele lidera, para espancar bêbados, assustar pessoas e estuprar mulheres. Esse era o seu mundo perfeito, e notamos isso pela interpretação do ator que vive Alex. Até que um dia seus amigos se revoltam com sua liderança abusiva e o entregam a polícia. E, na prisão, ele descobre que existe um método para tornar o ser humano bom – um método científico para eliminar as características ruins da personalidade do participante.

E é nesse ponto que o filme escancara a sua genialidade: no início do filme, temos uma série de cenas que desenvolvem ao máximo a personalidade de Alex: vemos ele espancando um idoso bêbado embaixo de uma ponte – somente porque ele não gosta de idosos bêbados, como diz a narração em off -, estuprando uma mulher na frente de seu marido – um escritor, o qual ele espanca bastante – e sendo bastante mimado pelos pais – que acreditam, sem fazer muito esforço, que o filho está doente e que não pode ir a escola naquele dia ( sendo isso, obviamente, uma mentira). Ou seja: Alex é o pior tipo de pessoa na idade dele que pode existir, e para completar essa conclusão vemos ele levando duas garotas para a cama com muita facilidade.

Então, fica extremamente fácil de nós aceitarmos Alex sendo um “menino bonzinho” na cadeia, além de quando ele se voluntaria para participar do método para torná-lo um ser humano bom: é óbvio que ele estava fazendo tudo isso para dar logo o fora dali – chegamos até a vê-lo ser extremamente gentil com um padre, sendo que no início do filme, vemos em seu quarto pequenas estátuas que representam Jesus Cristo de maneira debochada – bastante, aliás.

Durante o processo de “aperfeiçoamento” da personalidade de Alex, que em nenhum momento é previamente esclarecido de como funciona, Stanley Kubrick faz questão de mostrar que ele é brutal, de que ela é extrema até para um criminoso em larga escala como Alex. E ele faz isso com toda a razão, já que jogar na cara de um malfeitor que ele é um monstro por dentro, por mais que ele conviva com isso, é assustador. E mais assustador ainda é o que ocorre depois com Alex, com todo o seu “mundo perfeito” se voltando contra ele, após ele sair da prisão – sempre sentido fortes vontades de vomitar logo no momento de cometer novamente os delitos que o levaram para a cadeia: seus pais conseguiram um “novo filho”, seus ex-parceiros de gangue se tornaram policiais ( e eles os espanca), e ele acaba batendo na porta do marido escritor da mulher que ele estuprou – que se torna um dos personagens mais psicologicamente alterados que já vi.

Ou seja: aquilo que vimos Alex fazendo no início do filme não só serviu para desenvolvê-lo, mas para dar continuidade a trama quando esta estivesse próxima da conclusão ( e dão continuidade mesmo: o que acontece em decorrência disso nos leva a um dos “finais não-felizes” disfarçados de “felizes” mais interessantes de todos. )

A fotografia do filme é bem simples em determinados momentos, e em outros bastante bem executada: como na cena em que eles impedem outra gangue de estuprar uma mulher e na cena em que eles se aproximam do idoso embaixo de uma ponte antes de espancá-lo.

A direção de Kubrick é outro detalhe importante. Prestem atenção na cena em que Alex passeia em uma loja de vinis – o passeio que a câmera faz é brilhante ( além de ressaltar o CD da trilha sonora de 2001 – Uma Odisseia no Espaço. A maneira cômica como a cena de sexo de Alex com as duas garotas que ele conhece nessa mesma loja também é bem realizada pelo diretor, acelerando a imagem e pondo uma música instrumental de fundo. A montagem também é bem interessante, mas nada de muito extraordinário.

Mas, mesmo no meio de tantos pontos positivos, o filme peca na cena do bar, logo após Alex acabar de jogar seus colegas de gangue no mar, logo após eles pedirem um espaço maior nas decisões do que o grupo deve fazer. A atitude de Alex, claramente, dizia: “EU QUE MANDO NESSE GRUPO! VOCÊS TEM QUE ME OBEDECER!”. Mas, o que a narração off fala? “Eu estava mostrando a eles quem é que manda.”. Infelizmente, com essa fala em off, a cena ficou redundante.

Mesmo assim, Laranja Mecânica é um filme memorável, e não é a toa que está em diversas listas como um dos melhores de todos os tempos.

Nota: 9,7

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “Laranja Mecânica!

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