Resenha: Amante Sombrio

A saga dos vampiros guerreiros A Irmandade da Adaga Negra tem sido altamente comentada por vários cantos do país. A velocidade com a qual a editora lança suas sequências ( trata-se de uma série de 10 livros até agora, isso sem contar com o guia da saga ) mostra que o sucesso não é só aparente. E foi por conta de todo esse burburinho ao entorno da história dos irmãos vampiros que decide me aventurar a ler o primeiro volume, Amante Sombrio.

Contando com a participação de vários personagens, a história foca, principalmente, em Beth e Wrath. A primeira é uma meia vampira que, não sabendo de sua condição, segue com sua vida humana normalmente, trabalhando num pequeno jornal de Nova Iorque. Mal desconfia que logo passará pela transição, um momento presente tanto na vida de vampiros quanto na de meio vampiros, onde poderá morrer caso não aguentar a transformação.  Wrath é o rei dos vampiros e líder da Irmandade da Adaga Negra, uma sociedade de guerreiros sangue puros que protegem sua raça. Ele é rude, mal humorado e impiedoso, porém muito forte, sendo o único que poderá salvar, sem dúvidas, Beth. Entre várias reviravoltas causadas pelos inimigos dos vampiros e outros personagens, como os irmãos e os humanos policiais que fazem parte da vida de Beth, a história desenvolve a relação da jornalista com o rei vampiro, uma relação cheia de altos e baixos e muito erotismo.

Capa americana do livro

Apesar de uma mitologia vampírica no mínimo interessante que J. R. Ward cria, principalmente o lado místico da mesma, Amante Sombrio tem vários problemas. A narração é feita em terceira pessoa, explorando, porém, vários pontos de vista. Contudo, a passagem de um ponto de vista para o outro é feita na mesma cena. Em um bloco com os dois personagens principais, teremos, sem aviso, a transferência, de uma parágrafo para o outro, da visão de Beth para a visão de Wrath. O indício dessa mecânica são os pronomes que mudam de “ele” para “ela” ou vice-versa. Ao longo da leitura, esse artifício torna-se por demais confuso, ainda que a ideia da autora tenha sido interessante, ao tentar dar vários ângulos sob uma mesma perspectiva. Pena que não funcionou.

Os outros comentários são a respeito do enredo e seus personagens. O aspecto talvez mais gritante é a rápida paixão entre Wrath e Beth. Os dois não só se envolvem profundamente muito rápido como sua relação também ganha um caráter erótico tendo mal começado.  São almas gêmeas que se descobriram com um olhar. Uma paixão que, mesmo sem muitas explicações, flui rapidamente. Ainda no tocante da relação dos dois, o erotismo, muito presente na história, às vezes entra mais em cena do que qualquer outra coisa. O enredo explora o suspense por parte dos vilões e dos policiais, mais distantes do mundo dos vampiros, e combates até a morte. São elementos importantes na vida da Irmandade que, porém, ficam para um segundo plano, enquanto a vida sexual dos personagens – em especial dos protagonistas – é melhor tratada.  O problema não é tratar de erotismo, mas sim colocar ele em excesso.

Outro ponto que me incomodou foram os preceitos da Irmandade. Os vampiros guerreiros são extremamente machistas, assim como a sua sociedade. Os machos servem para protegerem e satisfazerem suas fêmeas. E estas, por sua vez, devem ser protegidas e atender às necessidades de seus machos. Uma fêmea solteira ou separada é considerada inválida. Os irmãos também só fazem guerrear, beber, transar e se divertir com coisas tipicamente “de homem”. A autora segue  esteriótipos masculinos e não dá nenhuma personalidade aos homens da trama. Eles impressionam às fãs por seus corpos sarados, temperamentos inflados ( uma pequena discussão fere a honra e pode resultar num confronto ) e a promessa de serem almas gêmeas e, por isso, mudados ou redimidos. Afinal, pares perfeitos é o que não falta na série.

A saga da Irmandade foca em cada irmão por livro. Ao que eu entendi, é sempre a mesma mecânica: um deles se transforma após encontrar sua alma gêmea. Essa ideia de explorar melhor os personagens ao longo das sequências também impossibilitou o desenvolvimento de muitas figuras no primeiro livro. Até agora são dez volumes publicados nos Estados Unidos, dos quais 8 já chegaram às nossas livrarias e o 9° está perto de lançar. Apesar de eu não ter gostado do livro, entendo que ele atende ao público feminino muito bem por conta de seu apelo romântico e erótico e personagens masculinos idealizados. Considero a série direcionada a esse público bem específico.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

2 pensamentos sobre “Resenha: Amante Sombrio

    • Com o que não concorda? Gosto de opiniões diferentes exatamente para debater. Isso é o legal de encontrar várias pessoas que leram o mesmo livro 🙂

      Acredito que quem gostou do primeiro e irá gostar igualmente das sequências. Estas parecem seguir a mesma linha que o primeiro livro segue.

      Beijos,

      Victor

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