Resenha: Presas – A Dádiva da Escuridão

Um homem acorda quase como se renascesse em meio a um pântano escuro cheio de cadáveres e ossos. Ele não se lembra de nada – não sabe seu nome, de onde veio ou porque está ali. Vagando em meio às sombras, chega a uma choupana onde é acolhido. Pensa estar seguro enquanto os comes e bebes que lhe oferecem possuem sonífero, fazendo com que adormeça e, nesse meio tempo, é vendido como escravo para um grande castelo do reino. Uma fortaleza está sendo construída e, para que a obra tenha um rápido fim, vários escravos trabalham dias seguidos, sendo castigados e açoitados durante esse período. Nosso protagonista não tem destino diferente dos outros, sofrendo com as duras condições daquele lugar. Contudo, trama sua fuga do inferno ao qual está preso. Uma vez livre, tentará buscar respostas e um rumo para sua vida sem passado.

Presas – A Dádiva da Escuridão chama a atenção pro propôr uma história passada na Idade Média – com todos seus campos, vilas, florestas, pântanos, castelos, nobres e segredos ocultos – com vampiros. O ambiente sombrio e místico dessa época combinado às criaturas da noite tem muito a oferecer. A escrita da obra se adéqua a essa atmosfera, com um vocabulário rebuscado e um tom mais lírico. O texto é, com certeza, o ponto mais forte do livro. Seu maior problema cai sobre o enredo. O início é bem confuso e composto por capítulos rápidos que apresentam vários personagens que mal conhecemos. O protagonista se encontra perdido com seu passado desconhecido e sua falta de rumo. Quem lê a história acompanha o personagem principal, não vendo um objetivo para ele ou uma explicação para tudo que está acontecendo. O homem encontra outros personagens que conhecemos brevemente, pois apesar de termos uma descrição dos mesmos, não somente passamos pouco tempo com eles como também Irwin ( nome que uma jovem dá ao perdido homem sem passado ) não nos conta suas impressões sobre quem encontra. Conhecemos as pessoas e criaturas que aparecem por conta dos diálogos, mas Irwin nunca comenta sobre suas vidas, características ou gestos. Sua narração nos guia pelo o que está ocorrendo a sua volta, mas, em geral, não ouvimos muito de suas reflexões pessoais.

[…] uma luz fosca que cobria de vermelho um pequeno corpo em pé, uma criança assustadora na sombra, seminua. Besta precoce…Sua boca era grande, e suas presas machucavam-na a seu bel-prazer. Os olhos vermelhos atentos condenavam o que alcançasse à sua volta. Ela, parada, espectadora de mim, confuso e surdo do nada que ouvi, imoto no largo momento, horrendo pela condição. Sua presença mimada e maldita atraía tudo com tristeza para si. – Página 53

A história realmente começa a nos cativar já quase na metade do livro. A partir dessa parte, vemos Irwin com um objetivo mais sólido e personagens mais interessantes. O problema da descrição dos mesmos e sua rápida aparição continua, porém, as figuras que Marco seleciona são muito mais curiosas que as do início. Desse momento até o final, o livro adere a caraterística daquelas histórias de cavaleiros andantes que vagavam entre vilarejos esbarrando com criaturas místicas, oráculos e pessoas pedindo ou oferecendo ajuda. Essa parte cria casos realmente interessantes e cativantes, apesar de que senti que poderiam ser mais compridas – a ponto de desenvolver mitologias e personagens que seriam bem recebidos na história. Ao final, vemos que alguns episódios foram desnecessários, mas, de qualquer forma, complementaram a história como aventuras a parte do andarilho.

Aqueles que lá existiam eram calmos e diferentes entre si, conquanto que aparentassem prontos para guerrear. Armas no chão e crianças brincando violentamente compunham parte da vista surpreendida. Eu via aquela composição aldeã similar a um condado, mas menor, espantado pela riqueza no meio do nada que só era visitado elos ventos. Diferença de Wisewood, os olhares destemidos das pessoas afugentaram qualquer sinal de ameaça. – Página 89

Como iniciamos a leitura sem nada nos ser revelado, é previsível que, quando chegarmos ao final, várias respostas nos sejam dadas. O autor trabalhou com essa conclusão de um modo que ele “colhe” tudo que “plantou” no decorrer de sua narrativa – um episódio de suas aventuras ou partes do próprio início da história. Entretanto, nem tudo acaba fazendo sentido por não ficar claro quando foi primeiramente narrado. O próprio grande objetivo de Irwin – mais evidente no final da metade do livro – deixa bons furos por estar tão claro para os personagens e nem tanto para o leitor. As respostas e explicações não colaram, em geral, tão bem. É como se tudo estivesse explicado na cabeça o autor e nem tão bem desenvolvido na hora de passar para o papel.

Por mais que menos frequentes do meio para o fim, a história sempre tem partes confusas. O texto contém alguns erros de repetição e ainda encontramos alguns problemas de continuidade – nada tão grave, mas alguns fatores que, de vez em quando, incomodam a leitura. O último capítulo dá a entender que haverá uma continuação com uma premissa pouco previsível, pois, de um modo geral, as questões do romance foram resolvidas. Presas tem como ponto forte sua prosa que, apesar de bem escrita, poderia ser melhor trabalhada a fim de ser mais clara. Com uma narrativa bem desenvolvida, os mistérios tornariam-se mais instigantes e suas soluções mais reveladoras.

>> Adicione o livro no skoob

>> Compre o livro com o autor pelo email marcoanrocha@gmail.com ( preço promocional – 30 reais – e sem frete )

>> Compre o livro no site da editora

Anúncios

Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

Escreva seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s