O Artista!

“Uma das maiores homenagens cinematográficas já feitas.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Propostas originais, tramas inteligentes e bem desenvolvidas, além de um roteiro coerente de ponta a ponta é o que falta no cinema atual, e não me canso de tanto repetir isso, já que é uma triste realidade. Filmes que arriscam um novo formato, impondo arte acima do comercial, acabam sendo grandes fracassos de bilheteria, já que o público não sabe apreciar o que é bonito de verdade. Em O Artista, o risco que o filme correu ao homenagear incrivelmente o cinema, ao ser completamente preto e branco e mudo, foi bastante compensado: indicado a vários Oscar( e com grandes chances de levar a maioria deles), o filme é tão bem estruturado que esquecemos que ele é recente, e passamos a acreditar que estamos vendo um verdadeiro filme da década de 30.

Tudo começa com uma referência bem explícita às produções antigas: os créditos iniciais contendo o nome dos mais importantes envolvidos no projeto – o que já dá uma noção do quão fiel o filme é à época que retrata. Após os créditos iniciais, já somos apresentados aos mais importantes personagens da trama: George Valentin e seu fiel escudeiro: o seu cachorrinho. Fugindo do principal clichê do gênero “filme que fala sobre filmes”, George não é o típico galã arrogante e narcisista; pelo contrário, ele é simpático e bem simples, e comprovamos isso na cena em que Peppy, ainda uma figurante desconhecida, esbarra com ele no tapete vermelho do cinema. George simplesmente começa a rir, e puxa a moça para tirar uma foto com ele. A forma do roteiro, de uma maneira geral, é bem clichê: vemos a ascensão de um personagem e a decadência de outro, sempre fazendo essas duas histórias se encontrarem por motivos maiores. Agora, exatamente como em “A Invenção de Hugo Cabret“, o conteúdo do filme é surpreendente. E dou destaque ao cachorrinho do filme; um dos melhores atores( sim, um dos melhores atores) do longa inteiro. Ele representa, mesmo sendo “apenas” um animal de estimação, uma enorme função dentro da narrativa. Ora, se não fosse por ele, George teria morrido em determinada cena do filme.

O fato do longa-metragem estar sempre apresentando situações novas vividas pelos personagens, garante a atenção contínua do público, seja pelo fato do crescimento extraordinário da carreira de Peppy Miller como atriz ou por George alcançar o fundo do poço após recusar a proposta de seu chefe para participar de um filme “falado”. E isso nos leva a outro ponto genial de O Artista: retratar de maneira fiel o que realmente aconteceu naquela época; o público achar interessantíssimo o novo recurso sonoro disponível e trocar o clássico cinema mudo por ele. E tal aspecto da trama origina uma cena brilhante, da qual George, vendo que seu trabalho está se tornando ultrapassado, tem um sonho perturbador onde não consegue falar e todos os objetos que ele toca ou empurra fazem um barulho incomodante. E esse mesmo aspecto, também, conclui o filme de maneira emocionante, da qual não irei revelar para não estragar a surpresa do espectador – mas tal cena é a mais correta para ilustrar a mudança na vida do personagem principal.

A fotografia do filme, sempre realçando o preto e branco, ajuda de maneira vital para criar e manter o clima de estarmos imersos no passado. E destaco a cena em que George acorda no meio da noite, se levanta e sai do quarto: está tudo escuro, e os únicos focos de luz servem para mostrar a falta de felicidade da situação em que os personagens ali presentes se encontram. A montagem é simplesmente excepcional. A cena em que George e sua mulher tomam café da manhã e, de acordo com os cortes feitos na cena, notamos a mudança de roupa dos personagens( dando a ideia de que ele passaram vários e vários dias naquele clima tenso, sem conversar), dá uma noção do brilhantismo nessa característica do filme. Os atores, simplesmente magníficos, mostrando-se dedicados ao fazerem movimentos, expressões e até danças típicas da década de trinta, aliados a trilha sonora brilhante, também típica daquela época, fornecem ao espectador( junto com o roteiro, como comentei no início desse texto) a ilusão de ter viajado no tempo até a década de 30. Ou seja, tudo no filme serve a um propósito: simular nos dias atuais o que era visto há 80 anos. Pura genialidade.

Com todas essas características positivas, o filme não poderia passar em branco pelo Oscar, e muito menos não ser indicado aos 10 Oscars que está concorrendo. Brilhante ao fazer meta-linguagens e estabelecer que dá sim para se fazer um filme artístico e lucrar com isso, O Artista é uma esperança que surge no coração desse cinéfilo que vos fala – e que pode resultar em outros filmes tão bons e com um destaque tão grande quanto o deste.

Nota: 10,00

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “O Artista!

  1. Excelente crítica, gostei muito, já tinha vontade de assistir ao filme mas fiquei receosa de que pudesse achar meio chato! Ele já está na minha lista de desejados!

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