Resenha: Os Descendentes

Tem momentos que a vida simplesmente se torna complicada demais para se viver. Os Descendentes tem início num desses complexos momentos, paralisando instantaneamente Matt ( George Clooney ). Sua esposa sofreu um acidente de barco e acaba em coma, com grandes riscos de morrer. Suas filhas não estão lidando bem com a situação – um tanto revoltadas – e ele não sabe lidar bem com isso, ainda mais com a ausência da mãe. O pai de família também tem assuntos de negócios a tratar com seus primos a respeito da venda de uma propriedade de seus antepassados. Ou seja, um turbilhão de problemas na frente de quem estava acostumado a tratar somente de seu trabalho e permanecer cego para o resto.

A filha mais nova, Scottie ( Amara Miller ), anda implicando com outras garotas e meio perdida com suas amizades. A mais velha, Alex ( Shailene Woodley ), anda bebendo e escapando de seu quarto no campus da faculdade. Diferentes maneiras de demonstrar seu descontentamento com o risco de perda da mãe. Como Alex tem mais juízo e noção do que a mãe fazia quando viva, ela que se aproxima de Matt na busca por consertar as coisas. Ao lado de seu amigo Sid ( Nick Krause ), um garoto desmiolado e um tanto sincero demais, eles tentam lidar com essas difíceis situações e com as surpresas e descontentamentos que o fim da vida de Elizabeth os aguarda.

Um pouco antes do acidente acontecer, Elizabeth estava traindo Matt com outro homem, o que foi descoberto por Alex e consequentemente foi o motivo de uma briga da filha com a mãe. Ela revela esse fato com muito pesar para seu pai, que fica indeciso sobre o que fazer. Eles buscam descobrir mais do amante, chegando mais perto de realmente o conhecer, o que confronta os personagens com a pergunta: o que dizer/ fazer quando se encontra o amante de sua esposa à beira da morte?

Os Descendentes tem uma proposta comovente e sensível, apesar de não ter muito desses aspectos. Achei que, devido a toda a situação da família, faltou afeto entre os personagens. Somente vemos algumas poucas cenas tocantes entre eles e outras de cooperação, mas quase nenhuma onde eles demonstram amor e carinho uns pelos outros. Gostei bastante da direção, que parece feita na primeira pessoa. É como se o filme fosse exibido a partir do ponto de vista de Matt, como creio que é narrado o livro no qual a produção é baseada. O início apresenta uma narração do protagonista explicando os fatos juntamente com as cenas dos mesmos transcorrendo. Durante ela, aparecem ótimas frases que creio terem sido retiradas da obra. Outro ponto fraco do filme é o fato de tudo cair mais para as costas de George Clooney. Em uma de suas melhores atuações – não é a toa que foi indicado ao Oscar com esse filme -, ele não só ganha foco por ser o protagonista, mas por se destacar em meio ao resto do elenco e de carregar sozinho aquela indecisão e sofrimento contidos que o filme tenta passar. Ainda que falte um pouco mais de sensibilidade, ele foi o personagem que melhor coube com a proposta.

Indicado a 4 categorias do Oscar: Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Se tivesse de apostar em alguma coisa para o filme, diria melhor ator. George Clooney realmente está muito bem, mesmo que eu não tenha visto nenhum filme de seus concorrentes. Vamos torcer para que ele leve a estatueta para casa, pois está de parabéns por sua atuação, de verdade! Em todas as outras categorias, acredito que seus concorrentes são fortes demais para o filme que é. Não é tão bom assim para enfrentar produções que estão ganhando tamanho destaque e elogios. De qualquer forma, não custa ter esperança com o melhor roteiro adaptado…

Com alguns fatores fracos que o rebaixam, Os Descendentes poderia ser bem melhor se fosse mais bem cuidado.

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

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