A Invenção de Hugo Cabret!


“Mesmo com alguns tropeços, o filme se mostra extremamente preocupado em agradar o público mais exigente: aquele que conhece a história do cinema.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

De um modo geral, blockbusters servem a um único propósito: arrancar o nosso dinheiro com uma trama rasa e efeitos e/ ou melodrama estrondosos. Para a nossa felicidade, existem algumas exceções – e A Invenção de Hugo Cabret é a mais recente delas. Indicado a incríveis 11 Oscars, o novo filme de Martin Scorsese escancara a cada minuto de projeção o que realmente é: uma inspirada homenagem à história do cinema.

Ele peca em algumas cenas, ou por serem longas demais ou por terem diálogos extremamente simples.  E dou destaque a cena final do filme, que possui uma narração em off desnecessária somente para mostrar que o filme é baseado em um livro( e supor que seus acontecimentos foram reais). Entretanto, os pontos negativos se resumem a esses – e, também, a inexpressiva atuação de Asa Butterfield. E dou sequência ao texto comentando as interpretações por parte dos envolvidos: Ben Kingsley continua mostrando o monstro na atuação que é, sendo versátil e carismático durante toda a projeção( notamos isso quando temos um flashback para a parte feliz da vida do personagem que ele interpreta, onde ele se mostra praticamente outra pessoa em relação ao que vemos agora, após a sua decadência em sua carreira); Chloe Moretz, que mesmo tão jovem transborda talento, como na cena em que ela vai pela primeira vez ao cinema  e em suas expressões extremamente felizes ao dizer que adora ler – e essas expressões já são suficientes para desenvolver a mais importante característica de sua personagem: o amor aos livros; Sacha Bara Cohen, sendo um antagonista que consegue criar uma simpatia com o público, pelo fato de querer comunicar a uma florista que está apaixonado por ela; e, por fim, as aparições especiais de Jude Law e Christopher Lee, que, por mais que sejam sutis, ajudam de maneira única, pois o talento de ambos enriquecem os seus personagens de maneira única.

Retornando a falar sobre o roteiro, a sua estrutura é comum: dois jovens descobrem um mistério sobre o passado de determinado parente de um deles, e ambos vão investigar para descobrir que mistério é esse. O que diferencia A Invenção de Hugo Cabret dos demais filmes é o seu conteúdo; utilizando a história do cinema – principalmente a influência de Georges Méliés sobre ela -, o longa cria uma sutil aventura no passado cinematográfico – desde a invenção do cinema propriamente dito pelos Irmãos Lummiere até os longas mais complexos para aquela época.

Com uma fotografia que se preocupa em criar um universo colorido para uma trama com uma carga dramática relevante, o filme de Scorsese não merece ser considerado “para crianças”. Se nem na própria trama as crianças são tratadas como tal – e notamos isso no modo como Georges e sua mulher encaram Hugo: um mero ladrãozinho que merece ser tratado como tal. As referências que o longa faz aos filmes antigos são diversas, e notamos desde o trem chegando a estação a cena em que Isabelle( personagem de Chloe Moretz) é quase pisoteada pela multidão. A direção de Scorsese é brilhante, sempre conduzindo o desenvolvimento dos personagens para a frente, assim como a história no geral – além de ele fazer uma rápida participação especial no filme, como o fotógrafo.

Com um final emocionante, que não chega a se tornar um melodrama, A Invenção de Hugo Cabret merece diversos Oscars a que está indicado este ano – assim como também merece a atenção do público por querer ensinar a este o que é cinema de verdade.

Nota: 9,0

Ps: O título do filme no Brasil é injusto, pois a tal da “Invenção” nem de Hugo é, e o filme não se foca nessa tal invenção.

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

Um pensamento sobre “A Invenção de Hugo Cabret!

  1. Nao concordo plenamente com a resenha. Hugo foi um filme inspirados na minha opinião eu simplesmente ameie a atuação do Asa, e a ultima cena em off era necessária foi um fechamento lindo. Afinal meu pai que nao costuma gostar de filmes chorou tanto com a historia. Mas são as minhas impressões do filme, encantador,magico, lindo que merece seus prêmios. Coisa que me incomodou foi muito difícil achar m cinema com o filme legendado, o filme epode ser livre mas nao e de maneira alguma infantil

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