Resenha: Sob a Luz da Lua

Antes de tudo, quero dizer que estou escrevendo isso depois de terminado o terceiro livro e eu ainda não me encontrei muito bem depois que o trator passou por cima de mim. Eu só acho que, do fundo do meu coração, eu devia avisar antes de você se aproximar que esse não é só mais um YA com um triângulo amoroso fazendo todo mundo delirar nas cenas de pegação. Se é só por isso que você está aqui, aconselho a procurar um outro. Agora, se você quer continuar, saiba que esse é o primeiro livro de uma série YA estupidamente boa, mas com um final estupidamente doloroso (e nem estou falando de mortes aqui, não mesmo). Eu ainda acho que todo mundo deve ler, mas todos vão sair machucados – e alguns não vão superar.

Agora que eu já assustei vocês e estão avisados, vamos para a notícia boa. Essa é a resenha de “Sob a Luz da Lua”, o primeiro livro e, definitivamente, o que mais se distancia de qualquer aviso necessário. Vou colocar uma sinopse, feita por mim, porque se dependesse da oficial eu nunca teria lido, e depois eu “volto” para você saber mais.

Há muito tempo os Defensores (feiticeiros) criaram lobos que podem se transformar em homens para servir a seus propósitos. Esses lobos são divididos em grupos, recebem líderes (os alfas), procriam ou se relacionam uns com os outros de acordo com a vontade dos Defensores. Em outras palavras: são quase escravo dos defensores.

No livro, a nossa protagonista, Calla Thor, é filha de um casal de líderes e é a alfa dos lobos mais jovens dos Nightshades, nome dado ao grupo de lobos dos pais dela. Muito antes dela nascer, já estava planejada uma aliança com o grupo de lobos inimigo deles, os Wolfsbane. Sendo assim, Calla sempre soube que ela estava destinada a se juntar a Ren Laroche, o alfa dos lobos jovens do Wolfsbane.

Toda essa situação nunca fora um problema. Ela sabia quem era, uma alfa, uma guerreira, pronta para defender e aceitar o seu papel no mundo. Tudo continuaria assim se ela não encontrasse Shay Doran, um garoto humano que faz Calla transgredir as severas leis que regem seu mundo e repensar a própria vida.

Pode parecer até aqui, novamente, que é só um triângulo amoroso, mas não é isso. “Sob a Luz da Lua” é um livro sobre questionar tudo o que na vida parece uma verdade absoluta e perceber que talvez o mundo não seja tão fixo assim, talvez haja outras alternativas. Essa história acaba se desdobrando em muito romance, amizades, mistérios, ação e em uma mitologia própria. “Sob a Luz da Lua” é, sim, um Young Adult. Na verdade, um YA com tudo o que tem direito e diversas referências atuais, mas de um modo bem encaixado.

Voltando à nossa programação normal, vou falar sobre como eu comecei a ler por pura pressão. Para você ter ideia, minha amiga comprou e me mandou. Se não fosse isso, eu nunca teria lido. Eu não tinha a menor vontade de ler e achava que pegaria mais um desses que seguem Crepúsculo e são só um romancezinho sem mais nada. Mas como o meu coração é muito bom e sempre disposto a tentar, depois de deixar meses na estante eu decidi que deveria dar uma chance a “Sob a Luz da Lua”.

E o resultado? No início, eu continuava tropeçando em preconceito. Uma paixão a primeira vista de cara. Depois uma escola onde a principal tem os amigos divertidos, mas são uma espécie de “excluídos”, enquanto é confrontada com um grupo de “populares”, onde o principal é o típico pega todo mundo que se acha e ainda é acompanhado da “vadia” que só faltava ser líder de torcida.

Mas as coisas foram mudando. Conforme a história vai se aprofundando e nós conhecemos direito os personagens e a situação, tudo fica bem diferente. O livro mostra Calla e o Shay se aproximando e juntos tentando descobrir mais sobre a história dos lobos e dos Defensores (para Calla, parece que ele tem dificuldade em entender a vida dos lobos e as leis que existem, como ela ter que casar um cara que ela não escolheu porque essa é a essência dos lobos). Ao mesmo tempo que ela lida com essa situação de “quero você, mas não posso e isso que estamos fazendo é perigoso”, há outras coisas acontecendo. Como o fato de que a data marcada para o “casamento” com o Ren está chegando e eles precisam se aproximar (e o fato de que às vezes ela quer se aproximar demais dele). Também há os “grupos” de lobo, tanto os jovens Nightshades quando os jovens Wolfsbane, que, como eu mostrei ali no excluído vs. populares, nunca se deram muito bem e em breve se tornarão um grupo só – é um trabalho dos alfas resolver isso. E, para terminar, parece que alguma coisa está acontecendo com os Defensores e de algum modo isso envolve o casamento dela, Shay e os lobos.

Eu não aconselho que você vá só pelo romance (apesar de ter e ser muito bom, muito melhor nisso do que alguns como Divergent e Destino), saiba que é uma história sobre Calla e o triângulo ali é bem típico de YA: os dois garotos são as duas opções de vida para ela escolher. Ou seja, é uma história focada nas decisões dela. Aliás, a narração é toda em primeira pessoa feita pela Calla (e de um modo muito bom).

O que mais me chamou atenção no primeiro livro é que parecia uma fanfic bem desenvolvida. “Fanfic” no quesito aproximação com o leitor, porque os personagens são mais adolescentes, têm os interesses parecidos com os nossos e falam como a gente. Na maioria dos livros sempre parece ter uma espécie de polimento e “oh, olha, isso aqui é um livro”, mas quando é que você vai juntar um monte de adolescentes e não vai ter zoação, brincadeiras e referências “pops” da época? Tem um pouco disso em Instrumentos Mortais também, mas nesse é com um número maior de personagens e mais desenvolvido. Eu adoro todos os amigos deles (e mais ainda alguns dos que vão surgir nos outros livros). E isso tudo ainda fica muito melhor porque como um grupo de lobos (um “pack”) eles são mais unidos ainda, sem falar do jeito defensor da Calla por ser alfa.

Também acho legal citar alguns elementos do livro e eu dividi em tópicos para facilitar.

1- Você acha que é uma história de lobos. Depois vê que são lobos subordinados a feiticeiros. E, no final, esbarra por tudo quanto é ser por aí e ainda alguns relativamente novos (ou menos comuns, se você preferir). Você tem todos esses seres saídos do Nether (um lugar muito parecido com o inferno) e boa parte só vai aparecer nos próximos livros. O meu preferido*, para variar, são os zumbis. Que de forma muito inteligente a autora se esquiva de chamá-los de zumbis, mas sendo o corpo de alguém morto andando por aí, se arrastando, gemendo, transformando os outros com uma mordida e morrendo quando cortam a cabeça… Andrea Cremer, me engana que eu gosto. De qualquer forma, ela fez de um modo que ninguém pode acusá-la de desvirtuar os zumbis. *para falar a verdade, tem uns outros que eu adorei, mas só aparecem no terceiro livro e eu não quero dar spoiler.

2- Apesar de não ter tido muitas, essa foi a minha melhor experiência com histórias de homens meio-animal. É muito bom como a Andrea Cremer trouxe muito do “jeito de lobo” para a vida dos personagens. A forma como a Calla age na maioria das situações, seja para se impor ou para brincar, os pensamentos relacionados à sua vida como lobo, tudo isso deu um ar animal à ela que não seria comum em uma garota normal. Isso é um ponto alto e original da série.

3- Se alguém me pedisse só um livro de YA desses de universo alternativo para entender o que é, eu indicaria esse. Porque além de expressar bem o que é ainda é bom. Tem um triângulo amoroso típico de YA, tem o equilíbrio entre o romance e a aventura, cria uma boa mitologia desse universo alternativo…

4- Em toda a série, mas principalmente no primeiro livro, há uma ponte com Leviatã de Thomas Hobbes (das aulas de História, lembra?).

5- “Sob a Luz da Lua” tem mais liberdade, como em caso de opção sexual. Esse é o terceiro livro que eu leio (ou terceira série), que trata de opção sexual de um jeito normal. Na verdade, nos outros livros ele até trabalha indo contra alguns estereótipos.

6- Às vezes toca em assuntos mais sérios, como abuso sexual.

Eu só quero que você saiba que “Sob a Luz da Lua” é um livro que você deve dar uma chance, porque por trás de toda essa cara de “quero ser um Crepúsculo” e essa coisa de lobos, há uma história muito maior e cheia de detalhes. Nightshade é uma série que sozinha consegue abarcar todas as referências do YA atuais e fazer uma mistura boa. Eu poderia citar Jogos Vorazes, Crepúsculo (Por que não?), Harry Potter, Instrumentos Mortais e (insira aqui todos livros sobrenaturais, de fantasia, sci-fi, pós-apocalípticos e distópicos que você conseguir, mais alguns no estilo de filmes de bruxa da década de 90, mistério e aventura). Os personagens ainda são próximos da nossa realidade e quase todos conseguem se destacar. Eu poderia falar muito mais, mas acho que isso é o suficiente para um começo.

Título: Sob a Luz da Lua

Livro 1 – Trilogia Nightshade

Próximo: Wolfsbane *sem previsão para lançamento no Brasil

Autor: Andrea Cremer

Editora: Galera Record

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