Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres!

A mente brilhante de David Fincher nos dando mais uma obra maravilhosa.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Os filmes do diretor David Fincher são constantemente usados como referência em trabalhos, críticas e até mesmo em outras produções, devido a sua grandiosa qualidade. Após fazer um filme simplesmente bom( A Rede Social), Fincher volta agora superando os seus trabalhos mais recentes com Os Homens Que Não Amavam As Mulheres. E não se assuste com o título: a trama é tão envolvente que é capaz de lhe causar saudades.

O filme já começa com uma cena misteriosa, e com isso já cativa o interesse do público.  Dois homens conversam sobre alguma coisa. Alguma coisa que causa um impacto na vida de um deles, e tal impacto é revelado simplesmente por um silêncio. E a pergunta voa no ar: o que raios é aquilo? Assim como comentei no meu texto sobre Missão Impossível – Protocolo Fantasma, Millennium 1 tem diversas cenas iniciais nesse estil0;  questiona o público sobre algo e, com o decorrer da trama, vai revelando o seus “segredos”. Logo após essa cena misteriosa, temos uma sequência de imagens perturbadoras que caracterizam a abertura do filme. E nada mais justo: tal abertura trata da “criação” de Lisbeth Salander, a heroína do filme. Além de ser esteticamente impecável, a cena revela referências à personagem – como um besouro, do qual ela tem uma tatuagem no pescoço; um fósforo incendiando alguém( que é referência a um detalhe revelado somente ao final do filme); e a alguém espancando uma mulher até esta se desfazer( referência a violência contra a mulher presente na trama).

Por falar em Lisbeth Salander, Rooney Mara é de uma total entrega a personagem. Uma prova disso é a sua caracterização: sempre inconstante, mas sempre brutalmente punk e sombria. Com uma interpretação impressionante, Mara consegue criar uma personagem imprevisível – em determinado momento, ela se revela violenta e vingativa; no outro, carinhosa e amável. A relação entre ela e Mikael Blomkvist, interpretado por Daniel Craig( cujo timing é sensacional, e podemos notar isso na cena em que ele chega a redação da revista Millennium após o seu julgamento), é tratada de maneira delicada, pois revela-se um relacionamento sexual para um, mas um verdadeiro início de namoro para outro. E isso ajuda a criar a tristeza da cena final do longa, que emocionou a este que vos escreve. Mas me resumo a isso: não quero estragar essa surpresa para vocês.

Continuando: Lisbeth Salander é desenvolvida em quase todos os instantes em que aparece na tela, principalmente nas duas cenas mais sombrias da trama: as cenas de estupro. Inicialmente, elas revelaram-se desnecessárias, mas com o decorrer da trama – e da atitude de Lisbeth em relação a isso -, tais cenas mostraram-se ter uma importância crucial, principalmente para desenvolver o lado imprevisível dela: o já comentado aqui “carinhoso e amável”. E isso é tratado de uma maneira genial por Fincher e Steven Zaillian, roteirista do filme.

Mudando o foco de Lisbeth Salander para o resto da trama, Millennium 1 é dotado de uma qualidade técnica impressionante. Principalmente na sua sonoplastia. A cena em que Lisbeth( olha ela de novo) se vinga de seu novo tutor tem o seu som tão bem editado que nos causa nojo e angústia, simplesmente por conta do som, já que a cena não nos mostra quase nada demais. A fotografia, sempre exaltando tons amarelos e alaranjados em cenas movimentadas, e tons esverdeados e azulados em momentos calmos, é uma marca registrada de Fincher, como vemos em Clube da Luta( meu filme favorito), Seven – Os Sete Crimes Capitais e O Quarto do Pânico. Os planos sequência do filme são um show a parte: quando Mikael chega a mansão dos Vanger pela primeira vez, a cena é dotada de uma trilha sonora leve mas tensa. E o close gradativo na mansão é uma espécie de aviso: “cuidado com o que você vai fazer por aqui.”. A montagem do longa é movimentada e ágil, e não corrida, como muitos alegam. E tal montagem serve para divertir o espectador, além de fazer o filme voar em nossos olhos, e parecer que a sua longa duração( duas horas e trinta e oito minutos) não passou mais do que vinte, trinta minutos.

A cena em que Henrik Vanger conta os fatos do mistério para Mikael, notamos mais um detalhe genial de Fincher – e que também é presente em Clube da Luta: vemos diversas pistas sobre quem é o assassino, além de introduzir diversos personagens importantes que logo aparecerão na trama. Aliás, outras pistas são lançadas durante toda a trama, mas que só são percebidas após re-assistir ao filme. E o desenvolvimento da investigação de Mikael é mais uma característica sensacional da trama: ao mostrar detalhadamente o que o personagem investiga, o filme convida o público a investigar o caso junto.

Mesmo com alguns defeitos que poderiam ter sido evitados( como a única mulher da região que não sabia do caso de Harriet Vanger, mesmo após uma jovem dizer que todos por ali conheciam a história), Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres é mais uma grande obra de David Fincher, e não deverá ser esquecida tão breve.

Nota: 9,0

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “Millennium – Os Homens Que Não Amavam As Mulheres!

  1. Nossa, sua resenha me deixou com mais vontade ainda de ver o filme. Parece ser realmente muito bom – assim como o livro. Eu sei que eu deveria esperar para ler e depois assistir à produção, mas não acho que vou aguentar. Todos falam que é ótimo mais isso e aquilo, preciso correr pro cinema!

    Ótima crítica, Bruno! Uma das suas melhores 😀

    Abraços,
    Victor

    PS: Consegui entender aquela abertura meio doida que tinha visto pelo YouTube rs

  2. Opa, obrigado! Você deveria ler o livro antes – a maneira como ele te coloca no desvendamento do mistério é GENIAL!!! Mas ver o filme antes pode ser que funcione, já que eles mudaram diversos aspectos da trama, mas a essência está ali.

    Abraços, e até mais.

    Ps: Que bom que você entendeu a abertura, rs. 😀

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