Um lugar pra chamar de meu

Em clima de férias, eu vivo pra lá e pra cá. Casa de amigos, de namorada, de parentes, pousadas, hotéis e por aí vai…Não paro quieto nessa época do ano. É tão legal estar em outro lugar que não aquele no qual você mora e passou o ano inteiro… Você esquece de casa e aproveita tudo com novos ares, sem aquela monotonia de rotina que a sua casa tem. E não sente falta. Simplesmente esquece. Porém eu sinto. Sempre. Todo santo ano, no mesmo período de calor intenso, sinto falta da minha casa.

Posso até não pensar nela enquanto estiver curtindo um cantinho calmo com um livro na mão, passeando ou curtindo a praia, mas, quando o silêncio passa entre um programa e outro, a tal casa – a minha casa – me vem à cabeça. Ou, quando, então, tenho de voltar lá para reabastecer a mala ou pegar algo que ficou faltando, o cheiro logo invade minhas narinas. O cheiro de lar, de rotina, de ano passado, de monotonia até, de promessas de um ano próximo igual e diferente, melhor, bom, naquele lugar que bem conheço. E de repente eu amo o quarto que é meu, aquele que eu mando pro inferno, mas sinto falta. Saudades do cantinho onde abro meu computador, onde leio um livro, onde durmo, onde cochilo, onde vivo. Mesmo que os cantos por onde transito sejam maiores, mais frescos, mais macios, nesses momentos, tudo aquilo do meu quarto sempre parece mais verde, mais certo, melhor, mais meu. São nas horas do retorno ao berço, depois de momentos inesquecíveis de relaxamento, é que eu adoro e agradeço àquilo tudo que amaldiçoei quando, cansado, no meu dia a dia, voltava para casa. Oferecam-me as praias de águas mais límpidas, a Europa de promessas mais prósperas, a biblioteca com casa dentro, cabanas em terras encantadas ou um lugar onde meus desejos mais fúteis seriam uma realidade instantânea. Posso por todos eles passar um tempo, curtir uns momentos, mas, ainda assim, uma voz irá gritar bem alto: sua casa, seu lar.

Penso: o que seriam das casas se não fosse esse tempo que as deixássemos? Reflito: o que são aqueles nômades e eternos viajantes que não tem esse prazer de respirar o aroma conhecido com gosto de primeira vez? Filosofo: o que seria de nossas vidas sem as férias ou o famoso sair da rotina? E é por isso que acredito que todos precisam de um lugar, aquele lugar, que possam chamar de seu. Pois não importa as voltas que eu dê, terei sempre um para chamar de meu.

Victor

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

4 pensamentos sobre “Um lugar pra chamar de meu

  1. Um dos melhores textos que você já escreveu. Muito bonito mesmo. E posso dizer que me identifiquei ><
    A nossa casa é sempre a nossa casa. Isso me fez pensar em futuro também, em coisas, caminhos, percursos. E me fez questionar a possibilidade de você associar a sensação de "lar" a uma pessoa. Será que é possível??

    Enorme beijo,
    Igra.

    • ^^ Obrigado, amor!

      Huum…acredito que seja. O lar é muito mais que aquele espaço, vem com todo o “pacote”. Quem sabe a “tal pessoa” não está incluída nesse “pacote”? Bem provável, eu diria.

      Beijos, linda!

  2. Adorei também! Acho que me identifiquei pq desde pequena escuto minha Vó falar quando chegava de viagem que não importava o quanto foi boa o melhor era voltar para casa! E até hoje isso me vem a cabeça e para mim não deixa de ser verdade.

    Beijos

    Anna =)

    • É uma sensação muito gostosa e única isso de “voltar pra casa”. Sempre achei, por mais que, exatamente como sua avó dizia, os lugares pelos quais passei fossem ótimos, o retorno ao lar era melhor ainda – é melhor ainda, digo.

      Beijos,

      Victor

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