Zumbilândia!

 

“Uma inventiva e original comédia, que arranca risos mesmo que você não queira.”

 

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

 

Filmes de zumbi tem sempre as mesmas características: um grupo de pessoas se reune ocasionalmente, e no meio meio da infestação “zumbilesca”, tentam estabilizar as suas relações, que quase sempre são desarmoniosas. E isso é muito legal, pois além de termos um conflito maior, que afeta todos, temos que lidar com a reação de cada personagem e a influência que isso vai causar nos outros. E é por isso que sempre falo: filmes de zumbis nunca são demais.

E Zumbilândia segue essa mesma estrutura narrativa, mas auxiliada de um humor único e um elenco simplesmente fenomenal. Os personagens são extremamente bem desenvolvidos, não somente porque são poucos, mas porque são originais na medida do possível e cativantes de maneira ilimitada. A triangulação personagem – trama – espectador é auxiliada absurdamente pela interpretação de Emma Stone( doce, natural e talentosíssima como sempre), Jesse Eisenberg( que revela a sua versatilidade, fazendo um zé-ninguém simpático e agradável, mas que continua sofrendo com o defeito da falta de expressividade) e Woody Harrelson( que, com um carisma brutal, dá vida a um personagem riquíssimo, o Tallahassee.

Um dos únicos defeitos do filme é a falta de uma trama centrada. A narrativa se resume aos personagens viajando e trocando experiências – na maioria das vezes bem tensas -. A falta de um objetivo dificulta a vida do espectador na hora de ele se situar no meio da trama. Mas, por outro lado, esse ponto negativo tem um lado bom: sobra muito espaço para conhecermos os personagens e seus princípios de vida, além dos problemas que a infestação zumbi trouxe para as suas vidas. Tallahassee é o mais marcante, pois a relação dele com o seu filho, que foi morto por conta da pandemia, é mostrada com uma sensibilidade profunda. E destaco isso pois só é ostrada e comentada duas vezes no filme inteiro, sendo os takes dos dois se divertindo e sendo felizes juntos, em câmera lenta, suficiente para justificar a dor que existe no coração do “cara que nasceu para matar zumbis”. Já Columbus é desenvolvido logo no início da trama, na cena em que ele tem contato com a primeira zumbi de sua vida. Wichita e Little Rock são apresentadas como trapaceiras, e o roteiro cria uma coerência ao ficar relembrando isso em diversas cenas com situações em que elas aproveitam para se dar bem.

Agora reservo um parágrafo para a participação incrível de Bill Murray. Ator renomado e respeitadíssimo pelos apreciadores da sétima arte, aqui encontra uma linda – e hilária- homenagem. As referências aos seus papéis, como os bolinhos que Tallahassee tanto adora, são entendidas somente pelos mais informados. Mas o momento em que ele surge como zumbi, e em seguida “brinca” de ser um caça-fantasmas, é impagável. Porém, nada supera a cena de sua morte, que possui um prolongamento numa cena pós-créditos, que acredito ser uma das mais engraçadas do filme.

A maquiagem e os efeitos visuais são convincentes, mas nada supera as “regras do Columbus”, que sempre surgem de maneira interativa no ambiente quando são citadas pelo mesmo. As lutas contra os zumbis são particularmente engraçadas, mas, como já disse anteriormente, o filme se resume praticamente a isso. Também o fato do filme ser narrado pelo personagem principal é um ponto negativo, pois é um dos clichês mais utilizados em Hollywood no momento, e só serve para narrar o que já estamos vendo em cena, e dizer algumas coisinhas que poderiam muito bem serem mostradas de maneira mais inteligente numa situação envolvendo os personagens.

Mas, no geral, Zumbilândia se mostra uma divertida, inteligente e memorável comédia. Mas ainda está longe de superar o genial Todo Mundo Quase Morto, de Edgar Wright. Até a próxima crítica.

 

Nota: 8,0

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “Zumbilândia!

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