Resenha: Glimmerglass – O encontro de dois mundos

 

“Dana Hathaway ainda não sabe, mas vai acabar se metendo em apuros quando decide que é a hora de fugir de casa para encontrar seu misterioso pai na cidade de Avalon: o único lugar na Terra onde o mundo real e o mágico se cruzam. No entanto, assim que Dana põe os pés em Avalon, tudo começa a dar errado, pois ela não é uma adolescente comum – ela é uma faeriewalker, um indivíduo raro que pode viajar entre os dois mundos e a única pessoa que pode levar magia ao mundo humano e tecnologia a cidade de Faerie. . Não demora muito e Dana envolve-se no jogo implacável da política do mundo da magia. Alguém está tentando matá-la, e todos parecem querer alguma coisa dela, desde seus novos amigos e da família até Ethan, o lindo garoto com poderes fantásticos com quem Dana acha que nunca terá uma chance… Até ter uma. Presa entre esses dois mundos, Dana não sabe bem onde se encaixa ou em quem pode confiar, muito menos se sua vida um dia voltará a ser normal.”

Glimmerglass – O encontro de dois mundos, para quem não sabe, é o primeiro livro de uma trilogia (concluída) que se chama Faeriewalker. O livro conta a história de Dana, uma menina americana que decide fugir de casa depois de anos tendo de conviver com a mãe alcoólatra. Determinada a achar o pai, que vive em Avalon, o único lugar do planeta em que o mundo mágico se cruza com o mundo real, ela pega um avião e cruza o oceano. Mas Dana não percebe que, se antes achava que tinha sérias dificuldades com sua mãe, agora os problemas realmente desesperadores irão atormentá-la.

Você já nota, logo no início, que o livro não segue a mesma linha de outros YA’s sobrenaturais que fazem as coisas acontecerem de forma gradual. Isso porque Dana sempre soube que não era uma adolescente comum. O que, devo acrescentar, já adiantou um pouco a história, porque a autora não precisou perder tempo nos contando como ela descobriu. Acontece que a protagonista é filha de um feérico poderoso com uma humana, o que fez com que ela fosse exatamente 50% mágica e 50% comum. Isso a torna uma Faeriewalker: uma pessoa que pode viajar entre o mundo mágico e o real, levando magia para a dimensão que conhecemos e tecnologia para Faerie (o lado mágico). Isso obviamente faz com que Dana seja alguém importante. Pior: ela acaba sendo alvo de políticos que desejam usá-la em benefício próprio. O problema principal, na verdade, é que a maior parte desses políticos é da família.

Devido às bebedeiras da mãe, a senhora Cathy Hathaway, Dana sabia que seu pai tinha uma posição importante no governo de Avalon, mas jamais imaginou que sua viagem fosse gerar tantos conflitos.  A mãe vivia dizendo que era preciso se esconder do pai de Dana, que se ele as encontrasse seria um pesadelo. Contudo, Dana não lhe dá ouvidos, e acredita que a mãe sempre acabava exagerando quando o assunto era ele. Afinal, se a senhora Cathy vivia bêbada, não podia realmente ser levada a sério. A menina então aterrissa em Avalon e percebe o quanto sempre esteve enganada.

Diferentemente do que Dana havia planejado, ao sair do avião, as coisas já não começam bem. Dana não encontra nem o pai, nem nenhum homem segurando uma plaquinha com seu nome. Na imigração, parece que há problemas com seu passaporte e muita coisa acaba acontecendo antes de ela encontrar finalmente com ele. Além disso, uma notícia inesperada e não muito agradável chega aos seus ouvidos: seu pai está preso, e por isso não poderá ficar com ela durante um tempo, até que “as coisas se resolvam”. Dana então se sente obrigada em confiar naqueles que aparecem para ajudá-la. Uma tia que deixaria qualquer um com crises claustrofóbicas, e um casal de irmãos que parecem nem mesmo saber conviver. Confesso que, assim como a protagonista, não consegui realmente confiar em ninguém de primeira. O casal de irmãos – Ethan, um jovem com habilidades impressionantes; e Kimber, uma menina com uma personalidade inquietante -, são aqueles com quem Dana parece se sentir mais à vontade e confortável diante dos problemas que não param de se multiplicar. Porém, mesmo assim ela não consegue ter certeza quanto a nada, o que faz com que atitudes precipitadas a comprometam.

Além disso, aparentemente, como se não bastasse ser uma Faeriewalker e consequentemente um peão no jogo político de Avalon, alguém está tentando matá-la. E Dana não consegue ver por que viver ali poderia ser pior – ou melhor – do que viver com sua mãe. Ela está sem saída; não tem nenhuma escolha realmente aceitável à vista. Enquanto a política e a magia parecem rondar tudo a sua volta, o álcool rondava sua vida anteriormente. Não há uma terceira opção.

As disputas por poder estão em boa parte do livro, então, se você não gosta de política, não irá gostar tanto. Mas se você gosta… É um prato cheio. É a visão de uma adolescente de 16 anos que não tem escolha a não ser entrar em jogos onde o principal objetivo é obter o mais alto cargo do poder, a cadeira mais soberana no governo de Avalon. E talvez parentesco não seja assim tão importante quando tanta coisa está em jogo. Jenna Black (a autora) usa de artimanhas para explicar a sociedade poderosa em Avalon, e quase nos dá uma aula de história – sem ser cansativo – sobre Guerra das Rosas e Ricardo III. Confesso que isso me fez até procurar mais coisas acerca do assunto.

E o romance! Não podemos nos esquecer do romance. Uma coisa que me atraiu muito foi o fato de que, apesar de Ethan ser extremamente bonito, Dana não caiu de amores por ele. Ela é pé no chão, firme em suas decisões, e se convence de que ficar atraída por um jovem galã suspeito não é exatamente uma decisão muito sábia. Pelo menos não até que “as coisas se resolvam”. Dana não é inocente, e muito menos boba. Mais do que isso: ela é independente e sabe se virar. Nega a si mesma a possibilidade de julgar Ethan de maneira precipitada só porque ele é bonitão. Sendo em primeira pessoa, alguns pensamentos que Dana tem acerca não só de Ethan, mas de alguns personagens masculinos, chega a ser cômico. Ela usa de adjetivos pouco melosos e muito mais objetivos, o que a diferencia das demais protagonistas desse tipo de literatura.

O livro é bom. Bem escrito, tem uma narrativa leve e em nenhum momento ficou arrastado. Jenna nos dá um prato cheio de crises familiares, história, perigos ao se confiar em pessoas erradas, e ainda aborda a polêmica de que talvez política não envolva apenas política.

“Nome: Glimmerglass- O encontro de dois mundos

Autor: Jenna Black

Editora: Universo dos Livros

Série: Faeriewalker 1″

No Brasil, o livro foi publicado pela Universo dos Livros e o segundo volume acaba de ser lançado. Confira abaixo a capa:


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Sobre igrainne

Revolucionária assumida, fala mal de coisas fúteis e sem sentido aparente. Escritora nas horas vagas e universitária sem vida. Estudante de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E não, não tenho muita coisa pra falar, sou péssima me descrevendo. Os detalhes parecem pouco importantes no momento (todos são), mas eu pretendo ficar rica em algum futuro próximo - espero pelo menos. :D

9 pensamentos sobre “Resenha: Glimmerglass – O encontro de dois mundos

    • Eu também demorei um tempo para parar de achar que era você. auhsuhahsha Sério, é o costume. E olha que às vezes eu te chamo de Jordana, não de Dana. O que me fez acreditar que a protagonista era chamada pelo apelido, quando na verdade era o nome dela mesmo. Hihi.

      • HUAHUAH Vou falar pra vocês que até eu às vezes quando lia achava que era eu. Não aparece muito o nome dela, então toda vez que aparecia eu me ‘assustava’. E, Victor, é um segredo, não dá pra sair falando por aí.. ;x

      • Um dia eu encontro um personagem Henrique, com certeza tem não só um como um decente. De Victor que é tenso. Só acho Victor’s cretinos que fazem porcaria. Vide Victor Frakenstein –‘

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