Rebobine, Por Favor!

“Michel Gondry volta a nos mostrar que sabe fazer cinema com mais um filme cheio de carisma, genialidades e um elenco fenomenal.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, do diretor Michel Gondry, é um marco na história do cinema, como um filme extremamente inteligente e bem estruturado. Mas ali era um drama romântico, com pitadas sutis de comédia em determinados momentos. Mas estava mais voltado para o lado “eu te amo” da coisa. Então, o que esperar de uma comédia feita pelo mesmo diretor? Garanto a vocês que esperava piadas simples e um humor barato,  mas digo logo: me surpreendi. E muito.

A premissa já dava uma noção do que a história poderia nos mostrar: Jerry( Jack Black), após ser magnetizado, apaga todas as fitas VHS da locadora de seu amigo simplesmente tocando nelas. Para dar continuidade no ramo da locação de videos sem ter que comprar todas as fitas de novo – ainda mais estando na era do DVD -, os dois começam a fazer as suas próprias versões dos filmes, as chamadas “suecadas”. Surpreendentemente, a vizinhança gosta dos seus filmes, e eles se tornam celebridades na cidade.

Acredite: Rebobine, Por Favor! consegue superar as expectativas – e bastante. As sutilezas da maneira com a qual eles regravam os filmes( destaco MIB – Homens de Preto e 2001 – Uma Odisseia no Espaço) é única, pois de tão toscas e simples, nos tiram os mais profundos risos, sem ao menos conhecermos o filme ou aqueles personagens reinterpretados por Jack Black e companhia. Por falar neles, que elenco fenomenal! A naturalidade que flui de cada ator/atriz é tão convincente que nos mostra o trabalho todo que eles tiveram para criar aqueles personagens. O carisma que brota de cada um é impressionante, além de deixar claro que o convívio entre eles era dominado por uma amizade ímpar.

O filme, como muito poucos, arrisca em não manter o foco somente no desenrolar da história – que ganha um verdadeiro sentido após uma participação singela mas importantíssima de Sigourney Weaver -, mas também em dar espaço para a relação entre os personagens, principalmente na relação entre os personagens de Mos Def( que se mostra uma revelação no meio de tantos atores que brilham sem ter o mínimo de talento possível em Hollywood) e Melonie Diaz, que também se mostra uma grande atriz.

Mas não é só isso: as genialidades que surgem na tela – como o momento em que Jerry entra na loja já magnetizado, e a imagem do filme treme como uma interferência; e a interpretação da mensagem que diz “Deixe Jerry Fora” – são incríveis, e me resumo a isso para não estragar as surpresas durante a exibição do filme. Michel Gondry faz uma linda homenagem ao cinema na conclusão do filme. Conclusão essa que, obviamente, me surpreendeu. Não, não é um daqueles finais surpresa como Clube da Luta, O Ilusionista ou Amnésia, mas é tão inesperado quanto o de Seven. E esse final, na minha humilde interpretação, mostra duas coisas: a magia do cinema que nos fascina e a falta de união que existe nas pessoas no dia-a-dia. E a tal falta de união que é resolvida na cena em que toda a vizinhança se disponibiliza para ajudar na filmagem do último filme suecado. Ou seja: só é preciso um grande motivo para que as pessoas se unam e, assim, alcancem a felicidade. É fantástico.

E o final, considerado abrupto por uns, nada mais nos mostra que os personagens esqueceram, pelo menos naquele momento, o destino do prédio que eles tanto protegiam, e simplesmente queriam viver aquele momento extremamente feliz, com todos da vizinhança apreciando o seu filme.

Uma linda homenagem. Um roteiro brilhante. Michel Gondry sabe nos mostrar o que é cinema como poucos, e Rebobine, Por Favor é mais um filme dele que ficará marcado na história do cinema.

Nota: 10,00

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “Rebobine, Por Favor!

  1. Eu tinha visto o trailer e me interessado pelo filme. Essa regravação dos clássicos do cinema me pareceu uma ideia fantástica. E posso ver que é mesmo. Está na minha lista dos próximos filmes para assistir – que está meio grande, mas essas férias estão me dando ( um pouco, mas ainda assim o “um” está na frente rs ) de tempo. É engraçado que, quando ele quer, o Jack Black faz ótimos filmes. Em certas produções ele parece só mais um palhaço fazendo caretas ( assim como o Jim Carrey, que do nada te surpreende ). Ainda bem que nessa ele deu o que falar.

    Abraços,
    Victor

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