Cheiro de Natal

Hoje eu acordei e levei um susto: o dia estava com cheiro de Natal. Eu falei isso com a minha mãe, e ela riu. Ela disse que talvez – no andar de cima – alguém estivesse fritando rabanadas, e isso me fez questionar se o Natal tem cheiro. Ele tem? É uma ótima pergunta. A questão é que não era só o cheiro. O clima parecia natalino também. Talvez fosse o dia claro, ou então os enfeites que as pessoas colocaram nas varandas para fazer parecer que o lugar é menos cinzento, ou então era culpa dos incontáveis comerciais característicos da época – algumas propagandas, você precisa concordar, chegam a ser criativas, apesar de claramente se esforçarem para irritar o consumidor.
De qualquer forma, não era só cheiro de rabanada. “É de bolinho de bacalhau”, minha irmã chutou, como se aquela fosse a resposta mais óbvia e explicasse a situação. Talvez explicasse, mas confesso que não estava exatamente identificando nenhum dos dois odores. Era só… Cheiro de Natal. A definição pareceu errada, mas eu não tinha outra. Porque se bacalhau fosse o culpado, em qualquer outra época do ano seria possível perceber esse clima. Mas não. Era muito evidente – ao menos para mim – que o cheiro do Natal só podia ser identificado agora.
Quando sentei à mesa para tomar café, o pensamento ainda estava lá. Eu recapitulei todos os sabores e sensações que o Natal proporcionava, demorando-me nos pratos natalinos de tal forma que me fez ficar com mais fome. Mas se o Natal tinha cheiro, por que o Carnaval não tinha? E a Páscoa, com todo aquele chocolate sem fim? Festas juninas, essas sim, definitivamente tinham cheiro. Por que então me parecia que o Natal tinha um cheiro que ia além do odor? Era definitivamente irritante procurar pela fonte da sensação e não encontrá-la.
Toda a coisa com o cheiro me fez perceber que algumas pessoas acabam sendo marcadas em nossa memória por conta do perfume que usam. O que faz com que, sempre que alguém passa perto com esse dito perfume, você lembre da pessoa à qual o cheiro era associado. Ou seja, o odor característico e a pessoa em si ficam intrinsecamente ligados para sempre (oh, meu Deus). Será então que a ideia de presentes e comida farta é ligada assim de modo tão interno a esse cheiro que eu senti durante a manhã?
Não sei.
O fato é que Natal (querendo ou não), faz com que as pessoas sejam mais solidárias umas com as outras. Elas se arrumam mais também, não se pode negar. Ninguém vê uma pessoa desarrumada em plena noite do dia 24. Os parentes no mínimo tomam banho para tirar aquelas famosas fotos incríveis de família (nas quais todo mundo – por alguma razão – sempre acaba saindo com comida na boca). E os presentes!, sim os presentes. As caixas fazem com que a noite seja de ansiedade, e ninguém nunca sabe qual dos pacotes é o seu. Isso não faz que a coisa exale algum odor – evidentemente – mas com certeza a curiosidade sim. Digo no sentido de que as pessoas ficam parcialmente emotivas e tendem a tentar chutar o que há dentro daqueles papéis de presentes bonitinhos e sempre bem-arrumados. Não é questão de cheiro, é questão de clima, de pessoas, de matar saudade de parentes distantes que nunca aparecem para dar sinal de vida.
De qualquer forma, mesmo que seja mais do que um cheiro, a sensação não foi embora. E comecei a confundi-la com saudade. Talvez nostalgia. E no final, toda a reflexão me fez ficar distraída no café da manhã. Porque percebi que cada um desses detalhes são tão familiares que podem ser transportados para uma única pessoa. E não, não é o Papai Noel. Não pra mim, pelo menos.
Quando tudo isso aparece de uma vez só – e não é época natalina – é porque você está com certeza no lugar certo… Na companhia certa.

Igraínne 

Anúncios

Sobre igrainne

Revolucionária assumida, fala mal de coisas fúteis e sem sentido aparente. Escritora nas horas vagas e universitária sem vida. Estudante de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). E não, não tenho muita coisa pra falar, sou péssima me descrevendo. Os detalhes parecem pouco importantes no momento (todos são), mas eu pretendo ficar rica em algum futuro próximo - espero pelo menos. :D

3 pensamentos sobre “Cheiro de Natal

  1. Ah… adorei o post! Sempre gostei do Natal, quando criança era a minha época favorita do ano, via minha prima que morava longe, ganhava vários presentes e SEMPRE senti o tal cheiro (ou clima) de Natal! Adoro as comidinhas Natalinas e como a minha família fica animada e feliz, sem contar dos amigos me ligando ou mandando msg para desejar Feliz Natal =)
    É sem duvida uma época maravilhosa!
    Beijo Grande e um Feliz Natal a todos do Blog! 😉

  2. Meu Deus, não tenho palavras… Eu adoreeei o final, ficou muito legal o post ;-; e eu sei como você se sente… A única diferença é que às vezes que o Natal parece não ser o mesmo, parece que algumas coisas estão mudando.
    Mas enfim, o cheiro de Natal, a sensação de Natal também está chegando aqui… e é tãaao bom ❤ e, com certeza, na companhia certa melhora!

  3. Particularmente, acho o Natal triste, justamente pelo fato de me recordar a infância distante. Mas, pensando bem, não deveria ser assim, pois estou com com as mesmas pessoas daquela época, meus pais e irmãos (e seus filhos, meus sobrinhos). Meus avós já foram, e sinto saudade também. O melhor mesmo é não entrar nessa vibe e aproveitar.
    Bom Natal pra todos.

    Flavio Santos
    http://almanaque-super-moderno.blogspot.com/

Escreva seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s