Amanhecer – Parte 1!

“O fundo do poço de uma série estúpida, recheada de erros voluntários somente para agradar o ‘exigentíssimo’ público alvo”.

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Todo crítico, pelo menos os sensatos, vão a sessão de algum filme da saga Crepúsculo sempre com a previsão de que vai ser uma catástrofe cinematográfica tremenda. E sim, nós críticos SEMPRE acertamos, e mais uma vez estamos certos. Além de ser uma série extremamente vazia e com diversos personagens bizarros – mas que, por alguma razão, cativam as fãs -, Amanhecer – Parte 1 mostra-se um “início do fim” péssimamente escrito, produzido e escrito, atingindo o ápice da auto-ridicularização voluntária ao dar medo de ver a sequência a este que os escreve esta crítica.

Primeiramente, vamos falar sobre os pontos positivos – pois, por incrível que pareça, eles existem  : a equipe de maquiagem do filme se mostra competente, ao transformar uma Bella Swan de dezoito anos em uma fraquíssima e quase inanimada idosa precoce. Além disso, os efeitos visuais do filme -que resumem-se aos poderes dos vampiros e aos lobos  – finalmente revelam-se eficazes e realistas.

Mas, a partir daí, é tudo um desastre só, obviamente culpa do péssimo roteiro e da falha direção de Bill Condon – que, ou é ingênuo e não nota os erros grotescos do filme; ou só pensa no dinheiro; ou é um incompetente diretor, com pouquíssimo conhecimento da profissão, e principalmente de teoria cinematográfica!

Jacob, o incontrolável menino lobo, aqui mostra-se exatamente o mesmo, sem desenvolver nemum pouco a sua já fraca personalidade, e assim como Edward nos filmes anteriores, ele continua mostrando-se extremamente machista e egoísta – assim como vemos na cena em que ele se encontra com Bella durante o seu casamento. E detalhe: quem arma o encontro é o arqui rival e inimigo de nascença de Jacob, Edward Cullen! Ou seja: após fazer questão que sua namorada( agora esposa) durma com o cara que está muito afim dela, o vampiro ainda arma um encontro para os dois. Ou seja: Edward somente gosta de ver o circo pegar fogo. E ai, garotas: isso é característica de um príncipe encantado? Além de tudo, Jacob ainda se revela… pedófilo, ao se apaixonar pela recém-nascida filha de Bella e Edward, que se chama Renesmée. Não vou comentar nada a respeito disso, pois a situação já se mostra extremamente estranha e delicada por si só.

E por falar no Edward, o que dizer do machismo exaltado durante a trama de maneira tão natural? A tão esperada cena de sexo – que somente mostra uma cama sendo destruída – só serve para proar isso: Bella acorda no dia seguinte coberta de hematomas, e além de achar isso normal, é questionada por seu amado se ele se machucou muito. Difícil de engolir. E o clima de tensão pré-sexual, criada desde o terceiro filme pelo fato de Edward preferir não fazer aquilo com Bella, é quebrado completamente quando eles decidem fazer sexo, quase instantaneamente ao chegarem a ilha alugada por Carlisle, pai adotivo de Edward, além da tal cena ser levemente detalhada. Se tivessem simplesmente mostrado a porta do quarto se fechando, enquanto vemos Bella deitada na cama, sendo observada por um Edward que anda lentamente em direção a sua amada, o clima de tensão estaria estabelecido e utilizado da maneira mais correta possível!

Além de dois personagens grotescos como Edward e Jacob, Bella chega para completar o trio. Nesse filme, a heroína se mostra indiferente ao machismo do marido, e completamente apaixonada por uma tendência suicida que, em nenhum momento dos quatro filmes já feitos, é desenvolvido. Não entendemos o porque pelo qual a garota quase o tempo inteiro fica se colocando em perigo, arriscando a sua vida constantemente sem motivo aparente( não, não me digam que é o amor que ela sente pelos seus pretendentes, pois aquilo não é amor – é obsessão). E porque raios todo mundo se importa com ela, uma menina tão sem conteúdo, com tão pouca vontade de viver e que faz questão de ser insuportavelmente anti-páitca? É uma das questões alucinantes que a saga Crepúsculo não consegue responder, mesmo com 5 filmes e 4 livros.

E agora, o filme no geral: o roteiro, corrido como um todo, e enfadonho em cada cena apresentada na tela, revela-se estúpido o suficiente ao apostar o tempo inteiro em mostrar o quão divertida é a relação entre os personagens, sendo que essas relações se resumem a um personagem tirando sarro com a cara de outro. E um detalhe que percebi: o filme fica apelando para o lado sentimental de tudo, TUDO o que acontece. Sendo essa uma característica errônea sem ao menos alguém explicar o porque, ela aparece de cinco em cinco segundos em tela.

No fim, Amanhecer – Parte 1 se mostra um doce, com recheio salgado. Ambos azedos.

Nota: 3,0

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “Amanhecer – Parte 1!

  1. Nossa vc é fantastica (o), parece que vc leu meus pensamentos… vc realmente escreveu tudo o que eu pensava, principalmente que eu brinco com minhas amigas que como elas podem ter amado tanto esse filme… e ainda achar o Jacob um maximo… na verdade eu o achava…. mas essa historia dele se apaixonar pela filha da Bella, nao ficou nada legal, pedofilia legal… Sem falar do começo: Bella usa um cabelo nada haver no seu casamento e ela estava usando o sapato do casamento há 3 dias e nao conseguia, quando foi o outro dia (dia de seu casamento) ela anda perfeitamente :s…
    E onde ja se viu a Bella dizer que sangue tem gosto bom….
    Amei vc… é um (a) otimo(a) critico (a)!!!!!!!!!
    Adorei seu blog… bjos Gihh

  2. Obrigado!! Esqueci de comentar: Bella cambaleia o tempo inteiro, para andar de maneira correta somente quando vê o seu macho alfa. Metáfora da submissão feminina imposta por Stephenie Meyer na sua trama.

    Mas obrigado pelo comentário, e espero que continue nos visitando!

    Abraços, e até mais. 😀

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