Resenha: Ainda não te disse nada

O que você faria se uma carta de amor chegasse em suas mãos? Uma carta de um senhor que decide, depois de muitos anos, se comunicar com sua amada. E um amor que, por conta da distância e do tempo, ficará sem resposta, tendo só aquele papel cheio de carinho e ternura como uma única e solitária evidência. Bem, a sua decisão pode ser diferente da tomada, mas, de qualquer forma, isso daria outro livro…

Que missão lhe havia sido conferida: ser porta-voz da notícia que acabaria com uma história tão linda e perfeita! Deveria aceitar a missão? Aliás, aquilo era uma missão? Não teve certeza. Não sabia nem como dar a notícia a Heitor. Nunca havia dado notícia de morte a ninguém. As palavras dele indicavam, sem sombra de dúvida, a retomada de uma história. “Por que logo eu? Ninguém mais pode dar a notícia?” A menos que tivesse elementos para fazer tudo direito, deixaria Heitor sem resposta. – Página 68

A carta em questão cai nas mãos de Marina, uma jovem paulista muito bela e decidida que sonha com amor verdadeiro. Ela é filha de padeiros, porém, gosta mesmo é de moda. E por isso, sai da sua pequena cidade no interior de São Paulo para o centro do estado, onde pode estudar o que ama e se destacar na carreira que anseia. Ela estuda de noite numa faculdade e trabalha na mais cedo numa agência dos Correios. Tem duas amigas super fiéis e motivadoras que vivem a alegrando e um professor que a paquera constantemente. É feliz com sua vida, apesar de sempre querer um algo a mais que não sabe bem explicar. E esse algo a mais está prestes a aparecer. E de uma maneira inimaginável.

Marina toma o lugar de Milena, a mulher a quem a carta é endereçada. Então, a partir desse momento, ela passa a escrever a Heitor como sua amada. Porém, ele a encanta com suas cartas apaixonantes. Suas palavras a seduzem e logo ela se encontra no meio dessa história de amor, escrevendo com seu sentimento próprio, uma respostas sua às cartas, não uma transmissão do que Milena provavelmente diria.

Não queria admitir, mas estava apaixonada por um monte de palavras, por uma história que não lhe pertencia. A história de alguém que, certamente, passaria a odiá-la por ter sido enganado. Alguém muito, mais muito mais velho do que ela. – Página 135

O enredo é bom. O autor criou uma história de amor inusitada com muitos possíveis finais ( felizes ou não ), o que instiga o leitor. Seus personagens também dinamizam a trama, temperando, de alguma forma, a vida de Marina. A questão é como isso tudo – desde a história criada aos personagens – é desenvolvido. O texto é bem escrito, porém, senti que a narrativa muito alterna entre diálogos divertidos – que muitas vezes lembram um chick-lit -, uma forma mais lírica de contar a história – definitivamente minha forma favorita – e uma descrição mais pobre, sem muitos detalhes acerca do lugar ou mesmo das pessoas. Mais para o final do livro, os diálogos tornam-se mais sérios e os três aspectos conseguem “conviver”, tornando a narrativa realmente mais fluente e tudo bem melhor, pena que numa parte pequena.

A história não deixa de encantar com a sua sensibilidade e Marina não deixa de cativar com sua personalidade, mas, incomoda demais o modo que isso tudo é passado, como o livro flui. Além disso, podemos ver, como apresentei acima, que a história é bem legal, foi interessante o modo como o autor a criou e, visto que seu desenvolvimento deixa a desejar, perturba ainda mais por saber que tudo poderia ser bem melhor.

[…] Ela era uma falsa, hipócrita, enganadora? Uma apaixonada, sem noção, a menina sonhadora tocada pelo sentimento do desconhecido? Apaixonada por alguém de carne e osso, ou por uma ideia traduzida por uma simples letra “H”? Era justo ela ter-se apropriado da história de Milena? Traição, o sentimento que abominava, tinha passado a fazer parte de sua vida? – Página 185

O autor também cita vários artistas, canções e alguns letras de música ao longo do livro. Marina vive criando trilhas sonoras para expressar seus sentimentos e tende a colocar artistas com a mesma inicial na mesma seleção. As músicas adicionam bastante ao livro. Inclusive, o título faz referência a uma delas.

Para saber mais, visite o site do autor: http://www.mauriciogomyde.com/

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

2 pensamentos sobre “Resenha: Ainda não te disse nada

  1. Victor,
    Primeiramente: sua sinceridade é ao mesmo tempo curiosa e perturbadora. A coisa do lirismo tem -mesmo – a sua cara, mas a história não me prendeu. Apesar de o enredo parecer terrivelmente interessante – e o autor tem diversas possibilidades de explorá-lo, como você mesmo disse -, o fato de os diálogos parecerem estilo chik-lit é com certeza um ponto para que o livro seja descartado da minha lista.
    Quem sabe depois, quando eu estiver em uma fase chick-lit (que pra mim é tipo um futuro distante, apesar de não impossível), eu dê uma oportunidade.
    Talvez eu leia para tirar minhas próprias conclusões também, porque de um modo geral não nego minha curiosidade básica pelo enredo que é – realmente – muito interessante.
    Cartas são clichê, mas são reais. E eu gosto delas. Realmente gosto. Se apaixonar por palavras torna a coisa mais atrativa.
    Ainda assim, sem prioridade.

    Adorei a resenha 😀
    =*

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