Resenha: Leviathan

Príncipe Aleksander, que seria o herdeiro do Império Austro-húngaro, está fugindo. Seu próprio povo virou seu inimigo. Sua posição não vale mais nada. Tudo o que ele tem é uma máquina de guerra e um grupo de homens leais. Deryn Sharp é uma garota comum, disfarçada de garoto no Serviço Aéreo Britânico. Ela é brilhante no que faz, mas seu segredo é um constante risco de ser mandada embora. Com a Primeira Guerra Mundial explodindo, os caminhos de Alek e Deryn se encontram de modo inesperado.

Esse é o primeiro livro de uma série do autor Scott Westerfeld, o mesmo da série Feios. Essa resenha eu fiz com base no livro em inglês, que eu li, mas parece que a editora Record vai lançar aqui no Brasil em breve. (via Bookeando)

“Steampunk é uma mistura entre a tecnologia do futuro e uma época do passado”

Eu imaginava uma coisa desse livro e acabou que eu caí no meio da primeira guerra mundial. Quer dizer, no início. Só que uma guerra mundial em um universo paralelo, onde existem máquinas de guerra tipo robôs e o estudo com DNA foi tão longe que eles conseguem criar todo tipo de ser e usam no lugar das máquinas. Isso não parece tão maluco enquanto você lê, acredite em mim. E há várias ilustrações no meio do livro, o que ajuda a imaginar essas coisas.

O livro é dividido entre a Deryn e o Alek, cada hora você fica sabendo do que está acontecendo na vida de um. Leviathan é basicamente sobre: o momento em que a Deryn vai parar no Leviathan, um “air-beast”, meio que uma baleia que funciona como um avião-zepelim; é sobre o momento em que o império de Alek corre risco e ele acaba tendo que fugir; e, finalmente, quando fica mais claro que a guerra vai acontecer e eles acabam se encontrando (mas não se iluda: em Leviathan não há guerra e eles só se encontram pro final).

Para você ver, eu resumi a maior parte do livro com aquelas duas linhas sobre a Deryn e o Alek, mas na história em si isso é desenvolvido. É como a narração de uma sequência de cenas de um filme, “agora ela vai fazer isso” e vai mostrando ela fazendo isso, sem esse lado mais profundo dos personagens comuns nos livros. Mas atenção: não estou dizendo que os personagens são mal retratados, mas que é retratado de um jeito diferente. O que acontece é que a história parece que tem muita coisa e pouca coisa ao mesmo tempo.

É um livro básico e a leitura não é tão simples assim (não indico para quem está começando a se arriscar no inglês), mas é porque parte da criação desse mundo é baseado no vocabulário diferente. Isso fica mais claro ainda no final, quando Deryn e Alek se encontram e você percebe o quanto eles falam diferente. Ela parece mesmo um garotinho largado e ele um nobre.

Dessa diferença entre os dois eu tiro outro ponto marcante do livro e que deve aumentar na série: os dois lados. Até no verso do livro diz: “Choose your weapon: Beastie or Clanker”. Beastie é o lado da Inglaterra e dos que estavam com ela na Primeira Guerra Mundial, enquanto Clanker é o da Alemanha e seus aliados. O choque da guerra é representado tipo no filme “Sucker Punch”, que cada nível de imaginação era a representação do anterior e fica como várias situações com o mesmo significado. Em Leviathan você tem a própria guerra, as armas e até o modo de falar dos personagens.

Agora, entrando em um momento “desambiguação”, porque eu imaginei um milhão de coisas sobre livro e encontrei um milhão de outras (que eu acabei gostando também). Como eu já falei aqui, o livro não é sobre os dois juntos, mal dá para dizer que o livro tem romance. Na parte de Deryn, não foca muito nas dificuldades dela se vestir de garoto, tipo no filme “Ela é o cara”. É claro que isso está presente e é um perigo, mas nada tão assim, ela se dá muito bem. Também não é sobre a guerra em si, é só o “estopim”, como nossos queridos professores de História gostam de dizer. A parte do Alek é mais sobre um choque de realidade no garoto do que qualquer ação de guerra. Ah, e quase esqueci: eles têm a idade que tem. Não é um livro infantil, é mais para eles reagirem como pessoas na situação deles reagiriam.

Mais sobre o mundo de Leviathan:

Clanker e Beastie seriam como as tecnologias desenvolvidas. O primeiro seria o modo mais comum e utilizado pela maioria dos países, enquanto o segundo foi criado na Inglaterra e ainda não é muito bem aceito. Afinal, é alteração genética em animais. Estamos a quase 100 anos depois da época do livro e isso ainda não é muito bem aceito.

Clanker

É o clássico tanto no livro quanto na vida real, porque é comum no universo steampunk e mesmo que você não seja familiarizado com esse tipo já deve ter visto alguma “bugiganga” do estilo por aí. Aliás, as chances são bem altas, porque a máquina que mais aparece no livro também está no filme de maior bilheteria de todos os tempos, o Avatar*. A máquina no livro é chamada de “walker”, mas existem vários tipos, tipo carros com diferentes formatos e acessórios. No livro, o Alek usa um “Stormwalker”, que é o da imagem abaixo. Também tem da máquina no Avatar e dela no filme Sucker Punch (que é utilizada em um dos mundos surreais, também no estilo steampunk e também retratando guerra).

As outras máquinas dos Clanker são um pouco essa mistura entre passado e futuro, a tecnologia é presa no passado, mas chega a criações do futuro, sem passar pelo que nós temos hoje. Disso surgem robôs gigantes com perna tipo aranha toda coisa no estilo.

*Como é? Avatar é steampunk? Bem, de acordo com o que o autor de Leviathan disse, steampunk é a mistura entre época passada e tecnologia muito mais avançada, então é comum que apareça tecnologias do futuro tanto em filmes do futuro quanto em qualquer coisa com temática steampunk. 

Beastie

Esse já é mais interessante, porque eu nunca tinha ouvido falar, pelo menos não da forma como é tratado. Não posso afirmar que é original, mas foi a primeira vez que eu vi. O que aconteceu aqui é que Darwin levou o evolucionismo mais longe do que na realidade, chegando ao DNA e à criação de mutantes. Veja bem: a ideia de aparecer mutantes no futuro não é original. Na verdade, tem até em uma série que tem se tornado bastante comum: Jogos Vorazes*. Só que em Leviathan eles substituem as tecnologias. É como se você usasse um pássaro em vez do telefone ou um cachorro alterado para ficar maior como carro (essas são criações minhas, você vai descobrir outras no livro). O próprio Leviathan, que é realmente interessante: ele não é só uma baleia que voa, ele é um ecossistema inteiro funcionando como o avião-zepelim que eu disse. Vários seres em conjunto fazendo com que o projeto funcione. Ah, e isso seria algo como “energia limpa”. Tem até uma parte no início do livro que fala sobre quando a Inglaterra deixou de ser Clanker, dizendo que o ar ficou muito mais limpo. Afinal, apesar de bizarro, é só um bando de animais alterados.

*Para quem não sabe, até o passározinho que aparece como símbolo, o Mockingjay (tordo, ou qualquer outro nome utilizado nas traduções emboladas da Rocco), é descendente de um mutante (história muito grande para contar aqui, mas que forma uma metáfora muito boa com o próprio livro). 

Só por esse mundo diferente vale a pena. E com certeza depois disso as suas aulas de Biologia e História vão ficar muito mais interessantes. Só toma cuidado para não confundir o que é verdade com o que eu livro inventou. Aliás, no final vem o próprio autor falando um pouco sobre o livro e sobre essa questão entre o que é realidade e o que inventou. Imagine só dizer que Darwin chegou ao DNA no vestibular?

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Um pensamento sobre “Resenha: Leviathan

  1. Jura que fala sobre a primeira guerra mundial sob uma óptica steampunk? 😦 Eu esperava que fosse algo ligado ao monstro marinho =_( Desanimei agora. Como é série e estragou minhas – perfeitas – expectativas, não é agora que vai entrar na lista. Quem sabe quando vier a resenha dos próximos volumes…

    E por falar em resenha, a sua ficou muito boa. Adorei as explicações que você deu e ainda a ilustração que você postou. Ficou ótimo!

    Beijos,
    Victor

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