Resenha: A Maldição do Tigre

A jovem Kelsey Hayes perdeu seus pais recentemente e, visando pagar sua faculdade, acaba arrumando um emprego num circo. Nesse exaustivo, porém belo e acolhedor ambiente, ela conhece Ren, um tigre branco bem manso com quem desenvolve uma forte conexão.

Nós nos aproximamos da jaula. O tigre, que estivera cochilando, ergueu a cabeça e me olhou, curioso, com seus brilhantes olhos azuis. Aqueles olhos eram hipnóticos. Eles se fixaram em mim, quase como se o tigre estivesse examinando minha alma.                                                                                              – Página 34

Mal sabe Kelsey que o animal é, na verdade, um príncipe indiano que foi amaldiçoado há mais de 300 anos e só ela poderá quebrar o feitiço que atormenta a ele e a seu irmão. Para isso, precisa embarcar numa viagem à Índia onde muitos mistérios e perigos a aguardam. Apostará ela tudo por um ser meio tigre meio homem que acaba de conhecer?

O diferencial do livro é, com certeza, não só o ambiente indiano, mas sim muito dos mitos e da cultura do país que são trazidos para a história. Creio que a maior parte dos leitores não conheça esse tanto da Índia e, assim como Kelsey, vamos aprendendo e nos interessando mais e mais por essa cultura.

A partir do momento que Kelsey põe os pés na Índia, muitos segredos se revelam à jovem. Entre eles, Ren, que só pode permanecer humano por 24 minutos por dia. Determinada a libertá-lo de sua maldição, ela permanece perto do galante príncipe condenado à forma de tigre e, ao longo do livro, acaba se apaixonando por ele tanto quanto ele nutre sentimentos por ela. Entretanto, as coisas não serão nada fáceis para os dois. A maldição só os deixa perto um do outro por pouco tempo – com Ren como humano -, Kelsey é insegura quando se fala em se relacionar com Ren e, ainda por cima, os dois vivem num perigo constante por conta dos enigmas que devem desvendar.  Acompanhamos um amor com diversas impossibilidades e que, com certeza, irá despertar várias emoções nos leitores.

Os personagens do livro são bem definidos, quase vivos. A autora conseguiu os descrever bem tanto fisicamente quanto psicologicamente, de modo que podemos reconhecê-los somente por gestos e imaginá-los perfeitamente. Além disso, são figuras interessantes, com passados cheios de segredos e dores, que rendem ótimas histórias de vida. Em contraste aos personagens, os lugares e os ambientes são mal descritos. É difícil termos noção de suas dimensões e de seus detalhes ao passo que roupas e comidas são ricamente descritas. É interessante sabermos dos pratos e trajes, mas os colocaria em segundo ou terceiro plano ao lado dos cenários.

E falando em personagens, não poderia deixar de citar Kishan, o irmão de Ren, condenado à forma de um tigre negro. Eu o compararia ao Cam de Fallen, uma versão menos ética e até mesmo maliciosa do mocinho em destaque. Kishan logo desperta a atenção de Kelsey como um amigo em potencial – o que desperta em Ren, por sua vez, bastante ciúmes, já que este tomou sua noiva como amante no passado – e, mais para frente, numa sequência da série, pode se tornar outra opção de romance para a moça, quem sabe…

O livro é muito bom, com uma trama envolvente e um trecho que flui conforme a história. Alguns outros aspectos que me incomodaram, eu culparia a sua classificação como YA. São quase artifícios implícitos nesse gênero que você encontrará na grande maioria dos livros que seguem a linha. O fato de Ren ser forte e sedutor, além de super inteligente e atualizado, o de Kelsey ser “a escolhida” – americana – entre milhões de outras meninas e, ainda assim, não ter nada demais além de sua bondade e, por fim, o de as coisas se consertarem quase magicamente, por vezes. Os leitores que se incomodam com estes aspectos devem estar cientes de que irão encontrá-los quase sempre que pegarem num livro classificado como YA ( Vide Destino e Fallen ). Aos que não se incomodam, boa diversão!

Naquela noite, sonhei que estava sendo perseguida na selva e, quando me virei para olhar meu perseguidor, levei um susto ao ver um grande tigre. No sonho, eu ri e então me virei e corri mais depressa. O som das patas delicadas e  macias me seguia, no mesmo ritmo que meu coração.    – Página 19

Apesar de vários toques de suspense e aventura, o livro tem bastante romance. É, sim, meloso – outra característica do YA -, mas bem estruturado e temperado. A autora sabe como deixar as coisas doces, tensas ou dramáticas.

A Maldição do Tigre é o primeiro volume de uma série de 4 da qual já foram lançados 3 nos EUA. O final deixa um gancho interessantíssimo para o segundo livro – o qual espero que chegue logo ao Brasil!

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

11 pensamentos sobre “Resenha: A Maldição do Tigre

  1. Ah, eu nem preciso saber da cultura da Índia. Vi aquela novela, Caminho das Índias… HUAH brincadeira. Eu vi esse livro e uma resenha em outro blog, já tava com vontade de ler, mas aquela não explicava tanto. Cada vez mais eu quero ler. haha

  2. Oiee! belo blog!
    EU devorei o livro! Gostei muito do fato da história nos apresentar a uma cultura diferente. Claro que tem ponto negativos, como o fato da Kells ser uma jovemd e 18 anos imatura demais, na minha opinião… E ter clichês bem clássicos dos YA, mas eu fiquei apaixonada pelo livro.
    Parabéns pela resenha.
    Bjos
    Lilo

  3. Estou doido pra ler o livro,mas pelo que vi por algumas resenhas,parece ter esse toque de menina doce e fragil,que eu detesto.Mas se eu for ler mesmo,sera pela aventura e pela cultura indiana:/

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