O Homem do Futuro!

” A prova  de que o cinema brasileiro ainda tem jeito.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Quando falamos em cinema brasileiro, a primeira imagem que nos vem a cabeça é: violência, sexo e muitas outras cosias impróprias, simplesmente porque é isso o que dá público. As comédias românticas vem sendo péssimamente mal dirigidas, produzidas e até atuadas( temos como exemplo o grande sucesso de bilheteria nacional “Se Eu Fosse Você). E, confesso a vocês: fui ao cinema ver O Homem do Futuro sem muitas expectativas. Me surpreendi. E muito.

 

Filmes que tratam do tema “Viagem No Tempo” geralmente costumam ser clichês e conter bastantes furos no roteiro( como o recente “Déjà Vú” com Denzel Washington no papel principal). E, por incrível que pareça para uma produção nacional, O Homem Do Futuro não só constrói uma narrativa coesa, como ainda dá um tempo para fazer homenagens à outros filmes – não só de viagem no tempo. A trama começa de uma maneira abrupta: de repente somos apresentados à Zero e a sua vida, seu melhor amigo e sua chefe desesperada para conseguir fazer a máquina dela funcionar e servir para alguma coisa. Após a viagem no tempo, a maneira como Zero, vivido absurdamente bem por Wagner Moura( já já detalho mais sobre esse aspecto), aparenta não saber o que aconteceu, mesmo ele ter sido transportado para fora da cabine de viagem no tempo e todos na rua usarem roupas, acessórios e veículos datados de duas décadas atrás. E temos a velha cena dele perguntando para alguém na rua em qual ano ele está. Um pequeno ponto negativo, mas nada de grave. Em compensação, temos diversos pontos positivos para serem apresentados: a câmera inclinando para trás, e Wagner Moura perdendo o equilíbrio( como se ele estivesse em cima de uma tábua e nós a virássemos de repente); previsões para o jogo do Flamengo que está passando na televisão, entre outros.

O filme realmente engrena quando Zero chega à festa que “mudou a sua vida”. Lá, a história ganha um sentido… dos vários que vem a seguir. A segunda camada narrativa do longa é criada, e Zero começa a tentar mudar o seu passado. Para um início abrupto, onde muito pouco é esclarecido, as coisas começam a se encaixar. A fotografia intensa, atenuando as cores laranjas durante a feste – remetendo a alegria, não presente na vida de Zero, onde tons cinzas e azulados são realçados constantemente. Ponto para a equipe da fotografia. Após Zero contar tudo para o… Zero… do passado… o seu futuro começa a mudar, e logo somos teletransportados para a terceira camada narrativa: o novo futuro do personagem. Quando tudo parece estar dando certo… vemos uma avalanche de problemas surgindo na vida de João Henrique( é, ele tem dois nomes). A inversão de papéis – o melhor amigo que se tornou o seu pior inimigo, e o pior inimigo que se tornou o melhor amigo, e a mulher da sua vida, que você mandou para a cadeia por motivos bobos – servem para dar um drama profundo à trama, até então, bastante simpática. Ah, vale lembrar que temos uma referência ao filme Cães de Aluguel, de Quentin Tarantino. Só os fãs vão entender.

 

Após isso, Zero/ João Henrique volta mais uma vez ao passado, nos mostrando a quarta camada narrativa: o novo futuro tentando remexer no passado. A partir daí, um único defeito surge: Gabriel Braga Nunes. Inexpressivo e sem muita vontade de estar ali, atuando, o ator nos fornece um vilão sem ter muito carisma, prejudicando de certa forma a trama. Fora isso, Alinne Moraes revela, ao contrário de seu colega de trabalho citado anteriormente, muito carisma e vontade de dar tudo de si. A triz faz um belo trabalho, criando uma garota simpática e decidida do que quer. Fernando Ceylão consegue criar dois personagens em um só – o divertido melhor amigo e o pavoroso inimigo, deixando bem claro que não é só um alívio cômico qualquer e que tem talento. Mas o brilho vai todo para Wagner Moura, conseguindo criar três zeros iguais e diferentes ao mesmo tempo, além de mostrar características presentes em ambos – como na cena em que ele fala sem gaguejar com sua namorada, dando um tom de voz bastante semelhante a sua versão do futuro, ou o amor profundo que ele sente pela sua amada, que apareça nos três Zeros. Sem esquecer que o ator canta muito bem, as versões do filme para Tempo Perdido( que está na minha cabeça ainda, mesmo quase uma semana após eu tê-lo assistido no cinema), do Legião Urbana e uma música da famosa banda Radiohead, que toca somente em alguns momentos da narrativa. mas ele drogado… é HILÁRIO, e me resumo a isso para não estragar surpresas – e risos.

 

E vale destacar também os efeitos visuais do filme. Para uma produção brasileira, eles são bem realistas e possuem uma função na trama, e no modo como a história vai se desenrolando. Muito bom mesmo.

 

E por falar em surpresa, a reviravolta final, além de inesperada, faz todo o sentido após a reaparição da chefe de João Henrique. O que nos apresenta a quinta e última camada narrativa. Ou seja, O Homem do Futuro é um “A Origem” da vida! Para finalizar esta crítica, que mais parece uma resenha, venho dizer que a trilha sonora é fenomenal, e a genialidade do filme é única. Assistam. No cinema. O quanto antes. Antes que saia de cartaz. Vá agora!

 

Nota: 9,0

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

2 pensamentos sobre “O Homem do Futuro!

  1. Nossa, muitas camadas narrativas, parece meio confuso rs Mas, de qualquer forma, Wagner Moura é um ótimo ator e, pelo o que pude entender, ele não está diferente de seu normal nesse filme. Deve valer a pena ver como ele constrói esse diferente – e multifacetado – personagem. Já estava querendo ver o filme e sua crítica me encorajou mais ainda a fazê-lo. Espero que, depois de uma produção como essa, venham mais filmes nacionais de qualidade que não tragam como temática somente sexo ( vide Muita Calma Nessa Hora, Cilada.com e Pernas Para o Ar, que são legais, engraçados, mas, vamos falar toda hora de sexo e usar sempre palavras de baixo calão pra fazer piadas? Não muito construtivo…).

    Um Abraço,

    Victor

  2. quero que alguem me diga se estou certo?
    quando o joão volta para o ano de 2011 e está rico encontra a dona da universidade furiosa com ele pq ele não construiu o acelerador de particulas. Isso não é um furo no filme pq ele só falou pra ela como ela ficaria rica na segunda vez em que voltou no tempo e disse pra ela como ficar rica com as ações da google e depois compraria a universidade, no meu entendimento aquilo aconteceu baseado em um passado que ele alterado quando voltou no tempo na primeira vez e não poderia ter acontecido na nova realidade.

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