Resenha: Para Sempre Ana

Muita conversa sobre Bienal, mas… e aí, procurando algo para ler?

O livro de hoje é interessante, eu acabei lendo muito sem querer e acabei me surpreendendo. Ele é bem diferente dos que eu costumo postar no blog, mas ainda vale a pena conhecer. Eu fiz o post ontem, estou editando agora, mas é porque eu encontrei algo que vale a pena acrescentar. A Luzia, que trabalha na divulgação do livro, disse algo mais ou menos como:

“Alguém disse que faltou algo para o livro ficar bom de verdade. Bom, eu acho que, pelo menos no caso de Para Sempre Ana, esse algo não deve vir do livro, mas do leitor. Se o leitor não tirar de si esse algo para completar a história, está a um passo de se decepcionar.”

Isso explica bem o caso do livro. Se você apenas ler Para Sempre Ana, vai achar um livro bom, como uma série de mistérios para serem desvendados com um toque de sobrenatural. Agora, se você parar e refletir sobre toda a história, vai ver como ela pode ir muito além e criar várias conexões, fazer mais sentido do que dava para imaginar.

Agora, continue a ler e descubra um pouco mais sobre o que é e por que é tão legal.

A trama de “Para Sempre Ana” parte do anúncio de uma suposta paternidade, que ameaça a fama da respeitada família Rigotti e o amor de um casal, além de trazer o risco de que verdades há muito tempo escondidas sejam reveladas. Quando isso acontece, uma série de outros fatos, e segredos, acabam surgindo. Mas, quem é o culpado? O que, de fato, está acontecendo? “É uma longa história…” E essa é a história contada no livro.


Desde o início, o leitor é atraído pela curiosidade, porque há sempre algo para descobrir. Isso ajuda para que o livro seja equilibrado: ao mesmo tempo em que traz um caso semelhante aos de séries policiais, trata de questões mais profundas. Aliás, esse é um livro que se destaca por ir além da ideia de ser apenas uma história, pois parece querer mostrar e explicar questões comuns da vida. Durante toda a leitura, o que está acontecendo está sendo explicado, mostrando que cada personagem tem seus motivos, e quais são esses motivos, ajudando a entender suas ações. O livro tem tanto esse teor explicativo, que explica até fatos simples, como quando o personagem gosta ou deixa de gostar da comida de acordo com seu humor. Esse é um artifício constantemente usado, mas que costuma aparecer sem maior alarde, apenas colaborando para o clima da história. Esse exemplo representa bem como a narração segue, seja em casos pequenos assim ou nos maiores e mais importantes.

Um outro ponto interessante que não se pode deixar passar é a discussão entre ciência e religião. O livro todo apresenta essa dualidade de visões, seja na própria fala de personagens ou explicando certos acontecimentos, que para uns foram causados por alienígenas e para outros por espíritos. Seja pelo método científico ou com o auxílio de Deus, os personagens acabam encontrando as respostas. Isso é interessante porque – mesmo parecendo aleatório, apenas para embalar as discussões – acaba por representar a história com base em pontos de vista e dar uma conclusão à questão. O próprio final do livro pode ser explicado tanto por um quanto por outro lado.

Essa história de religião contra ciência parece um pouco antiga, mas pode dizer muito sobre o livro, ou sobre seu público adequado. Este provavelmente não é um livro amado entre os jovens, não por uma suposta falta de capacidade deles para gostar de algo sério ou de assuntos profundos, mas porque o livro trata de uma questão da vida de gerações mais antigas. Atualmente, a vida com liberdade é parte do cotidiano dos jovens, algo distante da vida regrada e padronizada de seus pais. O cuidado exagerado com as aparências é algo mais antigo. Hoje em dia esse modelo está sendo quebrado, e é justamente isso o que o livro faz: mostra personagens totalmente dentro desse modelo, mas analisa o que acontece com um ponto de vista atual, como um modo de pensar alternativo ao dos personagens que serviu de caminho para encontrar a verdade – e a felicidade.

Na verdade, até o modo de escrever do autor pode afastar os jovens. Em parte porque lembra um pouco o de antigos escritores brasileiros, causando certo preconceito com toda a história. E, também, porque a escrita é contida, muito preocupada com o que seria “correto”, afastando-se da narração próxima ao cotidiano a que os jovens leitores estão acostumados. Contudo, até mesmo esse estilo de escrita do autor cai bem ao livro, também ajudando a criar o clima da história.

“Para Sempre Ana” é um livro que lembra um pouco os mistérios de livros de Sidney Sheldon, Agatha Christie e até mesmo de séries policiais americanas, mas tudo isso com um clima mais quente, como “contando histórias de vida”. O autor consegue criar uma trama intricada e interessante. E mesmo o seu modo de escrever, que pode assustar aqueles acostumados a textos livres e próximos do cotidiano, consegue cair bem à história do livro. “Para Sempre Ana” é como aquela pintura bem feita, com direito a toque final, que o autor respira fundo, olha a obra finalizada, e diz: “Está pronta!”

Título: Para Sempre Ana

Autor: Sergio Carmach

Editora: Caravansarai

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3 pensamentos sobre “Resenha: Para Sempre Ana

  1. Curiosidade não me falta…Ainda não li o livro, mas os comentários estão despertando interesses mil, principalmente pelo comentário de que o leitor deve buscar em si o que falta para complementar a história….Será?

    Será que realmente há possibilidades de conexõoes com outros temas “discutíveis”? Quais seriam……? Com certeza essa seria a questão mais atraente do livro porque o que todos buscam são pontos de vista diferentes para uma mesma questão em contextos diferentes para justificar a característica maior do ser humano..tentar entender tudo e todos.

    Despertar novas visões a partir das dualidades história fictícia x coisas cotidianas, assim como, religião x ciência; me parece um bela proposta do autor em mostrar que tudo tem uma razão de ser dessa ou daquela maneira, considerando a interferência do estado de humor, ou seja, um mesmo acontecimento pode ser complexo ou simples conforme o estado de espírito da pessoa no momento em q acontece . Me parece que o autor se questiona e ao mesmo tempo passa, ou tenta passar, que não somos completos, estamos sempre aprendendo algo e tudo se modifica, ou melhor, nos adequamos a determinado tempo e questão.
    Acho que ele tenta isso quando mostra personagens totalmente dentro de um modelo antigo, mas analisa o que acontece com um ponto de vista atual, como um modo de pensar alternativo ao dos personagens , para servir de caminho para encontrar a verdade – e a felicidade.No final eles encontram?
    Ou não tem final?
    Será que o livro mostra mesmo verdades e sugestões para encontrar a felicidade? ou sugere que tudo isso é um meio…um caminho…onde
    as verdades e felicidades estão nesse processo…..e não no final…
    Será que o livro deixa claro isso?
    Se a proposta for essa e estiver bem clara o livro é tbm um caminho cheio de meios para entendermos o mundo e as pessoas com quem vivemos .

    Mas se esta proposta não estiver clara não passará de mais uma história fantasiosa…faltando um final que seria a eterna ausência de um fim .

    Ainda não li…mas gostaria de ver se essa proposta está bem no início do livro e firmada no final….se for assim…”.para sempre Ana” será o retrato de “para sempre qualquer um de nós”. Isso é a vida… tudo é possível sem pré julgamentos e a vida continua para aqueles que querem viver as renovações ..sejam em que plano for..
    Qual seria esse toque final de perfeição?
    Acho que não tem e por não existir, a linguagem , de repente tornou-se inapropriada e por tal passando que faltou algo..
    .Afinal, comparar a vida atual com a de antes e de sempre, considerando a liberdade das características do ser humano de sempre..questionador…renovando..se adaptando…buscando respostas alternativas…enfim, a busca incessante do de razões para o q faz e acontece em volta,através de hipóteses…tentativas..erros e acertos; não explorando as variedades linguisticas, fica difícil agradar e de fazer entender.
    O ponto de vista atual nada mais é que uma abordagem de acontecimentos q se repentem só que em contextos diferentes dada ao prosseguimento da vida.
    Questiono-me: Será que o modo de escrever do autor realmente afasta os jovens de hoje incutindo preconceitos? Será q esses preconceitos ainda são tão fortes assim?
    Realmente muito me despertou a curiosidade…primeiro ..como um autor pode tratar de buscas e verdades eternas transpondo-as para o cotidiano sem mexer na linguagem…seria isso o que falta? Bem curiosa… pois acredito que só lendo mesmo poderei perceber as nuances das várias facetas de um mesmo fato e se o segredo está na linguagem utilizada a cada uma delas . Acredito mesmo que o livro pode atingir muito mais pessoas q imaginamos…E,.atingir, seria transformar algo dentro de cada leitor para sua própria vida. Será que o livro alcança esse propósito? Preciso ler…temas psicológicos, opiniões, possibilidades de visões fascinam qualquer ser humano.

  2. Eu não sei do que eu falo parabéns… se é pela resenha muito bem escrita, se é pelo blog lindo ou se é pelo comentário acima (ou abaixo, não sei como vai ficar quando eu pedir pra publicar rsrs).

    Amei tudo!!! Parabéns demais!!!

    A questão de religião x ciência se passa pelo livro todo… a busca pela verdade, o final… o jeito como tudo é escrito… Você disse tudo e digo pra Marisa que vale a pena ler. O final é maravilhoso, o livro é diferente, complexo e muito bom de se ler! Super digo que vale a pena!

    Parabéns pela escrita e pelo blog.

    Se quiser conhecer o meu, ficarei muito feliz!
    Bjinhus

    Sa
    http://mundo-sa.blogspot.com

  3. Dana!
    Resenha está bem escrita e traduz o conteúdo preciso do que acontece no livro. Muito bom!
    Fiz resenha desse livro no blog há pouco tempo também, se puder me presentear com seu comentário, agradeceria.
    Sucesso!
    cheirinhos
    Rudy
    ps: Tentei seguir o blog, mas não abre a parte para seguidores.

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