Das estradas pela Literatura

Tudo começou com um livro do qual não me recordo.  Rapidamente veio o hábito, aquela vontade de sempre estar acompanhada das páginas, impregnada dos pés à cabeça com o cheiro misturado a pó que delas exalava.  O Português já naquela época era muito querido por mim. Também gostava de História, o que mais tarde viria a unir-se com a língua máter e geraria a paixão pela Literatura. Nunca fui muito fã de Matemática, acho que os números não aceitaram minhas visões utópias e delicadamente tecidas do mundo, as letras sempre preferiram caminhar ao meu lado.

Vinte, cinquenta, cem, e o primeiro livro realmente grande, duzentas e oito páginas, se não me falha a memória. Era um exemplar de “Viagem ao Centro da Terra” e, mal sabia Julio Verne que acabara de levar uma jovem de dez anos (ou seriam onze?)  ao ápice do conhecimento e à convicção de querer estampar páginas, de alguma forma, pelo resto de sua vida.

Primeiramente, pensei em Letras. Comecei a escrever timidamente versos com rimas pobres, daqueles que mais soam como cantigas que qualquer outra coisa, mas eles tinham alguma essência pura a ser captada. Fui estudando, refinando o vocabulário, apurando os antigos gostos e alimentando-me de livros, livros e mais livros.  Ao dar uma volta pela biblioteca da escola, fiquei feliz em conhecer grande parte dos títulos, em poder indicá-los a amigos que logo me incentivaram a manter acesa a chama da escrita que ardia em mim. Persisti.

Romances de meninas jovens frustrados, os primeiros rastros de um texto dissertativo convincente e, por fim, enfim, o encontro, o casamento perfeito com os tipos essenciais, encantei-me com as crônicas e os contos. Nestes pude exprimir toda a fantasia e a ficção que habitavam em mim. Dei asas a personagens em Santos, em Londres, em reinos encantados… Daqueles, daquelas crônicas, entretanto, senti, pela primeira vez, o espírito jornalístico brotar e gritar em meu espírito que adquiria maior curiosidade acerca do mundo. As Letras que me perdoem mas, hoje, pouco mais de um ano antecedendo o temido vestibular, escolhi o Jornalismo. Foi ele, inclusive, assim como muitos outros, que inspirou-me a ter um blog.

Sobre o que falar? Como aguentar o ritmo das leituras? Como conseguir seguidores? Algum dia iriam me descobrir? Não foi fácil, certamente. Para sermos descobertos, precisamos explorar por muitos cantos, quase como um tesouro perdido. Nunca percam as esperanças, entretanto. Se o blog resistir aos três primeiros meses, pode considerar-se um vencedor. Diziam-me que deveria redigir sobre aquilo de que gostava, para agregar material diariamente e assim o fiz. Livros vieram, logo após eles, as resenhas e as novidades sobre o mundo literário. O desafio, que não era realmente um desafio, escrever uma resenha por semana, ler um título por semana, empolgou-me e, por vezes, tirou-me o sono, literalmente falando, mas hoje, após nove meses com o meu blog no ar, não consigo lembrar-me do quão vaga era a vida antes dele.

É em nome dessa paixão por Literatura e de minha história que começou, assim digamos, há mais de dez anos com os volumes fininhos da pré-escola e há cerca de cinco, com o pontapé incoscientemente dado por Julio Verne, que escrevo-lhes hoje.

Aparecerei aqui às quintas-feiras, uma vez a cada quinzena e pretendo, desta forma, dividir um pouco de meu cotidiano, das coisas corriqueiras da vida, tornando-as especiais de alguma forma. Falaremos, em crônicas, sobre olhares trocados nas ruas, sobre passeios pelas alamedas do coração, sonhos perdidos em bueiros, grandes descobertas, atemporalidades, chuva e sol, ventos selvagens e brisas leves, amores e desamores. Tudo com um toque metafórico e lírico que só alguém que já quis um dia fazer Letras pode ter, acompanhados do sarcasmo quase jornalístico, e de relatos sob o ponto de vista de uma adolescente que tem em si menina, moça e mulher.

Abraços,

Ana Ferreira

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8 pensamentos sobre “Das estradas pela Literatura

  1. Ótima crônica, Ana, de verdade. Seu texto me tocou, adorei como você falou do seu envolvimento com as letras, livros etc Na certa que será uma maravilhosa jornalista e, claro – porque se nao seguir em frente com isso vou aí em SP tirar satisfacao -, como escritora. Aguardo por mais maravilhosos textos quinzenais, louco pra saber qual será o próximo tema 🙂 Inclusive, o último parágrafo, no qual você fala da coluna, foi meu favorito 😀

    Sucesso!

    Beijos,

    Victor

    • Victor, muito obrigada pelo apoio e fico contente que tenha gostado do texto. Pode deixar que seguirei o que quero, quando quiser me visitar, venha hahaha
      Aguardo também pela inspiração para os próximos textos!

      • De nada 😉 Você merece, e muito 😀 Ótimo, ótimo, acho bom mesmo rs Obrigado pelo convite, passado esse ano de tumultos ( e o seu que deve iniciar ano que vem – desculpe por lembrá-la de seu luto rs ), pode deixar que a visitarei sim, e vamos para a Bienal de Sao Paulo de…2014! ( Copa pra quê? Livros!!!! ahahaha ). Ok, pode deixar que, quando algo me vier a cabeca, falo contigo. Temos alguns períodos temáticos que seria legal se as crônicas seguissem a onda, assim como especiais que armo com o tempo ( Bruno e Dana que o digam ). Aí, quando estiverem perto, te passo uns temas caso queira seguir o fluxo do momento ( que expressao o.O eu hein? huahua ).

        Beijos,

        Victor

  2. Diferente do Victor, eu gostei mais do começo. ;x HUAH Eu também fui dessas que adora os livros e blablabla, mas quando pensei em fazer letras percebi que não era o que eu queria. É muito específico.. E acho que fui parar na faculdade mais “um pouco de tudo” que existe.
    E qual esse seu blog? Deveria ter dito. ‘-‘
    Só pra terminar: gostei do seu texto, de como você escreve. Hoje mesmo eu tava reparando que tava sem paciência pra ler, fazendo quase leitura dinâmica. Já tava “ai meu Deus, acho que não gosto mais de ler “. Agora vi que não sou eu, é o texto. Alguns te prendem e te fazem ler cada palavra…

    • Olá, Dana! Gostando do começo ou do final, basta terem gostado! hahaha
      Pois é, senti a mesma coisa com Letras, que eu acabaria me sentindo isolada, sem ter para onde fugir… Qual faculdade você cursa?
      Puxa, é verdade… O meu blog é o Na Parede do Quarto (http://naparededoquarto.blogspot.com)
      Fico lisonjeada em saber que o meu texto e a minha forma de escrita lhe convenceu, de verdade.

      • Faço Comunicação Social da UFRJ e quero me habilitar (tipo a segunda parte do curso) em Publicidade. E, se tudo der certo, também consigo em Produção Editorial. Das 4 opções Jornalismo é o último que eu faria. ;x
        Mas pra quem gosta… (boa parte dos meus amigos de faculdade! HUAH)

        Vou passar lá!

  3. Me metendo na conversa hehe : Estou, ultimamente, muito a fim de Letras, mais que qualquer outro curso. Inglês e Literatura na UERJ, para ser mais específico. Tenho muita vontade de experimentar o magistério e, com uma pós em edicao e diagramacao, quem sabe nao tentar algo com producao de livros? Assim como a Dana, jornalismo, dessas minhas opcoes, é a minha última :/

  4. Poxa Você Nasceu pra isso mesmo comecei a ler só pra ver e quando vi já tava no Ana. Incrível gostei.

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