2001 – Uma Odisseia No Espaço!

“Genialidade à flor da pele, pela visão de Stanley Kubrik.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida.

Ao falarmos de 2001 – Uma Odisseia No Espaço, vemos dois grupos divididos: aqueles que o veneram como genialidade de Stanley Kubrik, alegando que ele foi muito revolucionário e conseguiu prever avanços tecnológicos que só viriam a surgir anos e anos depois – assim como também temos o grupo( menor, mas que existe, por incrível que pareça.) que diz que o filme não possui uma narrativa expressada de maneira correta, sendo muito “cult” e pouco “convencional”. E é exatamente desse dito “argumento” do haiters do filme que começo a minha crítica.

A maioria das pessoas estão acostumadas com filmes narrativos em excesso, que se preocupam demais em narrar a história – se esquecendo, obviamente, de COMO contá-la. 2001 parte desse princípio. Ao retratar o espaço sideral da maneira como deve ser feita( um grande vazio, onde tudo move-se lentamente, aonde temos todo o tempo do mundo), Stanley Kubrik dá um passo a mais: conduzir viagens neste “vazio” com música clássica, dando além de um estilo próprio, uma característica que o marca até hoje. Por que? Porque, como o próprio Diego Benevides falou em seu curso de Introdução à Crítica Cinematográfica (“Eu assisti o filme no 2x”),  2001 acaba se tornando um filme chato. Mas com suas justificativas na narrativa, e o final estarrecedor está lá para provar. O que me leva à outra característica do filme que o torna a maior ficção científica de todos os tempos: o fato dele lhe dar a oportunidade de interpretar da maneira que bem entender o que vistes no último ato. Temos como exemplos recentes “A Origem” e “Ilha do Medo”, então acredito que nem existe a necessidade de detalhar muito esta característica.

Por falar em o que tornou 2001 tão grandioso, não posso esquecer de mencionar que ele não se resume a só mostrar o espaço e o que acontece nele – pelo contrário: Kubrik, ao lado de Arthur C. Clarke, compõe no roteiro uma análise psicológica do ser humano, diferenciando o filme do comum, dando um enfoque maior ao medo que o homem sente, aqui interpretado, pasmem, por uma máquina, da qual falarei mais a frente.

Os efeitos visuais são realmente inacreditáveis, tendo em vista que o filme foi elaborado na década de 60 – antes mesmo do homem ir a Lua. E posso garantir: são muito mais realistas do que filmes recentes, como Transformers: O Lado Oculto da Lua, pois 2001 foi executado de maneira quase artesanal, e o filme de Michael Bay consegue os seus feitos a partir de estudos na computação gráfica. Prevendo, de aparelhos tecnológicos( vídeo chamada, Skype Web-Cam), até eventos muito mais significativos( construções de estações espaciais e a falta de gravidade no espaço), o filme merece muito mais pontos em sua nota final, já que não é todo dia que vemos uma obra cinematográfica com uma característica tão marcante quanto esta.

E as questões levantadas por ele durante toda a sessão? O que é aquele paralelepípedo negro? O que macaquinhos tem a ver com viagens no espaço? O que é aquilo que ocorre no final do filme? Por que aquilo existe? Qual o seu significado? E o seu objetivo? Acredito que, somente pelo fato de um filme levantar TANTAS – e nem um pouco idiotas – questões a respeito de sua narrativa já o torna, naturalmente, superior aos demais. Podemos notar, claramente, que a aparição dos macacos serve para representar a evolução psicológica( e, em alguns momentos, física.) do ser humano: quando os macacos deixam de ser a presa para se tornarem o caçador, quando se dividem em grupos com ideias distintas, quando descobrem a arma e o que podem fazer( e conquistar.) com ela, e por ai vai. Até que vemos, em uma montagem no mínimo interessante, a transformação do osso em uma nave – do céu azul claro, no espaço sideral obscuro – do simples pedaço de osso à uma construção gigantesca e dotada de uma tecnologia altamente evoluída – a prova de que o diretor estava querendo transmitir a seguinte ideia: “Começamos assim, e olhe aonde nós vamos conseguir chegar.”. Alguns dizem que o tal do monólito negro é a representação divina na trama. Pode até ser, mas na cena final, fica claro – ou não, mais uma vez resta a você, espectador, interpretar da sua maneira – que ela também pode ser a personificação da morte, ou da viagem que fazemos deste plano físico, material, ao plano espiritual.

Vou me restringir a não falar sobre a cena final – a pancada psicológica que se recebe ao assisti-la é grande. A mente do espectador deve ficar bem aberta, o que não acontece com todos os que assistem a 2001, fazendo-os odiá-lo, somente por que não tem uma trama definida( e o lance da viagem até Júpiter interrompida pela presença de humanidade na máquina imperfeitamente perfeita chamada HAL 9000?). E, ao final de 2001 – Uma Odisseia No Espaço, fica escrito na nossa testa: Vimos uma obra-prima de Stanley Kubrick.

Nota: 10,00

Ps: Mais um detalhe: como o filme mostra aquilo que está acontecendo, naquele determinado momento, podemos fazer uma ligação com os ditos “pais” do cinema: Os Irmãos Lummiere, que se preocupavam somente em retratar aquilo que estava acontecendo, naquele momento, também. Referência? Homenagem? Menção? Plágio? Nunca saberemos. E, novamente, cabe ao espectador, interpretar da sua maneira.

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

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