Resenha: Anaíd e o Deserto de Gelo

Apesar de sua capa mais voltada para o público juvenil e que, de certa forma, não me agrada, Anaíd e o Deserto de Gelo é um livro de trama envolvente e texto conquistador que nos apresenta uma mitologia interessantíssima. Um livro cativante de aventura que há tempos não lia – com exceção de O Guia do Mochileiro das Galáxias, que é de um gênero tão diferente que não posso nem comparar. E uma história de bruxas das mais impressionantes. Como esse é o segundo livro da trilogia, e não li o primeiro, estou querendo muito o volume anterior, assim como o seguinte, que não só finaliza a saga como nos aguarda com diversas revelações pendentes. Espero que chegue mais cedo, uma vez que o segundo volume tem uma diferença de, aproximadamente, um ano do lançamento do primeiro volume da trilogia. A autora, Maite Carranza – a quem quero muito entrevistar – é espanhola e tem, agora, seu terceiro título publicado no Brasil. Além da trilogia A Guerra das Bruxas, pela editora Mundo Editorial, foi publicado um suspense pela Novo Conceito, Palavras Envenenadas. Fãs de seu texto e de sua trama, convido-os a ler a saga de Anaíd, que é muito boa. Também pretendo experimentar o suspense da espanhola, uma vez que li e adorei sua deliciosa narração. Vale ressaltar a diagramação do livro, que apesar de sua capa – repito, não me agradou e deu um ar juvenil que o livro não possui realmente -, é muito bem feita. Os capítulos são belamente iniciados e adorei as iniciais decoradas. Davam mais prazer ao constante virar de páginas.

É verdade o que me foi dito: o fato de não ter lido o volume anterior nada atrapalha a leitura do segundo. Vários feitos anteriores de Anaíd são citados e ficamos com vontade de saber mais sobre eles, que descobriríamos pelo primeiro livro, Anaíd e o Clã da Loba. Mas a história de O Deserto de Gelo é aventura de Selene, mãe de Anaíd. Em sua viagem para fugir das Odish, sanguinárias bruxas que perseguem as Omar ( tais como Selene, Anaíd e suas colegas, que tanto esperaram a chegada da eleita, a que daria início e fim a uma guerra entre os dois clãs inimigos ), Anaíd, a eleita, escuta a narração de sua mãe, que explica mais sobre sua personalidade – a ela muita estranha – e sobre sua própria origem. E voltamos no tempo, por meio da narração da bruxa, quando ela tinha seus 17 anos e cursava jornalismo na faculdade.

Selene era vítima do carinho a ela estranho, demonstrada por severidades e mentiras, de Deméter, sua mãe e matriarca do clã das bruxas Omar. Não gostava também dos rituais e de sua responsabilidade para com seu povo, que não queria ter, pois ansiava viver livre de amarras. Morava longe de seu clã com duas outras universitárias que não sabiam de sua condição de bruxa. A jovem Omar se revoltava com sua mãe quando esta, muitas vezes, a mandava e desmandava, fazendo de sua filha o que bem queria. E em meio a algumas rebeldias, a jovem Selene descobre muitas coisas que Deméter a escondia, desobedecendo-a e fugindo com seu amado e namorado de sua colega de apartamento, Meritxell. É Gunnar, o viking das terras geladas. Eles partiriam para onde não poderiam ser encontrados e viveriam felizes, era esse o plano. Mas nada será fácil assim.

Meritxell, antes de brigar com ela por deixar o apartamento com seu namorado, estava se comportando estranhamente. Durante a discussão das duas, Selene deixa seu atame – adaga que as bruxas Omar carregam – com a ex-companheira de apartamento. E mais tarde, a garota está morta, com a arma cravada em seu coração. Ao que parece, por outras mortes também comprovadas, Balaat, a sanguinária deusa Odish, está tentando voltar a vida, e quer algo deste mundo. Mas antes que se prove o contrário, a filha de Deméter é culpada e deve ser julgada. Porém, antes que a apanhem, ela tenta desaparecer e, ao jogar sua varinha e seu atame fora, renuncia sua condição de bruxa, fugindo para norte e avante ao lado de seu amante.

As bruxas Omar, divididas por vários clãs de acordo com animais ( Deméter e Selene são do clã da Loba ), tentam recrutar novamente Selene, que escapa de todas elas. E ao mesmo tempo que ela acha que está se beneficiando, entra cada vez mais fundo numa rede de mentiras e traições, de onde a saída torna-se cada vez mais difícil e tortuosa.

O texto de Maite flui maravilhosamente. Eu me apaixonei por Selene, que é um jovem bruxa teimosa e vigorosa, e que luta obstinadamente por sua liberdade e sua vida. Uma personagem inesquecível. Não tendo lido o primeiro livro, Anaíd até me pareceu fraca perto a grandiosidade da história da mãe – não em quesito de poder, mas sim de personalidade mesmo. Em pequenos blocos, saímos da narrativa de Selene e voltamos a história que é tangencial e ao mesmo tempo central, mostrando como Anaíd desobedece sua mãe mesmo com todas suas advertências, sendo conquistada por Roc, sua paixonite que deixa para trás, na cidade de onde saiu, e se comunica com ele pela internet. Um erro que percebi é que as conversas pelo chat, entre Roc e Anaíd, são abreviadas, como se falam as pessoas por esse meio, e o termo J, que abreviaria, creio eu, Jaja ( risada, como rs, em espanhol ), permanece sem nenhuma nota ou explicação. Para um leitor sem esse conhecimento – ou mesmo com, não sei se estou certo – o termo permanece sem significado.

Mencionei também a mitologia, que traz referencias a deuses(as) fenícios e até mesmo nórdicos, enriquecendo as lendas e mitos apresentadas no livro. Maite deve ser uma grande conhecedora de mitologia. E essas histórias de heróis e deuses compõe as crenças das bruxas, nas quais acreditam e às quais rezam e temem.

Com uma mitologia muito interessante, uma trama deveras cativante e um texto rico que flui sob nossos olhos, Anaíd e o Deserto de Gelo é um livro surpreendente, assim como devem ser os outros volumes da trilogia a qual este pertence.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

Um pensamento sobre “Resenha: Anaíd e o Deserto de Gelo

  1. Eu estou com os 2 livros para ler…já tinha lido ótimas resenhas do 1 e agora do livro 2 so me faz querer que chegue a vez dele logo 😉

    Andy_Mon Petit Poison

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