Resenha: Sou Louco por Você

Há tempos que estava de olho nos romances de Federico Moccia. A editora Planeta já havia trazido ao Brasil dois títulos:  Desculpa se te chamo de amor e Desculpa, quero me casar contigo. Soube então pela Dana, no post de dia dos namorados, que Sou Louco por Você estava sendo lançado pela mesmo editora. E mais: era na verdade seu segundo romance ( anterior aos “desculpa “) e sequência do livro trazido pela Rocco em 2005, Três Metros Acima do Céu. Li a sinopse, vi exemplares em livraria, conversei sobre o livro com algumas pessoas até que veio a gota d’água: promoção dos romances de Moccia da Planeta na Saraiva. Comprei o livro e me arrependi por ter demorado tanto.

A primeira coisa que me chamou atenção foi a escrita de Moccia. O modo como o texto se desenrola é impressionante. Ele descreve as coisas de forma diferente, pessoal, totalmente cobertas pela ótica do personagem da vez ( o protagonista é Step, mas ao longo do livro o autor troca o foco da narração, trazendo à tona até pessoas que estão distantes dele ). Sua narrativa me agradou muito e ressaltou-se principalmente por essa característica própria, algo que não tenho visto ultimamente.

Durmo e acordo. Ouço Paolo mexendo na cozinha. Meu irmão. Mexe nas coisas tentando não fazer barulho, eu sei pelo jeito como coloca os pratos em cima da mesa e como fecha as gavetas, é como uma mulher. Tem os mesmos cuidados que minha mãe tinha. Minha mãe…Faz dois anos que não a vejo, quem sabe como seu cabelo está agora…No último ano mudava com frequência. Seguia a moda, os conselhos das amigas, uma foto em uma revista. Nunca entendi por que as mulheres estão sempre tão obcecadas como o cabelo (…) – Página 58

Além de seu texto, o enredo de Sou Louco por Você consegue equilibrar tudo muito bem. Tem partes cômicas, trágicas, suspirantes na medida certa, sem nada faltar ou se exceder. O romance entre Step em Gin é muito bem dosado. Ele consegue não “açucarar” a relação, assim como Sparks em Um Amor para Recordar, indo até além, traçando linhas bem definidas entre atração, paixão e amor, que podem muito bem ser fases num relacionamento. Moccia explora o pior e o melhor em seus personagens, mostrando o que fazem por desejo ou tesão e o que ocorre por amor – que demora muito mais a aparecer; isso quando aparece. Step e Gin demoram para deixar seus sentimentos transparecerem, sendo sacanas e maliciosos consigo mesmos, por mais que sintam algo um pelo outro. É uma história disprovida do fator “só para mulheres”. O personagem principal é um homem valentão que gosta sair na porrada – estando, porém, em fase de mudança – rendendo algumas partes violentas e comentários machistas que talvez aproximem mais o público masculino. E, por sua vez, não afastam o feminino, pois desenvolvem um romance tão belo quanto qualquer outro, porém, de forma diferente e até mais divertida e realista.

Fiquei pensando bastante tempo no livro depois que acabei de lê-lo. É uma daquelas histórias com final que não se digere fácil. Isso porque você odiou acabar daquele jeito, pois queria mas, e amou, pois foi perfeito de seu próprio modo.

Step retorna a sua cidade natal, Roma, após passar dois anos nos EUA, fazendo um curso de design gráfico. Ele partiu após brigar com sua mãe e terminar com sua antiga paixão, Babi. Ao chegar lá, não sabe como reagir a ambos os casos.

O tempo passa e ele se fixa novamente em Roma. Encontra velhos amigos, repete velhos hábitos, mas, mesmo assim, sente que mudou. Ele evita a todo custo Babi e sua mãe, com medo que encontre uma das duas. Conhecemos, sob a visão de Step, mais sobre a cultura italiana e como esse povo se comporta diferente de nós e dos americanos, que vemos tantos nos filmes e livros. O livro passa boa parte narrando a volta de Step até que, quando você se pergunta se há um romance ou não, Gin aparece lá pela página cento e pouco. Bonita, inteligente, durona e maliciosa, ela é um desafio para Step. E como ele também não é flor que se cheire, os dois vivem discutindo. Esse diálogos nos rendem boas risadas.

Os dois se relacionam de forma que os elementos que mencionei antes ( paixão, atração e amor ) se confundem. O orgulho dos dois em não baixar a guarda contribui para complicar tudo ainda mais. Seriam os dois destinados ou é só mais um caso para ambos ? Quando podemos nos dizer apaixonados, ou melhor, considerar o outro apaixonado ?

Sensível, engraçado, impactante e bem escrito, Sou Louco por Você é uma história de amor para todos os gostos que desperta distintas reações.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

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