Resenha: Meia Noite em Paris

Faz tempo que não escrevo por aqui sobre filmes. Não por que não goste de assistí-los, mas sim por que não estou vendo muitos com frequência – e, além disso, a maior parte dos que vejo não me inspira a vir aqui a fim de falar deles. Mas, o cinema do feriado realmente mexeu comigo – ou talvez foi aquela velha história de ir sem esperar muita coisa. Saí da sala maravilhado com Meia Noite em Paris, perguntando trocentas vezes para os que foram comigo – os coitados dos meus parentes – se eles haviam gostado. E, claro, pronto para ir ao wikipedia quando chegasse em casa para ver os artistas que não conhecia – isso você vai entender daqui a pouco. O filme consegue ser engraçado, comovente, visualmente maravilhoso e passar mensagens que lhe fazem pensar por um tempo. Foi com certeza um trabalho bem melhor que o filme anterior do diretor ( Tudo pode dar certo ), que é bem legal, mas não chega perto do brilho ( que ao menos a meus olhos iluminou ) de Meia Noite em Paris.

Cartaz americano, que eu achei que ilustra melhor a história do filme

Bem, devemos começar por Paris. As cenas que aparecem da bela cidade são lindas, você suspira por cada canto charmoso que ela possui. Mesmo que não fique com vontade que ir – como estou – e, mesmo que seja um dos mais do contra e indiferente dos espectadores, há de admitir que a cidade tem um charme encantador. E, por isso e outros muitos motivos, que nosso protagonista, o roteirista e escritor iniciante, Gil, ama Paris. Ele está para se casar com uma mulher muito da chata ( que é a Rachel McAdams – mesmo ela me irritando, não deixei de gostar da personagem, pois adoro a atriz e seu trabalho) e que nada tem haver com ele. O casal passa as férias na cidade por conta do pai da jovem, que veio a negócios para lá. Mas os programas são todos escolhidos por Inez ( a noiva ) e seus amigos ( ainda mais irritantes e chatos – ou pedantes, adjetivo que o filme nos apresenta, do qual ri muito ), fazendo Gil ficar entediado, acabando por recusar algumas saídas.

Numa dessas recusas, ele vagueia pela cidade à meia noite. Quando para de andar, sentado em uma escada, aparece um carro antigo, onde pessoas o chamam para dentro. Daí, ele é transportado para a Paris dos anos 20, onde conhece figuras que idolatra, dentro da arte e da literatura, como Hernest Hemingway, Picasso, Dáli, Tom S. Eliot e muitos outros. Sugiro que procure um pouco sobre essas figuras antes de assistir ao filme, caso não as conheça. Parece-me mais interessante saber quem cada um foi quando eles aparecem na tela. Mas, se não o fizer, o filme continuará engraçado e belo mesmo assim.

Woody Allen, o diretor, brinca com esse misto de ilusão e realidade, nos mostrando como Gil fica alucinado com suas aventuras noturnas e de como, cada vez mais, aquilo se torna um escape para seus problemas do presente. Por falar nisso, fica bem exposta também a ideia de o passado ser mais atraente, não só por ser uma fuga, mas também algo que não conhecemos tão bem, e nos parece, por tanto, melhor.

É um filme agradável ao extremo, que nos mostra Paris por todos seus ângulos, além dos problemas de um relacionamento que não sabemos por que veio a existir, mas continua mesmo assim. Vale a pena conferir nos cinemas, caso tenha uma oportunidade.

Assim como Gil, todos tem uma época favorita, para a qual gostariam de viajar caso possível. Qual a sua ? Eu, se pudesse, viajaria para a Inglaterra Vitoriana, 1850.

Assista o trailer do filme abaixo:

Atualizado: OSCAR 2012

O filme está concorrendo a 3 categorias do Oscar desse ano ( nunca adivinharia isso quando fui assistir ao mesmo! ). Melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original. Não é uma boa aposta para as duas primeiras categorias, por conta dos fortes candidatos e do fato de este não ser um dos grandes trabalhos do diretor, que já levou estatuetas para casa com produções anteriores. Mas, de qualquer forma, apostaria nele para melhor roteiro original uma vez que seus candidatos não são tão fortes assim e ele levou o Globo de Ouro nessa categoria. Vamos aguardar e ver no que dá 😉

Esse post faz parte do especial de Indicados ao Oscar 2012. Blog das Resenhas e Vende-se Cadeiras.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

6 pensamentos sobre “Resenha: Meia Noite em Paris

  1. Acho que vale a pena ressaltar também que a atuação do Wilson está perfeita. Ele imita o Woody Allen com maestria! Até o tom de voz dele ficou igual ao Woody atuando.
    (Para quem não sabe, os protagonistas do Woody Allen são baseados… em si mesmo. XD)
    E o Wilson que é conhecido por papéis fracos, filmes ruins e desinteressantes, mostrou um verdadeiro talento no desempenho de seu melhor papel! (e melhor filme também)

    • Ah, sim, gostei muito dele no filme. Realmente, visto sua filmografia, não esperava tanto dele, mas se encaixou muitíssimamente bem no papel. Não sabia desse lance dos personagens principais serem inspirados no Woody não, bom saber rs 🙂

      Mare, fico muito feliz com seu comentário, obrigado, Qualquer dia faremos um especial do Woody Allen e te convidamos para algum texto com certeza =)

      Beijos,

      Victor

  2. Legal a cronica do filme, pelas imagens ele usou pinturas classicas de monet , toulose- loutrec e outros como referencia, a fotografia é extraordinaria.

    • Obrigado, fico feliz que tenha gostado =)

      Sim, todos esses 🙂 Ficou espetacular, pena que não trouxeram esse para o Brasil. Nosso cartaz é muito mais sem graça.

      Abraços,

      Victor

  3. Assisti o filme, ontem, sem muitas expectativas, no entanto a cada segundo em que as cenas se apresentavam que o enredo ia desenrolando, ficava mais e mais extasiada com tudo que a história que pareceria ser uma simples comédia romântica, se revelava a todos ali que só exclamavam de admiração!!!,(como não deveria me surpreender..tolice.. Wood Aller..é um espetáculo à parte, sou sua fã!).
    O filme merece ser visto outras vezes, muitas questões são colocadas desde que o melhor para cada um é hiper pessoal, que o momento presente é o melhor a ser vivênciado pois ele é o agora, que temos nos antepassados o apoi de seus conhecimentos e sabedorias dos quais podemos e devemos receber atavés do estudo, absorver seus esnsinamentos comotudo no filme é muito bom mesmo..as fotografias de Paris, quem a conhece não a esquece jamais.. estive por lá este mes passado , realmente foinmuito bom reviver os lugares…além de ter podido visitar Paris, através do filme, óbvio nos anos 20 e na BELLÉ ÉPOQUE….Amei o filme e vou repetir a dose…
    Não deixem de assistir!

  4. Concordo com tudo o que foi dito..faltou apenas mencionar a maravilhosa Marion Cotillard em mais uma suave e competente interpretacao..

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