Especial: Dia Dos Namorados – Scott Pilgrim Contra O Mundo.

“A definição pop do amor.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

 

Acreditava eu que Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças poderia ser o filme sobre o amor mais pop que passou por esta Terra. Estava enganado. Adaptado da BRILHANTE história em quadrinhos de Bryan Lee O’Malley, Scott Pilgrim Contra O Mundo consegue ser super divertido, cativante, inteligente, original, engraçado e muito bem dirigido pelo mestre do humor cinematográfico atual: Edgar Wright.

Falo sem medo de errar que Edgar Wright é o mestre do humor atual por conta de seus últimos dois filmes( e únicos, jé que, se contarmos com Scott Pilgrim, já teremos toda a sua cinematografia em mãos), Chumbo Grosso e Todo Mundo Quase Morto, ambos brilhantes por parodiarem os seus gêneros( policial e zumbi, respectivamente), sem cair na idiotice ridícula de paródias como a série Todo Mundo Em Pânico, Super-Herói – O Filme e Super-Heróis – A Liga da Injustiça, e garantir ótimas risadas durante toda a exibição. Sem contar os roteiros brilhantemente escritos, de uma maneira tão inteligente que necessita ser observado com atenção, mas estou aqui para criticar Scott Pilgrim Contra O Mundo, e não toda a filmografia de Edgar Wright, um dos meus diretores favoritos.

A princípio, Scott Pilgrim aparenta ser só mais uma comédia romântica com toques pop. Mas, algo que admiro muito no cinema, e que vem se tornado bem comum, do qual chamo de Evolução do Roteiro( do qual o filme vai evoluindo seu status à cada ato, à cada situação na tela), aparece de montão aqui. A primeira luta de Soctt Pilgrim com o primeiro ex-namorado maléfico nos dá uma noção do tamanho potencial do filme. A partir dali, tudo é um colírio pros olhos. Ou não.

Vamos logo eleger os pontos negativos do filme, já que são poucos e prefiro dar uma ênfase nos positivos, que são os que dominam esta obra cinematográfica.

Os únicos ponto negativos são, acreditem, as atuações de Michael Cera; o péssimo( ou praticamente nenhum!) desenvolvimento dos vilões Irmãos Katayanagi; e a falta de química entre o casal principal, Cera e Mary Elizabeth Winstead( que aliás, atua de uma maneira extremamente natural, revelando sua total dedicação à personagem Ramona Flowers, culpada de tudo o que acontece no filme.) Michael Cera consegue atuar tão bem quanto um pedaço de papel higiênico. A única coisa positiva na sua “dramatização”, se é que podemos falar assim, é a entonação de sua voz, que é muito bem feita. Agora, as suas expressões faciais… Deixam a desejar e muito. Os Irmãos Katayanagi, que de repente surgem na trama, são completamente antipáticos, sem nenhuma personalidade desenvolvida. Pior, porque para se desenvolver uma personalidade de um personagem, deve-se pelo menos mostrá-la em algum momento. O grande erro do roteiro em relação à esses vilões, os Irmãos Katayanagi, foi não mostrá-los como “ex-namorados maléficos”, diferentemente de todos os outros, que tiveram suas histórias e objetivos com a Liga muito bem esclarecidos. Mas, de repente, os Irmãos aparecem, lutam com Scott, perdem, é claro, e fica por isso mesmo. Agora, a química entre o casal principal. A escolha de Michael Cera mostra-se mais uma vez infeliz. Mary Elizabeth Winstead mostra, além de uma superioridade no conhecimento da arte de atuar, a sua competência com tal. Diferentemente de Cera, que sempre faz os mesmos personagens em todos os filmes, aparentando estar em piloto automático o tempo todo, Elizabeth Winstead demonstra como consegue variar as emoções, mesmo com uma personagem tão fria como é Ramona Flowers.

Agora, esquecendo os pontos negativos um pouquinho, vamos elogiar o filme, e preparem-se: pois, para isso, necessitarei de vários e longos parágrafos!

A trama, conduzida de uma maneira gradativa, não revela-se enfadonha em momento algum. O modo como a história de todos os personagens e suas personalidades são entrelaçadas, tornando-se uma dependente da outra para seguir em frente( vemos o caso de Scott, dependendo de Ramona o tempo inteiro, como seu refúgio para os problemas enfrentados durante as batalhas contra os “ex-namorados maléficos”), torna tudo mais inteligente, assim como em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”, minha última crítica aqui no blog. xD. O carisma, presente em todos os envolvidos, é visível quase sempre em tela. A presença de todos os atores em cena é realmente incrível, todos em determinados locais no cenário, em poses realmente interessantes.

Por falar em atores, esse é um dos grandes méritos do filme: o seu elenco é realmente impressionante. Dotado com nomes completamente desconhecidos, Scott Pilgrim Contra O Mundo consegue se tornar, além de uma linda obra romântica, um revelador de talentos. Kieran Culkin simplesmente fantástico como Wallace Wells. E esse é um dos poucos exemplos que posso dar, já que a lista é imensa!

Outro detalhe realmente brilhante de Scott Pilgrim Contra O Mundo é a sua edição: a melhor que já vi na minha vida. Sério, é impossível não dar gargalhadas com as cenas relacionadas ao “chapéu bobo” do Scott. Aliás, os elementos técnicos estão realmente perfeitos, indiscutíveis, como edição, trilha sonora( realmente sensacional!), fotografia, direção, enfim, tudo muito bem feito!

Mais um ponto positivo: Edgar Wright utiliza um recurso cinematográfico muito interessantee, que também pode ser observado nos filmes do metre Martin Scorsese: o fato de que, em segundo plano, outras histórias estão acontecendo. Em Taxi Driver, notamos isso na cena inicial, quando o protagonista vai pedir emprego em uma “agência de táxi”. Em Scott Pilgrim, na festa de Julie e no show do The Clash At Demonhead, onde percebemos, em ambos, como anda o namoro de Julie e Stephen Stills. Mesmo com tantos pontos positivos, ainda posso adicionar mais: as piadas gramaticais, presentes em toda a trama. “You know?” “Oh no!”, “Me and you” “You and me”, “What You Play?” “WoW, Zelda, Tetris.”, são apenas alguns exemplos.

Enfim, espero que tenham curtido mais uma crítica, até a próxima!

 

Nota: 9,5

Anúncios

Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

3 pensamentos sobre “Especial: Dia Dos Namorados – Scott Pilgrim Contra O Mundo.

  1. Adorei sua critica, fiquei curioso para ver o filme.Parece que é dos bons,a contar que não tem muitos pontos negativos e a nota foi 9,5, se minha net não fosse tão lenta eu baixaria ele!

  2. Fellipe,
    Explico melhor. Os pontos negativos foram somente 3, dos quais citei. Eu só dei uma ênfase maior neles, pois se não o fizesse a crítica ficaria muito pequena, somente sendo dito que “isto é bom”, ou “isto é ruim!”. Então, ficaria chato, né?

    Aliás, esqueci de mencionar, que os pontos positivos são tão grandes, excepcionais, que acabam ofuscando os negativos, mas enfim, a crítica já está feita. xD. :).

    Obrigado pelo comentário, espero que goste do filme tanto quanto eu gostei. Continue comentado aqui no Blog das Resenhas, ficaremos muito agradecidos, e se puder, divulgue para todo. xD.

    Abraços, Bruno. xD.

Escreva seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s