Especial – Dia Dos Namorados: Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

“Quem diria: Jim Carrey estrelando uma obra-prima sobre o amor.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida.

 

Ah, o amor. Que meche com a nossa cabeça e nos deixa assim. E nos traz tantos filmes ruins e clichês que chegam a ser impossível de se contar quantos existem. O termo “romance” vem sendo deturpado cinematograficamente de uma maneira tão estrondosa que já tinha me feito perder as esperanças de encontrar pelo menos um bom filme à respeito desse assunto. O por que de tudo nesse gênero ser ruim? Pois os roteiros sempre nos entregam aquilo que nós queremos: final feliz, todas as barreiras enfrentadas pelo casal sendo destruídas, ou ignoradas, um beijo final pra encerrar um filme, outros casais se formando a partir do romance do casal principal, e etc…

O que acontece com Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças? Todos os clichês são jogados ralo abaixo para darem lugar à uma trama envolvente, carismática até dizer chega e que utiliza de uma maneira tão convincente os recursos que o roteiro cinematográfico pode nos fornecer que chega a nos embasbacar. Sério, o filme é realmente impressionante, e planejo explicar para vocês o “porque”.

Jim Carrey, ator capaz de fazer até o mais rabugento ser humano da Terra dar umas gargalhadas boas com seus filmes, sempre nos trouxe representações marcantes, mas nenhum filme “show de bola” que pudesse levar uma nota “dez” e críticas muito positivas, à ponto de levar tal filme ao patamar de “obra-prima”. Quem diria que ele conseguiria tal feito um dia, né? Ao lado da já consagrada e renomada atriz Kate Winslet, que ficou muito conhecida por Titanic, é impossível alegar que o amor entre os personagens Joel e Clementine soa falso. Aliás, a atuação e o entrosamento de ambos os atores é tão bem elaborada/o e executada/o que nos faz acreditar que um dia ambos poderiam realmente ter um relacionamento.

Ok, exageros à parte, vamos ao que interessa: o filme, Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2004, grita para o mundo, sem nenhuma modéstia visível, que merece ser assistido e reassistido inúmeras vezes. Por que? O roteiro, brilhantemente escrito, com um enredo leve e divertido, nem muito lento nem muito rápido, mas com o tom necessário para levar a história adiante, é capaz de nos surpreender à cada minuto que se passa na tela. Sério! História, essa, super original: a trama toda se passa na cabeça do personagem de Jim Carrey, o Joel, já que este utiliza um método científico para apagar Clementine de sua memória. Se bem que tal recurso, nem um pouco realista, é o que dá à Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças a maior característica para que possamos chamá-lo de obra-prima: a inteligência. Já é fato de que quase todos os filmes que se passam no sub-consciente do protagonista resulta em um filme cativante e muito bem desenvolvido, e temos como exemplo o fenomenal Clube da Luta( meu filme favorito) e A Origem( de Christopher Nolan, que arrecadou 4 Oscars em 2011, com Leonardo Di Caprio e Sir. Michael Caine). Mas prosseguindo a crítica…

A inteligência do roteiro se baseia, é claro, em vários aspectos. Mas quero listar alguns destes aqui: os efeitos visuais. Tudo bem, é mais do que clichê alegar que um filme é bom só porque a qualidade gráfica de seus efeitos são excelentes: mas no caso de Brilho Eterno( olha a intimidade!), que utiliza os efeitos de maneira que auxilia no desenvolvimento da trama e de seus personagens( dos personagens nem tanto, mas enfim!), eu TENHO que analisá-los!!! O modo como a mente de Joel vai deixando de existir, e todas as suas memórias com Clementine sendo apagadas, vemos o potencial destruidor do filme. Os carros caindo do céu, as pessoas sem rostos, Joel em dois lugares ao mesmo tempo, imagens embassadas, etc. É realmente impressionante.

O desenvolvimento dos personagens? Magnífico, é realmente muito bem feito! A introdução à vida medíocre de Joel, e de seus conhecidos, chega a se tornar, mesmo de modo super discreto, perturbadora. Ainda mais com aquela atuação magnífica do Jim Carrey( que só voltou a atuar tão bem daquele jeito em Sim Senhor, mas que não chega a se igualar à este seu trabalho), que expressa muito bem os sentimentos sofridos por Joel. Sim, sofridos, já que o personagem é um dos que mais sofre nos últimos anos em filmes. A maneira como ele sofre é realmente de cair o queixo.

Outro ponto super curioso é a capacidade do roteiro de dar uma personalidade única, junto com a bela atuação de nomes marcantes como Mark Ruffalo, Kirsten Dunst( que, inesperadamente, atua bem aqui!), Elijah Wood( largando aquele idiotinha do Frodo Baggins em O Senhor Dos Anéis – A Trilogia) Kate Winslet, etc. Cada um com suas próprias características, com seus próprios conflitos internos e decisões à serem tomadas. É tudo muito bem colocado em seu devido lugar.

E o final do filme? Mais surpreendente e revelador não poderia ficar. Assim como Clube da Luta, vários aspectos do filme, durante o seu desenvolvimento, vão sendo jogados na nossa cara, mas não percebemos, até que chegamos ao final, temos a tal da surpresa, e TCHARAM! Tudo faz sentido! Talvez tenha sido mais fácil para mim assimilar tudo, pois já estou acostumado com esses filmes inteligentes. Quem sabe a grande maioria do público não consiga encaixar todos os pauzinhos à princípio, talvez necessitando mais uma olhadinha na obra, o que torna tudo mais divertido. “Ah, agora entendi!” “Hm, é mesmo!” ‘s aparecem de montão após o encerramento da segunda “sessão”.

Enfim, é isso, espero que tenham gostado de mais uma crítica, e até a próxima! Feliz Dia Dos Namorados, pessoal! xD!

 

Nota: 10,00

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Sobre Bruno Albuquerque

Crítico de cinema há 4 anos. Para os haters, o "metido a dono da razão".

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