Resenha: Tequila Vermelha

Sexta-feira é dia de… tequila.

Esse é aquele livro que pra fazer a resenha você arregaça as mangas, respira fundo e diz “Tudo bem, vamos lá”. Na verdade, eu não arregacei as mangas porque eu estou com frio, mas a ideia é essa. Tequila Vermelha é um pouco complicado, porque eu não gosto de dizer que um livro é chato quando outras pessoas podem gostar. Calma, não sai daí. Se você desistir antes de ler a resenha até o final pode perder uma boa oportunidade. É do tio Rick Riordan e eu já vou explicar como é, do negativo para o positivo.

Vou contar uma historinha primeiro. Antes de ficar famoso com a série Percy Jackson, Rick Riordan já havia publicado uma série de livros para adultos. Não procurei saber muita coisa, mas até onde eu sei cada livro é sobre um caso do “meio que” detetive Tres Navarre. Tire a imagem de cara velho da sua cabeça, Tres tem muito aquele estilo de garoto da faculdade aproveitando a vida (mesmo que já tenha passado um pouco dessa fase). E Tequila Vermelha é o primeiro livro da série.

Conheça Tres Navarre. Ávido bebedor de tequila, mestre de tai chi, detetive particular sem licença e com uma queda por problemas do tamanho do Texas.

Ele retorna para sua cidade natal dez anos após o assassinato de seu pai. Porém, o caminho para as respostas em San Antonio, Texas, é bem mais difícil do que se pensava. Encontros com a máfia, jogos políticos, corrupção e dramas familiares tentarão desviar Tres da verdade ou matá-lo, o que acontecer primeiro. 

*se eu fosse você, evitaria as abas do livro.

Pense só: você adora os livros de um autor. Olha o nome dele na capa de um outro, a sinopse parece divertida e a página que você abre é legal. Só para completar alguém chega e pergunta: quer? Adivinhe a resposta.

Já com o livro em casa, comecei a ler. E li. E continuei lendo. E ainda lia. Li mais um pouco. Li. Li outra vez. E… finalmente terminei. Levei, sem brincadeira, uns dois meses lendo. Em parte porque eu estava muito ocupada e, em parte, porque tinha coisa melhor pra fazer, tipo ler Platão…… Acho que se eu não tivesse decidido começar a ler só diálogo a) leria para sempre b) nunca mais leria nada. Largar não é lá uma opção.

Essa lentidão do livro é o maior problema. Acredito que isso aconteça porque tem descrição demais. Sério, é muita coisa, coisa inútil para história do livro (útil para quem quer conhecer o Texas ou aprender a descrever, quem sabe). O livro andou que é uma beleza quando eu desisti de conhecer até a última poeira do Texas.

Tá, tudo bem, não vamos só culpar a descrição. A questão é que o “caso” do Tres dessa vez, na verdade, são dois. Eles estão interligados, mas não no início. Você fica tipo: ele tava procurando isso aqui como se fosse o objetivo do livro, agora tá procurando aquilo lá. Se o seu sexto sentido não soubesse que um tinha conexão com o outro, você ficaria tipo “Tá, e daí? Esse livro é sobre o que? Pra que tudo isso?”. As coisas demoram um pouco a acontecer.

Calma, como é? Você adora ficar lendo sem saber direito o que é e adora descrições? Então prepare os fogos, porque o resto é realmente legal. Tres é um personagem interessante, tem uma personalidade forte e não cai muito na do mocinho comum. Tem duas garotas para formar um triângulo, que também tem lá suas personalidades próprias e com realce (não vou falar muito para evitar spoiler). Também tem vários outros, que eu vou deixar você descobrir sozinho.

Além dos personagens, tem outra coisa que, totalmente, faz o livro. O jeito de escrever do tio Rick. Sabe, é muito legal, puxando um pouco pro engraçado. Foi uma das coisas que eu adorei em Percy Jackson e está em Tequila Vermelha. Acho que a única diferença entre os dois é a revisão dos filhos do Rick, que não devem ter lido esse para dizer “ei, pai, isso aqui tá um saco, mas tem potencial”.

“Três horas depois eu deveria estar dormindo no futon com Robert Johnson (o gato dele) roncando no meu ouvido. Em vez disso, estava agachado no mato em frente a uma cerca de tela.

– Nenhum sinal de vida inteligente – eu disse para a vaca perto de mim.

Ela mugiu em aprovação.

(…)

Circulei o terreno e observei por quase 45 minutos até ter relativa certeza de que Timothy S. estava sozinho no prédio. Dali em diante seria fácil.

– Me dê cobertura – eu disse para a vaca.” (página 179)

Vaca, minha personagem preferida. Junto com o Robert Johnson. -n

Bem, talvez eu seja muito nova para um livro para adultos, se ser adulto significa aguentar descrições longas e ter mais paciência. Talvez eu não seja do Texas para entender todas as referências e gostar mais. Ou, talvez, eu não tenha bebido tequila antes de ler. Você pode tentar, depois diga o resultado.

ps: se alguém encontrar um Tres, diz que a minha casa está livre para práticas de tai chi e outras coisas. principalmente outras coisas.

Anúncios

2 pensamentos sobre “Resenha: Tequila Vermelha

  1. quase ia comparando esse livro, mais com tua resenha desiste completamente!!!
    quase morri de rir tb hehehehe
    vlw

  2. Relativo ao comentário acima, constato apenas uma coisa: tosco, bitcho. Quantos anos você tem, Ruth? 12? Desistir de comprar um livro por causa de uma resenha não é atitude das mais inteligentes.

Escreva seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s