O Único Final Feliz para uma história de amor é um acidente

Imagino que o título tenha lhe chamado um tantinho a atenção. Não se preocupe, é um tanto inevitável. Afinal, quantos livros que você já viu tem um título tão grande que mal cabem em uma linha ? Bem, não muitos. E não é só pelo título que eu classificaria o livro como…diferente. A narrativa dessa sugestiva história tem um ritmo bem diferente do que estou acostumado. O modo como o autor descreve as coisas e avança com a história é fantástico, ao mesmo tempo que vemos coisas estranhíssimas acontecendo, o que, na minha opinião, é um  dos motivos que mantém o livro fora dos padrões. J. P. Cuenca faz o livro se destacar por conta de sua narrativa cativante e surpreendente e seu enredo não menos surpreendedor, com algumas bizarrices que nos chocam de vez em quando.

Conheci João Paulo Cuenca pelo caderno jovem do jornal O Globo, Megazine. Ele era cronista da revista e sempre me encantava com que ele tinha para contar. O tempo passou e eu acabei parando de ler o jornal durante a semana, não tendo mais contato com a revista. Descobri recentemente que ele publicou dois ou três livros e parou com suas crônicas na Megazine. Foi aí que ganhei o mais novo livro dele de uma pessoa muita querida, ficando curioso com o título que mal cabia na capa e os toques de cultura japonesa na arte do livro. Trata-se de um fruto da viagem do autor para o Japão, mostrando muitas coisas de um país que nós não imaginamos o quão é diferente do nosso.

A história começa com Shunsuke, que acaba de terminar com sua excêntrica namorada e vive reclamando de seu pai controlador, o grande poeta japonês, Sr. Lagosta Okuda. Este último perdeu sua esposa e compra uma boneca de sexy shop perfeitamente feita para ele, com as cinzas de sua falecida mulher no material. Ele deseja sua família de volta e adora controlar a vida de várias pessoas, como a do seu filho. Possui uma agência de espionagem com a qual vigia a tudo e a todos.

Shunsuke se apaixona por Iulana, uma estrangeira que trabalha como garçonete. Ela tem uma personalidade forte e encara Shunsuke muito mal quando este tenta falar com ela pela primeira vez. Mas o rapaz, crente que foi amor a primeira vista, insiste, se encontrando com ela algumas vezes depois.

Em paralelo com o desenrolar do romance de Shunsuke e Iulana, temos a narração da boneca erótica do Sr. Okuda, Yoshiko. Ela é uma personagem cativante, com seu jeito ingênuo de quem acabou de vir ao mundo e mesmo assim, trata de assuntos como essência do ser, sexo, família e amor. Por ela podemos ver também as ações do Sr. Okuda, que mais tarde serão bastante importantes.

Shunsuke está completamente entregado à Iulana e, por sua vez, a jovem se entrega a uma dançarina que trabalha para o Sr. Okuda. O romance dos dois parece ir bem, porém, nosso protagonista nem desconfia dos desejos escondidos de sua amada, mesmo que essa ainda se importe com ele. As coisas começam a complicar quando vemos o dedo do Sr. Okuda envolvido nisso tudo. Ele começa a ter relações com Iulana, o que provoca um afastamento desta de Shunsuke e ciúmes da parte de Yoshiko, a boneca. Para mim, está é uma das melhores partes – além das outras que a boneca narra -, quando Yoshiko expressa o como se sente quando vê o Sr. Okuda se relacionando com Iulana. Ela fala de sentir vazia e inútil, ao mesmo tempo que demostra raiva, mostrando que o ser humano, por mais que sofra, sempre terá um impulso agressivo.

Por fim, temos um desfecho que nos faz refletir sobre o amor, principalmente sobre o título do livro, e qual o preço da felicidade em uma relação. Apesar da parte final, onde o Sr. Okuda aparece dominando a situação, que eu achei mal explicado e meio que descontruiu o que havia sido tão bem narrado até aquele ponto, o livro é extremamente bem escrito e tem partes muito boas. Por mais que apareçam coisas que nos façam o estranhar, a narrativa supera o enredo, mostrando que João Paulo Cuenca sabe como usar as palavras.

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

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