O Labirinto do Fauno

Crítica – Temos muitos fatores que separam um livro de um filme. Dentre eles, um livro, na maior parte das vezes, vai ser superior ao filme. São duas formas de entretenimento super diferentes, claro. Mas, mesmo assim, certos filmes, pouquíssimos que já assisti, apresentam metáforas, simbolismos e outros aspectos que nos fazem refletir. O Labirinto do Fauno é um filme que se encaixa nessa categoria. Contando um conto de fadas sombrio a fim de fugir da realidade dura que a Revolução Espanhola proporciona. A inocência consegue prevalecer, entretanto, só no mundo da fantasia. Ao acompanharmos Ofélia por sua nova vida, com seu padrasto maldito que a atormenta, sua mãe enferma que não a ajuda e fauno misterioso e um tanto desconfiável, ela deve lidar com duas realidades distintas e difíceis. Qual é a mais importante ? Terão ambas finais felizes ? Ofélia é uma menina destemida, pura, sofrida e inteligente, que mesmo dividida, aparenta sempre fazer o certo. Ela me cativou, entrando para a lista de minhas personagens favoritas – fazendo companhia à Morgana, de As Brumas de Avalon, à Raquel, de A Bolsa Amarela, à Carolina, de Retratos de Carolina e à Evy, de A Múmia. Com uma atmosfera sombria, triste e desperançosa, vemos que a esperança se esconde nos lugares onde, às vezes, não nos atrevemos a procurar.

ResenhaA mãe de Ofélia acabou de se separar e está esperando um filho do capitão, homem com o qual ela e a menina vão morar a partir de agora. Esse capitão é um cruel fascista espanhol que luta contra os comunistas guerrilheiros da região. Tanto a mãe, que está grávida e fica confinada em um quarto, quanto a filha, que é inocente e pequena demais para compreender, não conseguem ver isso. Mesmo assim, a esperta menininha vê a criada que conversou com ela no primeiro dia na nova casa, roubando coisas para os “fugitivos”.

Imersa no mundo da fantasia por meio de livros, a menina entre num labirinto antigo, no qual, em seu centro, encontra um fauno, uma criatura metade humano, metade árvore e metade bode que a revela várias coisas. Segundo ele, Ofélia é a reencarnação da princesa do submundo. Esta fugiu do país imerso em sombras para explorar a superfície, esquecendo de sua vida passada. Agora, que ela voltou, deve cumprir três tarefas para provar que não é completamente humana e, abrir novamente o portal para o submundo.

Enquanto isso, Mercedes, a criada, pede ajuda ao médico para curar os homens comunistas que estão escondidos. Fazer tudo isso por debaixo do nariz do capitão é tanto arriscado quanto desafiador.

Em sua primeira tarefa, Ofélia deve entrar em uma árvore que foi invadida por um sapo, e, desde então, não floresce mais. O sapo deve ingerir três pedras, que o matarão. Ela executa a tarefa com facilidade.

Esquecida do caso grave de sua mãe, ela tenta cumprir suas tarefas que devem ser todas feitas até a próxima lua cheia. A mãe da menina quase aborta o filho do capitão, estando muito mal. Irado, o fauno vai reclamar do prazo e da falta de responsabilidade para com as tarefas com Ofélia, dando a ela, por fim, uma planta que deve ser posta em um recipiente com leite fresco e alimentada com duas gotas de sangue por dia, ficando de baixo da cama da enferma.

Ela executa a segunda tarefa, a qual exige que, num determinado tempo, ela pegue uma adaga escondida em meio a um suntuoso banquete, protegido por uma criatura sem olhos. Ofélia come duas uvas e a criatura a persegue. Consegue escapar, mas descumpriu as ordens.

O capitão descobre a tal planta e fica com muita raiva. Mas, de alguma forma, no tempo que passou debaixo da cama, esta cura a mãe de Ofélia. Ela descobre a raiz e, pedindo para ficar à sós com a filha. Joga-a no fogo e fala que magia não existe. A planta estava ligada ao bebê, irmão de Ofélia. Quando no fogo, a mãe pare, mas não sobrevivendo.

Sozinha, castigada pelo padrasto e vigiada por guardas, ela recebe mais uma visita do fauno, que está furioso com ela por ter desrespeitado suas ordens. A menina está só, sofrendo, e não tem a quem recorrer. Por fim, a criatura lhe dá mais uma chance. Ofélia terá que ir contra tudo que acredita para conseguir seu lugar no submundo. É possível, com tanto mal, medo e crueldade, que a inocência consiga a tudo vencer ?

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

9 pensamentos sobre “O Labirinto do Fauno

  1. aaaah, você assistiu o filme! *-*
    Então, gostou mesmo?
    Nossa, eu assisti o filme há um tempãao atras, ler a resenha agora me fez lembrar de tudo!
    Me deu uma aflição quando a mãe dela jogou a planta no fogo DDDD:
    Adorei a resenha *-*

    leeh x

    • Sim, muito bom. Valeu a dica, mesmo. É, verdade, você fica só esperando dar algum porcaria kkk
      Obrigado, fico feliz que tenha gostado.
      Obrigado pelo comentário também 🙂

      Beijos,

      Victor

  2. Eu avisei que o filme era demais! rs
    O que mais gostei, além do excelente clima sombrio, foi a maneira como o contexto histórico foi encaixado na trama, dando um excelente contraponto à parte fantasiosa.

    • É mesmo rs No comeco eu acreditava que aquilo tudo era verdade, mas, à medida que vai passando e se aproximando do final, vemos que a realidade dura é mais sólida e só os sonhos da menina e sua imaginacao salvam-a da mesma.
      Obrigado pelo comentário !

      Abracos,
      Victor

  3. Um dos filmes mais belos deste século. A forma como a fantasia envolve todos na história é maravilhosa e a produção impecável. Mostra que histórias fantásticas ainda possuem lugar no cinema assim como nos livros.

    ótima resenha, só um detalhe: fauno é um ser metade humano metade bode. Nos mitos ele cultua Pã e protege a natureza e as árvores, mas não tem nenhuma parte bode.

    • Exatamente o que pensei, o filme é maravilhoso.

      Obrigado. Quanto a sua observacao, acho que você quis dizer árvore e nao pode, certo ? Bem, ele tem galhos e outras coisas que mostram a natureza “botânica” dele além de ter lido essa informacao em vários lugares. Mas, talvez esteja errado, é certo que metade humano e metade bode ele é 🙂

      Obrigado pelo comentário !

      Beijos,

      Victor

  4. É um lindo filme, mas a resenha meio que se tornou um “resumo” do filme. Não era exatamente isso o que eu procurava, mas bem!

  5. Gente, pelo amor de Deus, alguém me responde se tem o livro desse filme?? Procurei muito, mas não acho!! Tô torcendo pra que exista.. porque eu PRE-CI-SO, questão de vida ou morte! hahaha
    Assisti em 2006 e assisti novamente este ano, me emocionei ao triplo e estou mil vezes mais apaixonada pela história.

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