Resenha: O Filho do Hamas

O Filho do Hamas

Crítica – Ao longo de nosso currículo literário – onde encontraremos todos os livros que lemos – sempre existem aqueles livros que saem da regra. Sejam eles voltados para a física ou biologia, de auto-ajuda ou, como é o caso deste, relatos. Um relato não é uma ficção e, por contar a vida de uma pessoa, não apresenta metáforas ou qualquer artifício mais sofisticado de gramática, como a pontuação bem utilizada, abrangendo diversas interpretações. O que dá qualidade ao relato não é sua estrutura, por ser uma leitura fácil – meus olhos deslizavam pelo papel enquanto lia – , e sim a história que está sendo contada. Não é qualquer um que escreve uma biografia. A história apresentada deve conter algo novo, intrigante, algo a ser seguido, admirado. O livro O Filho do Hamas apresenta a emocionante história de Mosab, fazendo uma autópsia na velha disputa entre judeus e palestinos, colocando o leitor em uma profunda reflexão sobre honra, dignidade e amor ao próximo. A narrativa impressiona tanto a leigos quanto a mestres do assunto.

Resenha – Mosab Hassan Yousef é o filho mais velho do xeique ( líder religioso muçulmano ) Hassan Yousef, um dos fundadores do Hamas organização palestina que luta contra Israel ). Ele nasceu em Ramallahm Cisjordânia. Assim como seu pai admirava seu avó, Mosab seguia todos os passos de seu pai. Achava-o um homem justo, amoroso e determinado, desejando ser como ele.

Visando não permitir que palestinos cruzassem as fronteiras, israelenses oprimiam os mesmos, prendendo e perseguindo líderes religiosos que incentivavam organizações como o Hamas. Medo e ódio era o que se sentia pelas ruas da Cisjordânia e Gaza. Como forma de defesa, crianças e outros civis atiravam pedras nos soldados israelenses, dentre eles, Mosab. Os mais experientes e influentes planejavam ataques terroristas e outras manobras prejudiciais à Israel. Apesar de nunca completamente ligado a esses ataques, dentro desse último grupo temos o pai de Mosab.

Por ser um dos líderes que incentivavam o Hamas, o pai de Mosab foi preso diversas vezes, fazendo com que sua família ficasse sozinha e com dificuldades financeiras. Toda vez que ele retornara era uma festa, entretanto, não demorava muito para que voltasse para a prisão.

Com o terror que os israelenses “exalavam” nas ruas e por serem os mesmos os responsáveis pelas várias prisões de seu pai, Mosab cresceu odiando Israel e todos os judeus. Essa raiva torna-se tao grande que ele acaba por comprar armas, ás vésperas de terminar a escola e fazer 18 anos, com o intuito de se proteger dos israelenses.

Algo dá é errado e ele é descoberto. Os soldados israelenses o raptam, levando-o para prisão, onde ele é torturado. Depois de vários dias sob maus tratos, uma opção lhe é oferecida. Um interrogador com aparência simpática propõe que ele se torne um colaborador, uma pessoa influente no meio dos terroristas e revolucionários que, secretamente, passa todas as informações que conseguir para o Shin Bet, serviço de inteligência interno de Israel.

Mosab encontra-se em um impasse. Deve ele trair a tudo que conhece ? Seu país ? Seus familiares ? Sua religião ? Além do mais, como poderia ajudar seus inimigos mortais em troca da liberdade ?

Por fim, Mosab aceita colaborar com os israelenses. Ele entra num jogo perigoso, numa vida dupla onde fazer o certo nunca é completamente certo e um erro lhe tira a vida ou a de milhares de pessoas. Dentre várias das viagem que faz, Mosab descobre o cristianismo, Jesus e a bíblia. Dividido entre sua nação, sua honra, duas religiões e, não podendo levantar suspeitas sobre sua identidade secreta – se descoberto como colaborador, é morto -, Mosab começa a refletir sobre quem são seus verdadeiros inimigos, seu verdadeiro Deus e, principalmente, qual a verdadeira solução para o conflito entre palestinos e israelenses.

Um pouco mais sobre…

O objetivo de Mosab

Separei um trecho do livro que resume um objetivo de Mosab ao escrever esse livro.

“Ao contar minha história, a maior esperança que tenho é mostrar ao meu povo – os palestinos seguidores do Isla, que têm sido usados por regimes corruptos há centenas de anos – que a verdade pode libertá-los.

Também faço esse relato para permitir que o povo israelense saiba que há esperança. Se eu, o filho de um dos líderes de uma organização terrorista cujo objetivo é a extinção de Israel, pude chegar a um ponto no qual não apenas aprendi a amar o povo judeu como também arrisquei minha vida por  ele, é porque existe um sinal de esperança.”Página 272, Postscriptum

O Conflito

A briga sangrenta entre israelenses e palestinos não é coisa nova. Esse conflito tem suas origem no século XIX, quando os judeus começam a migrar para a Palestina. Os dois povos brigaram pelo território. Apesar de os judeus já terem morado por lá e, depois, se espalhado pelo mundo, os palestinos se apoderaram da região sem disputas, admitindo-o como sua terra. Quando os judeus retornam à sua terra, tentando fazer dessa um lar para seu povo, fica difícil decidir quem tem razão, pois, eles estavam lá, mas deixaram a terra. Na visão dos dois povos, o conflito tem todo sentido, por isso continua. Os judeus acham que a terra deve os pertencer e ponto e, os palestinos acreditam que fizeram da terra sua, não querendo influência de Israel. O ódio entre os dois povos se tornou tão grande que, o simples gosto por continuar a guerra – após diversas propostas generosas que foram feitas – , como o próprio Mosab descreve, é o que importa. Há discussões sobre onde isso tudo vai acabar, mas , não existe dúvidas sobre a solução – como o próprio Mosab narra no trecho que selecionei acima – : os dois povos devem se olhar na0 como diferentes, mas sim como seres humanos que compartilham a mesma terra. Veja, abaixo, um mapa da região :

Mapa Orinete Médio

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

3 pensamentos sobre “Resenha: O Filho do Hamas

  1. Meu nome é Juliano. Gosto muito do tema exposto acima e te digo uma coisa: palestinos e judeus são povos irmãos, descendem de uma mesma pessoa Abraão.
    Eu ainda não entendi o porquê de tanto ódio e desavença entre esses dois povos.
    Outra coisa, não é só o povo palestino que comete terrorismo não. O povo judeu também o comete. Agora por Israel ser uma nação rica e apoiada pelos EUA, a imagem que nos é passada é que Israel é sempre vítima.

    Parabéns pelo seu blog. É importante que pessoas com tão pouca idade como vc estejam preocupadas com a geopolítica de outros países.

    • Olá, Juliano !

      Sempre digo que gosto muito dos feedbacks de pessoas interessadas ou sabidas dos temas apresentados. Agradeco seu comentário.
      Realmente, os judeus tem tanta culpa quanto os palestinos, entretanto, o livro apresenta uma visao de alguém por dentro da organizacao de Hamas, mostrando, principalmente, os atentados terroristas dos palestinos.
      Realmente espero, assim como Mosab, que esse conflito tenha um fim; que ambos povos se olhem, como você comentou, como irmaos e nao inimigos.
      Obrigado !
      Abracos,
      Victor

  2. Fantástico o livro, achei ótimo…
    Indico para todos, estava estudando o assunto do conflito entre judeus e palestinos, e o livro me fez “abrir a cabeça”
    daria um ótimo roteiro para um filme!

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