Entrevista com Allan Pitz

Consegui uma entrevista com o escritor Allan Pitz, autor do livro A Morte do Cozinheiro. Perguntei coisas relacionadas a seu romance e outros assuntos referentes ao mundo editorial, desde e-books à literatura nacional emergente. A entrevista ficou muito boa. Espero que gostem !

Um pouco sobre…

Foto do autor em 2008

Allan Pitz é escritor e diretor teatral carioca publicado em diversas Antologias e círculos literários. Um famoso PhD em Patavinas! Antes de 2008, trabalhava como ator comediante e diretor teatral, que arriscava alguns roteiros. Ganhou diversos prêmios e publicou seus contos e poemas em diversas antologias.

Quando começou a escrever ?

Comecei mesmo há uns oito anos atrás, com textos de comédia para o teatro.

Tem algum projeto que desistiu ou até hoje está inacabado?

Caramba… Tenho um baú de abandonos… Um baú de madeira, cheio de papéis e sonhos velhos. Serviu para treino. Não deve ter valor…

Além do romance “A Morte do Cozinheiro”, você tem outro(s) romances que estão acabados e gostaria de publicar?

O próximo livro é o Estação Jugular, e logo depois um livro de contos (Confetes no Funeral) que reúne os meus textos premiados (2008/2009) e alguns inéditos.

Em “A Morte do Cozinheiro”, o fato que persegue Luiz é a chamada “dor de cotovelo” e sua paixão obsessiva por Carmem. Esses sentimentos o aproximam do ódio pelo cozinheiro, tornando-o um homem sádico e sedento por vingança, justificado pela chamada da voz. Acha que o amor não correspondido pode alimentar tais sentimentos obscuros no ser humano?

Pode. Depende, é claro, da pessoa, da saúde mental dessa pessoa… O noticiário policial é a maior prova de que os chamados crimes passionais são freqüentes, algo bem comum… O que não falta em histórias de presídio é: Fiz por amor.

Todos os personagens têm um lado obscuro e, sentimentos, impulsos malignos. Luiz mata o cozinheiro por Carmem. Esta o larga e se junta ao cozinheiro, sem olhar para trás. O cozinheiro trai Carmem ao seguir Bia. E a última concorda em ajudar Luiz nesse macabro plano. Você queria, de alguma forma, falar do lado sombrio e maldoso que existe em todos nós ?

É verdade. Apontei muito nessa trama para a perspectiva da falta de valores, aquele bordão de que a sociedade avança tecnologicamente, mas os homens são os mesmos de sempre. Em parte eu descrevi um ser humano sem noção de limites e valores reais.

O fato de ser um cozinheiro com quem Carmem se une e este mesmo profissional que Luiz mata é proposital ou foi escolhido aleatoriamente. Caso seja proposital, por quê?

O Cozinheiro foi um peixe nessa história toda, poderia ter sido um petroleiro, um alfaiate, um pedreiro, um engenheiro, Luiz acharia defeitos e motivos para matar. Já estava perdido em si, mergulhado no seu ego profundo.

Saindo um pouco do livro “A Morte do Cozinheiro”, diga quais são seus favoritos. Cite um livro, um escritor, uma série de TV e um filme que goste muito.

Recomendo todos os livros de Carlos Drummond, Nelson Rodrigues, Dalton Trevisan, Machado de Assis e Plinio Marcos.  Um filme que eu gostei bastante foi “Cães de Aluguel”. E atualmente não gosto muito de nenhum seriado de TV; vejo os desenhos do Seth MacFarlane, na FX.

Como já sabe, a literatura nacional está ganhando um significativo espaço no mercado editorial. Estamos avançando lentamente, porém, avançando, fazendo esta ser reconhecida e tão famosa e aclamada quanto a internacional. Quais são suas expectativas e previsões quanto a este fato?

Estou com o meu pé atrás… Passei por coisas estranhas nos últimos meses que me fizeram refletir muito sobre o mercado.  Tem gente demais segurando as asas livres dos autores brasileiros (sem grana), é estranho, triste, e muito perigoso… Torço pelo bem. Mas com o pé atrás. Nada é realmente como parece, existem muitas máscaras e camuflagens. Sigo na torcida.

Admira um ou mais autores brasileiros? Caso sim, quais e por quê?

Atualmente admiro todos os jovens autores brasileiros que aparecem; apenas pela coragem de estarem fazendo essa LOUCURA junto comigo! São guerreiros!

Vi que o seu livro “A Morte do Cozinheiro” está disponível para e-book no site da Above Publicações. O que pensa sobre essa nova geração de livros? Acha que poderá, algum dia, substituir os de papel?

Jamais. O encanto que o livro exerce em escritores e leitores é infinito. Umas duas gerações mais para frente? Pode até ser que o e-book rivalize em pé de igualdade, mas o livro sempre terá o seu espaço cativo. Gosto do cheiro de um livro novinho de papel, folhear com calma, apreciar a capa. No entanto é inegável que o e-book pode ajudar um autor, e muito.

Li que escreve um pouco de tudo, poemas, esquetes, contos, romances e por aí vai. Tem algum gênero ou estilo literário preferido?

Tenho facilidade com poemas e contos. Apesar de ter começado com os textos teatrais, acho que no teatro só escrevi porcaria.  Nos próximos anos minha intenção é lançar mais romances e histórias de ficção.

De todos os livros, contos, micro textos, poemas… De tudo que já publicou, tem algum trabalho que sinta um extremo orgulho e classifique como preferido?

Todos são meus preferidos enquanto eu estou escrevendo. Depois gosto deles por igual. Se bem que o Eterno é um poema que me dá orgulho.

Deixo aqui um espaço para você enviar uma mensagem para os leitores do blog.

Quero agradecer aos leitores; aos blogueiros culturais, aos incentivadores, e pedir para que continuem divulgando os livros nacionais. Nós podemos fazer essa mudança de pensamento. Se você tem um livro de um escritor brasileiro desconhecido empreste para que outros também leiam, faça debates, cadastre no Skoob, indique, cobre sua presença nas prateleiras de sua cidade. O mercado continua o mesmo, são vocês que estão revolucionando o panorama nacional!

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Sobre Victor

Gosto de cheiro de livros novos e de biblioteca com livros velhos, de livros ( dessa vez das letras mesmo ), de chocolate, de escrever, de ficar no computador, de dias frios com céu bonito, de ir ao cinema, passear no shopping com os amigos e de viajar. Ensino inglês e um dia ainda quero publicar alguma coisa. Bolsa Amarela, Harry Potter e a pedra filosofal , Entrevista com o vampiro e Crônicas de uma namorada são meus livros favoritos. Perdi a conta de quantas vezes vi "A Múmia". Quanto às séries que gosto, sempre mudo. Elas têm suas temporadas e eu tenho as minhas.

Um pensamento sobre “Entrevista com Allan Pitz

  1. Ola adorei sua entrevista foi bom conhecer vc um pouco melhor
    que bom que passou de um simples telefonema agora sei um pouco da sua historia
    parabens pelo sucesso
    bjks: Renata da winners

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