O “everyday is like sunday”, a rotina e suas quebras

Nessa proximidade e ainda assim distância das férias, tenho voltado com o meu vício de The Smiths. É um tal de when in his charming car rua acima, um because if it’s not love; then it’s the bomb, the bomb, the bomb…. rua abaixo. E buscando novas músicas – porque me atenho quase sempre as que conheço – me deparo com uma que gostava muito, apesar de não lembrar da versão do Morrissey. Everyday is like Sunday já foi toque do meu celular e lema do mês. Já ilustrou muita coisa e, se tivesse escutado com mais frequência, seria o jargão da minha vida – e da sua também, quem sabe. Quem nunca teve aquelas férias cansativas, as quais você reza para acabarem? Aquele esquema monótono de recesso ( seja greve ou feriadão ) que você já fez tudo o que podia fazer – ou nem tentou – mas o tempo livre já deu o que tinha que dar? É quando o seu everyday está like sunday. Quando bate a saudade daquela rotina do almoço de dez minutos e escala de ônibus pra chegar e voltar do trabalho. Quando você precisa de mais o que fazer, está implorando pelas olheiras, pés cansados e mochilas e pastas de montão pra carregar por aí. É bom sentir o gostinho daquele esperar pelo momento que você tem que pedir de joelhos ao seu dia a dia por uma brecha. Uma quebra na sua ininterrupta rotina para beber com os amigos, ir à praia ou mesmo olhar para o teto com aquele tanto de branco pintado na mente.

Domingos são a máxima dos dias vazios. Dá pra levar um desses com bom humor quando a gente tem de encará-los uma vez por semana. Mas fazer dos domingos a sua semana é que complica tudo. Todos precisam de desafios, de novidades, de emoção. É necessário o coração batendo mais forte, seja de medo, excitação ou nervoso pelo ônibus que passou sem você dentro dele. Atrasos, prazos, limites, tudo parece um inferno, mas, na verdade, eles são nossos desafios, nossas barreiras, fracassos ou conquistas. O tempo livre nunca é tão bem aproveitado quanto após uma semana de trabalho duro ou estudo incessante. A vida precisa de temperos. E a maior parte deles deriva da rotina e suas consequências. Carpe diem!

E agora, ouçam o Morrissey:

Victor