Sobremesas solitárias

A fome era avassaladora, quase rasgando o estomâgo. O almoço fora uma porção pequena e, já no final da tarde, a barriga implorava por algo mais. O corpo queria um relaxamento. Um sabor. Que chegasse ao fim aquele bate pernas constante para todo o lado. E foi assim que entrei na lanchonete. Vazia. Limpa. Com poucas pessoas com cara de muita fome. Com grande mordidas em sanduíches que pensavam que durariam mais. E os atendentes no tédio do movimento fraco já prontos a atender um dos afortunados que os honrava com sua presença. Não escapei do tradicional. Pão de sempre. Carne de sempre. Complementos de sempre. Molhos de sempre. Preço elevado e um gosto de algo que não provava há algum tempo, mas jurava que era mais apetitoso. Já foi o tempo: barato e bem gostoso.

Todos sentados na vertical e eu na horizontal. Também assistia ao filme inédito pela vigésima vez. Gostava daquele, mas minha atenção não o pertencia. As paredes brancas, as gravuras suculentas, os trabalhadores famintos e os lentos empregados pediam meus olhares. Alguns trechos e diálogos eu acompanhava na TV, mas tudo que me interessava estava bem na minha mesa e ao meu redor. Observava. Foi quando você chegou. Deu uma parada na porta e eu olhei bem pra você, talvez até mais do que deveria. Não sei se devolveu o olhar quando passou pela minha mesa. Não vi. Não percebi. Mas tenho quase certeza que senti você me olhando. E não são elas, as sensações, que importam, na verdade? Meu sanduíche estava no final enquanto o seu começava a ser produzido. Não podia ficar só olhando o redor. Mordi o pão em bocadas mínimas, tentando aproveitar a massa sem muito gosto com restos de molho. Você está pagando. Sou ágil. Mas nem tanto. Quando peço a sobremesa e espero topar com você, seu pedido já está pago, pronto e, sem mais motivos para demorar ali, vai para uma mesa. Eu não queria um doce, sabe? Comprei só por você. Era uma chance para você. Podia ter me dado um sinal, falado comigo. Me feriu. Decidi comer no caminho.

A última olhada pela lanchonete foi acompanhada pelo meu colocar dos óculos escuros, ajeitando-os no rosto bem calmamente. Me sinto bonito com esses óculos, entende? Quem sabe alguém não percebia isso também…Olhei para você já na porta, mas seus olhos estavam na televisão. Também foi assim quando eu entrei, bem disse. Depois começa a olhar o redor e quem sabe não sentirá falta de poder estar falando comigo, naquela lanchonete vazia, sem gosto e cheia de fome. Podia ser mais agradável. Mais calmo. Melhor, vamos combinar. Ando pelas ruas somente lamentando e tentando olhar em frente. Talvez não fosse pra ser. Eu esperava realmente que não fosse pra ser. Pois o passado não retorna e não se entra da mesma forma no mesmo rio. E cada vez mais desisto de pedir sobremesas que nem quero.

Victor

Promoção “Os deuses gregos vão bagunçar minha casa!” – Concorra a 2 exemplares do livro “Os Infinitos”

[ATENÇÃO: A PROMOÇÃO TEVE SEU TEMPO ESTENDIDO]

O Blog das Resenhas e a Editora Nova Fronteira trazem a vocês uma promoção super bacana. Os participantes irão concorrer a 2 exemplares do livro Os Infinitos, podendo escolher sua forma preferida ( Concurso cultural ou Sorteio ) ou ainda participar por ambos os modelos. Mas, antes de apresentarmos as regras, vamos conhecer um pouco mais sobre esse livro que vocês podem ganhar.

Num preguiçoso dia de verão, o velho Adam Godley, um renomado matemático, está no seu leito de morte cercado por sua família. O filho Adam, que luta para manter seu casamento com uma bela atriz, a esquisita filha Petra de dezenove anos de idade temerosa pelo inevitável, a esposa Ursula, cujas relações com os filhos é considerada no mínimo tensa e finalmente o jovem namorado de Petra, certamente mais interessado no pai do que na filha durante a visita inoportuna.

No entanto a família Godley não está sozinha em sua vigília. Em torno deles pairam deuses maliciosos e irônicos, entre eles, Zeus, que está de olho na jovem nora de Adam Pan, que tomou a forma de um velho e indesejável conhecido, e o genial e onisciente narrador Hermes, que bem define o grupo ao afirmar “também podemos ser mesquinhos e vingativos, exatamente como vocês, quando somos levados a isso”.

Enquanto o velho Adam deixa para trás seus dias no plano terreno, esses seres sobrenaturais começam a causar confusão com consequencias por vezes inesperadas.

Os infinitos traz uma narrativa criativa e lúdica, rica e ao mesmo tempo sutil que apresenta um olhar sarcástico sobre o ser humano. Um incrível romance de um dos mais expressivos autores da atualidade.

Sorteio

Para concorrer a 1 exemplar do livro Os infinitos, você deve:

1) Seguir a editora no twitter ( @ednovafronteira)

2) Seguir o blog no twitter ( @blogdasresenhas )

3) Curtir a página da editora no facebook

4) Curtir a página do blog no facebook

5) Comentar no post indicando que está participando da promoção com seu nome completo, usuário de twitter e facebook

O sorteio será realizado no dia 07 de Julho e publicado no blog junto com o resultado do concurso cultural. Os comentários serão todos publicados aleatoriamente numa lista – a ser divulgada em nossas redes antes do sorteio e nos resultados, após o sorteio – e a partir dessa listagem faremos o sorteio pelo Random.org. Os ganhadores serão contactados pelas redes que indicarem pelos comentários. Perfis de promoção serão desclassificados. Esta promoção só permite participantes com endereço de entrega no Brasil.

Concurso Cultural

Conte-nos como os deuses do olimpo vão virar seu lar de cabeça para baixo e concorra ao livro Os Infinitos, de John Banville.

Todos conhecem os grandes deuses do Olimpo, não é mesmo? Dotados de diversas habilidades e com variadas personalidades, só um fator não escapa a essas figuras: o caráter humano. Apesar de serem poderosas entidades, eles sentem ciúmes, inveja, raiva, tristeza, alegria e compaixão exatamente como nós. As consequências que podem ser um pouco catastróficas: Você se acha cruel puxando os cabelos da amante de seu marido? Hera as transformava em animais por toda a eternidade.

Invente sua história e escreva um pequeno texto em formato de conto ou crônica sobre como os deuses gregos fizeram zona na sua casa. Fale das pessoas com as quais eles se envolveram, parentes com os quais eles brigaram, amigos que eles fizeram etc. Agora eles estão no seu meio familiar com direito a alguns acessos daquelas pragas e maldições que eles sabem muito bem rogar. Traga parentes distantes que você considera interessantes, uma tempestade que prendeu todos em casa, um amigo que ficaria bem legal no meio da bagunça, você é o autor, faça o que for preciso para tornar tudo bem divertido.

Para participar, você deve seguir a editora Nova Fronteira (@ednovafronteira) e o Blog das Resenhas ( @blogdasresenhas) no Twitter e curtir as páginas de ambos no facebook ( https://www.facebook.com/EditoraNovaFronteirahttps://www.facebook.com/blogdasresenhas ). O envio do conto/crônica deve ser feito através do email blogdasresenhas@gmail.com com o assunto Concurso Cultural “Os deuses gregos vão bagunçar minha casa!”. O corpo do email deve conter seu nome completo, usuário de twitter e usuário de facebook ( pelos quais você deve estar seguindo e curtindo a editora e o blog ). O texto deve estar anexado ao email em formato doc. . Seu conto/crônica deve ter no máximo duas páginas – não há um mínimo, fica a seu critério e ao quanto você conseguir criar.

Os textos poderão ser enviados até o dia 2 de Julho e o resultado será divulgado no dia 7 de Julho. O conto/crônica vencedor será publicado no blog com os devidos créditos ao ganhador, que será contactado a fim de receber um exemplar do livro “Os Infinitos”, de John Banville. Caso outros contos/crônicas chamem a atenção, eles serão premiados com marcadores e livretos, podendo aparecer no blog por uma edição do Oficina Literária, com devida permissão dos autores.

Sorteio extra!

E essa é a parte que todos ganham! Se alcançarmos 110 participantes em qualquer dos modelos de promoção, sortearei entre todos os inscritos, incluindo os ganhadores, 1 exemplar de Te amo, Te Odeio, Sinto tua Falta! O livro é usado, mas está em perfeito estado. Confira as fotos ( foto 1, foto 2 e foto 3). Por tanto, não deixe de divulgar a promoção no twitter, facebook e contar para seus amigos. Caso esse número de participantes seja alcançado, o sorteio do livro extra será feito um dia após o resultado da promoção.

Chuva quadriculada

Está chovendo. Hoje eu me surpreendi com isso. Eu estava no meio de uma corrida (sim, eu sempre corro, um passo a frente do seu descompasso), e parei de repente. Olhei com atenção para o que vinha logo ali, bem sob a chuva fina que entupia meus ouvidos surdos. Inicialmente achei que estava imaginando, mas logo notei que era real. Porque minha memória não podia ser tão rica em detalhes – eu sempre havia sido a que esquecia as coisas. Mas talvez o esquecimento não se adequasse a você. Essa seria uma explicação plausível. Não importava; no final, era você. O real.

Todos os seus três parágrafos, seu jeito reconhecível de escrever, seu erros marcados, seu andar engraçado, sua risada inquietante. Não que você estivesse rindo, mas parecia a ponto de fazê-lo. Você tinha um reflexo permanente no olho esquerdo. Era uma surpresa às vezes, como agora no meio da chuva forte. Seu guarda-chuva era quadriculado, como tudo que o encobria, e claramente poderia proteger a nós dois, mas preferi o meu. Porque o meu também era quadriculado, e combinava de uma forma singular, ainda mais porque era discretamente menor.

Meu bem, o que está fazendo aí parada? Está chovendo, você disse. E eu respondi bem devagar, depois de pensar a respeito: Estava correndo. Porque você sabe que sempre pareço estar correndo de algo. Nos sonhos, nos pesadelos, na minha imaginação que não desaparece quando estou acordada. Não importa realmente. O fato é que talvez eu seja louca por pensar em dias chuvosos. Em chuvas que atravessam nossos quadriculados. É só minha forma de imaginar uma estrada, a estrada onde você me puxa e grita que eu deveria voltar.

Porque está chovendo, e seu guarda-chuva pode proteger a nós dois.

Igraínne

Pôr-do-sol, eu e você

E o calor já não está intenso. O sol, já não tão no alto, ainda brilha. Porém, seus raios que me mantiveram quente durante o dia já brincam confortavelmente em minha pele. A brisa que sopra em conjunto com a temperatura do astro permitem-me dizer que, em comparação com outros momentos do dia, o clima está agradável. Estou de férias e está fresco. Mas não fico completamente feliz. Garanto que isso basta para deixar um sorriso no rosto da metade das pessoas que conheço. É sol, temos tempo livre, o que mais você quer? E eu digo: ela. Está tudo muito tranquilo e gostoso, perfeito, diria, se não faltasse o que mais me falta: ela. Mas me parece que, nesse momento, os planetas se alinharam. Está fresco, tenho bastante tempo, e vejo a figura que tanto me alegra subindo a rua, bem como aguardava que ela o fizesse. Não basta esperar ansiosamente para que meu coração esquente como o verão atormenta a todos ou o sorriso invada minha face como se estivesse em êxtase. Seja lá qual for a situação, há de ter sua presença. Há de ter ela ao meu lado.

Beijo seus lábios com amor e pego sua mão. Vem, tem algo que quero te mostrar. Nesse período de dias longos e noites curtas, as sombras amarelas e alaranjadas preenchem a escadaria cinza por qual subimos. É um lugar feio de se subir, mas o momento o deixa lindo com tantas cores, luz e a pessoa que é só eu olhar para trás a fim de tudo florescer no mundo. Deixamos escapar alguns risos enquanto corremos apressados pelas escadas íngremes iluminadas pelo já escasso sol.

Então chegamos ao ponto onde pretendia levá-la. Um ponto do bairro onde podemos ver quase tudo abaixo de nós. A linha de horizonte se estende com as mesmas cores da escada a enfeitando. É lindo. Nos sentamos na grama, abraçados, com sua cabeça em meu ombro. O sol está indo embora e logo a noite virá. O período mais adorado do verão, o de sol intenso, termina em instantes e nós o aguardamos ansiosos, felizes, juntos. Eu a aperto ainda mais para junto de mim quando a luz  está por um fio. E é perfeito. Nosso momento. A luz está cada vez mais diminuta e ainda estamos lá. Permaneceremos por ali quando a escuridão, ainda com aquela temperatura de verão, vier cobrir tudo ao redor. E, por fim, desceremos as escadas de mãos dadas, após ter visto algo perfeito que agora não tem palavras para o descreverem. Pois foi um lindo pôr-do-sol. Mas teve algo de especial que não se narra, se descreve ou até mesmo explica. Se sente, intensamente. E os corações batem felizes a cada passo durante nosso retorno.

Victor