Resenha: Jovens Adultos

Todos sabemos que crescer pode ser, realmente, bem complicado. Quantos amigos de escola não permanecem naquele mesmo esquema de ensino médio mesmo algum tempo após a formatura ou a entrada a faculdade? Alcançar a maturidade não é para todos, só a idade que ninguém consegue escapar.

Cartaz americano do filme que ilustra de outra forma a protagonista versão matinal

É exatamente sobre isso que fala Jovens Adultos, roteirizado por Diabo Cody ( que escreveu o excelente Juno ), um drama com leves toques de comédia sobre uma mulher de quase quarenta anos que se prende à glória de seu passado escolar. Esta é Mavis, uma escritora fantasma muito bonita e talentosa que está passando por essa crise “adolescente”. Solteira e solitária, ela se vê com o último romance de sua saga para jovens adultos ( adorei a abordagem do gênero literário YA – Young Adults, ou Jovens Adultos – , na história ) em produção, lembrando-se dos seus tempos de escola e, principalmente, da sua paixão da adolescência: Buddy. Determinada, ela viaja até sua cidade natal, onde reecontra várias pessoas que estudavam com ela e consegue rever o tão desejado ex-namorado. Acontece que agora ele está casado e com uma filha bebê, ou seja, nem um pouco disponível. Contudo, passional, atrevida e iludida como uma garota de 15 anos, Mavis investe em seus flertes com Buddy, não ligando para a opinião alheia ou para o casamento dele.

Mavis com cara de poucos amigos ao ver que as coisas não vão tão bem assim…

À medida que vemos suas tentativas em se reaproximar de Buddy, também conhecemos um pouco mais de sua rotina e de suas manias. Um fato interessante e bem expressivo é que ela sempre acorda tarde, arrasada, com cabelos desarrumados e um rosto bem abatido, saindo por aí muitas vezes com pijama e um casaco por cima. Enquanto à noite, ou pelo menos no final da tarde, ela está rigorosamente arrumada e chique. Passa bastante maquiagem e toma muito cuidado com seu cabelo, fazendo diversos efeitos ou colocando um aplique. A história que ela está escrevendo, a qual muitas vezes escutamos alguns trechos, reflete muito sua própria vida e estado de espírito. Para o final isso se torna ainda mais evidente. A direção é muito bem feita. O filme é conduzido basicamente pelo ponto de vista de Mavis, colocando bastante o destaque na personagem e na atriz, desafio bem aceito e conduzido por Charlize Theron. Ela é o destaque do filme. Creio por esse enfoque na Mavis e sua visão de mundo – que foram belamente trabalhados pela atriz, como já bem disse – os outros atores não ganharam um brilho ou reconhecimento muito grande, apesar de nenhum personagem ser deixado de lado por completo ou muito pouco desenvolvido. Sempre os revemos em outras cenas, principalmente no desfecho da história.

Pois é, infelizmente o visual do cartaz americano não era promocional. Ela realmente anda por aí assim de manhã…

Em alguns momentos o filme pode parecer um pouco lento, com o propósito de retratar a solidão e o tédio de Mavis. O bacana do longa é refletir sobre essas pessoas que são como a protagonista, vazias, perdidas, lembrando de seus tempos de adolescente onde tudo era mais fácil e glorioso. Buscar atenção no colégio sempre é bem mais fácil do que conseguir um lugar ao palco na vida adulta. O humor variável e egoísta também é um aspecto interessante e bem característico desses jovens adultos. Charlize bem nos mostra como certas vezes essas pessoas podem estar por demais iludidas ( ou até mesmo com tudo na mão ) e, por isso, com uma postura mais confiante e sexy, como já estivessem de jogo ganho, e, outras vezes, quando a situação foge do controle ou não está bem como desejam, ficam perdidos, entediados e até mesmo agressivos ou mal educados.

Foto da ótima cena na qual Mavis é praticamente menosprezada pelo vendedor de uma livraria que vende “sua” saga.

Jovens Adultos vale seu tempo, se, claro, a proposta te agradar. É um filme bem interessante que faz refletir sobre o que fazemos com nossas vidas e o que realmente queremos fazer. Sobre nossos objetivos e os motivos pelos quais queremos os alcançar. A vida adulta é muito complicada, ainda mais se não estivermos prontos para ela.

Resenha: Branca de Neve e o Caçador

A segunda e última adaptação do conto da Branca de Neve de 2012 chega às telonas. Diferente do divertido Espelho, Espelho Meuesse longa traz uma versão mais sombria para a história da princesa. Com sua atmosfera dark e fantasiosa, um elenco admirável, cenários, figurinos e efeitos especiais belíssimos, a super produção tinha tudo para ser épica. Porém, permaneceu só no “legal”. Vale seu ingresso. Mas podia valer uma dúzia deles – e com certeza custou ao estúdio tanto quanto.

A mais bela, como também a mais cruel e mortal…

A história vocês já devem conhecer bem. A princesa, perseguida pela rainha ( que nesta versão deseja seu coração para alcançar a imortalidade! ), é encurralada pelo caçador mercenário, o qual cai pelos encantos da bela jovem. Esta é a única do reino que poderá, além de matar a rainha má, subir ao trono para instalar a paz novamente. Fugindo dos exércitos de sua madrasta, nossa doce heroína deve rumar até o castelo e destruir a fonte de todas aquelas trevas que devastam sua terra. Os anões, eternos amigos da princesa, aparecem já para a metade do longa, com o caçador ao lado da moça, como seu fiel escudeiro. O príncipe, que tem um papel bem maior, escapa de seu reino em nome do grande amor de sua infância e, ao encontrá-la, torna-se uma ponta da tensão/triângulo amoroso, do qual o caçador faz parte.

Vai servir à rainha ou servir à rainha? Olha a democracia no castelo das trevas aí gente!

O filme mescla ação e suspense com um pouquinho de drama e romance. A aventura é bem legal e os efeitos e cenários estão fantásticos, como já disse anteriormente. Com uma proposta super interessante, o roteiro tinha tudo na mão, sem nem contar com a produção toda que ganhou, para ser um arraso. Porém, faltou emoção. A relação de todos os personagens é muito mal conduzida. As intenções do roteirista de instaurar uma rivalidade entre a madrasta e a enteada – ou um melhor desenvolvimento de ambas, que são curiosas personagens, sendo uma cruel e poderosa e a outra gentil e frágil, com passados marcantes e trágicos -, uma tensão amorosa entre o caçador e a princesa e mais tarde entre esta e o príncipe, uma amizade entre a mais bela de todas e os anões, além de uma posição mais firme da heroína ao final são muito boas, de fato. Mas para por aí. Não há profundidade, não há um desenvolvimento. O bom trabalho dos atores – com exceção de, claro, Kristen  Stewart, sobre a qual já falo um pouco – não foi suficiente para conseguirmos  personagens cativantes ou com presença. Faltou emoção na colocação de diálogos, cenas etc. Flashbacks tiveram alguns. Mas não foram suficientes para construir, realmente, um bom personagem. Figuras vazias não produzem emoção. E sem emoção não há uma produção empolgante de fazer o público vibrar, o que era bem capaz de esse filme se tornar.

Durante a fuga na Floresta Negra, Kristen continua com sua expressão sofrida-confusa digna de Oscar…

Agora, sobre a Kristen. Eu tentei olhá-la sem preconceitos, afinal, não é melhor apagar as marcar do passado e dar uma segunda chance? Segunda chance dada. Ela não aproveitou. Seu olhares e vazios e quase sempre sofridos – tudo no padrão sofrido: sofrido assutado, sofrido apaixonado, sofrido sofrido, sofrido empolgada, sofrido orgulho… – não dão alma ou figuram o papel que a amável princesa tanto exige. Sei que foi tudo marketing, até porque tem que ser um pouco louco pra gostar do trabalho dela, mas podiam economizar o tanto – e põe tanto nisso – que devem ter gastado pagando a Bella e escalar uma atriz até popular, mas descente. E acreditem, há muitas com esse perfil por aí que honrariam a personagem. Quanto ao resto do elenco, estão todos muito bons, com destaque para Charlize Theron, que está linda, mortal e cruel na medida certa.

Adorei essa cena!

A decepção é que não foi o ótimo filme que podia ter sido. Mas, mesmo assim, é diversão garantida e uma recontagem interessante do conto de fadas.