Cartas, renas e um bom velhinho

Natal é uma das minhas datas favoritas do ano. E isso porque ela carrega tudo o que eu mais espero – mesmo que inconscientemente – de todo ciclo de 365 dias: aquele cheiro especial ( leia um pouco sobre cheiros natalinos na crônica da Igra ), aquelas comidas que dão água na boca ( e que arregalam os olhos ), a família reunida contando histórias que você gosta e não gosta de ouvir e os presentes que você fica animado para ganhar, ao desembrulhar e, às vezes ( partes chatas da data especial ), decepcionado. É tempo também de entregar aquelas surpresas que você guardou no mês de Dezembro ou até mesmo gastou um bom tempo preparando ou juntando dinheiro. Tempo de dar aquele abraço apertado nas pessoas que você vê e não vê, mas que adora e pode demonstrar isso porque, bem, é Natal! Mas, crônica natalina já teve, então eu paro por aqui. Minha proposta com esse artigo é falar da criação dessa data que gosto tanto e que posso que ver que muitos também adoram ( vide shoppings lotados e enfeites com motivos natalinos sendo comprados em massa ).

Todo mundo já conhece a história do nascimento do menino Jesus e que desde então comemoramos seu aniversário. A ceia até tem essa ideia de celebrar a chegada do salvador e algumas famílias ainda preservam a tradição da missa do galo ( tradicional missa católica realizada à meia noite no dia de Natal ). Mas, o que raios a árvore, os presentes e o bom velhinho tem a ver com tudo isso? Bem, vamos por partes.

A árvore – Um pessoal lá da Grécia e do Egito antigos já adoravam árvores específicas. A tradição era a mesma em alguns povos pagãos da Idade Média que não só veneravam às árvores como também as levavam para suas casas e colocavam presentes embaixo delas. E isso nunca teve a ver com Natal. Mas, como essas figuras religiosamente fervorosas antigas não podem ver um paganismo ( né, Guinevere? que nem é freira nem nada… ), um certo monge do século XVIII logo declarou que a árvore era um símbolo sagrado e por isso, deveria ser ligado à Jesus. Então a tradição foi conectada ao Natal e passada a frente. Era comum enfeitar as árvores desde a antiguidade ( mesmo que não com pisca-pisca e derivados ), o que foi transmitidos para os povos católicos e ganhando nova forma com a comercialização de toda a data. Em vários países, podemos ver árvores de natal monumentais que são montadas anualmente. Aqui no Rio, temos a bela árvore da Lagoa ( que, pelo nome, deu pra ver que fica numa lagoa ). Ela se acende toda de noite, no meio da…lagoa, podendo ser vista de perto pelas pessoas que andam de pedalinhos por ali ou avistadas de longe pelos que passam pelas margens. É muito bonito.

Árvore de Natal da Lagoa - Brasil - RJ

Árvore de Natal em Rovaniemi, Finlândia

Árvore de Natal na Trafalgar Square, em Londres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Árvore de Natal em Paris, França

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Papai Noel – Eis a parte na qual todos estavam interessados. Porque a árvore é muito legal e a explicação foi bem bacana, mas, o que é Natal sem o símbolo do generoso velhinho de roupas vermelhas que todos amam? – mesmo sabendo que ele não existe desde os…10 anos? Bem, além de ser um símbolo mais forte que a Árvore de Natal, o Papai Noel tem uma história mais curiosa e bem mais longa. Por tanto, eu, que adoro narrar, vou me divertir, e vocês, tentem aguçar a curiosidade natalina para ler tudo até o final, combinado? Pois bem, vamos lá!

Essa coisa de que não existe um velhinho que se preocupa com todos não é bem verdade. No século IV, o arcebispo São Nicolau Taumaturgo, da Turquia, distribuía sacos com moedas de ouro pelas chaminés para os desafortunados e ainda presenteava crianças sem condições, tudo isso anonimamente. Várias versões apontam esta figura como a base para a criação de dois personagens do Natal: o São Nicolau e o Papai Noel. Como essa transição do santo para um símbolo natalino ocorreu primeiramente na Alemanha, por lá, mesmo com a existência da figura do Papai Noel, eles também preservam a imagem do São Nicolau. No dia 5 de Dezembro, as crianças colocam sapatos para fora de casa e, quando acordam, no dia 6 ( o dia do São Nicolau ), encontram doces dentro de seus calçados. Dizem que essa tradição do santo também é mantida em outros países, principalmente os europeus.

Não sabe-se ao certo como foi feita a diferenciação entre São Nicolau e Papai Noel, mas a questão é que muitos preservam ambas figuras como símbolos distintos do Natal, com datas e tradições que se divergem. E, embora isso não tenha uma resposta, a transformação de um bispo que ajudava os carentes para um velhinho de roupas vermelhas com renas e uma morada no Polo Norte já tem como ser explicado. E isso puxa outra história…

As bochechas dele estavam como rosas, o nariz dele como uma cereja!
A pequena boca divertida dele era tirada para cima como um arco
E a barba do queixo dele era tão branca quanto a neve;

Imagem do Papai Noel de Thomas Nast

O trecho acima foi retirado do poema Uma Visita de São Nicolau, escrito em 1822 pelo professor de literatura grega Clemente Clark Moore. Consegui encontrar o texto inteiro num blog, para quem quiser ler. Nesse poema, Moore descreve a visita da figura Natalina na data especial. Pela primeira vez, associamos à figura do Natal o trenó cheio de brinquedos puxado por oito renas , a chaminé e um ar mágico e bondoso que o bom velhinho emana. Apesar de mais próximo do personagem atual, suas roupas eram de um tom marrom e ainda faltavam certos elementos, como o gorro, sua morada no Polo Norte e os duendes. O visual do Papai Noel como o conhecemos veio na edição de Natal do ano de 1886 da revista Harper’s Weeklys, onde o bom velhinho foi desenhado pelo cartunista Thomas Nast. Utilizando a ideia do cartunista e aproveitando para divulgar a marca no inverno, a Coca Cola divulgou em suas garrafas a imagem do Papai Noel com o traje vermelho e branco ( não só as cores escolhidas por Thomas Nast como também as cores de seu logo ). Logo o refrigerante ficou conhecido por criar a figura atual do bom velhinho, o que na verdade é mentira, uma vez que a divulgação de 1931 somente propagou a imagem já existente.

Papai Noel desenhado por Thomas Nast

Muitos dizem que o Papai Noel mora no Polo Norte, mas, principalmente na Europa, é dito que sua morada ( e sua morada já inclui a fábrica dos duendes, a mamãe noel e um lugar para as renas, claro ) é na Finlândia. No Brasil, em Penedo ( pequena cidade do Rio de Janeiro ), há uma vila do Papai Noel. Como a cidade foi colonizada por finlandeses, o local é oficialmente considerado a casa de verão do bom velhinho. A Finlândia leva bem a sério isso de considerar que o Papai Noel mora por lá. Eles tem um website para o escritório do Noel ( http://www.santaclausoffice.fi/main.php?kieli=eng ). Você pode encomendar uma carta do Papai Noel com seu próprio nome no cartão vindo direto da casa do bom velhinho! Confira: http://www.santagreeting.net/letters.html. Cada cartão custa em média 7 euros ( um tanto caro! ), mas, de qualquer forma, é bacana saber que existe uma central só de correspondência do Noel.

No Brasil, os Correios tem uma campanha há 22 anos de apadrinhamento de cartas. Instituições de crianças enviam cartas para os Correios e este abre uma seleção de ajudantes que irão responder as cartas e padrinhos, que irão presentar as crianças que as escreveram com um presente que ela desejam. Visite o site da campanha e saiba mais: http://www.correios.com.br/papainoelcorreios2011/index.cfm. Infelizmente o período de inscrição de voluntários já acabou. Quem curtiu ( que nem eu! ), fique ligado no ano que vem!

Bem, creio que é tudo. Então, gostaram? Alguma informação extra que gostariam de dividir? Espero que tenham curtido o post natalino especial ;)

Um Feliz Natal para todos, pessoal!