
A adaptação que li
O segundo livro do nosso breve especial de Shakespeare – só de comédias e em homenagem ao dia dos namorados – conta sobre uma personagem feminina pra lá inflexível e emburrada. Vamos, como na última resenha, falar do enredo grifando os personagens.
Batista é um homem de grande fortuna que tem duas belas filhas. A mais velha, Catarina, é brava e insolente, sempre espantando seus pretendentes. A mais nova, Bianca, é doce e e gentil, atraindo para si muitos homens que desejam sua mão. Porém, para o azar de todos, o pai decide que Bianca só poderá se casar após Catarina ser desposada. E todos perguntam: o que fazer para arrumar um marido para a diaba? Eis que chega à cidade Petrúquio, um homem rude e bem doido que aceita se casar com Catarina somente por seu dote. Louco de um modo bem peculiar, ele fará a megera passar por poucas e boas a fim de domá-la. Em contrapartida, temos os cavalheiros disputando pelo amor de Bianca. Lucêncio acabou de chegar na cidade e já caiu de amores pela jovem. Troca de lugar com seu criado, Trânio, e se disfarça de professor particular para poder conquistá-la longe de olhos curiosos. Enquanto isso, seu criado garante a aprovação do pai, comprovando sua fortuna. Grêmio e Hortênsio também disputam a mão da jovem, sendo que este último também se disfarça, porém de professor de música, para conquistar a jovem em particular.

Ilustração da capa pela Anna Anjos
A Megera Domada é um livro super divertido e engraçado com personagens atrapalhados e/ou metidos em enrascadas que garantem uma confusão geral. O modo como todos temem Catarina e como esta não nega seu título de diaba ou língua de cobra é logo a primeira impressão que temos da história. Daí a ver como Petrúquio lida com ela, fazendo-a passar pelas situações mais loucas e imprevisíveis, o enredo só fica melhor. Os criados, no geral, também têm suas cenas. Todos eles são bem atrapalhados e se perdem mais ainda com as estranhas exigências – vários disfarces e outras ordens ainda mais loucas tratando-se de Petrúquio com Catarina – de seus patrões. Uma comédia descontraída com personagens marcantes.
A edição que eu li foi uma adaptação escrita por Walcyr Carrasco, por sinal muito boa, com várias notas de tradutor. Shakespeare faz sempre várias referências a outras histórias, além de contar as coisas como eram naquele tempo ( o que às vezes confunde o leitor que não tem uma observação à mão ). O autor ( Walcyr ) também sempre chama a atenção para algumas expressões ou adjetivos que ele preferiu utilizar em sua versão e quais são eles(as) no original. É um ótimo livro, a edição vale bastante a pena. Minha única reclamação ou dúvida foi a respeito do final, quando percebemos levemente que Petrúquio talvez tenha tido seu gênio domado por Catarina, por quem acabaria se apaixonando. Não sei se no original isso ficou mais claro – o que seria ótimo, pois mostra que o casamento não se trata somente de acordos e que o amor pode surgir das formas mais inesperadas -, mas na adaptação esse detalhe mostrou-se bem vago.
Confira algumas capas do livro:



Capa de uma adaptação da história

Não percam, no domingo, a resenha do último livro desse especial shakespeariano! Trata-se do lançamento da Balão Editorial, Do Jeito que você gosta, uma comédia não tão conhecida do dramaturgo.