Crítica: 007 – Operação Skyfall.

“Mesmo não utilizando todo o potencial que tem, a nova aventura de James Bond cumpre seu objetivo, entretêm e ainda é cheia de estilo.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Aviso: leia este texto ouvindo essa música. Ajuda a criar um clima. :D

Só pelo fato de se ter em mente que uma franquia cinematográfica possui 50 anos de existência, a série 007 já mostra a sua habilidade em sempre atrair novos públicos. Os filmes do super agente, que já tiveram vários atores no papel original – alguns icônicos, como Sean Connery e Pierce Brosnan -, sempre se mostraram dispostos a se adequar a época em que eram lançados. E com Operação Skyfall a coisa não é diferente: numa era de blockbusters explosivos, o novo filme se dedica a ação, mas ainda encontra espaço para o desenvolvimento de personagens, diálogos muito bem elaborados e até um pouco de arte.

E vemos isso logo nos primeiros momentos do filme: com uma sequência de ação espetacular – com direito a James Bond ajeitando sua camisa após ter  pulado de cima de um trator para dentro de um trem e levado um tiro no ombro, tudo filmado da maneira mais clara possível -, o filme já deixa o espectador ligado pelo o que está por vir – ora, se logo na primeira cena já vemos um verdadeiro show, o que mais pode vir depois? Além disso, ainda temos uma cena de abertura SENSACIONAL ao som de Adele. Cena, essa, cheia de simbolismos artísticos e referências sutis ao próprio filme: repare na mansão com várias lápides ao redor, que é banhada por uma chuva de sangue logo após Adele dizer “let the Skyfall”, fazendo referência a residência dos Bond ser repleta de morte, além de ser sincronizada com o que a letra da música diz; e nos vários “alvos silhueta” de James Bond, que surgem descendo tela abaixo, com um buraco no ombro direito, referenciando o tiro que ele leva logo na momentos iniciais do filme. Simplesmente fantástico.

Daniel Craig, mais uma vez, se mostra a escolha certa para interpretar o agente secreto mais famoso do mundo, criando todo uma maneira própria de ser elegante e misterioso, as duas maiores características do personagem. Judi Dench, mais uma vez mandona como a chefe M, faz questão de destacar sua personagem no filme, já que sua importância aqui é grandiosa, principalmente por conta de um acontecimento perto dos momentos finais. Mas quem realmente revela um enorme diferencial perante os outros é Javier Bardem, com seu brilhante vilão Silva, que homenageia os clássicos vilões dos outros filmes do 007, sendo cheio de características próprias e um pouco de pieguice, para relembrar como os estereotipados antagonistas do século passado eram. Aliás, o filme todo é uma homenagem aos antigos: temos cenas de luta vista apenas pelas silhuetas dos combatentes, o retorno do personagem Q (fornecedor de armas de James Bond nos filmes antigos) e um dos carros clássicos usados pelo espião retorna neste filme.

Mesmo sendo impecável em diversos pontos, 007 – Operação Skyfall tem seus problemas. Principalmente quando se intitula, logo quando os créditos sobem, que é o filme comemorativo dos 50 anos do personagem nos cinemas. Para um filme comemorativo, “Skyfall” deveria ter melhor aproveitado o seu potencial. E também o seu diretor: Sam Mendes, que comandou o magnífico Beleza Americana em 1999, aqui surge em diversos momentos no piloto automático, sem demonstrar todo o talento que revelou no longa ganhador do Oscar de Melhor Filme de 99. Sem contar que para um filme de espião, pouco acontece espionagem, e mesmo tendo um vilão rico em personalidade, seus planos se mostram frágeis ao, em diversos momentos, parecerem extremamente simples e óbvios. [SPOILER]Ou você não se incomodou ao ver Silva entrando, sem nenhuma proteção, num tribunal cheio de policiais armados somente com uma pistola na mão para matar M? [SPOILER] Sem contar que o nome “Skyfall”  quase não se revela de vital importância para a trama, e quando o faz é para revelar um pouco do passado de 007, o que trai uma de suas principais características que comentei no início do texto: ser misterioso.

De qualquer maneira, o filme se revela extremamente simpático ao incluir diversas piadas que fluem organicamente durante a trama, e que brincam com a personalidade e atitudes dos personagens. O diálogo entre Bond e Q, na exposição de arte, é extremamente bem humorado, por exemplo, além da brincadeira que um senhor faz ao ver 007 pular com enorme vontade em cima de um dos vagões do metrô. E o que dizer de Bond chamando sua chefe de “vadia” na frente dela? Além de tudo, o filme ainda encontra espaço para desenvolver ainda mais a personalidade de Bond: mesmo sendo chamado de “velho” e “despreparado” em diversos momentos, o agente secreto, ao resolver com maestria diversos problemas, revela ser ainda o melhor no que faz, mesmo com a já “avançada” idade.

Mesmo com algumas falhas que poderiam muito bem serem evitadas, 007 – Operação Skyfall cumpre o seu objetivo: ser um divertido e bem estruturado filme de espionagem, mesmo que prefira se adequar aos tempos modernos e enfocar a ação.

Nota: 8,0.

Ted!

“Hilário e original, o filme sobre o ursinho falante tem potencial para se tornar inesquecível!”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Após assistir ao péssimo “O Ditador”, que chega a ser tão bobo quanto os filmes da franquia “Todo Mundo Em Pânico”, pensei que demoraria um longo tempo até que saísse um filme que, de maneira inteligente, original e inusitada, brincasse com estereótipos do mundo real. Engano meu: pouco mais de um mês após me decepcionar com o novo longa de Sacha Baron Cohen, vou ao cinema conferir “Ted” – e saio de lá extremamente contente com a excelência do filme.

Ted brinca, sem medo, com tudo o que vê pela frente e se destaca ao ser natural quando expõe situações absurdas – como vemos nas cenas em que um homem responsável usa drogas pesadas, pessoas destroem um apartamento durante uma festa e o ursinho que dá nome ao filme faz sexo com sua colega de trabalho. Seth Macfarlane, criador da ótima série Family Guy, mostra-se um competente diretor, roteirista e ator: fazendo inúmeras referências eficazes aos anos 80 e 90 (que, diferentemente de muitos filmes, fluem durante a narrativa e não é necessário profundo conhecimento prévio para entendê-las). Macfarlane ainda cria personagens perfeitos para serem interpretados por Mark Wahlberg e Mila Kunis, que transbordam talento e revelam uma química maravilhosa. As piadas revelam a potência do filme. Elas vão desde comparações entre sentimentos e a força de destruição de um helicóptero apache, um personagem dizer que a Marcha Imperial é a música tema de Diário de Uma Paixão a uma zoação sem piedade com pessoas que se recuperam com sérias sequelas de doenças gravíssimas.

Potência, essa, que pode fazer o filme se tornar um cult, principalmente devido aos seus inúmeros momentos inesquecíveis: a Música do Trovão (com o memorável verso “Fuck You Thunder, you can suck my dick!”), John Bennet falando dezenas de nomes feitos para vadias, Ted comparando uma criança gorda com Susan Boyle e seu chefe que, extremamente do contra, sempre o promove quando este se mostra imaturo, imoral e irresponsável. Mas o que destaca Ted no meio de tantos filmes de comédia que se assemelham a ele é, principalmente, a sua imprevisibilidade de uma maneira geral. Nunca se sabe o que pode acontecer a um ursinho falante que usa drogas e é mulherengo – e a aparição de seu ídolo durante uma festa, a qual ele mesmo dá, mostra isso claramente.

Mas, claro, ele não é livre de problemas. Com um clímax óbvio – por mudar de gênero, de humor para ação, abruptamente – e indeciso – o “morre-não-morre” de Ted é entediante e previsível -, o filme perde pontos. Além disso, o vilão (interpretado por Joel McHale, de Community) é extremamente clichê, o que se revela péssimo para um filme que até então se mostrava extremamente original. Além disso, alguns trabalhos de câmera soam burocráticos, lembrando extremamente o formato televisivo – o que, diga-se de passagem, é bem óbvio vindo de um diretor que sempre trabalhou na televisão.

De qualquer maneira, Ted desenvolve todos os personagens detalhadamente – tornando multifacetados até os secundários -, possui um ritmo bem estabelecido e diverte espontaneamente. Animado, politicamente incorreto e memorável, Ted ainda vai dar muito o que falar.

Nota: 8,5.

Drive!

“Sendo um profundo estudo de personagem, Drive é estiloso, original e memorável!

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

É muito complicado para um crítico fazer um texto sobre um filme que ele, particularmente, é apaixonado. Portanto, se o que você ler a partir daqui for algo entusiasmado demais, peço desculpas: é apenas eu demonstrando imenso carinho por uma obra que gosto muito.

E aconselha-se ler este texto escutando esta música.

Chega a ser surpreendente um filme, em plena era comercial de Hollywood, encontrar espaço para mostrar que cinema é arte. Com uma fotografia excelente, atuações memoráveis e um roteiro original até dizer chega, Drive, adaptação cinematográfica do livro de James Sallis, é digna de aplausos.

O filme é brilhante desde sua primeira cena: com pouquíssimas falas, desenvolvendo a inteligência do protagonista e já dando uma ideia do que estamos prestes a conferir, somos apresentados ao personagem principal e sua profissão: conduzir assaltantes até determinado local após estes cometerem um delito. A partir daí, Drive se mostra um profundo estudo de personagem e cheio de estilo: descobrimos quem é Driver (chamo-o assim pois o filme, em nenhum momento, nos revela seu verdadeiro nome), o que faz além do já citado acima e como funciona o seu cotidiano. E um excelente desenvolvimento de personagem e ambientação, pois tudo nos é mostrado, e não contado.

A atuação de Ryan Gosling é certeira: sempre demonstrando seus sentimentos através de sorrisos ou olhares – e somente falando o que é estritamente necessário – , ele escancara ter sido a escolha certa para interpretar o silencioso motorista. O resto do elenco possui um talento incrível – e destaco Albert Brooks e Bryan Cranston, respectivamente o vilão e o mentor do protagonista, ambos maravilhosos em seus papéis, seja pela frieza dos atos homicidas de um, seja pela ajuda que fornece ao seu amigo do outro.

O roteiro e a direção do filme são dois espetáculos a parte: demonstrando estar inspiradíssimo em diversos momentos – cujos filma com uma câmera lenta impressionante, sempre ao som de alguma das músicas maravilhosas compostas especialmente para o filme – , Nicolas Winding Refn exalta seu talento na direção – e que se importa com a qualidade artística de suas obras. A trama, assim como a cena inicial, é guiada pelas ações de seus personagens, e não pelos diálogos, como vemos em muitos filmes atualmente. Atingindo o limite da originalidade, o roteiro define muito bem o que é: a busca de um homem naturalmente violento por amor e carinho – e tomadas em que vemos o protagonista destruindo o crânio de um capanga mas expressando angústia por estar assustando a sua amada são ao mesmo tempo fortes, pela violência, mas belas, pelo sentimento ali contido.

E gostaria de reservar um parágrafo inteiro para a análise de um cena: a do elevador. Driver e Irene estão indo embora de seu condomínio, e pegam o elevador para descerem. Nele, um homem bem vestido se mantêm calado por um longo tempo. Usando uma câmera lenta brilhante pela sua sutileza, Winding Refn mostra Driver olhando para o paletó do homem – e vendo uma arma ali. Tendo que suportar seu grande amor correndo um risco de vida imenso durante a maioria dos acontecimentos retratados no filme – incluindo a volta de seu marido da prisão – , ele percebe que aquele é o momento perfeito. E, com mais uma sensacional câmera lenta, vemos Driver beijando Irene. O que diferencia este beijo de outros que você já possa ter visto em um filme é  a fotografia: no momento em que Driver empurra Irene para o canto do elevador, repare como as luzes do ambiente  se apagam, sem motivo aparente – e a única ainda acesa é a próxima de Irene, sendo ela a única iluminada. Ela e Driver se beijam, e as luzes continuam apagadas. E, somente após olharem nos olhos um do outro, uma luz se acende sobre ele. O amor que residia em Irene finalmente foi compartilhado com aquele que a amava.

Incrivelmente violento, genialmente romântico e cinematograficamente inesquecível. Isso é Drive.

Nota: 10,00

Resenha: Imortais

Desde que o trailer desse filme foi liberado, no ano passado, eu fiquei com bastante vontade de assistí-lo. Contudo, após sua chegada aos cinemas, os comentários não foram animadores. Perdi a conta de quantas vezes disseram: É um Fúria de Titãs mal feito. Então acabei adiando minha ida ao cinema e quando vi, ele já estava nas locadoras. A vontade de alugá-lo não era grande, mas, em domingos chuvosos, não sei porque, eu quase sempre acabo vendo alguns filmes que estavam parados na lista. Imortais não é um bom filme sobre mitologia grega ou simplesmente de aventura com bastante ação. Contudo, é um filme bom, que peca nesses dois gêneros citados. Serve para diversão descomprometida com ainda espaço para um debate com seus furos. Ou pizza, fica a critério de vocês…

Mostrando ser um concorrente direto de Fúria de Titãs, a produção aposta em dois elementos: um herói  famoso da mitologia grega ( metido num contexto maior do que a sua história de origem, com alguns elementos da mesma ) e uma guerra de deuses. A partir de uma narração didática desncessária, ficamos sabendo sobre a famosa história dos Titãs. Quando estes governavam, estavam em guerra com os deuses. Porém, esses últimos conseguiram vencer e trancaram seus inimigos numa prisão indistrutível dentro do nada acessível Monte Tártaro. Mas, para o bem dos humanos, sempre tem um lunático querendo acabar com a Terra. O rei Hyperion ( ou Hiperião ) quer libertar os titãs e, para isso, procura o Arco de Épiro, a única arma capaz de destruir a prisão na qual eles se encontram.  O escolhido dos deuses – que não podem intervir em assunstos terrenos – é Teseu, um jovem de Creta muito habilidoso e corajoso. Numa jornada ao lado de fiéis aliados ( incluindo uma vidente que os ajuda ), Teseu terá de impedir que o Arco caia nas mãos do rei (e, é claro que isso acontece) e que este invada o Monte Tártaro.

Cobertura no monte olimpo com vista para a Terra. Quem quer?

Vamos falar primeiramente dos pontos fortes do filme. A parte visual é um espetáculo. Desde efeitos especiais a figurinos, construções e cenários, tudo é super caprichado. Apesar de um tanto surreais, as cenas de luta também são boas. Não são confusas como a maior parte dos filmes de ação que assisto e há vários efeitos de câmera lenta para destacar os movimentos. Foram um pouco sangrentas demais. Eram sempre jatos de sangue espirrando para todo lado e muitas perfurações, decapitações, marteladas e por aí vai. O roteiro não é todo muito bom, mas achei que tem cenas bem boladas. Algumas fugas, invasões são bem pensadas, apesar da história do filme como um todo não seguir essa linha. Destaque também para a releitura que é feita da lenda do minotauro. Não só como o bichano é retratado, mas o confronto entre este e Teseu.

Olha o Klaus do The Vampire Diaries! Coitado, só faz porcaria e se ferra…

Tenho que parar de me preocupar com as mudanças escandalosas em adaptações da mitologia grega. Mas simplesmente não entendendo por que os filmes mexem com mitos tão bem bolados –e sempre a fim de criar produções pra lá de inferiores ao lado das histórias que as deram origem. O primeiro detalhe é que sempre tem um herói escolhido. Na mitologia, há muitos heróis. Os deuses nunca vão dar destaque só a um deles. E mais, onde estão os outros? Não faz mal colocar Teseu e Hércules, ou Perseu e Aquiles. Já estão modificando, vamos fazer isso ficar legal e coerente ( uma guerra de deuses afeta o mundo inteiro, não é?)! O segundo detalhe: o Tártaro não fica tão exposto. Ele é um lugar escondido, também conhecido como a parte mais escura e profunda do Submundo. Faz sentido os Titãs serem trancados por lá, lugar onde os humanos dificilmente vão conseguir entrar. Mas não no filme! Terceiro detalhe: deuses não matam deuses! Sabe por quê? Porque eles são imortais! A palavra já explica bastante coisa, acho que o roteirista não leu direito. Eles não morrem, independente de quem os atinge. A única maneira de eles serem destruídos – e não mortos, pois isso não acontece – é retirar sua imortalidade. E só há uma deusa menos conhecida com esse poder, a Nyx, o qual é guardado a sete chaves. Além disso, eles podem sim intervir na guerra dos humanos, como fazem toda hora. Ainda mais quando o problema em questão é libertar os imortais que eles mesmo aprisionaram!

Olha os deuses do filme preparadíssimos pro Carnaval carioca

Lembram quando eu falei que as lutas eram meio surreais? Pois é, quando necessário, o herói ou vilão em questão pode matar cinco homens em segundos – e todos muito bem assassinados. Os propósitos dos personagens não são muito bem colocados. Um dos aliados de Teseu quer escapar, antes de se juntar ao grupo, mas em pouco tempo decide acompanhá-los. Isso sem falar na motivação dos outros personagens, até mesmo os principais.  As construções são bem bonitas, com já disse, mas tem uma estética moderna que não combina com a Grécia antiga. Tudo bem que estamos falando de uma releitura, mas um arquitetura do nosso século não fica legal num filme de época. O mesmo ocorre com a vestimenta dos deuses, todas psicodélicas, não combinando muito com todo o contexto.

Como foi dito no início, Imortais é uma aventura descomprometida. Vale o seu tempo, só não dê prioridade. Apesar de considerar Fúria de Titãs ( ao menos o primeiro ) melhor, se você gostou dele, provavelmente vai curtir Imortais. E ficamos no aguardo de uma adaptação da mitologia grega descente. Aliás, se alguém conhecer alguma, indique! Pelo Olimpo, quero um filme que honre Hércules e companhia…

Resenha: Jovens Adultos

Todos sabemos que crescer pode ser, realmente, bem complicado. Quantos amigos de escola não permanecem naquele mesmo esquema de ensino médio mesmo algum tempo após a formatura ou a entrada a faculdade? Alcançar a maturidade não é para todos, só a idade que ninguém consegue escapar.

Cartaz americano do filme que ilustra de outra forma a protagonista versão matinal

É exatamente sobre isso que fala Jovens Adultos, roteirizado por Diabo Cody ( que escreveu o excelente Juno ), um drama com leves toques de comédia sobre uma mulher de quase quarenta anos que se prende à glória de seu passado escolar. Esta é Mavis, uma escritora fantasma muito bonita e talentosa que está passando por essa crise “adolescente”. Solteira e solitária, ela se vê com o último romance de sua saga para jovens adultos ( adorei a abordagem do gênero literário YA – Young Adults, ou Jovens Adultos – , na história ) em produção, lembrando-se dos seus tempos de escola e, principalmente, da sua paixão da adolescência: Buddy. Determinada, ela viaja até sua cidade natal, onde reecontra várias pessoas que estudavam com ela e consegue rever o tão desejado ex-namorado. Acontece que agora ele está casado e com uma filha bebê, ou seja, nem um pouco disponível. Contudo, passional, atrevida e iludida como uma garota de 15 anos, Mavis investe em seus flertes com Buddy, não ligando para a opinião alheia ou para o casamento dele.

Mavis com cara de poucos amigos ao ver que as coisas não vão tão bem assim…

À medida que vemos suas tentativas em se reaproximar de Buddy, também conhecemos um pouco mais de sua rotina e de suas manias. Um fato interessante e bem expressivo é que ela sempre acorda tarde, arrasada, com cabelos desarrumados e um rosto bem abatido, saindo por aí muitas vezes com pijama e um casaco por cima. Enquanto à noite, ou pelo menos no final da tarde, ela está rigorosamente arrumada e chique. Passa bastante maquiagem e toma muito cuidado com seu cabelo, fazendo diversos efeitos ou colocando um aplique. A história que ela está escrevendo, a qual muitas vezes escutamos alguns trechos, reflete muito sua própria vida e estado de espírito. Para o final isso se torna ainda mais evidente. A direção é muito bem feita. O filme é conduzido basicamente pelo ponto de vista de Mavis, colocando bastante o destaque na personagem e na atriz, desafio bem aceito e conduzido por Charlize Theron. Ela é o destaque do filme. Creio por esse enfoque na Mavis e sua visão de mundo – que foram belamente trabalhados pela atriz, como já bem disse – os outros atores não ganharam um brilho ou reconhecimento muito grande, apesar de nenhum personagem ser deixado de lado por completo ou muito pouco desenvolvido. Sempre os revemos em outras cenas, principalmente no desfecho da história.

Pois é, infelizmente o visual do cartaz americano não era promocional. Ela realmente anda por aí assim de manhã…

Em alguns momentos o filme pode parecer um pouco lento, com o propósito de retratar a solidão e o tédio de Mavis. O bacana do longa é refletir sobre essas pessoas que são como a protagonista, vazias, perdidas, lembrando de seus tempos de adolescente onde tudo era mais fácil e glorioso. Buscar atenção no colégio sempre é bem mais fácil do que conseguir um lugar ao palco na vida adulta. O humor variável e egoísta também é um aspecto interessante e bem característico desses jovens adultos. Charlize bem nos mostra como certas vezes essas pessoas podem estar por demais iludidas ( ou até mesmo com tudo na mão ) e, por isso, com uma postura mais confiante e sexy, como já estivessem de jogo ganho, e, outras vezes, quando a situação foge do controle ou não está bem como desejam, ficam perdidos, entediados e até mesmo agressivos ou mal educados.

Foto da ótima cena na qual Mavis é praticamente menosprezada pelo vendedor de uma livraria que vende “sua” saga.

Jovens Adultos vale seu tempo, se, claro, a proposta te agradar. É um filme bem interessante que faz refletir sobre o que fazemos com nossas vidas e o que realmente queremos fazer. Sobre nossos objetivos e os motivos pelos quais queremos os alcançar. A vida adulta é muito complicada, ainda mais se não estivermos prontos para ela.

O Espetacular Homem-Aranha!

“Mesmo com problemas no roteiro, o filme acerta no elenco e na abordagem diferenciada sobre a história que já conhecemos do Cabeça de Teia.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Em meio a diversas pessoas dizendo que o filme seria terrível por não ser estrelado pelo inexpressivo Tobey Maguire, confesso que estava bastante empolgado com esse reboot do Homem-Aranha nos cinemas. Reboot, esse, que aconteceu muito rapidamente: após meros 10 anos do lançamento do original nos cinemas, a reimaginação vem ao público. E surpreendendo: ágil e com personagens cativantes, os únicos problemas que encontramos em O Espetacular Homem-Aranha estão em alguns furos no roteiro e alguns personagens mal trabalhados.

Mas vamos começar falando sobre o que mais gerou receio nos fãs da trilogia original: Andrew Garfield convence tanto quanto Tobey Maguire? Convence, e extraordinariamente. Até me pergunto o porque de todos acharem Maguire o “Peter Parker definitivo”, se sua interpretação unidimensional não ajudava em nada no desenvolvimento do personagem (tirando o fato de mostrar que ele é um perfeito bobão). Andrew Garfield consegue compor um retrato dos principais dilemas dos jovens atuais – como chamar uma garota para sair, tentar explicar erros aos seus responsáveis e enfrentar descobertas inesperadas. Ele consegue cativar o público ao criar certos “tiques” para o personagem, o que leva a alguns momentos cômicos ótimos – como quando ele convida Gwen Stacy para um encontro e recebe um “sim”. Repare no pé de Garfield, que revela uma felicidade contida, assim como quando Stacy se distancia, e ele repentinamente joga a cabeça para trás e sai caminhando no sentido oposto. Além disso, Garfield ainda consegue criar um alter ego fenomenal, com piadas executadas com um ótimo timing, mas fazendo-o parecer um “troll” da internet. Emma Stone, bela como sempre, consegue fazer de Gwen Stacy um par perfeito para Peter, ao também demonstrar felicidades contidas (note os sorrisos enormes que ela deixa escapar quando Peter fala que pode encontrá-la naquele dia mais tarde) e alguns tiques (como quando ela faz um discreto passo de dança ao dizer “sim” para Peter quando este a chama para sair). Mas, infelizmente, o roteiro não a aborda muito bem, e ela passa grande parte do filme sem aparecer – e sem mostrar uma necessidade aparente (além, claro, da ajuda que ela dá a Peter durante o clímax).

E ai começam os problemas de O Espetacular Homem-Aranha. O roteiro, que passou pelas mãos de três profissionais, deixa bem claro que isso aconteceu: com alguns problemas de ritmo (de lento para rápido, e depois para muito lento) e de continuidade narrativa (perceba como, ao passar do tempo, os diálogos ótimos que vimos no primeiro ato vão se dissipando até sumirem completamente), o filme ainda deixa algumas pontas soltas – como o ladrão da estrela no pulso, que é ignorado completamente após determinado momento do filme. Alguns reclamam que outra ponta solta é a história dos pais de Peter, mas não vejo problema algum dela não ser explicada, pois além do filme não ter prometido concluí-la (com a exceção da campanha de marketing, que sempre falava sobre a “História Não Contada”), ela foi apenas um empurrão para os acontecimentos póstumos: Peter encontra a fórmula que Connors precisava, Curt Connors se torna uma ameaça e Peter descobre que precisa se tornar um herói para detê-la. E por falar em Curt Connors, Rhys Ifans está bem no papel, mas o personagem é problemático: além de ser um claro plágio do Duende Verde do filme original (ao vermos ele escutando vozes e discutindo consigo mesmo), ele ainda possui motivações mal resolvidas, pois ele somente afirma que queria que todos fossem “seres perfeitos”. Somente citar o que ele quer não é o suficiente para fixar a ideia. Além disso, o filme é um tanto longo demais. Algumas cenas – como o Homem-Aranha se balançando em direção ao prédio da Oscorp no final – são longas demais sem necessidade nenhuma,

Tirando isso, o filme é ótimo. As cenas de ação são bem “esclarecidas”, com pouquíssimos cortes e ângulos de câmera, em diversos momentos, inspiradíssimos de Marc Webb. Fiquei de queixo caído em cenas como a em que Peter “enterra” na cesta de basquete e em quase todas as suas lutas contra o Lagarto – um vilão digno, que realmente impõe uma ameaça ao herói. Herói, esse, que finalmente faz jus ao seu nome: a movimentação do Homem-Aranha e o comportamento de Peter em casa realmente lembram um aracnídeo em diversos momentos, e destaco aquele em que o personagem caminha sobre o vilão e resolve os deveres de casa pendurado de cabeça para baixo.

A trama é a mesma do filme anterior – a única diferença são as sutilezas da escolha de Marc Webb em confiar no público para que este entenda determinados aspectos. Como, por exemplo, a aderência acentuada nas mãos e nos pés de Peter: no filme original existe uma necessidade de explicar bem direitinho como funciona aquilo. Nesse novo filme, já que o público sabe exatamente como ocorre tudo, Webb não perde tempo explicando – é “assim” e pronto, o que se revela uma escolha inteligente. E também vale lembrar a cena em que Peter discute com o Tio Ben – interpretado maravilhosamente por Martin Sheen, que é amigável quando seu sobrinho precisa e racional quando ele faz alguma besteira -, quando este transmite a ideia central do “Com Grandes Poderes, Vem Grandes Responsabilidades” de uma outra maneira, utilizando expressões totalmente diferentes.

Mesmo com seus incomodantes defeitos, O Espetacular Homem-Aranha é divertido, empolga e nos apresenta a uma nova visão dos personagens que já conhecemos – e a novos também.

Nota: 8,0

Ps: o 3D é opcional: não tem nenhuma função narrativa, mas possui diversos momentos interessantes em que diversos objetos – e até lugares – saltam aos olhos. Então escolha com sabedoria. :)

Indicação de Filme: A Vida Secreta das Abelhas

Tanto tempo que não apareço aqui né gente? Já estava com saudades, afinal não tem um post que publico no Blog das Resenhas que não receba comentários. É praticamente mágica, por isso muito obrigada!

O filme que vou falar hoje é ‘A Vida Secreta das Abelhas’, um dos meus filmes favoritos e, por incrível que pareça, da minha mãe também (podia falar isso aqui?). Na verdade as pessoas me pedem muitas dicas de filmes e sempre recomendo os meus favoritos ou os últimos que assisti. E esse sempre, sempre, sempre mesmo! Esse é bem elogiado, então vamos lá?

O filme a Vida Secreta das Abelhas se passa na racista Carolina do Sul de 1964. E conta a historia de Lilly Owens, uma garota de 14 anos que sofre pelo fato de ter causado um acidente que levou a morte de sua mãe. Ela vive com o pai T. Ray (Paul Bettany) que a maltrata por não perdoa-lá pelo ocorrido. Sem conseguir respostas de sua mãe através do pai, Lilly decide fugir com sua melhor amiga e empregada Rosaleen (Jennifer Hudson) mas a única pista que pode levá-las ao passado de sua mãe é uma pequena cidade do interior. Na cidade, elas conhecem as negras August (Queen Latifah), June (Alicia Keys) e May (Sophie Okonedo), que vivem de fabricação de Mel e são completamente respeitadas e totalmente independentes; e ao contrario do que Lilly pensa as irmãs Boatwright tem muito a dizer a ela.

O longa metragem é baseado no livro ” A vida secreta das Abelhas” escrito por Sue Monk Kidd que foi um premiado best seller. Assim como o livro, o filme é maravilhoso e nos deixa inúmeras mensagens sobre a vida mostrando que passado, presente e futuro se misturam como os favos de uma grande colméia chamada vida.

Com roteirista, escritora, diretora e as atrizes principais mulheres não tem como negar que o filme tem uma visão bem feminina. Os temas principais abordados são o  racismo e a vida em família, talvez muitas pessoas achem que o filme seja um tanto sentimentalista, por passar mensagens defendendo o correto, o bonito e principalmente o sensível. Mas na minha humilde opinião, vale muito a pena assistir. E se você ainda pensa que filmes assim são para “mulherzinhas”, tá na hora de se desapegar desse estereótipo!

Lembrando que nesse filme a Dakota ainda esta bem novinha, mas radiante. Ela protagoniza seu primeiro beijo na telinha e sim com o menino cuja a cor da pele é diferente da dela. Não isso não é um acesso de racismo (mesmo porque nem sou), mas a questão é que isso a 50 anos atrás era totalmente inimaginavel.

Também esta no elenco Jennifer Hudson, Alicia Keys e Queen Latifah, ambas cantoras e atrizes repletas de prêmios.

Pra quem esta estudando o racismo na escola, essa é uma boa dica. Sempre procuro assistir filmes históricos, assim fixo mais sobre o que estou aprendendo ou o que já vi. Ajuda bastante!

 Trailer:

Já tinham assistido o filme? O que acharam? Comente.

Prometheus!

“Um filme sobre o despertar de ideias.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Fazer ficção-científica na Hollywood de hoje é um negócio complicado. Além de ter que encarar os já clássicos clichês e estereótipos, os roteiristas e diretores também devem tomar cuidado para não, simplesmente, fazer um filme ação com inúmeras explosões, mortes banalizadas e um final feliz onde o mocinho se impõe ao vilão. Felizmente, Prometheus passa longe disso, além de ser cheio de referências a filmes clássicos do mesmo gênero.

Mostrando estar inspiradíssimo, o já cultuado diretor Ridley Scott começa suas referências logo na primeira tomada do filme, ao enquadrar um determinado planeta de uma maneira extremamente parecida com a qual Stanley Kubrick faz em 2001 – Uma Odisseia no Espaço, também em sua tomada inicial. Note, também, que um dos trajes espaciais expostos nos corredores da Prometheus se assemelha muito com um dos trajes do filme de Kubrick. E na cena em que David anda sozinho pela nave ao som de música clássica, Scott também cria uma rima com 2001. Além de citar o filme de ficção-científica mais influente de todos os tempos, Scott faz referências a um de seus próprios filmes: perceba como as duas tomadas da cena em que a tripulação acorda, após uma hibernação induzida, se assemelham bastante com as utilizadas em Alien – O 8º Passageiro, na cena em que o bebê Alien se revela na mesa do café da manhã.

Após chegarem ao seu destino, guiados pela questões universais (De onde viemos? Por que?), o que mostra que nenhum dos personagens jamais leu ou viu O Guia do Mochileiro das Galáxias, a equipe da nave Prometheus logo inicia sua investigações. Ao entrarem na base dos Engenheiros, a direção de arte do filme é de cair o queixo. O cuidado de Ridley Scott em se aproximar da realidade o levou a construir todos os cenários, que foram detalhados com esmero. E destaco a enorme cabeça localizada no centro do “depósito principal” da base: além de ser bela, mostra que os Engenheiros possuíam uma religião, e que aquilo provavelmente representava seu deus. E perceba como ela se parece extremamente com eles - ”E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Gênesis 1:26″.

Ou seja: teriam os engenheiros passado a sua religião a nós também? Bem, essa é uma das muitas perguntas que Prometheus não responde, e que muitos veem como um problema do filme, mas que acredito ser uma maneira de despertar ideias no público, para fazê-lo pensar. A partir daqui, revelarei momentos do filme, assim como informações cruciais, portanto, continue lendo apenas se você já viu o filme – ou se não se importa de levar spoilers na cara.

Respostas para Prometheus?

Como amante do cinema interpretativo (que coloca as informações na mesa mas que deixa o espectador tirar suas próprias conclusões, como A Origem, Ilha do Medo, entre outros), é claro que parei um tempo para pensar nas perguntas de Prometheus – e nas respostas que seriam plausíveis dentro daquele universo. Portanto, nos próximos parágrafos, enumerarei as perguntas e em seguida colocarei as respostas que encontrei e que achei que seriam satisfatórias.

1. – Como os nossos antepassados sabiam da existência do mapa? - Simples: os engenheiros vinham de tempos em tempos visitar suas criações, aqui na Terra. A prova disso são as semelhanças que encontrei entre a religião deles e o nosso cristianismo, além de que seria a melhor justificativa para o porquê de uma raça tão primitiva como a nossa saber da existência de planetas tão distantes. E não se esqueça: sacrifícios são características das civilizações americanas pré-colombianas. O que vemos um dos engenheiros fazendo na primeira cena do filme? Um sacrifício.

2. – Por que David infectou Holloway? - Note como ele, após entrar na base dos Engenheiros, começa a apertar todos os botões que vê. Ou seja, ele estava testando aquilo, vendo aonde iria chegar – e o que sustenta isso é quando ele abre um dos portões, que leva os exploradores para a câmara aonde existe a cabeça gigante, além dele roubar um dos muitos vasos que existiam lá. Logo em seguida, vemos ele abrindo o vaso, e checando o que encontrava dentro dele. E, após infectar o Holloway, note como Ridley Scott faz questão de mostrar David olhando para o infectado, procurando por reações. Portanto, David estava testando as reações humanas àquele líquido preto encontrado dentro dos vasos. Ele estava vendo aonde aquilo iria chegar.

3. – Por que a cabeça encontrada do Engenheiro explode? - Para entender isso, basta prestar atenção ao filme. Antes de colocar aquele aparelho dentro da cabeça do alienígena, a Dra. Elizabeth Shaw explica que aquilo vai reanimá-la. Ou seja: aconteceria com a cabeça o que teria acontecido se o Engenheiro não tivesse morrido. Então, se o Engenheiro já tivesse tomado aquele líquido preto, aconteceria aquilo. Mas como saber se ele tomou? Minha teoria não é muito concreta, mas note pelos hologramas que o Engenheiro morto tropeça, sem contar que ele estava atrasado em relação aos outros. Então, ele poderia ser o precipitado ou burro da equipe, e além de estar atrasado e ter tropeçado, ele poderia já ter tomado o líquido negro que o mataria. Portanto, é plausível que sua cabeça explodisse após ser reanimada.

4. – Por que os Engenheiros queriam nos destruir? - Talvez isso seja explicado numa provável continuação, mas tenho a teoria de que eles simplesmente viram que… deu M@#%!. Sendo verdadeira a teoria que, de tempos em tempos, eles vêm para a Terra para passar seus conhecimentos (principalmente religiosos), eles podem ter vindo para cá novamente (2000 mil anos atrás, como o filme mesmo explica) e visto que o ser humano se tornou uma péssima espécie, e decidido destruí-la, já que somente fazia mal a si mesma e ao mundo (um breve estudo de história revela que, naquela época, o ser humano já se revelava extremamente egoísta). Então, alguma coisa deu errado, e quase todos os Engenheiros morreram. Provavelmente por conta daquele líquido preto.

[FIM DOS SPOILERS]

E por que tantas questões sem respostas são levantadas pelo filme?

Para essa pergunta, consigo encontrar duas respostas. Primeira: para despertar ideias no espectador, chamá-lo para dentro do filme e perguntá-lo o que ele acha que é tudo aquilo. Ou seja, fazer com que você crie sua própria interpretação sobre tudo o que está ocorrendo, e isso é muito bacana vindo de um blockbuster como Prometheus. E segunda: imagine que você está indo a um planeta distante, numa expedição para procurar vida extraterrestre. Ao chegar lá, você encontra uma base militar abandonada, apenas com materiais criados pelos alienígenas e os corpos deles. Você conseguiria obter respostas imediatamente?

Desculpe, mas acredito que não.

Sim, mas e a crítica ao filme?

Voltando a crítica tradicional, Prometheus peca bastante ao ser extremamente didata. Didatismo esse que, se retirado do filme, não faria a menor diferença – como na cena em que o geólogo do grupo explica que as esferas prateadas que emitem luzes vermelhas vão escanear o local. Bastava mostrar elas escaneando (veja o trailer do filme, fica CLARO que é isso que elas estavam fazendo) e o modelo holográfico se formando numa mesa dentro da nave Prometheus. Não havia a necessidade de explicar aquilo, assim como não havia a necessidade do personagem de Idris Elba explicar TUDO o que estava acontecendo ali para a personagem de Noomi Rapace, sendo que as cenas mostradas já nos faziam deduzir aquilo. Se o roteirista, Damon Lindelof (responsável por Lost), queria aproximar os dois personagens para justificar uma atitude heroica por parte de um deles logo depois, que fizesse isso sem ser didata. E o que falar sobre o biólogo que brinca (isso mesmo, BRINCA) com um animal extraterrestre completamente desconhecido, e visivelmente hostil? Outro problema que encontrei foi a Dra. Shaw ser praticamente indestrutível, não importa o que aconteça de ruim com ela, tornando sua personagem um tanto irreal. Todos esses furos são imperdoáveis no roteiro do filme.

Em compensação, Michael Fassbender está SENSACIONAL na pele do robô David, com um trabalho de voz e gestos que se mostram terem sido planejados previamente por ele. Noomi Rapace dá uma carga emocional pesadíssima a sua personagem, que grita, chora e até luta quando necessário. O resto dos personagens, por incrível que pareça, são apenas enfeites – e me admira muita gente dizendo que eles são estereótipos pesados, já que nem aprofundados pelo roteiro eles são.

As cenas de ação são maravilhosamente filmadas, com poucos cortes e um total entendimento do que está acontecendo em tela. O terror do filme também é ótimo: confesso que fiquei extremamente tenso em duas cenas – [SPOILER] a em que o geólogo e o biólogo são atacados, a do aborto e a morte de Holloway [FIM DO SPOILER], todas cruas e extramente pesadas. Existe uma reviravolta interessante pouco antes do clímax do filme, o que faz o espectador ficar mais ansioso para o que vai acontecer ali.

Portanto, não se iluda com críticas negativas – nem com as positivas – para Prometheus. Vá ao cinema, assista ao filme (pois todo filme nos ensina alguma coisa, mesmo que seja pelo mal exemplo) e defina sua opinião sobre. E tente responder as questões levantadas a sua maneira, claro.

Nota: 8,5

Ps: no Facebook, avisei que a nota do filme seria 8,0. Mas ao terminar de escrever a crítica, não vi motivos para dar uma nota tão “mediana” a um filme tão bom.

Homens de Preto 3!

“Potencial levemente desperdiçado.”

Por Bruno Albuquerque de Almeida!

Sabe aquele filme em que você nota que um dos atos/ cenas/ situações teve o seu conceito mudado durante o processo de finalização? MIB – Homens de Preto 3 é um bom exemplo disso, onde nota-se que o primeiro ato possui um ritmo completamente diferente do resto do filme. Ou seja: ou o primeiro ato foi repensado pelo diretor Barry Sonnenfeld  durante a montagem do filme ou todo o resto foi refeito. E ai, qual o mais provável?

Primeiramente: nota-se uma variação enorme no ritmo do primeiro ato. Inicia com um prólogo relativamente arrastado, em que nos apresenta o novo – e extremamente caricato, o que atrapalha um pouco o filme, diga-se de passagem – vilão, para logo em seguida já mostrar os agentes K e J durante a conclusão de um caso alienígena, onde o filme acelera seu ritmo bruscamente. Para logo em seguida, como você já deve presumir, voltar a se arrastar, durante a cena do bar chinês, onde temos uma burocrática cena de ação. Aliás, todo esse primeiro ato é burocrático, pois notamos que o filme quer nos reapresentar àquele universo sem cair no óbvio. E ele não cai, o que é bom, mas para isso sacrificou a sua montagem, que é realmente péssimo, já que a montagem de um filme é um recurso que deve evitar ao máximo os erros para uma narrativa fluida e sem quebra de raciocínio, o que infelizmente não ocorre no início de MIB 3.

Tirando isso, a partir dali o filme acerta bastante. O K de Josh Brolin é praticamente o mesmo K de Tommy Lee Jones, o que é um acerto tremendo se formos considerar a continuidade do roteiro. Os efeitos visuais magníficos, sempre em prol da trama, são bastante detalhistas, e destaco as cenas de viagem no tempo – que, aliás, nos rende um momento divertido, inesperado e nem um pouco didata (como muitos filmes que tentam dar uma de complexos são), o que é uma bela surpresa. As cenas de ação (tirando a do restaurante chinês, como comentei antes , que para uma cena de ação possui cortes que podemos contar nos dedos e ângulos de câmera um tanto equivocados) são bem realizadas, com poucos cortes e ângulos que permitem um total entendimento do que está acontecendo – diferentemente de um Transformers da vida, onde Michael Bay faz cortes o tempo inteiro e mal conseguimos entender o que está acontecendo ali.

E o Will Smith? Bem, exagerado. Bastante. Somente duas piadas vindo dele funcionam (a do peixe na privada e a do carro roubado), sendo que todas as outras são forçadas e óbvias demais para provocarem o riso: “Esse dai veio do planeta Bizarro!” se mostrou tosco desde sua aparição no trailer. Tirando isso, temos piadas sobre as ocultações que a NASA faz, sobre celebridades que na verdade são alienígenas monitorados (notem no plano de fundo nas cenas filmadas na base dos MIB: vemos, nos telões, Lady Gaga, Yao Ming e Tim Burton, sendo esse último o que mais me fez rir) e sobre o racismo exagerado nos EUA na década de 60 e nos dias de hoje (a fala da meninazinha no colo da mãe quando J procura por K é ótima).

A conclusão possui um teor melodramático, mas que te emociona por envolver o passado de um dos personagens – e sim, me fez chorar um bocado – e um recurso narrativo interessante chamado de Pista e Recompensa, onde vemos um objeto que é rapidamente nos mostrado durante a narrativa que, em determinado momento (quase sempre no clímax) se mostra importante. No caso de MIB 3, o objeto é um relógio de bolso, que surge durante o filme para desenvolver uma habilidade especial de um dos personagens, e que depois ajuda na construção da carga dramática no clímax. Bonito.

Mesmo com alguns defeitos e exageros, o filme brinca de uma maneira interessante com o recurso da viagem no tempo e faz diversas piadas que funcionam. Divertido, mas nada mais do que isso.

Nota: 7,0

Resenha: Branca de Neve e o Caçador

A segunda e última adaptação do conto da Branca de Neve de 2012 chega às telonas. Diferente do divertido Espelho, Espelho Meuesse longa traz uma versão mais sombria para a história da princesa. Com sua atmosfera dark e fantasiosa, um elenco admirável, cenários, figurinos e efeitos especiais belíssimos, a super produção tinha tudo para ser épica. Porém, permaneceu só no “legal”. Vale seu ingresso. Mas podia valer uma dúzia deles – e com certeza custou ao estúdio tanto quanto.

A mais bela, como também a mais cruel e mortal…

A história vocês já devem conhecer bem. A princesa, perseguida pela rainha ( que nesta versão deseja seu coração para alcançar a imortalidade! ), é encurralada pelo caçador mercenário, o qual cai pelos encantos da bela jovem. Esta é a única do reino que poderá, além de matar a rainha má, subir ao trono para instalar a paz novamente. Fugindo dos exércitos de sua madrasta, nossa doce heroína deve rumar até o castelo e destruir a fonte de todas aquelas trevas que devastam sua terra. Os anões, eternos amigos da princesa, aparecem já para a metade do longa, com o caçador ao lado da moça, como seu fiel escudeiro. O príncipe, que tem um papel bem maior, escapa de seu reino em nome do grande amor de sua infância e, ao encontrá-la, torna-se uma ponta da tensão/triângulo amoroso, do qual o caçador faz parte.

Vai servir à rainha ou servir à rainha? Olha a democracia no castelo das trevas aí gente!

O filme mescla ação e suspense com um pouquinho de drama e romance. A aventura é bem legal e os efeitos e cenários estão fantásticos, como já disse anteriormente. Com uma proposta super interessante, o roteiro tinha tudo na mão, sem nem contar com a produção toda que ganhou, para ser um arraso. Porém, faltou emoção. A relação de todos os personagens é muito mal conduzida. As intenções do roteirista de instaurar uma rivalidade entre a madrasta e a enteada – ou um melhor desenvolvimento de ambas, que são curiosas personagens, sendo uma cruel e poderosa e a outra gentil e frágil, com passados marcantes e trágicos -, uma tensão amorosa entre o caçador e a princesa e mais tarde entre esta e o príncipe, uma amizade entre a mais bela de todas e os anões, além de uma posição mais firme da heroína ao final são muito boas, de fato. Mas para por aí. Não há profundidade, não há um desenvolvimento. O bom trabalho dos atores – com exceção de, claro, Kristen  Stewart, sobre a qual já falo um pouco – não foi suficiente para conseguirmos  personagens cativantes ou com presença. Faltou emoção na colocação de diálogos, cenas etc. Flashbacks tiveram alguns. Mas não foram suficientes para construir, realmente, um bom personagem. Figuras vazias não produzem emoção. E sem emoção não há uma produção empolgante de fazer o público vibrar, o que era bem capaz de esse filme se tornar.

Durante a fuga na Floresta Negra, Kristen continua com sua expressão sofrida-confusa digna de Oscar…

Agora, sobre a Kristen. Eu tentei olhá-la sem preconceitos, afinal, não é melhor apagar as marcar do passado e dar uma segunda chance? Segunda chance dada. Ela não aproveitou. Seu olhares e vazios e quase sempre sofridos – tudo no padrão sofrido: sofrido assutado, sofrido apaixonado, sofrido sofrido, sofrido empolgada, sofrido orgulho… – não dão alma ou figuram o papel que a amável princesa tanto exige. Sei que foi tudo marketing, até porque tem que ser um pouco louco pra gostar do trabalho dela, mas podiam economizar o tanto – e põe tanto nisso – que devem ter gastado pagando a Bella e escalar uma atriz até popular, mas descente. E acreditem, há muitas com esse perfil por aí que honrariam a personagem. Quanto ao resto do elenco, estão todos muito bons, com destaque para Charlize Theron, que está linda, mortal e cruel na medida certa.

Adorei essa cena!

A decepção é que não foi o ótimo filme que podia ter sido. Mas, mesmo assim, é diversão garantida e uma recontagem interessante do conto de fadas.